quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Se a Biles e o Phelps podem, você e eu também podemos!

Aquela menina tinha apenas três anos quando os serviços sociais tiveram que intervir para resgatá-la junto aos seus três irmãos, pois eram filhos de uma dependente de álcool e outras drogas. A custódia foi tirada da mãe. A menina foi criada pelo avô e sua esposa. Aquela garotinha poderia traçar uma história pautada nas dores de não ter sua mãe perto, da rejeição, da sua tristeza, mas ela optou por ser simplesmente a Simone Biles.


"Quando era mais nova me perguntava o que teria sido da minha vida se nada disso tivesse acontecido. Às vezes ainda me pergunto se minha mãe biológica se arrepende e se queria ter feito as coisas de forma diferente, mas evito me prender a essas perguntas porque não sou eu quem tem que respondê-las". Palavras de Simone Biles.

Certamente as medalhas de ouro não suprem o que as drogas tiraram dela, mas ela soube seguir adiante, apesar disso.

E o que dizer sobre Phelps? Michael Phelps atingiu o auge de sua carreira, com 8 medalhas de ouro, nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Mas, depois veio a crise, quando aos 23 anos, ele foi fotografado fumando maconha durante uma festa. Com isso, a Federação de Natação dos Estados Unidos o suspendeu por três meses. Em Londres, no ano de 2012, ele conquistou 6 medalhas, sendo 4 de ouro e 2 de prata, e após a competição, anunciou sua aposentadoria. No entanto, voltou a ser assunto em 2014, quando foi preso por dirigir embriagado e em alta velocidade. Perdeu a carteira de motorista e ficou 18 meses em regime de condicional. Como afirmou o seu técnico, “ele estava indo por um caminho ruim, e indo rapidamente”. Phelps chegou ao fundo do poço, tentando lutar contra o alcoolismo, mas com pensamentos suicidas o consumindo cada vez mais.

Entretanto, ele fez uma escolha: a escolha de não se entregar! Após a leitura do livro “Uma vida com propósitos”, de Rick Warren, Phelps se internou em uma clínica de reabilitação para tratamento. Além disso, decidiu perdoar e se reconciliar com seu pai, de quem ele guardava grande mágoa por ter saído de casa quando o nadador tinha 9 anos.


E o que vimos aqui no Brasil? Um Phelps de 31 anos de idade, com sua esposa e filhinho, e aquele sorriso da superação que parecia dizer: “Eu consegui. É possível!”... E claro, muitas medalhas de ouro obtidas na piscina!

Vai lá, Phelps, um dia de cada vez!

Por que estou falando sobre eles? Para mostrar que temos escolhas, sempre. E também para aumentar a nossa autoestima. Nós, familiares ou dependentes químicos, podemos ser o que quisermos e o que decidirmos ser.

Acho que já falei aqui que quando minha mãe descobriu a gravidez, uma enfermeira sugeriu que ela fizesse o aborto, por saber da história do meu pai com as drogas, e supostamente por acreditar que “filho de drogado” não tem futuro.

Na semana passada, algumas colegas (que não vivem e não entendem nada do assunto) estavam conversando, quando começaram a falar sobre uso de drogas. Fiquei quietinha, só ouvindo. De repente, uma delas falou que a esposa de um dependente químico se tornou dependente também porque é muito difícil não “usar” convivendo com um usuário.

Oi???

Ou seja, a realidade é que boa parte da sociedade condena os filhos de dependentes químicos, não acreditam na recuperação dos dependentes, e questionam a integridade das companheiras (namoradas, noivas, esposas e ex) de dependentes químicos.

O que eu quero dizer com esse post é: Ei, você que está lendo, não dê ouvidos a rótulos, você pode ser o que quiser, desde que se dedique a isso. Acredite! Lute! Você pode!

Sabe por que a Biles e o Phelps estão conseguindo? Porque eles são resilientes!

Ser resiliente é ter a habilidade de persistir nos momentos difíceis. É ter um objetivo na vida e focar nele. É saber que quando a tempestade passar, nos tornaremos mais fortes, e não é qualquer ventinho que vai nos derrubar, ou mesmo balançar. É saber que tudo passa. É ter força. É ter fé. É depois da queda, conseguir se levantar, apesar das cicatrizes, apesar da dor, e seguir adiante...

Ser resiliente é saber que, mesmo com o “apesar de” que nos acompanha, podemos ser felizes, e a vida segue... E ela vale muito a pena, sempre!


Quanto a minha família, passamos por uns dias difíceis por aqui.

Aconteceu uma recaída (ou lapso, sei lá) do meu familiar, no final de julho, após mais de 1 ano e 1 mês limpo.

Fácil? Não. Mas, é preciso seguir, não é mesmo?

Quando me perguntam como o familiar deve lidar com a recaída, digo o seguinte:

“Por um lado, nós familiares devemos nos preparar para as recaídas, mas por outro, podemos buscar viver cada dia como se elas não existissem...”

E é isso. Eu me permiti isso naquele um ano, um mês e doze dias... Quando ela chegou, doeu, tive medo. E agora, sigo novamente sem pensar nela... E trinta dias se passaram desde então. Um dia de cada vez.

E hoje vou finalizar com um texto que achei forte e muito real:

"Enquanto você não curar as feridas do seu passado, você vai sangrar. Você pode estancar o sangue com comida, com álcool, com drogas, com cigarros, com trabalho, com sexo; mas eventualmente, a ferida vai vazar e manchar a sua vida. Você precisa encontrar forças para abrir a ferida, colocar sua mão lá dentro e arrancar a raiz da dor e as memórias que te prendem ao passado e fazer a paz com eles." (Iyanla Vanzant)

Beijo no coração de vocês!
Fiquem com Deus!
Poly