quinta-feira, 21 de julho de 2016

Acredite, a culpa não é sua!



Boa noite!

Nas ultimas duas semanas estive em dois grupos de famílias de dependentes químicos, oferecidos por órgãos governamentais. No primeiro havia uma média de quatorze pessoas, e no segundo, vinte e uma.

Ouvindo os relatos, vendo as lágrimas, as marcas, e tentando ler essas pessoas por dentro, consegui identificar nitidamente algo muito pesado...

“Ele dava sinais de que tinha algum problema, algum transtorno, mas eu não percebi... Talvez se eu tivesse o levado ao médico antes...”

“Eu dava muita atenção ao irmão dele que era doente, daí acho que ele ficou de lado, talvez se eu tivesse percebido isso antes...”

“Eu tomei um remédio forte quando já estava grávida, mas eu não sabia da gravidez, no entanto, eu não desejei aquele filho naquele momento, acho que foi por isso...”

“Eu fui muito ausente...” “Eu fui muito autoritária(o)...” “Eu deixei ele fazer tudo...””Eu me separei do pai dele...”

Que sentimento vocês identificam nos relatos acima?

Isso mesmo... a culpa. Muita culpa.

E a culpa é algo tão pesado de se carregar. É bem difícil carregá-la e conseguir se manter de pé. Imagine então se seria possível se manter de pé e ainda ajudar o nosso familiar a se levantar, com esse baita fardo nos nossos ombros...

E geralmente, quando somos movidos pela culpa, também somos movidos pelo descontrole de tentar fazer todas as loucuras do mundo para o outro e pelo outro (inclui-se aí a nossa autoanulação e a facilitação ao uso de drogas dele, uma vez que você sempre resolve os problemas em que ele se mete – para tentar aliviar o peso da culpa).

A sociedade joga a culpa na família. A mídia muitas vezes também. Alguns Juízes também. Alguns educadores também.

É aquela velha história: se seu filho se tornou um bom homem, você é uma mãe/pai de sorte, mas se ele tiver um problema, a culpa é sua. Né?!

E o pior de tudo, não precisa de ninguém nos apontar o dedo, pois nós já fazemos esse papel muito bem.

“O que eu deixei de fazer para que ele ficasse bem?” “O que eu fiz para que ele recaísse?”

Fardo pesado demais...

Eu diria que é quase impossível de carregá-lo.

Então o que fazer?

Vamos tentar nos livrar disso?!

Como?!

Entenda:

Dependência química é doença!

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a “dependência química como um estado psíquico e físico que sempre incluem uma compulsão de modo contínuo ou periódico, podendo causar várias doenças crônicas físico-psíquicas, com sérios distúrbios de comportamento. Pode também, ser resultado de fatores biológicos, genéticos, psicossociais, ambientais e culturais, considerada hoje como uma epidemia social, pois atinge toda gama da sociedade, desde a classe social mais elevada a mais baixa.”

Dependência química é uma doença crônica como a diabetes, por exemplo.

Você tem diabéticos na família? Sim?
Agora pense, você se sente culpada(o) por isso? Provavelmente não. Ok.

Já a dependência química é uma doença que, leigamente falando, altera o cérebro do seu familiar. E agora me responda, como você pode ser culpada(o) por isso?!

Fatores de risco e de proteção.

Indivíduo, família, escola, colegas e comunidade.

Todos esses fatores exercem influência sobre alguém. Quanto mais fatores de risco, mais vulnerável alguém estará ao uso de drogas. E, por outro lado, quanto mais fatores de proteção, mais fortalecido contra o uso de drogas alguém estará.

Exemplo: um indivíduo que tem uma boa autoestima, tem em si um fator de proteção. Um indivíduo com baixa autoestima, fator de risco. Quer dizer que todo mundo que tem baixa autoestima vai usar drogas? Claro que não! É apenas UM fator. E a questão do uso de drogas é muito complexa, engloba vários fatores!

Agora vamos falar então da tal culpa da família. Se a família tem diálogo aberto, é presente, define limites, podemos apontar como fatores de proteção. Mas, ainda assim, o filho poderá usar drogas? Sim. Porque, como falei, isso engloba vááários fatores.

E aí? Se ele usa drogas, podemos dizer que a culpa é da família? Certamente não.

Queridas(os), muitos de vocês sabem que meu pai usou drogas dos 17 aos 51 anos, e isso nunca foi segredo para mim e para a minha irmã. Além disso, nós duas temos a autoestima no chinelo. No entanto, nenhuma das duas sequer experimentou alguma droga, porque fizemos escolhas diferentes para nós. E certamente porque fomos influenciadas por vários fatores de proteção que nos cercaram.

Ainda que dois indivíduos cresçam na mesma família, mesmas escolas, mesmos amigos, pode ser que um venha a usar drogas e o outro não. Estamos falando de seres humanos. Estamos falando de indivíduos, de seres únicos. Estamos falando de complexidade!

Portanto, queridas mãezinhas, avozinhas, pais, irmãos, etc, acreditem, vocês não são culpados.

E o dependente químico? É ele o culpado então?!

Também não. Muitos deles eram adolescentes inconsequentes, curiosos, ou em busca de curtição, e não sabiam que tinham dentro de si um “gatilho” que seria acionado pela droga, os adoecendo e mudando suas vidas tão negativamente.

No entanto, embora eles não sejam culpados, eles são os responsáveis por se tratarem e darem a volta por cima!

A culpa da doença não é da família e a responsabilidade pelo tratamento também não.

O papel da família é amar, respeitar seus próprios limites, buscar informações, se fortalecer e apoiar o dependente químico na sua recuperação.

E claro, jogar essa culpa fora!


Por fim, quero dizer que ainda que você tenha "errado" no passado, você é um ser humano, todos nós somos, e seres humanos erram mesmo... Perdoe-se! Se abrace! Pare de se maltratar... 

Agindo assim, você estará finalmente apta(o) para realmente ajudar o seu familiar adoecido pelas drogas.

Pense nisso.

Beijos da Poly.
Fiquem com Deus!


14 comentários:

  1. Oi Poly,Bom dia hoje essas palavras falou muito a meu coração por quer ontem tive quer me desligar totalmente do meu companheiro adicto, estou sofrendo muito por quer amo muito ele, mais ele está se tornando um pessoa violenta por conta dos ciumes possessivos e estou temendo pela minha segurança. E o que me deixa mais triste porque a mãe dele fica toda hora me culpando por ele não quer se internar e eu não tenho culpa disso, então sua palavras estão me ajudando bastante a supera essa dor tão grande. DEUS te abençoe hoje sempre!!! Ass: Erica

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    1. Sinta-se leve, Érica! A culpa não é sua...
      Cuide-se bem!
      Beijos.

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  2. Poly, estive aflita todo esse tempo sem notícias sua e de seu esposo. Fico muito feliz em saber que ele segue limpo. Fiquei muito angustiada ao saber dos problemas que passam no momento, assim que eu puder farei minha contribuição na vakinha. Deus vai te honrar e tudo vai dar certo!
    O meu familiar encontra-se em mais uma internação, após 9 meses limpo. Ele manifestou a vontade de realizar o tratamento com ibogaina. Se puder me passe os contatos da clínica.
    Beijoa

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  3. Depois de tantas tentativas falharem, hoje me encontrei sem saber o que fazer, pesquisando algo que me ajudasse encontrei seu blog que me esclareceu muitas dúvidas, mas talvez você possa me ajudar.
    meu namorado tem 19 anos, a algum tempo quando "farreava" começou a usar droga (cocaína) por diversão, quando decidiu que era hora de largar tudo e mudar seu trajeto de vida, foi tarde de mais, estava viciado. Depois de muito sofrimento de sua família conseguiram com que ele se tratasse, após 6 meses apresentou melhoras e achando estar curado abandonou o tratamento. Ele estava bem, até que, passado 5 meses apresentou uma recaída, mas estava firme de que não se repetiria, em torno de 3 meses outra, e assim sucessivamente até se encontrar novamente dependente. Porém quando usa se sente muito mal, pelo fato de não querer isso para sua vida, chora e diz que irá vencer seu vício, que precisa de mim e me ama, precisa que eu esteja ao seu lado. Com a decorrência dos acontecimentos, forcei-me a lhe dizer que se isso se repetisse o largaria. Mas continuei ao seu lado por o amar e por seus pedidos de ajuda e para não o abandonar. Porém agora se passou 2 semanas e ele usou novamente, sua família afirma que em meio a esse período usou também. No começo eu buscava ser compreensiva, porem com a repetição, algumas vezes perdi o controle, pelo fato de permitir que as más companhias tenham contato, deixei bem claro que quando ele precisasse largava tudo e o ajudava, era só ligar. Mas ele justifica nao conseguir pensar, se controlar apenas se entregar a fissura. Então tento novamente, com todo amor conversar, intender e lhe dar forças. A quem peço ajuda me diz que ele não ira sair desde mundo, apenas com a internação e nem mesmo assim. Mas ele nao quer pois acredita conseguir, então não sei mais o que fazer. Poly preciso que me diga como posso o ajudar, não sei como prosseguir.

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    1. Kelly com todo o carinho eu te digo: saia, corra, fuja desse se timento. Comecei a namorar com meu atual marido, exatamente nessas circunstâncias. Ele era mais velho e eu uma menina sonhadora. QuaNdo descobri a dependência disse que iria largar, ele chorou, implorou, que me amava e precisava de mim! Eu era a mulher da vida dele e que juntos mudariamos tudo isso. Pois bem flor, já se passaram dez anos! Tivemos uma filha linda, que foi o único fruto doce disso tudo! Eu o amo, mas se pudesse te dar um conselho seria não ame. As consequências desse amor doente deixam chagas profundas na nossa alma. Respondendo a sua pergunta: Você não pode ajudá-lo, ele é o único responsável pela cura. Pense e reflita! Depois que nos apegamos é difícil mudar, o amor nos amolece e acabamos sempre em sofrimento com as recaídas e mentiras. Tantas decepções não são fáceis de aguentar!

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    2. Também sai de um casamento de 14 anos, onde os últimos 5 foram de sofrimento por ele ter se tornado dependente químico. Seu conselho foi o mais certo que alguém poderia dar. Só eu sei a dor de amar e querer bem a alguém que não existe mais. A droga rouba a essência, a vida é a personalidade. Mas finalmente eu consegui aceitar e abrir mão, e entender que nada que eu faça poderá mudar isso. Realmente me identifico muito pois é tudo muito igual, são os mesmos pensamentos que já tive, de achar que eu poderia ajudar,as nao, infelizmente não podemos. Acabamos por adoecer também com tantas decepções. Hoje não tenho mais raiva, apenas abri mão... Mas me dói muito, não sei porque o amo tanto.

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  4. Boa noite Kely. Tenho um namorado adicto e estamos juntos ha 2 anos.acho q posso te ajudar.
    Diante do seu relato vejo q seu namorado esta totalmente doente e necesaita de internação. Não é fácil p adicto aceita-la novamente principalmente quando ele não tem a consciência e aceitação da doença. E você busque informações sobre o grupo de mutuo ajuda Amor Exigent em sua cidade, pois la vc saberá como lidar com seu namorado adicto. Aprendi mto la, porém não é fácil colocar em prática. Espero ter te ajudado

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  5. Eu estou nessa situação sei mais o que fazer ele parou faz 2 dias e tá muito agressivo,moro com minha sogra ele diz que eu tenho culpa pois não ou mulher suficiente para muda ele,tenho 2 filhos com ele e estou muito triste pois não tenho apóio da minha mãe e minha sograe odeia muito��

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    1. QUE HORROR! Ainda por cima a culpa é tua?!?! Querida, se afaste dessas pessoas. Procura ajuda, tente convencer a tua mãe a te acolher mas se afaste. Em nome da tua saúde mental e dos teus filhos!!!! Você é mulher o suficiente sim é vc tem q cuidar é dos teus filhos não dr marmanjo barbado!!!

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  6. Bom dia !
    Poly fui casada por 5 anos , meu marido era usuário quando solteiro, (o tempo que passou comigo não usou) só que no mês de dezembro 2015 ele fez uma amizades que usavam então recaiu, dai minha vida mudou, passei 6 meses de muitos conflitos, brigas, desentendimentos, (batia muito de frente com ele, hj me arrependo) agora no mês de junho ele simplesmente chegou pra mim e me disse que não qr mais, e me abandonou, vivi sozinho e isolado virando noites, desse casamento temos uma filha de 3 anos que sofre muito a ausência dele, pois ele era um pai e marido perfeito, estou aqui para pedi conselhos pois está muito difícil pra mim, pois o amo e muito e esse tempo que estou longe vejo o qnto realmente gosto dele . Mais tenho medo de mim aproximar dele e ele me rejeitar.
    Vcs tem grupo no whats?
    Gostaria de participar
    Ass: Gabriela

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  7. Bom dia !
    Poly fui casada 5 anos , ele qndo jovem usava drogas, mais o tempo que estava comigo não usava, só que qndo foi no mês de dezembro agora em 2015 ele voltou a usar, passei 6 messes de muitos conflitos, desentendimentos, discussões, batia de frente com ele , tentando abrir os olhos dele, só que nada adiantou, ele achava que estava no controle e qndo quisesse sairia, só que foi inútil, agora em junho ele me abandonou, diz que não me ama ( mas não acredito ) vivi sozinho isolado virando noites, temos uma filha de 3 anos que está sofrendo muito com a situação , e eu não sei oq fazer pois o amo muito, estou sofrendo muito, pq em meio a tudo isso queria está com ele , queria sair dessa junto com ele.
    Vcs tem grupo no whats?
    Queria participar
    As: Gabriela

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  8. Oi estou começando meu blog vamos trocar idéias??? beijosss
    paz e serenidade

    http://soporhojevoucuidardemim.blogspot.com.br/

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  9. Olá! QUERO AJUDAR VOCÊ MAE, ESPOSA; NAMORADA; IRMA,PAI, IRMAO, AMIGO DE UM ALCOOLATRA OU DEPENDENTE QUIMICO, VOCÊ QUE ESTA PERDIDO E QUE PRECISA DE AJUDA, DE DESABAFAR.
    Meu nome é Felipe sou mais um dependente quimico LIMPO e em Recuperação. E so por hoje sou feliz com minha esposa e minha familia, hoje minha vida e resumida em paz e felicidade graças ao meu poder superior maior. GOSTARIA DE AJUDAR pessoas que se sentem perdidas, que precisam desabafar se abrir e buscar conhecimento.
    Não tenho vergonha se seu namorado, marido, filho, irmão, seu parente querido está preso ou morando nas ruas ou entrando nesse mundo, aqui não tem preconceito, quero ajudar as familias.
    E os adictos que querem ajuda estou disponivel para ajudar tambem.
    Meu whats (65) 9 9217-0248

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  10. Oi, eu sou casada com um dependente químico, me sinto culpada e esse post me ajudou muito.
    Eu realmente preciso de ajuda pra saber lidar com ele, e pra saber ajudar ele.
    Preciso de dicas para aumentar a auto estima dele e distrair a cabeça dele, ideias, coisas que vocês já fizeram e deram certo e vice versa. Obrigada, afiado sua resposta !

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