quarta-feira, 18 de maio de 2016

Um Segundo Olhar - Cinco anos de Blog!


Hoje é quarta-feira, dia 18 de maio de 2016.

Hoje nosso blog está completando cinco anos!!

Uau...

Quanto tempo! Quantas postagens! Quantas experiências! Quantas histórias! Quantas decepções! Quantas alegrias!... Quanto crescimento!

E nessa postagem de aniversário quero falar sobre algo tão importante, e tão fundamental... E que tenho buscado apreender a cada dia: o respeito!

Sabem o que significa respeito?

“Respeito é um substantivo masculino oriundo do latim respectus que é um sentimento positivo e significa ação ou efeito de respeitar, apreço, consideração, deferência”.

Acho muito interessante que em sua origem do latim a palavra respeito significa “olhar outra vez”.

Como assim, Poly?

Quando olhamos alguém, ou um grupo de pessoas, em um primeiro olhar vemos o óbvio. Vemos os comportamentos. As práticas. Vemos as nossas diferenças. Vemos os erros cometidos... Vemos coisas que, dependendo das circunstâncias, nos afastarão...

Mas, se eu me permitir olhar ‘respeitosamente’ por uma segunda vez... se eu me permitir ouvir ‘com respeito’... Provavelmente eu enxergue as mesmas coisas que vi na primeira vez (que nos distanciam), mas conseguirei questionar (e procurar) o que há de humanidade do “outro lado”... O que há em comum... O que nos une...




Eu sei... Muitas vezes, nós que estamos próximos de familiares dependentes químicos, somos desrespeitados por eles... e também os desrespeitamos.

Por vezes, agimos assim por impulso ou para tentarmos nos proteger.

Entretanto, quando não damos ao outro a chance do segundo olhar, construímos muros entre nós, e não pontes.

Não estou aqui dizendo que você deve ser permissivo ou facilitador. Não!

Estou dizendo que quando olhamos qualquer ser humano com respeito, ultrapassamos as barreiras do primeiro conceito, e conseguimos extrair dele algo que nos fará bem... que nos fará crescer... e nos fará seres humanos melhores!

Queridas(os), se no mundo de hoje, tão agressivo, cheio de preconceito e julgamentos, cheio de disse-me-disse, calúnias e ofensas, conseguirmos lançar um segundo olhar, mesmo àqueles que nos machucam e magoam, tenho certeza que conseguiremos alcançar o que muitos procuram: a paz de espírito.

Nesses cinco anos passei por “poucas e boas”.

Comecei com o blog, o livro, várias palestras, conheci muitos adictos, muitos familiares de adictos, profissionais da área, e depois, com o projeto às famílias, conheci um pouco do mundo político... Imaginem só...

Muitos me olham com respeito, com carinho, com admiração. Mas alguns só conseguiram enxergar “a filha do drogado” ou a esposa “burra”... Tento lançar sobre esses últimos um segundo olhar, por mais difícil que seja às vezes.

Outros tentaram passar sobre mim com um “trator” na ganância de ocupar o cargo que ocupei, mas certamente sem invejarem as cicatrizes que carreguei (e carrego)... Ufa, vamos tentar olhar uma segunda vez para esses também...

Mas, com certeza, o que mais dói é quando alguém que amamos, não nos concede o direito a esse “segundo olhar”...

O desrespeito dói.

Inclusive, e eu diria que, sobretudo, a falta de respeito próprio.

Para realizarmos nossos sonhos, precisamos do autorrespeito. Sem isso, nos sentiremos sempre inferiores... Precisamos aprender a nos valorizarmos, a nos afastarmos da negatividade dos outros, e a entender que: “sim, somos bons o bastante!”

Quando vamos recuperando o autorrespeito, vamos percebemos o quanto merecemos ser bem tratadas(os), o quanto merecemos ser felizes, o quanto merecemos a vida!

Querida(o), diga a si mesma(o): eu mereço o melhor!

Já fracassamos tanto. Não é mesmo? Mas temos habilidades... Muitas!!

Há cinco anos, eu não reconhecia tanto isso em mim... e hoje ainda estou em um processo de reconhecimento...

Cada um tem sua habilidade, e precisa sim descobri-la.

Eu me achei aqui... Me achei no atendimento às famílias... Me achei nas palestras... Me achei tentando ajudar outras pessoas a superarem suas dores... Isso me faz muito realizada!!

Me achei trabalhando na prevenção do uso de drogas com crianças!

E tenho uma novidade para contar a vocês:

No último dia 08 de abril, recebi o Diploma de Mérito pela Valorização da Vida, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, do Ministério da Justiça, pelo ano de 2015.

Recebendo a homenagem das mãos da Presidente do CONEN/DF, Joana Mello.

Dá pra acreditar?!

Há alguns anos, eu não me respeitava... e os outros também não...

Com o tempo, estou aprendendo a recuperar isso... E vejam só!

Foram mais de 543.000 visitas ao blog!

Mais de 3.560 comentários postados por vocês!

Mais de 1.300 e-mails (não consigo responder a todos, me perdoem!)!

Mais de 2.000 famílias alcançadas no projeto!

E agora, esse Diploma de Mérito pela Valorização da Vida...

Esse título resume tudo! Desde o início, tenho tentado aprender a recuperar o valor que a minha vida tem! A incentivar os adictos a perceberem o valor de suas vidas que estão escorrendo por entre os dedos, em razão do uso de drogas! O valor que as famílias podem (e devem) dar às suas vidas, mas muitas vezes não conseguem, ou se esquecem por estarem focadas na vida alheia (do seu amado dependente químico)...

Encontrei-me aqui, nessa função... E isso, posso afirmar, me faz muito feliz!

E hoje, quero dedicar tudo isso, a cada um(a) de vocês, leitoras(es).

A você, que se sente como uma sombra do seu esposo... A você que parece ter se perdido em algum lugar, em algum momento... A você que não consegue ver vida fora da vida do seu filho adicto... A você que está sofrendo...

Dedico a você, e digo: Acredite, há muita vida lá fora! E vida vale muito a pena ser vivida, sempre!!... Vem!!

Se não estiver conseguindo sozinha(o), no lado direito do blog, temos os links de alguns grupos de apoio... 

Por fim, MUITO OBRIGADA!!!




“Trate as pessoas como se elas fossem o que devem ser e você vai ajudá-las a se tornarem o que elas são capazes de ser.” (Johann Wolfgang Von Goethe)

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PS: Domingo será meu aniversário – 38 aninhos!! :D

Beijos!
Fiquem com Deus!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Uma palavra importante e séria às mamães!



Boa tarde a todos os leitores, e em especial a todas as mamães!!

Parabenizo a todas vocês, ou melhor, a todas nós pelo dia de ontem!!

Mamães de dependentes químicos, que têm dado suas vidas há anos e anos em prol de seus filhos... E também mamães que possuem filhos, cujos pais são dependentes químicos, o que exige delas, muitas vezes, uma dose maior de esforço e dedicação. Só posso deixar aqui meu abraço apertado e dizer: parabéns, guerreiras!!

E hoje eu gostaria de falar com vocês sobre um assunto muito importante, que é: mamães, não falem mal dos pais aos seus filhos, por favor...

Eu sei que às vezes é difícil segurar a barra! E como sei!

Mas, queridas, aprendi que isso é um erro. Falar mal do pai às crianças, seja para jogá-las contra o pai ou somente por desabafo mesmo, acaba dando um nó na cabeça dos nossos pequenos, e pode prejudicá-los, e muito, em seu desenvolvimento como ser humano.

Lembro-me que, certa vez, quando eu vivia uma fase muito negra aqui em casa, era dia dos pais e, após o trabalho, busquei meu filho do meio na escolinha. Ao ver o mural em homenagem aos pais, com fotos das crianças com seus papais, e ainda o meu filhote, todo feliz, me mostrando o trabalhinho que tinha feito ao seu pai, com a frase: MELHOR PAI DO MUNDO. Certifico com todo o meu coração que o meu pai é o meu herói, meu amigo e o melhor pai do mundo, aquilo me doeu tanto. Mas, quando postei isso aqui no blog, uma amiga querida, a Cicie, me disse: “não tire o direito do seu filho de ter um pai herói”.

E ela estava certa!!

Sei que muitas mães não sabem como falar aos filhos que o pai tem um problema com as drogas. Mas, sugiro que conversem com eles desde cedo, na linguagem deles, e usando a experiência do pai como um ponto a mais para que eles fiquem longe das substâncias psicoativas.

Por exemplo, meu filho de sete anos vê seu pai fumando cigarro (nicotina), e ele já entende o quanto o cigarro é prejudicial à saúde. Então, algumas vezes, ele pergunta: por que o papai fuma? E minha resposta é que, embora o papai queira parar, ele não está conseguindo, porque dentro do cigarro há substâncias que viciam, assim como outras drogas, incluindo as bebidas alcoólicas, e que, portanto, ele não deve experimentar o cigarro nem essas outras porcarias. Assim não denigro a imagem do pai, mas o faço perceber que o cigarro é ruim, mesmo que o seu papai herói fume.

A dependência química é uma doença. E se olharmos dessa forma, conseguiremos (por mais difícil que seja) reduzir o nível de mágoa e raiva do dependente químico, substituindo isso por compaixão (lembre-se que compaixão não é pena!).

E isso nos ajudará a tratar da situação com nossos filhos, sem falarmos mal do pai, e também sem a necessidade de mentiras que, mais cedo ou mais tarde, eles descobrirão.

Muitas(os) de vocês devem saber que, de acordo com a Lei nº 12.318/2010, falar mal do pai (ou da mãe) para os filhos é crime.

Poly, você está defendendo os dependentes químicos?

Não, estou defendendo nossas crianças que não têm culpa dessa confusão toda em que nos metemos...

Quando falamos mal do pai, que elas amam, contribuímos para que se sintam confusas, desprotegidas e infelizes, podendo causar prejuízos em várias áreas de suas vidas, e podendo gerar nelas, agressividade, depressão e ansiedade.

Não precisamos e não podemos exigir que nossos filhos amem a nós ou ao pai... Para eles, os pais são heróis e nós as heroínas. Eles são reis, e nós rainhas. Ambos perfeitos. E somente com o tempo eles entenderão que o papai e a mamãe são seres humanos falhos e cheios de defeitos.

Sei que muitas mamães fazem isso na melhor das intenções, mas, por favor, cuidado, pois o tiro pode sair pela culatra, e falando mal do papai, vocês podem acabar afastando os filhos na medida em que eles crescem.

Queridas(os), que fique claro que tudo o que falei aqui não se aplica aos casos em que acontece violência (física ou psicológica). Ok? Nesses casos é preciso denunciar o agressor!

Sei que não é fácil. Mas somos mães. E, sobretudo, temos a missão de proteger e educar os nossos filhos... Vai dar tudo certo, mamães!

Se a dor estiver grande demais, e você precisa de alguém para conversar (ou até mesmo para falar mal dele), ligue para uma amiga, procure um grupo de apoio ou um profissional da psicologia, ou até mesmo, deixe seu comentário aqui no blog (muitos recebem feedbacks dos leitores), mas poupemos nossos filhos!




Um grande beijo no coração de vocês! 
Fiquem com Deus!