domingo, 14 de fevereiro de 2016

Será que vai dar certo?



Bom dia!!

Tudo bem com vocês?

Tenho recebido muitas mensagens perguntando se meu ‘familiar’ adicto está bem e como está nosso relacionamento.

Alguns seguidores do Blog leram a postagem O fim do fim, de 14/09/2015, mas não se atentaram para os comentários. Então hoje vou falar para vocês, por alto, sobre os acontecimentos e como andam as coisas por aqui.

Como sabem, em 14 de junho passado, meu marido e eu havíamos nos separado. Por causa de uma recaída? Não. Por causa de uma série de fatores...

Em dezembro de 2014, quando com tanto sacrifício o acompanhei em seu tratamento com ibogaína, eu disse para mim mesma (e para ele) que seria a última tentativa. Não que ele tivesse a obrigação de nunca mais recair, pois já aprendi que as tais recaídas fazem parte da doença, no entanto, eu havia decidido não conviver mais com isso.

Nosso relacionamento estava caótico, mesmo sem recaídas às drogas. Ele estava limpo, mas recaído em seu comportamento. Estávamos distantes.

Após seis meses limpo, veio a recaída de fato, e após, a separação.

Eu havia decidido colocar um ponto final nessa história de tantas dores na minha vida. Havia decidido me afastar, esquecer.

Foram pouco mais de três meses completamente longe um do outro. E foi muito difícil.

Meus filhos sofreram muito pela ausência do pai. Eu sofri muito pela separação e por ter que me manter firme diante dos meus filhos. Sinceramente, não gosto nem de me lembrar.

Nesse período, ele iniciou um relacionamento com outra pessoa. E eu, embora não tenha me relacionado com ninguém, pela primeira vez, após tantos anos, senti uma admiração por outro alguém... Ou seja, achei que era o fim do fim mesmo.

Mas...“E quem, um dia, irá dizer que existe razão para as coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?” Né?!

Acho que nossa missão de um para com o outro ainda não havia acabado.

Em um belo dia, marcamos de conversar sobre nossos filhos e outros assuntos, e quando dei por mim, estávamos juntos de novo... Decidimos tentar outra vez... Lutar por nossa família.

Assim como muitos me criticaram quando decidi me separar, muitos também criticaram minha decisão de voltar. E eu, sinceramente, não estou preocupada com o que pensam não. Fiz o que achei certo fazer.

Estamos juntos novamente desde o dia 18 de setembro (2015). E ele se mantém limpo há sete meses.

Está tudo muito diferente desde a nossa volta.

Infelizmente, como outras pessoas entraram em nossas vidas de alguma forma, vira e mexe, vem à tona mágoas guardadas e inseguranças. Mas temos superado tudo isso juntos.

Eu mudei muito com tudo o que aconteceu. Vi que não sou insubstituível, nem única no mundo... E que ele não morreria sem mim. E tudo isso foi muito bom para eu me livrar de vez dos meus comportamentos codependentes.

Estou relendo o livro Amando um Dependente Químico, e por vezes me vejo exclamando: “Nossa, como eu mudei!”

Eu não mudei em relação ao meu esposo. Eu mudei em relação a mim mesma.

Alguns me perguntam: “você acha que seu casamento vai dar certo?”

Nem sei o que dizer. Estamos a caminho do décimo ano de casamento, temos filhos maravilhosos, e uma história incrível juntos. Ou seja, já deu certo!

O importante é que hoje, tanto ele como eu, temos nos empenhado para que nossa família esteja unida e bem. E enquanto houver essa luta de ambos, certamente essa história dará continuidade...

Como hoje é 14 de fevereiro, ou seja, é “Valentine’s Day”, vou deixar um trecho do livro Amando um Dependente Químico, que fala o que penso e sinto sobre o amor...

Escrito em 14/02/2007, em Woodbridge, no estado da Virginia, nos Estados Unidos da América:

Hoje é Valentine's Day, o dia do amor. Balões em forma de coração, chocolates, sorrisos seguidos de “Happy Valentine's Day"! A paisagem é bem favorável aos enamorados: árvores secas cobertas pela neve que caiu a noite, céu nublado, friozinho gostoso. E estou aqui para falar um pouquinho sobre esse tal de amor, afinal, o que ele é? Esse sentimento que nos faz rir e chorar, que acalma e atormenta, que refrigera e queima. Por que será que necessitamos tanto dele? Alguns podem até disfarçar e dizer que não acreditam nessa “bobagem”, ou que preferem ficar sozinhos para não se machucar. Mas, no fundo, todos sempre estamos ansiosos por sermos amados e amar, independente de classe social, idade, religião. Simplesmente porque o amor é necessário e vital a todos nós. Não falo de um amor fantasioso, aquele perfeito da novela, mas, de um amor real, palpável, para ser vivido dia a dia. Aquele sentimento que te faz abrir mão de bilhões de pessoas para prestar atenção de pertinho em uma só, a fim de não deixá-la passar desapercebida por essa vida, pois, você estará sempre na primeira fila da plateia, torcendo, acompanhando, vibrando com suas vitórias e sendo apoio nas derrotas. Falo daquele amor que te faz poder acordar com cabelos desgrenhados e sem maquiagem e, ainda assim, saber que, para ele, és a mais linda. És única. Falo do prazer que só quem ama sabe sentir, ao fazer uma faxina em casa juntos. É preparar um jantar com carinho, é fazer contas mensais, é rir das bobagens, é brigar por besteira, é saber pedir desculpas, é dar o abraço esperado, é receber o beijo inesperado. É sentir-se acompanhada sempre, mesmo que ele esteja no trabalho e você em casa. É quase morrer de saudade, mesmo que por poucos instantes de ausência. É sentir uma alegria inexplicável diante do sorriso dele, ou uma dor aguda no peito quando ela sofre. É ver filme e comer pipoca encostados um no outro. É dançar na sala, juntinhos, ao som “daquela” musica. Não importa se ele prefere músicas norte-americanas e você, as latinas; nem se ele quer dormir quando você quer dançar; nem se ele quer ver TV quando você quer tagarelar, o importante é que o amor está lá, e você sabe-se amada, e ele também. Enfim, não vou tentar decifrar o amor, afinal, ele não existe para ser explicado ou compreendido, mas apenas para que seja sentido, vivido e explorado, ao máximo. Desejo um “Happy Valentine's Day” a todos, e que você se permita ser contagiado por essa maravilha que é o amor!”




Quer saber? Apesar de tudo, o amor continua o mesmo do narrado no texto acima...

E vale a pena dizer que nesse início de 2016, estou passando por uma ‘barra’ enorme, e quem está do meu lado, me apoiando e me ajudando a prosseguir, todos os dias? Ele mesmo, o maridão.

É triste a forma como a sociedade ainda encara a dependência química de forma tão preconceituosa. Mas acredito que, com o tempo, isso mude cada vez mais. Ao menos estou fazendo a minha parte para isso...

Para terminar, quero dizer que dependência química é doença, e que a postura do adicto diante de sua doença é muito importante. Ele não é um coitadinho ou um incapaz. Não! Ele não optou por ser dependente químico, mas ele (e só ele) pode escolher lutar contra isso.

Entretanto, mulheres, agressão física ou psicológica, ou outros tipos de abusos não são doença, são crime. Ok? Abram o olho!

O objetivo de tudo o que escrevo nesse blog é você, querid@! Você que se deixou afetar pelos problemas de outra pessoa e acabou esquecendo de cuidar de si mesm@.

“Somos responsáveis por nossas escolhas e comportamentos. Somos responsáveis por iniciar, continuar ou terminar relações. É possível amar sem deixar-se anular emocionalmente pelo objeto do nosso afeto. É possível amar alguém sem deixar de amar a nós mesmos. Muita gente aprendeu a fazer isso. Você também pode aprender.” (Melody Beattie)

Feliz domingo pra você!
Bjim!