terça-feira, 14 de julho de 2015

O Clube das Separadas Bem-Amadas!!



Bom dia, meus amores!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou fazer uma postagem de fofoca... Pode ser? Tipo aquelas revistas que a mulherada adora!! Risos.

Acordei pensando em mim e em minhas amigas blogueiras que, por tanto tempo nos dedicamos a escrever sobre nossas vidas, nossos amores, nossas dores, nossas esperanças... 

Que rumo tomou cada uma?

Um dia fiquei pesquisando para saber o que aconteceu com cada uma das paquitas da Xuxa, que eu amava!! Vem me dizer que você que curtiu os anos 80/90 nunca fez isso?!! Rs.

E hoje fui olhar o que aconteceu com “as minhas paquitas”... hahaha... Digo “minhas” porque antes do Blog Amando um Dependente Químico, só havia o blog da Cicie e da Giulli (dinossauras!!), mas as duas já haviam rompido o relacionamento com seus ex-adictos.

Então, depois, por meio do Blog ADQ, muitas esposas e namoradas foram motivadas a escrever, em forma de diários, também suas histórias. Então me sinto meio que responsável por todas!! Tipo uma “tia”, sabe?!!

Até hoje tem amigas chegando para essa rede virtual, podemos dizer que são as “paquitas segunda (ou terceira) geração”!! E isso é muito importante porque, infelizmente, a cada dia aumenta o número de pessoas envolvidas nesse meio de adicção e codependência, e a troca de experiências e informação é fundamental para o crescimento e superação do grupo.

Gente, só pra vocês terem uma ideia, quando começamos os blogs, na era “pré-facebook” e “pré-whatsapp”, batíamos papo via comentários nos blogs e até tentamos baixar uns programinhas (horríveis) para que essa interação fosse possível por aqui... Depois migramos para o Facebook (Ufa!!).

E hoje tenho até instagram!! Quem quiser seguir é @simplesmente_gipuglisi . 

Como podem ver, a modernidade chegou por aqui!

Hoje as meninas participam de grupos no facebook. Eu não participo por uma questão de tempo curto... Daí, opto por alimentar apenas a página www.facebook.com.br/amandoumdependentequimico . (Curte lá!!)

Mas, então, vamos ver o que houve com as “paquitas da primeira geração”?




A Gaby terminou o relacionamento com seu namorado adicto. Encontrou uma nova pessoa com quem se casou há dois anos. Vive uma vida feliz, passou por uma grande dor que foi a perda da sua bebezinha antes da gestação terminar, mas teve o apoio do esposo, e segue sua vida longe da problemática das drogas.




Após tantos relatos de agressões psicológicas e físicas, ela separou-se do esposo no final de 2012. Quatro meses depois (março de 2013), ela relatou os seus progressos e superação após a separação. Não houve mais postagens.




A Flor terminou o relacionamento em junho de 2014. Hoje ela segue realizando lindos trabalhos na área da Educação em seu estado. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e de constatar que realmente ela é uma flor!!




A Kel passou por vários estágios. Separou-se. Ficaram separados um tempo, e depois optaram por manter o relacionamento, mas em casas separadas. Ela está cursando sua faculdade, buscando seus objetivos, e além do Blog acima, ela escreve também no Blog Você Acha que Sabe, onde expõe suas ideias sobre assuntos não focados na dependência química.




A Maria terminou o namoro complicado mais ou menos em junho de 2013. Retomou sua vida, e segue sonhando sonhos “normais” de uma garota de vinte e poucos anos: intercâmbio, namoros saudáveis, viagens, etc.




A Emily se separou há alguns meses do esposo por não tolerar mais os seus comportamentos abusivos, mesmo ele estando limpo. Depois descobriu coisas tristes dele, como a traição, e isso tudo só reforçou a sua sede de superação... Vinte quilos mais magra, hoje ela ajuda outras pessoas com o tema Reeducação Alimentar (clique aqui, e curta a página dela), e segue cuidando dos filhos adolescentes.




A Lu se separou em fevereiro deste ano. Ela segue, cada dia mais linda, ajudando adictos e codependentes pelas redes sociais, além de ser uma mãe e vovó super coruja.


E é isso...

Alguns outros Blogs não consegui localizar... :(

Parabéns, meninas! Observei que nenhum desses Blogs recebeu menos de 15.000 visitas, e juntos os Blogs receberam mais de um milhão de acessos... Ou seja, juntas ajudamos muita gente... Já pensaram nisso?! Formamos uma verdadeira "rede do bem"!  \o/\o/\o/

A ideia não é falar sobre os rapazes, mas sobre nós... Mas como a curiosidade é normal, digo que, pelo que sei, os únicos que seguem limpos são o marido da Kel (após um tratamento com ibogaína) e o ex da Emily (que trabalha dentro de uma comunidade terapêutica).

Poly do céu!! Quer dizer que não tem recuperação? Quer dizer que todos os casamentos com adictos vão chegar ao fim?

Não. Quer dizer que existe recuperação para quem quer!! E esse querer deve ser um querer intenso, acima de qualquer outro, pois estamos falando de uma doença complexa.

Dá uma olhadinha no que falei sobre isso, no vídeo abaixo... "Tem que querer!!"


Quanto ao relacionamento, quando vejo todas nós, me encho de felicidade... Sim, de felicidade!! Leiam nossos relatos há quatro, três anos atrás. Éramos “cacos”... Muitas de nós não tínhamos autoestima, vivíamos em função do outro... E conseguimos nos resgatar!!

Queridas, continuemos nos cuidando. Aprendendo o amor próprio. 

Quando nos amamos e nos cuidamos não nos permitimos aproximar de pessoas que não estejam dispostas a nos dar esse mesmo amor e cuidado...

Nossos ex são pessoas más? Não, claro que não. O meu, por exemplo, é um ser humano incrível! Ele me deu meus filhos que são meu maior presente, e também me proporcionou viver muitos momentos lindos e especiais. Mas eu decidi que não quero mais viver ao lado de um usuário de drogas. Não quero isso pra mim e ponto. Não quero mais aquele medo, aquela ansiedade, aquela insegurança. Tenho sonhos a alcançar. Filhos para criar. Uma vida para viver! E infelizmente, ele escolheu não se tratar...

Então, meninas, um conselho que dou: não sintam raiva. A raiva faz mais mal a quem sente.

Nem raiva. Nem culpa. Nem pena.

Que possamos encher o nosso coração de amor!

Eu desejo do fundo do meu coração que todos eles se recuperem dessa vida do vício, que conquistem coisas boas, e que encontrem novas mulheres e as façam felizes, e sejam felizes...

E claro que desejo que as "minhas paquitas" sejam muito felizes com elas mesmas, se valorizando, e que em um futuro não muito distante, se permitam conhecer seus príncipes, aqueles disponíveis emocionalmente, e que tenham condições de cuidar bem delas!

E a Poly?! Bom, está tudo muito recente... Por enquanto, a sensação que tenho é que serei realmente a “tia Poly”... kkkk

Falando sério, ainda tem muita coisa pra sarar aqui dentro, pra organizar... Recebi muitas mensagens de pessoas ansiosas para que eu encontre alguém que me faça feliz, mas primeiro preciso aprender a ser feliz comigo mesma...

Calma, minhas queridas, tudo tem seu tempo!

Me desculpem as brincadeiras... E espero que tenham gostado desse post feito com tanto carinho!!


Beijos da tia Poly!
Fiquem com Deus!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Deixando a rua me levar...


Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã.

Veste sua roupa fitness, toma seu suco verde, arruma as mochilas das crianças.

Acorda as crianças com o achocolatado pronto.

Escova os dentinhos, coloca o uniforme... corre pra cá, corre pra lá...

Desce três andares, geralmente com o caçula de 3 anos no colo, além das mochilas!

Deixa as crianças na escola, e no caminho, vai fazendo uma oração em voz alta, pedindo proteção a Deus.

Vai para a academia... Esses são os cinquenta minutos reservados a ela, e ela só falta em caso de calamidade pública!

Volta correndo pra casa. Banho. Café da manhã. Trânsito.

Trabalho...

Ela trabalha com muita paixão. Acredita no que faz. E acredita que pode fazer diferença, por meio do seu trabalho, na vida de outras pessoas.

Não tem hora pra sair do trabalho.

Trânsito.

Filhos na creche.

Casa. Lanchinhos. Louça. Chão. Roupas pra lavar ou passar.

Um gatinho pra alimentar e trocar a areia sanitária...

Quando dá, ela gosta de assistir a novela I Love Paraisópolis, mas na maioria das vezes, a TV fica na Discovery Kids para distrair as crianças.

Alguns dizem que ela é uma mulher forte. Outros a chamam de guerreira.

Mas, ela é apenas uma mulher. Um pouco ingênua, muito sonhadora, e bem batalhadora.

Sobretudo, ela é uma mulher que sente... Sente até demais.

Ela não sabe amar mais ou menos, querer mais ou menos, fazer mais ou menos... Ela é intensa, e por vezes paga o preço por isso.




Há vinte e seis dias, ela tomou uma decisão.

A decisão de abrir mão dos sonhos que havia alimentado durante nove anos ao lado do seu esposo.

Sonhos como dormir e acordar de conchinha pelo resto dos seus dias... Viagens a lugares ainda não conhecidos pelo casal... Ver juntos os filhos crescerem... Irem embora para Santa Catarina, onde passariam a velhice, depois de aposentados...

E tantos outros sonhos, agora abortados...

Ela tomou essa decisão em razão do uso de drogas dele.




Sim, ela entende que ele tem uma doença (dolorosa doença), mas depois de muito bater a cabeça na parede, ela percebeu que não dá mais para abrir mão dos seus sonhos individuais em razão de sonhos irreais cultivados em parceria...

A cada recaída, passos são dados para trás. Há um desgaste emocional nela e nas crianças. Muita coisa é destruída, e ela não quer mais se empenhar reconstruindo, para ver tudo desmoronar outra vez.

Sim, ela acredita na recuperação dele. Ela acredita que qualquer dependente químico que queira, e que realmente se esforce para isso, pode mudar de vida. Mas, ela hoje reconhece que não tem participação no querer dele.

Tudo isso dói nela. Sensação de frustração. De impotência. De perda. De luto. De medo. De solidão. De insegurança... Ficou um vazio...




Ela chorou algumas vezes.

Ela ouviu a música “Seamisai” da Laura Pausini e “Cê que sabe” do Cristiano Araújo várias vezes.

Mas ela sabe que é preciso seguir de pé. Seus filhos precisam dela. Ela precisa dela...

E ela sabe que o tempo é um bom aliado...

Toda a dor sentida parece se transformar em força para trabalhar ainda mais pela prevenção ao uso de drogas, orientando as crianças e adolescentes por meio do trabalho que desenvolve. E claro, também para continuar trabalhando com os familiares de adictos, fortalecendo-os e fazendo-os despertar para a necessidade de se cuidarem...

Ela pensa que o “veneno” que ela sentiu em seu corpo pode ser usado como “antídoto” para outros...

Ela é meio louca, mas é generosa. Mesmo.

Ela sempre teve medo da solidão. Mas ela está percebendo que, às vezes, a solidão é necessária.

Sim, ela tem sido forte.

Mesmo naqueles dias em que a deprê bate, ela tem se levantado, e seguido a sua rotina diária...

Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã, mesmo tendo insônia em quase todas as noites.

Orem por ela.

No fundo no fundo, ela é frágil...

No fundo no fundo, está doendo...

Mas ela decidiu!

Ela desistiu de “carregar o piano dos outros”...

Ela ainda sente pena por vê-lo carregando aquele peso...

Mas ela não quer mais colocá-lo sobre suas costas.

Ela o teria amado para sempre.

Ela teria tolerado suas diferenças.

Ela teria lutado por sua família até o fim... (E lutou!)

Mas quando as drogas roubam a cena, não há espaço para romance, para sonhos ou para finais felizes...


Essa música diz o que ela sente agora...