domingo, 19 de abril de 2015

O que estamos fazendo com as nossas vidas?



Bom dia, queridas(os)!

Nesta semana, foi realizado o sétimo encontro para formar multiplicadores sociais de apoio às famílias na prevenção do uso de drogas, e principalmente no acolhimento e informação àquelas que convivem com dependentes químicos.

Dessa vez, fizemos um seminário, diferentemente dos seis anteriores que foram cursos. Uma ação do Projeto Ame, mas não sofra, da Subsecretaria de Prevenção ao Uso de Drogas.

Mas hoje esse não será o tema da postagem. Falarei sobre o eventro no próximo post, pois ainda não tenho todas as fotos, e quero dividi-las com vocês.

Hoje quero falar sobre como temos nos tratado...

Tive a oportunidade de ouvir muitas histórias no Seminário. E também aproveitei o dia de ontem para ler e-mails e mensagens deixadas na fanpage.

Meu Deus, quanta dor! Quanta autoanulação! Quanto sofrimento! Quanta vida desperdiçada!

E eu estou aqui para dizer que existe vida “lá fora”, queridas(os)!

Uma das histórias que me deixou bem emocionada, é a de uma jovem bonita, inteligente, com bom nível de formação e boa profissão, que há mais de 10 anos está em um relacionamento afetivo com um adicto na ativa. Ele nunca aceitou a necessidade de tratamento em todo esse tempo. E ela traz traços de tristeza e cansaço em seu belo rosto.

As relações íntimas não acontecem. Ele não lhe dá cuidados nem carinho. Exige que ela lhe dê dinheiro para o uso. A agride. E recentemente, quando ela lhe contou, aos prantos, que um parente próximo havia falecido, a resposta dele foi: “se enterra junto com ele”.

E mesmo diante desse cenário chocante, ela ainda diz que se mantém com ele para que ele não se afunde de vez na droga. Esconde as loucuras dele do resto da família, agindo como cúmplice. E se preocupa com ele incansavelmente.

E como ela, milhares e milhares de mulheres existem não existindo. Mulheres que se perderam em algum lugar, em algum momento. E que precisam, urgentemente, iniciar um processo de busca de si mesmas.

Enquanto vocês se dedicam exclusivamente ao cuidado do outro, pergunto: quem está cuidando de vocês?

Sei que no meio dessa confusão toda, a última coisa que passa em nossa cabeça é cuidar de nós, mas não há outro meio para encontrarmos forças de encarar essa situação ou de pular para fora dela, conforme o caso.

Como parece fácil a nós anularmos nossas necessidades, não é mesmo? Parece não ter importância se comemos ou não, se dormimos ou não, se sorrimos ou não, se fazemos nossos exames médicos de rotina ou não, se vivemos ou não... Desde que estejamos sempre no posto de “cuidadora” do outro, mesmo que esse outro não valorize esse cuidado.

Queridas(os), vou ser bem sincera, quanto mais anularmos a nós mesmas(os), agindo como se nossas necessidades não fossem importantes, mais a doença do outro (dependência química) e a nossa (codependência) progredirão.

Ou seja, todo esse sofrimento é em vão. Não traz resultados positivos, somente negativos, a ambos.




Mas, como cuidar de nós mesmas(os)?

Já falei nesse Blog repetidamente: sozinhas(os) não conseguimos, precisamos de ajuda!!

Eu vivi esse processo de não saber dizer NÃO ao outro, e de sempre dizer NÃO a mim mesma. É doloroso demais isso. E parece que nos acostumamos tanto com essa dor e estilo de vida, que com o tempo, isso nos parece normal, mas NÃO É!! Eu consegui enxergar isso e iniciar um processo de mudança por meio de terapia psicológica e reuniões em grupos de apoio durante dois anos consecutivos, e muita, muita leitura e oração.

Leiam os livros Mulheres que amam demais, da Robin Norwood e também o Codependência nunca mais da Melody Beattie.

Somente assim vocês conseguirão se fortalecer para tomar atitudes.

Já está fortalecida? Então agora comece a estabelecer metas para si mesma(o).

Comece com metas como: me levantar da cama, tomar um banho, passar um creme hidratante, fazer uma atividade física, ver um programa agradável na TV.

E à medida que você for cuidando de si mesma, e sua autoestima for sendo resgatada, começará então com as metas de limites, como: dormir, desligar os telefones durante o período de sono, não sair para resgatar ninguém dos seus próprios problemas, se alimentar independente do outro...

E quando estiver mais forte ainda, terá força para não aceitar nenhum tipo de agressão e chamar a polícia se necessário, ou mesmo para romper esse tipo de relação destrutiva, sem culpas.

Me entendem?

Queridas(os), é um processo. Um longo processo.




Você está tão adoecida quanto o outro, então se trate primeiro, se fortaleça primeiro, para conseguir enxergar claramente se o que está mantendo essa relação é amor ou doença.

Nesses anos todos de Blog e de trabalho às famílias, eu NUNCA disse a ninguém: “se separe” ou “fique junto”, porque esse processo é de dentro pra fora, e não de fora pra dentro.

Se você não se cuidar, nada mudará em sua vida. Ainda que se separe, acabará se relacionando com outro homem problemático, porque você ainda não aprendeu a se amar, e a querer coisas boas para si mesma.

Olhe para si mesma(o), se possível diante de um espelho, e diga: “eu mereço o meu próprio amor, o meu próprio respeito e o meu próprio cuidado!” Grite, se necessário. Chore, se necessário. Repita isso, se olhando nos olhos. E aproveite para pedir perdão a si mesma(o)...

Muitas de nós, esposas de homens dependentes de substâncias, somos filhas de homens problemáticos. Muitas! Isso acontece porque é do ser humano temer as mudanças. E inconscientemente, buscamos aquele cenário parecido com o cenário em que fomos criadas. Mas, é hora de darmos um basta nisso.

Se não éramos aceitas ou amadas quando crianças, se fomos exploradas, violentadas, isso ficou no nosso passado! É hora de perdoar, enterrar isso, e começar a fazer novas escolhas, recheadas de amor próprio!

Mudar é estranho, é assustador, mas por vezes, é necessário!

Mais uma vez, não estou aqui dizendo para ninguém se separar ou continuar junto, mas por favor, é hora de dar um basta, de não permitir mais que os outros te maltratem, e principalmente de você mesma(o) parar de se maltratar... Você não merece isso!!!

Houve uma época em que eu participava de um grupo de esposas de adictos em uma rede social. Gente, eu nunca vi tanta mulher bonita, inteligente e cheias de bondade em um lugar só. Acoooorda mulherada!!! Valorizem-se!!! Amem-se!!!

Jesus nos ensinou: “ame ao teu próximo COMO a ti mesmo”.

Entendeu?

É pra amar ao próximo NA MESMA MEDIDA que você ama a si. Acho que se déssemos ao outro o mesmo amor que damos a nós, ele não estaria conosco. Não é mesmo?

Enquanto não aprendermos a gostar de nós, a vida não gostará de nós...




Eu mesma vivia escondida dentro de mim, não tinha coragem de me mostrar, porque não gostava do que eu era. Eu me sentia insegura para falar em público, porque não tinha autoconfiança. Não gostava de fotos, por me achar feia. Vivia pensando no que os outros estavam achando de mim. Me achava inferior. Nunca flertava com bons rapazes, porque me achava indigna de me relacionar com eles.

Gente, isso é doença! E isso nos faz mal demais, pois afeta em nossas escolhas, ou seja, define nossas vidas.

Graças a Deus, descobri isso! Busquei (e busco) tratamento! Faço minha academia, cuido da minha saúde, exponho e defendo minhas ideias, tenho o meu trabalho reconhecido (por mim e pelos outros), me acho bonita, e me cuido para ficar mais bonita. E principalmente, não aceito que NINGUÉM me maltrate, pois sei o valor que tenho!

Sim, eu tenho defeitos, eu erro, mas descobri que todo mundo tem, e todo mundo também erra. Não sou inferior a ninguém por isso. E sinto paz em relação ao que sou!




Queridas(os), o nosso próprio brilho só irá reluzir quando permitirmos isso.

Hoje não sou uma super-heroína nem uma pobre vítima. Sou apenas a Polyanna, responsável por minha própria vida.

Ainda não estou curada, mas busco essa cura a cada dia, e faço a minha parte para que ela aconteça.

“Precisamos amar a nós mesmos e comprometer-nos conosco. Precisamos dedicar a nós mesmos algumas das lealdades ilimitadas que tantos codependentes desejam dedicar a outros. Da alta autoestima virão os verdadeiros atos de bondade e caridade, não egoísticos.” (Melody Beattie)