sábado, 28 de março de 2015

Qual é o seu tipo de espera?



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem?

Hoje me deu uma vontade de falar com vocês sobre o “esperar”...

Nós, familiares de dependentes químicos, por vezes, vivemos em uma interminável espera.

Esperamos que eles voltem para casa, esperamos que eles fiquem limpos, esperamos que eles nunca mais recaiam, esperamos que eles mudem de comportamento... Esperamos, esperamos e esperamos...

E isso é preocupante. Digo preocupante porque, na maioria dos casos, essa “espera” significa um “pause” em nossas vidas e em tudo o mais que tem acontecido ao nosso redor. Parecemos não conseguir enxergar mais nada que a vida tem a nos proporcionar.

Apenas esperamos.

E sei bem o quanto esse tipo de espera dói. E, a cada dia, quando o que esperamos não vem, nos frustramos, nos entristecemos, nos revoltamos, nos machucamos... sofremos... adoecemos!




Vi uma frase há uns dias atrás, de autoria desconhecida, que diz: “Não espere esperando. Espere vivendo...”

Queridas(os), isso faz toda a diferença.

Eu sei que não é fácil, mas é tão simples. Mas, implica em acontecer uma mudança de visão sobre a vida, sobre nós mesmos, sobre a adicção do outro e sobre a importância que damos à nossa própria vida.

Sim, amamos o nosso familiar, e é claro que essas “esperas” provavelmente continuarão a acontecer sempre, afinal, queremos o melhor para ele.

Entretanto, já sabemos que ele só vai superar sua adicção quando ele, de fato quiser, e tomar condutas para isso.

Assim como nós só conseguiremos uma qualidade de vida melhor, apesar da convivência com essa doença tão dolorosa, quando de fato quisermos, e também tomarmos condutas para isso.

Sejamos práticos! Sozinhos é muito difícil carregar esse fardo sem adoecermos. Procure ajuda PRA VOCÊ! Dê você o primeiro passo...

Alguns dizem que eu sou uma mulher forte. Que nada! Sozinha eu jamais conseguiria me levantar. Precisei de dois anos indo semanalmente a um grupo de apoio, e de terapia individual, e de muita oração, e de muita leitura...

Hoje, continuo buscando muita leitura sobre o assunto, continuo alimentando a minha fé em Deus, e tenho encontrado muita ajuda em atividades físicas também.

E, em razão do meu trabalho, estou sempre em contato com outras pessoas que passam pelo mesmo que eu, e que sem saber, renovam a minha força todos os dias.

Comece HOJE a cuidar de você. Você não precisa parar tudo para esperar pelo outro.




E uma outra frase que me encanta, do Paulo Freire é “é preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar.”

Esperança sempre!

Só por hoje, meu amorzão está limpo há 130 dias (aproximadamente, pois não conto mais!). Acabamos de chegar de uma deliciosa viagem em família. E sei que é mais fácil falar de esperança quando estamos em tempo de paz.

Mas, também já passei pelos dias de tempestade (e não foram poucos!), e quanto ao amanhã, só Deus sabe como será.

Entretanto, o que quero dizer é que mesmo nesses dias de tempestade, não basta “esperar”. Temos sim que acreditar, ter fé, ter esperança, mas mais que isso, precisamos fazer a nossa parte.

Precisamos agir em nosso favor...

Hoje é sábado, e eu quero lançar um desafio a você.

Hoje você fará pelo menos UMA coisa que lhe faça bem: uma caminhada no parque, uma ida à igreja, uma ida a um grupo de apoio, um encontro com amigos, um filme no cinema, a leitura de um livro, preparar um prato especial... Não sei, algo que te faça feliz, independente do outro. E quem quiser vir aqui para relatar como foi a experiência, nos comentários, vai ser bem bacana!

Você topa?

Queridas(os) a vida está passando, estejamos nós esperando do verbo esperar, esperando parados, ou esperando vivendo...

Então vamos viver que é bem melhor, não é mesmo?

Grande beijo!
Muita força!

Fiquem com Deus!

6 comentários:

  1. Foi muito bom ler isso.... os últimos meses não estão sendo fáceis. Mas Deus é maravilhoso, não podemos desistir!

    ResponderExcluir
  2. Polly eu já havia acompanhado seu blog a algum tempo atrás e
    justamente hoje me peguei em uma crise de choro sem saber oque fazer.
    Meu marido esta internado a um mês, são 3 anos de luta eu perdi
    amigos, meus pais, a família dele. Hoje eu pedia a Deus uma ajuda
    alguém para conversar e derrepente me vi aqui, este post foi para mim!
    As vezer me da vontade de trazer ele devolta me sinto perdida sem ele,
    mais vamos lutando! Obrigada pelos relatos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ola Rafaele, tudl bem? Olha também estou passando uma situação bem parecida com a sua.Meu marido e eu estamos juntos a 7 anos, e agora pela terceira vez, ele foi internado. Internei ele dia 29 e não faz nem um mês ainda . Realmente é muito doloroso compreendo a sua dor, mas tudo passa, e é preciso passar por algumas tempestades para vir a bonanza não é mesmo? Seja forte e deixe ele concluir o tratamento, pois se ele sair antes da hora pode ser que não vá ficar limpo e venha a usar novamente com frequência.Pelo menos ele esta num bom lugar, e neste período procure se cuidar se tratar para quando ele sair da internação você esteja preparada para recebê-lo.Só por hoje força! um grande abraço Ass Mariane

      Excluir
  3. poxa eu estou esperando a oito anos que meu esposo pare de usar...luto sozinha, confesso que estou esgotada, parei no tempo não vivo mais... é uma tristeza sem fim, ele some por dias não se importa com meus filhos pequenos, o mais velho de cinco anos tem autismo e ele nem se quer muda....dói muito

    ResponderExcluir
  4. Foi importante ler isso. Minha vida parou enquanto eu espero ele mudar, espero ele não ter recaída, espero ele chegar em casa (estou esperando nesse momento). Estou gravida de 6 meses e acabo absorvendo tudo e esquecendo de mim e da minha filha que ta na minha barriga. Qdo ele usa (ultimamente tem sido frequente) eu não durmo, não como e não consigo fazer nada por pelo menos dois dias. Que é o dia que ele usa é o dia que ele se recupera. Eu não sei mais oq faço. Quero ajudá-lo, mas não estou tendo forças pra isso.

    ResponderExcluir