terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Escolho mudar apenas o que posso...



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Estava com dificuldade em postar, pois meu computador de casa deu vírus e parou de funcionar.

Mas agora estou de volta.

Estou devendo pra vocês o desfecho do tratamento com ibogaína, não é mesmo?

Vamos lá...

Em 20/12/2014, sábado, às 07 horas, fiz o seguinte registro:


Ontem meu esposo passou o dia todo no mesmo estado. Não fala nada com nada. Loucura isso!

Liguei na clínica e me disseram que amanhã ele deve voltar ao normal. Disseram ainda que o efeito nele foi mais forte porque ele já estava muito abalado emocionalmente, e a planta está remexendo tudo por dentro.

Essa noite ele falou menos, e agora ainda está dormindo.

Olha só algumas das coisas que ele falou ontem:

“Puxa, como o mar está sujo hoje” – falou apontando para a parede.

“Você sabia que a Fê (nossa amiga) morreu? Foi um acidente horrível, morreram seis pessoas. Eu estava lá e vi tudo...”

“Caramba, o Palácio da Alvorada está podre, tudo enferrujado, vai cair tudo...”

“Quem é aquela menininha linda, que gracinha, ela deve ter a idade do nosso caçula...”

“Filho, desce dessa janela, você vai cair!!” – ele gritava, enquanto nosso filho via TV sentadinho na sala.

“Amor, olha ali pela janela aquele Monza anos 80, acredita que vim dirigindo esse carro?” (Que carro???)

“Gente, que loucura, acabei de chegar de uma festa milionária, onde implantavam chips nas pessoas...”

“Cadê a carne que eu acabei de assar e deixei aqui no forno, amor? E o sorvete que você trouxe?” (Não tinha carne nem sorvete).

Tudo isso ele fala com convicção e apontando para algum lugar. Me assusta.

Na madrugada, ouvi meu caçula resmungando, daí me levantei e fui ao seu quarto, e lá estava o papai tentando colocar biscoitos em sua mão.

“Amor, o que está fazendo?” Perguntei.

“Ele está com fome...” Foi a resposta.

“Ele está dormindo, querido, vamos deitar...”

Durante todo o tempo ele se preocupava muito com as crianças, com sua carteira e com o seu celular.

Quero que tudo isso passe.

E quero que dê certo!


No domingo, dia 21/12, ele ficou bem melhor, mas me chamou de “mãe” o dia todo.

E somente na segunda, dia 22/12, ele realmente voltou ao seu estado normal... Ufa!!!

E aí? Depois de tudo isso, encontramos realmente a cura?

Bom, queridas(os), infelizmente, nesta semana, fiquei sabendo que o irmão da minha colega de trabalho, que fez esse tratamento há alguns meses, recaiu. E também o esposo da Lu (clique aqui, e acesse o Blog) teve uma recaída.

Meu esposo segue limpo há 64 dias (graças a Deus!!!).

Mas, infelizmente, voltou a fumar (cigarro/nicotina) na semana passada.

Escolhas...

Existem muitos relatos de tratamentos bem sucedidos com a ibogaína, e sigo acreditando, mas o que vivi nos últimos 40 dias, me fez refletir sobre mim mesma.

Levar meu esposo para fazer esse tratamento, investir um alto valor financeiro, sonhar com uma “cura” possível, acabou me levando novamente para o fundo da codependência.

Cheia de expectativas, passei novamente a viver 24 horas pensando nele e em sua recuperação.

E me deparar com a possibilidade de recaídas, me fez voltar os pés ao chão.

Neste mês de janeiro, estou cumprindo algo que a cada ano novo eu prometia a mim mesma, e nem sempre realizava: estou cuidando de mim.

Finalmente encontrei tempo para ir a um ortopedista (há meses sinto dores lombares fortes), e ao gastro (averiguar o porquê da dor constante no estômago), bem como para fazer exames de rotina: prevenção ginecológica, exames de laboratório, e etc.

Além disso, estou retomando a psicoterapia e alguma atividade física será o meu próximo passo.

E assim vou me conscientizando novamente que o futuro dele, depende dele, das escolhas dele, e não de mim...


“Por quanto tempo ainda continuarei a tentar ter controle sobre outras pessoas, lugares e coisas, mesmo sabendo que a única pessoa sobre a qual tenho algum controle sou eu mesma? Minha urgência por controlar reaparece rapidamente assim que foco no outro. Tenho que aprender a me ocupar dos meus próprios assuntos e me lembrar quais são eles... Vou me concentrar nas coisas que posso modificar e deixar aquelas que não posso para Deus!!” (CEFE)


Amo muito ao meu esposo, estamos vivendo dias maravilhosos, e peço a Deus para que sua recuperação se prolongue por todos os seus dias, mas não vou permitir que os seus problemas mal resolvidos me esmaguem como faziam no passado...

Bom, queridas(os), é isso...

Estou respondendo aos e-mails enviados para ibogaina.adq@gmail.com. Como disse, meu computador está com problema, e por isso a demora na resposta.


Esperança sempre!!

Beijos no ♥!


Fiquem com Deus!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Quinto (e último) Dia!

DIÁRIO DE UM TRATAMENTO COM IBOGAÍNA
QUINTO DIA




19/12/2014 às 07 horas.


Malas prontas. Hora de voltar para casa.

Um medo. Uma esperança. Se tivesse um jeito de avaliar para saber se o tratamento deu certo, né?

Mas, não tem...

Entretanto, tenho muita fé e estou acreditando!!

Meu esposo conversou a noite toda... Viu nossos filhos, nosso gato, riu, chorou, cochichou, gritou... Ou seja, eu quase não dormi...

Agora ele está no banho. Fisicamente está bem melhor, sem náuseas, mas ainda com tontura.

Ele está muito confuso, trocando as palavras e sem noção do tempo.

Está emotivo e reflexivo, falando sobre os seus medos e dores em razão do uso de drogas.

Passei por aqui rapidinho, deixa eu ir tomar meu banho para rever os meus filhotes!!

Uhuuu, é o início de uma nova vida!



21 horas

Finalmente em casa...

Acabei de fazer os meninos dormirem.

Caramba, estou exausta!

Meu esposo ainda está totalmente sob efeito da ibogaína.

Hoje ele tomou mais duas cápsulas.


Cápsulas de ibogaína


No aeroporto, pensei que não fossem nos deixar embarcar. Com o braço sobre o meu ombro, eu praticamente o carregava. Os funcionários o olhavam e perguntavam: Ele está bem?

“É só o efeito de uma medicação” ou “é só uma crise de labirintite” era o que eu dizia.

Ele tentava disfarçar, mas sua fisionomia estava péssima.

No saguão de espera, eu estava pra morrer de vontade de fazer xixi, mas e o medo de deixa-lo sozinho?!! E se ele tivesse alguma visão e saísse dali?!!

“Amor, pelo amor de Deus, não sai daqui, ok? Vou ao banheiro, mas já volto... Mesmo que alguém te chame, não vá. Ok?” Eu parecia estar falando com meus pequenos... Risos.

Fui correndo, morrendo de medo dele sair de lá, ou falar com alguém. Mas deu tudo certo.

Daí a pouco, uma senhora começou a ensiná-lo como ele deveria respirar para passar a tontura... Ai Senhor!! O levei para um lugar mais afastado...

Eu queria que ninguém nos percebesse, afinal, precisávamos embarcar de qualquer jeito. 

No ônibus que nos transportava no pátio do aeroporto, um passageiro fez questão de gritar aos quatro cantos que era para nos deixarem subir no avião primeiro, pois meu esposo estava passando mal.

"Não, senhor, está tudo bem..." Eu tentava dizer baixinho, mas o senhor gritava ainda mais alto: "Ninguém desce do ônibus, deixa o casal passar pois o rapaz está passando mal!"

Todo mundo nos olhando... 

Subimos as escadas do avião, ele apoiado em mim... 

Papai do Céu!!

Ufa, finalmente estávamos ali dentro da aeronave, presos aos cintos de segurança!!




Pela primeira vez nem me lembrei de ter medo da viagem... Risos.

Ele agora está deitado em nossa caminha. Está muito muito confuso. Não consegue discernir o que é pensamento, o que é sonho e o que é realidade. Troca as palavras, fala coisas sem nexo. E continua muito sensibilizado.

Quando dorme, fala o tempo todo. E ri, ri muito.

Confesso que está me dando medo, mas muitos me asseguraram que esses sintomas são normais.

Quero que passe logo...

É meio assustador.

Que Deus abençoe!

Beijei muito os meus pirralhos!!!

Por hoje, chega... ZZZZZzzzzzzz


♥♥♥♥♥

Boa noite, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?!

Por aqui tudo bem, graças a Deus!

Posso dizer que valeu a pena toda essa aventura aí... Risos.

Hoje postei o ultimo dia do tratamento, mas os sintomas no dia seguinte se tornaram ainda maiores, e depois voltarei para contar... E também quero partilhar com vocês o relato do meu esposo...

Queridas(os), estou respondendo um a um dos e-mails enviados para ibogaina.adq@gmail.com, com perguntas sobre esse tratamento.

Além disso, quero deixar para vocês a indicação de dois blogs:

Clique aqui, e acesse o Blog informativo sobre a ibogaína.

Clique aqui, e acesse o Blog da Lu, que também fala sobre a ibogaína.

Quero ressaltar novamente que estou relatando a experiência do meu esposo nesse tratamento, e que os sintomas variam de pessoa para pessoa...

Grande beijo!
Poly

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O Quarto Dia!

DIÁRIO DE UM TRATAMENTO COM IBOGAÍNA
QUARTO DIA



18/12/14, às10h30min.


Ele dormiu bem à noite.

Pela manhã, vomitou na hora do banho.

Ainda muito trêmulo e tonto, precisei auxiliá-lo no banho, pois nem mesmo conseguia se manter de pé.

Comeu pouco no café da manhã, que precisei servir-lhe na cama.

Em seguida, ele chorou muito. Disse estar sentindo uma grande tristeza por dentro.

“Ai, amor, preciso de recuperação...”

Chorou como uma criança... de soluçar.

Fomos à pracinha que fica aqui em frente, mas após cinco minutos, ele pediu para voltar para a cama.

Às 13h30min haverá terapia e uma nova dose.

Nesta semana, têm nove rapazes fazendo tratamento nessa Clínica, com ibogaína. Desses nove, quatro estão aqui na pousada.

Aqui tem de tudo: estudante de odonto, ator de novela, empresário, profissional de saúde, e alguns desempregados em razão da droga.

Todos eles têm família.

Um deixou a esposa em casa, grávida de oito meses.

O outro sempre fala da dor que causou à família, ele tem duas filhas adolescentes.

O outro foi deixado pela esposa, na semana passada, e está arrasado. Veio sozinho em busca de tratamento, pois ninguém da sua família sabe que ele é dependente químico.

Os sintomas da iboga são horríveis. Percebo que eles ficam muito apreensivos quando vai chegando a hora da sessão.

Mas, estão lutando. Tentando algo que lhes devolva a vida.

Dentre os familiares percebe-se o cansaço, a curiosidade, e muita, muita esperança.

Tem um rapaz aqui que já passou por 32 internações e até mesmo por aquele tratamento que dá choque no cérebro...

É uma luta, né?!

Vamos acreditar!!

Hoje perdi o sono de madrugada...

Estou com muita saudade dos meus filhos!!

Que Deus abençoe a todos nós!

Amanhã voltaremos para casa...


16 horas


Ele chorou a manhã inteira.

Se lembrou de coisas de quando tinha dois anos de idade!!

E também se lembrou das dores que causou a si mesmo e aos demais, em razão da droga.

Nunca o vi chorar tanto.

Ele repetia: “eu me amo e me aceito como sou”, na tentativa de se acalmar.

Após a terapia com a Psicóloga e a nova dose, ainda chorou muito.

Eu já imaginava que isso aconteceria. Nesse momento, ele precisa se perdoar.

Agora ele está em um estado que não sei se está dormindo ou acordado. Parece estar sonhando. De repente, dá gargalhadas. Logo em seguida, chora de novo.

“Amor, nosso filho está chorando... Cadê ele?” Ele perguntou, parecendo estar ouvindo o nosso caçula.

Daí a pouco, gargalhada de novo.

Fico tentando entender o que está se passando dentro dele...




19h30min


Fiquei um pouco assustada com os risos dele, daí fui à clínica, e me informaram que o cérebro dele está produzindo dopamina, e que esse processo é normal.

Ele chamou pela sua mãe.

Me perguntou novamente pelo nosso caçula, e disse que está com “peninha” dele porque tem sido um mau pai... Mais choro.

Muito confuso, me perguntou que horas eram, ao que respondi que eram sete. Ele se sentou agitado na cama, e perguntou a que horas sairia o nosso ônibus. Então pedi que ele ficasse tranquilo, pois ainda eram sete da noite, e nós só viajaríamos amanhã pela manhã, e não seria de ônibus, mas sim de avião.

Ele voltou a se deitar.

Ficou falando para o nosso gato parar de morder seu pé. (Só ressaltando que nosso gato e filhos ficaram em Brasília).

Daí a pouco, ele se levantou e ficou olhando, com um sorriso, para a cama onde eu estava deitada.

“Que foi amor?” Perguntei.

“Ele é tão lindinho...” Ele respondeu.

“Quem, amor?” Perguntei assustada.

“Nosso filhinho... Olha como dorme bonitinho...” Falou apontando para a cama.

Voltou a se deitar.

Estou dando bastante água e água de coco para ele.

Estou com medo de viajar com ele amanhã, nesse estado.

Ai, Senhor, vai dar certo! Já deu!



Cantora Clarice Seabra, 55, que superou o vício do crack com terapia com ibogaína


A reportagem da Folha de São Paulo, de 25/10/2014, relata a história da cantora Clarice Seabra, que afirma ter virado "outra pessoa" após o tratamento com ibogaína.

CLIQUE AQUI, e veja a matéria na íntegra.

Quem tiver maiores dúvidas, pode me perguntar pelo e-mail ibogaina.adq@gmail.com .

Bom dia, queridas(os)!

Fiquem com Deus!!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O Terceiro Dia!

DIÁRIO DE UM TRATAMENTO COM IBOGAÍNA
TERCEIRO DIA.



17 de dezembro de 2014, 14 horas.

Ontem os sintomas sentidos pelo meu esposo foram mais tranquilos. Na clínica fizeram vários procedimentos, como acupuntura, que realmente aliviaram as náuseas e a tontura.

Acabei de almoçar. Hoje almocei sozinha, pois meu esposo está na clínica fazendo a sessão com ibogaína.

Hoje ele estava muito resistente ao tratamento, pela manhã. Irritado por estar sentindo muito mal, questionando os sintomas, o tratamento, os profissionais... Fiquei apreensiva. Medo dele abandonar o tratamento.

Estou aqui pedindo a Deus que Ele traga o resultado que esperamos.

Ontem e antes de ontem ele tomou 02 cápsulas diárias. Hoje ele tomou 08 (oito!!!) cápsulas. Estou com medo dos sintomas que virão...

Um sinal que tem me deixado bem feliz e otimista é o fato dele estar sem fumar há 3 dias, e afirmar que não sente nenhuma vontade. Isso é bom demais!!

Ele se livrou do vício do álcool, se mantendo limpo há sete anos! Ele conseguia lograr longos períodos limpo da sua droga ilícita de preferência. Mas o tal do cigarro, se atrasasse em uma hora, já vinham os sintomas da fissura. Ou seja, em uma situação normal, ele estaria “subindo nas paredes” de vontade de fumar.

Seguimos acreditando!!!


17 horas

Vi um pouco de TV, dormi, dei uma volta pela cidade, comi um chocolate, passei por uma cadeira de massagem da pousada... Já são 17 horas e ele ainda não voltou...

Uma ansiedade, vontade de vê-lo, de saber se deu tudo certo e se ele está bem. Que Deus abençoe!


20 horas

Por volta de 17h30min, me avisaram que ele já poderia vir. Levei um susto quando o vi! Andando amparado pelo dono da pousada, ele se tremia todo e muito. Veio praticamente carregado para o quarto. E assim que se deitou, vomitou.

Agora são 20 horas. Nesse meio tempo ele não falou quase nada. Pareceu estar chorando. Fica quase o tempo inteiro de olhos fechados, mas acordado.

Acabei de ligar em casa. Nossa, que saudade dos meus pequenos!

“O papai tá bem, mamãe?” Foi a primeira pergunta do nosso filho de cinco anos.

Tudo isso tem que valer a pena... Vai valer a pena!!

♥♥♥♥♥


Reportagem da EBC:

Estudo feito pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicou que a ibogaína é pelo menos cinco vezes mais eficiente para interromper a dependência química do que tratamentos convencionais. A substância é extraída da raiz da iboga, planta encontrada em alguns países africanos. “Ela é usada desde a pré-história em rituais por tribos no Gabão, na África, que professam uma religião que se chama bwiti. Eles usam essa planta em rituais de entrada na vida adulta”, explicou o médico Bruno Chaves, um dos responsáveis pela pesquisa, em entrevista à Agência Brasil.

O estudo foi feito com 75 pacientes, entre usuários de crack, cocaína e álcool, entre janeiro de 2005 e março de 2013. Dos 67 pacientes homens, 55% ficaram livres do vício por, pelo menos, um ano. Entre as oito mulheres, a taxa foi 100%. Os tratamentos convencionais interrompem o vício em um índice que varia de 5% a 10% dos casos. Os resultados do trabalho inédito foram publicados no The Journal of Psychopharmacology, da Inglaterra, uma importante publicação na área de psicofarmacologia.

CLIQUEAQUI, e leia a matéria na íntegra.





Bom dia, queridas(os)!

São, sem dúvida, animadores os relatos que ouvimos sobre a ibogaína.

Daí fico observando o meu esposo e me pergunto: estaria ele realmente curado?!!

Vou fazer uma comparação boba para que vocês entendam minha forma de pensar...

Um gordinho que faz uma plástica e lipoaspiração, deixará de ser gordinho? A resposta é sim. Ele estará magro após a cirurgia.

Entretanto, os problemas emocionais que o levaram a engordar continuarão nele, e ele precisa cuidar disso. Cuidar da sua ansiedade, dos seus traumas, dos seus desafios emocionais a superar, caso contrário, os maus hábitos de uma alimentação compulsiva o farão engordar novamente, com o tempo.

Posso estar errada, mas acho que é isso o que a ibogaína faz. Sim, ele não é um dependente químico mais. Ele não sente fissura em relação às substâncias que o aprisionavam (e isso é maravilhoso!). Mas, ele continua com seus traumas, com suas dificuldades em encarar frustrações, com seus medos, com sua tendência em buscar “atalhos” para resolver ou fugir dos problemas... Então, ele precisa sim continuar se tratando e se cuidando, para que os maus hábitos e comportamentos saiam da sua vida, e não o levem de volta ao caminho do vício.

Agradeço muito a Deus pelos seus sete anos limpo do álcool! Pelos seus 50 dias limpo da droga ilícita de sua preferência. E pelos 21 dias limpo do cigarro!

Isso ficou pra trás.

Agora é hora de cuidar dos nossos problemas emocionais do presente, e focar no futuro! Digo nossos porque eu não posso me esquecer de mim, e dos meus próprios desafios. 

Lembrando que uma família saudável é fundamental nesse processo de recuperação.

Bom, queridas(os), estamos muito felizes e acreditando!

Grande beijo!

Fiquem com Deus!


PS: Criei um e-mail exclusivo para informações sobre ibogaína: ibogaina.adq@gmail.com.


sábado, 3 de janeiro de 2015

O Segundo Dia!

DIÁRIO DE UM TRATAMENTO COM IBOGAÍNA: SEGUNDO DIA.



Bom dia! Agora são 09 horas dessa 3ª feira, 16 de dezembro de 2014.

Acabei de tomar o meu café: pãozinho integral, queijo, presunto, bolo de cenoura e um delicioso suco de melancia.

Todos aqui são muito atenciosos.

Meu esposo passou muito mal à noite: tontura, vômitos, dor de cabeça e frio.

Além disso, ele disse que em sua mente passa um turbilhão de pensamentos, mas que não consegue concluir nenhum deles.

Ele também perdeu um pouco a noção do tempo. Hoje saí do quarto para pegar água, em poucos minutos, e quando voltei ele disse: “Onde você foi, amor? Puxa, a impressão que tenho é que você demorou um dia inteiro para voltar...”

Acho que isso tudo faz parte do processo de desintoxicação.

Vamos ver como será hoje...



14 horas:

Me deitei ao seu lado, e dormimos por quase toda a manhã, afinal, dormimos muito mal à noite em razão dos sintomas dele.

Aos poucos, ele foi se sentindo melhor.

Conseguiu tomar café da manhã e almoçar.

Toquei um pouco de violão na sala da pousada, e aos poucos os pacientes foram chegando, inclusive meu esposo que finalmente conseguiu sair da cama.

Rimos bastante com os relatos que eles contavam...

Tem um carioca muito engraçado aqui. Ontem, ao sair da sessão com ibogaína, ele estava tão tonto que tentou abrir a porta do escritório de advocacia (que fica ao lado da pousada) com as chaves da pousada. Muito hilário!

Além desse carioca, aqui na pousada tem 2 gaúchos e 1 paulista que chegou hoje (morrendo de medo do tratamento)...

Eles fazem a gente rir.

E também nos emocionam com seus relatos de sofrimento em razão da escravidão das drogas.

Todos estamos com muita, muita esperança de uma vida nova!

Ontem à noite teve uma reunião com os familiares. Éramos duas esposas e quatro mães. O terapeuta nos fala com muita firmeza e segurança que será o fim da “dependência química” deles. Entretanto, há a necessidade de se cultivar novos bons hábitos após o tratamento.

Estou morrendo de saudades dos meus filhos, mas sigo acreditando que todo esse preço valerá a pena!

*********


Iboga

Bom dia, gente!!

Esposo de plantão hoje, e as crianças dormindo um pouco mais, então aproveitei para vir aqui postar o segundo dia do tratamento, e também para trazer algumas informações adicionais.

Recebi alguns e-mails perguntando se a ibogaína também é utilizada em tratamento de alcoólicos, e a resposta é sim. Na verdade ela é utilizada no tratamento de vícios em geral, independente da droga.

É interessante ressaltar que no diário descrevo os sintomas do meu marido durante o tratamento com ibogaína, entretanto, ela age de forma diferente em cada indivíduo. Cada um dos 9 pacientes que se trataram juntamente com meu esposo, tiveram sintomas e reações diferentes.

Deixarei, abaixo, uma matéria publicada na revista Galileu. Essa matéria é antiga, publicada antes mesmo da pesquisa realizada pela UNIFESP, e foi uma das primeiras fontes onde encontrei informações sobre a ibogaína. Confira!




Deitado numa cama, Wladimir Kosiski, 33 anos, viu, literalmente, sua vida passar como num filme — e descobriu que era um drama ruim. A abertura até prometia: cenas de sua infância e adolescência, o casamento, o emprego como vendedor em uma multinacional em Curitiba (PR), a faculdade, dois filhos... Mas, ao chegar aos 21 anos, o roteiro virava filme B, uma típica história de dependência de drogas, reprisando todos os clichês do gênero. O crack, então, roubava a cena: uma sequência previsível de empregos perdidos, faculdade abandonada e bens vendidos a preço de banana para pagar o vício. E sua carreira de vendedor em multinacional acabou enveredando para a vida de aviãozinho do tráfico em troca de alguns gramas de pedras.

O filme apareceu como uma espécie de sonho acordado durante as 48 horas que Wladimir passou sob o efeito da ibogaína, uma droga psicodélica, em uma clínica no Estado de São Paulo (que prefere não divulgar o nome). Durante esse tempo, ele ficou sonolento, mas plenamente consciente. Viu nítidas as imagens de sua vida, como se fossem projetadas em uma tela de LCD na parede do quarto, logo acima do médico que o observava sobre a cama. Quando o efeito passou, foi a primeira vez em anos que Wladimir acordou sem a fissura, o desejo incontrolável pela fumaça do crack que ataca os dependentes. Nem o desejo, nem as náuseas e nem as dores comuns desse tipo de abstinência apareceram. “Era como se eu nunca tivesse usado droga nenhuma”, diz o hoje administrador de empresas, que passou pelo tratamento e se livrou da dependência em 2007.

A substância que ajudou Wladimir é cada vez mais usada em terapias experimentais contra o vício. De 1962, quando começou a ser testada em dependentes químicos, até 2006, 3.414 pessoas usaram a ibogaína, obtida a partir da raiz de um arbusto africano, a iboga, para fins terapêuticos. Só nos últimos quatro anos, no entanto, 7 mil pessoas passaram pelas terapias, de acordo com dados preliminares de um estudo do Dr. Kenneth Alper, da New York School of Medicine, nos Estados Unidos. O número de tratamentos cresceu tanto que provocou uma escassez da substância, ainda produzida de maneira artesanal, no mundo.

Boa parte dos cientistas torce o nariz diante da ideia de se usar uma fortíssima droga psicodélica para se tratar dependentes químicos. Porém, o crescimento no número de terapias bem-sucedidas e o início de novos estudos deram mais credibilidade à prática. Um deles começou em julho, conduzido pela Associação Multidisciplinar para Pesquisa de Psicodélicos (MAPS, na sigla em inglês), de Santa Cruz, na Califórnia. De acordo com a entidade, trata-se da primeira pesquisa sobre os efeitos de longo prazo da ibogaína na luta contra o vício. O levantamento é feito em cima de usuários de heroína, tratados com a droga por uma clínica do México, a Pangea Biomedics. O interesse dos pesquisadores surgiu após estudos que mostram os benefícios da prática. “Há cada vez mais aceitação por parte da comunidade científica”, afirma Randolph Hencken, diretor de comunicação da MAPS. Os pacientes da Pangea são, em boa parte, americanos que cruzam a fronteira para receber um tratamento considerado ilegal nos EUA (embora a pesquisa seja permitida por lá). A ibogaína também é proibida na Dinamarca, na Bélgica, na Suécia e na Suíça. Já no Gabão, é considerada tesouro nacional. Na África Central, curandeiros usam a raiz em rituais contra as chamadas “doenças do espírito”.

Um deles, da religião Bouiti no Camarões, faz com que o participante coma uma grande quantidade de iboga (que pode chegar a 500 g) enquanto um grupo canta, toca e dança a noite inteira. A cerimônia de três dias pode produzir um coma induzido — o que é entendido como uma viagem ao mundo dos mortos. O objetivo, dizem, é receber revelações, curar doenças ou comunicar-se com aqueles que já morreram. Trabalho da antropóloga paulistana Bia Labate, que estudou a droga, afirma que “acredita-se que os pigmeus tenham descoberto a iboga em tempos imemoriáveis”.

A primeira pesquisa brasileira no assunto está prevista para começar no ano que vem, sob orientação do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ainda que os resultados sejam positivos, não há chance de cápsulas de ibogaína chegarem às farmácias tão cedo. “Sob estrita supervisão médica, a droga poderia se tornar um medicamento, mas custaria milhões de dólares em estudos e ainda não há investidores para tanto”, diz Hencken.

Ainda não se sabe exatamente como essa substância atua no combate à dependência, mas dezenas de pesquisas em animais e humanos indicam que age em dois níveis: tanto na química cerebral como na psicologia do dependente. Por um lado, a droga estimula a produção do hormônio GDNF, que promove a regeneração do tecido nervoso e estimula a criação de conexões neuronais. Isso permitiria reparar áreas do cérebro associadas à dependência, além de favorecer a produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pelas sensações de bem-estar e prazer. Isso explicaria o desaparecimento da fissura relatado pelos dependentes logo após sair de uma sessão. 

Na outra frente, a ibogaína promoveria uma espécie de psicoterapia intensiva ao fazer o paciente enxergar imagens da própria vida enquanto a mente fica lúcida. Estas visões não seriam alucinações, como as imagens de uma viagem de LSD. É como sonhar de olhos abertos, o que ajudaria os dependentes a identificar fatores que os teriam empurrado para as drogas em determinados momentos da vida. Estudos com eletroencefalogramas feitos pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, apontaram que ondas cerebrais de um paciente que tomou ibogaína têm o mesmo comportamento daquelas de alguém em REM (a fase do sono em que sonhamos). “O sonho renova a mente e, se no sono comum temos apenas cinco minutos de sonho a cada duas horas, na ibogaína são 12 horas de sonho intensivo”, aponta o gastroenterologista Bruno Daniel Rasmussen Chaves, que estuda o tema desde 1994 e participará da pequisa da Unifesp.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que não há restrições legais à ibogaína, mas seu uso como medicamento não está regulamentado. Por isso, os tratamentos são considerados experimentais e as clínicas não fazem propaganda. A importação é feita pelos próprios pacientes, que pagam cerca de R$ 5 mil por uma sessão com o derivado da raiz. Após passar por exames médicos, o dependente ingere as cápsulas, deita-se em uma cama e deixa sua mente navegar pelos efeitos, que podem durar até 72 horas. Durante esse tempo, médicos monitoram o paciente. Vale dizer que a literatura médica registra 12 óbitos associados ao uso de ibogaína nas últimas quatro décadas, provocados por diminuição na frequência cardíaca (o equivalente a uma morte a cada 300 usuários). No entanto, estudos de Deborah Mash, neurologista da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, que já acompanhou o tratamento de cerca de 500 pacientes, apontam que não há registro de morte por ingestão de ibogaína em ambiente hospitalar. É preciso que o paciente chegue “limpo” à sessão. “As mortes registradas ocorreram em tratamentos de fundo de quintal, em que as pessoas fizeram uso concomitante de ibogaína e outras substâncias”, afirma Chaves. 

Estudiosos e pacientes avisam: a droga não é uma poção mágica. Para se livrar da dependência, Wladimir Kosiski aliou o tratamento à psicoterapia e mudança drástica de hábitos. Voltou a trabalhar, a estudar e nunca mais pisou no local onde comprava crack. Não foi isso o que fez o professor Gilberto Luiz Goffi da Costa, 44 anos, que se tratou com ibogaína pela primeira vez em 2005. Viciado em drogas desde os 14 anos, Gilberto já acumulava 18 tratamentos fracassados contra dependência. Volta e meia, dormia nas ruas de Curitiba e praticava roubos para comprar crack: já havia sido preso cinco vezes. Após usar ibogaína, achou que estava curado. “Tive uma sensação de bem-estar, mas é um efeito que se perde depois”, afirma. Estava livre do desejo, mas continuou a frequentar os mesmos ambientes e amigos com quem dividia drogas. Em pouco tempo, foi dominado novamente pelo crack. “A ibogaína retira a fissura, mas a pessoa pode continuar a usar droga mesmo sem vontade, como alguém que estraga um regime por gula, não por fome”, diz Chaves. Gilberto só conseguiu permanecer “limpo” após a terceira vez que se tratou, em 2008, quando aliou a substância a uma troca completa de atitudes, seguindo o método dos Narcóticos Anônimos. Sem consumir drogas há dois anos, hoje dá aulas de línguas e é consultor no tratamento de outros dependentes. Ao contrário da viagem pelo mundo dos mortos em uma sessão dos rituais africanos, a ibogaína ajudou o curitibano, pouco a pouco, a permanecer no mundo dos vivos. 

(Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT166297-17773,00.html)