terça-feira, 12 de agosto de 2014

Os Cinco Segredos!



Boa tarde!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo segue em paz, graças a Deus!

No curso de multiplicadores que mencionei na postagem passada foram formados 255 novos multiplicadores, e 91% dos participantes avaliaram o curso como excelente ou bom... Fiquei muito feliz! É muito bom ter a oportunidade de trabalhar em algo que nos realiza!

Passou uma reportagem no Jornal da Record (Nacional) sobre o curso, CLIQUE AQUI e veja. Bacana, né?

Semana passada foi uma semana triste, pois na segunda pela manhã recebemos a notícia da morte do Secretário do órgão onde trabalho. Foi trágico e repentino, e coisas assim, nos fazem refletir ainda mais sobre o valor da vida, não é mesmo?

Mas, na postagem de hoje, quero falar um pouquinho sobre a palestra que dei no curso.

No momento final da palestra, eu mencionei os “5 segredos” que me ajudaram a adotar um estilo de vida diferente, e me fizeram mais feliz, mesmo tendo um familiar adicto.

O primeiro “segredo” é composto dos 3 Cs: não causei, não controlo, e não curo.

Inicialmente, quando ouvi sobre esses 3 Cs no grupo de apoio, foi um alívio, pois me livrei de uma culpa que não era minha.  Percebi que eu não era culpada pelas recaídas, e muito menos pela doença do outro. 

Percebi, ainda, que todas as loucuras que eu vinha cometendo não traziam resultados, na verdade, quanto mais tentava controlar o meu familiar, mais descontrolada eu ficava. E por fim, percebi que eu não poderia curá-lo, por mais que eu desejasse isso.

Resumindo, percebi que eu era impotente perante a doença do meu familiar amado.

O segundo “segredo” que descobri é que codependência não é amor. Ou seja, me deixar de lado, passar dias sem comer e sem dormir, deixar minha vida passar em branco em razão das insanidades do outro não é amor, mas sim codependência, algo muito doloroso, que me sufocava e dificultava a recuperação do meu familiar, fazendo de mim uma facilitadora para o seu vício.

O terceiro “segredo” é que amor próprio não é egoísmo. Antes eu achava que era egoísmo me alimentar enquanto ele estava sem comer nas ruas, ou dormir em uma cama quentinha enquanto ele perambulava no frio, esses são apenas dois de muitos exemplos. Com o tempo, entendi que eu tinha o direito (e o dever) de cuidar de mim mesma e de me amar. Aos poucos fui resgatando esse amor próprio, com muito esforço e exercício. Percebi que quando não cuidamos de nós não temos força nem estrutura para aguentar a convivência com um adicto, e muito menos para ajuda-lo. Se de fato queremos ajuda-los, precisamos estar bem e felizes.

Gosto do exemplo das máscaras de oxigênio que caem no avião, em caso de despressurização. Coloque primeiro a sua máscara, respire, sobreviva, e então auxilie quem está ao lado a colocar a sua máscara. Caso contrário, você, sem oxigênio, sem respirar, no sofrimento ou desmaiado não poderá ajudar a ninguém, nem a si mesmo.

O quarto “segredo” aprendi em uma sala de NA, isso mesmo, de Narcóticos Anônimos, que é a sua terceira tradição, que diz: “Um adicto que não queira parar de usar não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar”. Finalmente entendi que ele era um ser humano separado de mim, ou seja, era outro individuo com sentimentos e pensamentos diferentes dos meus, e esse querer deveria partir dele. Eu posso sim, como familiar, ajudar e incentivar, mas não posso querer por ele.

E o quinto e último “segredo” que aprendi é que eu não deveria mais carregar o meu familiar adicto sobre os ombros, mas sim no coração, somente no coração. Amar o nosso ente dependente químico e compreendê-lo é algo benéfico, entretanto, carrega-lo no colo é exaustivo para nós e muito prejudicial para eles.

Minha vida realmente mudou... Eu mudei. E isso não tem nada relacionado ao blog, livros, trabalho, ou coisas assim. Estou falando de mim, do meu interior, da minha paz, da minha leveza diante da vida, da minha capacidade de ser uma mãe inteira...

Esse blog não é para falar sobre viver junto ou separado de um adicto, não! Mas sim para orientar àqueles que estão convivendo com um, a terem uma vida mais leve, sempre lembrando que somos autores das nossas escolhas.

Quanto ao meu esposo, ele segue limpo há 81 dias. Trabalhando e lutando pelos seus sonhos. Agradeço a Deus por isso! Entretanto, engana-se quem pensa que esses dias são perfeitos. Não não. Em alguns dias ele está distante, em outros deprimido, em outros brigão... E em outros, um lindo! O que faço? Tento me manter bem, focar no que me deixa pra cima, e esperar que ele venha também.

Vou deixar um exercício para vocês.

Pegue uma caneta com a ponta para cima, estique o braço e foque o olhar nessa caneta. Percebe como o fundo fica desfocado? Agora faça o contrário, foque no fundo, uma parede ou coisa assim... Percebe como a caneta fica desfocada?

Pois é, tudo é uma questão de onde está o seu foco.

Eu escolhi focar no que me faz bem e me deixa feliz... Ainda que a vida não seja perfeita...

12 comentários:

  1. Sabemos de tudo isso, mas as vezes precisamos ouvir novamente e reforça todos os dias tudo que a Poly ou os grupos nos ensina, pois nos dias em que nossos amados não estão bem, precisamos mais que nunca por tudo isso em pratica. Uma coisa que eu faço e funciona, é sempre passar no blog ler post novos ou antigo sei que sempre vai ter um que me ajude, eu também escrevi algumas frases palavras e colei no mural em meu quarto e nos dias que levando sem muita coragem leio cada uma e tento seguir minha vida em paz.

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  2. Bom, meu marido é um adicto! Nos casamos a 13 anos e temos 2 filhos. Descobri 3 anos após o casamento, no início ele usava droga uma vez ou outra, mas a cada ano piorava mais. De 6 anos pra cá ficou pior, ele saia pra pagar as contas mas gastava td o dinheiro e a cada mês ele me ajudava menos, perdia um emprego atrás do outro. A minha reação era justamente gritar e acusar, até que em junho de 2013 ele foi embora, voltou pra casa da mãe dele. Ficamos separados por 2 meses e meio e ele até arrumou outra namorada, mas em setembro reatamos, mas ele continuou na casa da mãe até janeiro desse ano,( havia ficado limpo td esse tempo lá). Qdo voltou pra casa, depois de 20 dias começou tudo de novo. As vezes penso que eu seja culpada, afinal qdo esteve longe ficou bem e do meu lado começou tudo de novo!Queria que ele fosse a um psicólogo,mas ele não aceita ajuda! Pior é que sei que estou adoecendo junto com ele e tenho tentado me preocupar mais comigo, mas está muito difícil!

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  3. Post perfeito Polly. Você é uma benção na minha vida! Só posso desejar que as sementes que você planta no coração das pessoas, floresçam e se multipliquem sempre. Beijão enorme pra vc!

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  4. Apenas um complemento, quando focamos na nossa vida o foco deve estar na gente e não somente no belo, ou no que temos de bom, é claro que quando não estamos fortalecidos para encarar a realidade dentro de nós, é melhor sintonizar com o belo, porém enquanto não entendermos de fato nossos fantasmas, não teremos condições de aprender com eles deixando de melhorar nossos defeitos, o foco deve estar em nós mesmos, mesmo que no momento o que se olha seja algo ruim, somente entendendo nossos piores sentimentos poderemos de fato ter a sabedoria que nos pede na oração da serenidade: Sabedoria para aceitar o que não posso modificar e coragem para modificar o que posso...desejos a todos coragem pra olhar pro seu próprio mundo e reconhece-lo como é, nem belo e nem feio apenas imperfeito :)

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  5. Ahh polly vc me ajuda tanto meu marido passo por tres internacoes e ta caido d novo nao tem como vivermos na.mesma ksa ja tirei mimhas roupas da casa pois vivo de aluguel ao.q ele.piorou...to voltando p minha mae..to.sofrendo muito

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  6. Olá Polly, em primeiro lugar parabéns pela coragem, e por ser uma pessoa que irradia amor e esperança!
    Eu namoro um dependente químico há quase 5 anos, o máximo que ele havia desaparecido eram uma semana, mas desta vez está sendo diferente, ele não aparece há 26 dias. Ele não me procura, não fala comigo, trocou o dia pela noite, só quer saber dos "amigos". Com a família é a mesma coisa, ele não fala com ninguém e também não ouve ninguém. Não sei o que fazer, estou desesperada com essa situação. Ele não aceita que tem uma doença, não quer ajuda. Nossa vida era difícil, mas a gente nunca se abandonou, estávamos comprando uma casa, tudo corria bem apesar de tudo. Me desculpe o desabafo...um grande abraço e muita força para todas que passam a mesma situação.

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  7. Bom dia!!
    Saudades Poly, Kel...
    Exclui meu perfil do face, meu blog... achei melhor me afastar um pouco, precisei focar no meu trabalho, buscar o PS... estava focada 24h em adicção ( tava pirando).
    Só Deus, eu e meu marido soubemos as loucuras que já cometi para que meu marido acordasse e visse que o mundo e a vida são muito mais que droga!
    Mas, aprendi que não depende de mim, cada um tem seu tempo, seus caminhos de tratamento...
    Apesar de continuar pegando sempre no pé, oque mudou e que agora eu foco em mim, na minha vida, no meu bem estar!
    Nossa relação teve muitos altos e baixos por causa da adicção dele e da minha instabilidade, graças a Deus hoje convivemos bem, de maneira pacífica.
    Ele está há 10 dias limpo, graças a Deus!
    Vejo nele um homem diferente, vejo que o desejo de ter uma nova vida aflorou nele nesses últimos meses e agora vejo mais verdade nas suas palavras e mais fé no seu coração.
    Temos buscado isso juntos, esta sendo muito bom.
    Bjss

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  8. Isso tudo eu queria sim fazer so que no meu caso e meu filho ainda um adolescente eu me culpo muito por isso acho que se eu trabalhase menoa e nao tentase suprir minha falta de tempo com presentes e tudo o que ele me pedia talvez isso nao tivesse acontecendo agra pois minha vida pqrece que parou so sei fazer e chorar tento fazer de tudo conversando ate parei de trabalhar mas tudo parece em vao cada dia ele piora mais e isso me deixa tao abalada e impotente nao sei mais o que fazer a nao ser orar e chorar pedindo para deus me da uma luz (desculpe o desabafo)

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  9. Ola Poly! Eu tenho 25 anos e descobri ontem q meu marido usa drogas, decidi ficar ao lado dele e ele me disse q precisa d mim e da minha ajuda pq ele quer parar. Eu quero muito ajuda-lo mas não sei o que fazer nem por onde começar. Pode me ajudar é um pedido desesperado... Obrigada...

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  10. Olá Poly ! Tudo que li aqui me confortou. Meu filho tem 19 anos e usa desde os 17. Já passou por 4 internações e está recaído novamente. Tivemos que colocar ele em uma pensão pois não temos mais como conviver com ele em casa, por questões de segurança. Mas me sinto muito insegura, não sei se tomamos a decisão correta, deixar ele fora de casa assim... Ele trabalha, mas não sei até quando conseguirá manter o emprego. Estou ajudando ele com o aluguel da pensão e pagando a comida diária. Mas me sinto a pior mãe do mundo por fazer isto com ele... Meus pensamentos ficam confusos, pois racionalmente sei que estou fazendo a coisa certa, mas emocionalmente me sinto dilacerada por saber que meu filho está lá fora se perdendo... Oro a Deus para que ele nos faça um pedido sincero de ajuda para sair do vício... Não consigo fazer ele querer...

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