quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vale a pena lutar?




Queridas(os) leitoras(es), boa tarde!

Tudo bem com vocês?

Tenho recebido algumas mensagens, dizendo que estão sentindo falta das postagens, que ando meio sumidinha...

Agradeço pela preocupação e pelo carinho!

Entretanto, como falei para vocês, no dia 08 de maio passado, assumi um cargo novo, nessa área de prevenção ao uso de drogas, e de apoio às famílias de dependentes químicos. Junto com o cargo, vieram muitas responsabilidades e, sobretudo, metas que estabeleci para mim mesma, afinal, esses cargos são tão passageiros, que quero dar o melhor de mim enquanto estiver aqui.

Portanto, o tempo tem sido bem corrido.

E quando chego em casa, não quero ficar falando de “drogas” e “codependência”, pois estou lidando com isso o dia todo.

Acho que me entendem, né?

Mas, como disse, tudo isso é provisório. E o Blog continua firme por aqui.

Certamente, o aprendizado que estou adquirindo convivendo com profissionais especialistas dessa área, desenvolvendo trabalhos nessa área, e conhecendo na prática, não apenas como familiar, enriquecerá ainda mais o conteúdo do Blog.

Estou crescendo muito, é o que posso dizer.

Quanto ao maridão, fiquem tranquilas(os), ele está bem, continua limpo, e seguindo o seu caminho com boas escolhas. (Graças a Deus!)

Peço desculpas por minha ausência aqui e nos e-mails, mas acredito que é por um bem maior.

Ontem postei na Página do Amando um DQ no Facebook (CLIQUE AQUI, e curta) um pedacinho da música do filme À Prova de Fogo, que se chama Love is not a fight (Amor não é uma luta), que dizia: “O amor não é uma luta. Mas vale a pena lutar por ele.”


Acredito muito nisso.

Acho que o amor é algo sereno, e não um campo de batalhas. Acredito que ele nos traz paz e não confrontos. Enfim, acho que todo ser humano nasceu mesmo para amar, o resto é resto.

E por isso acho que vale a pena sim lutar por esse amor. Entretanto, essa luta só é válida, quando as duas partes a travam juntas.

Vejo o meu esposo do meu lado, disposto a lutar contra nossas adversidades, e isso me faz acreditar que vale a pena continuar investindo em nosso amor.

Mas se essa luta fosse travada apenas por mim, ou apenas por ele, perderia o sentido.

A Melody Beattie (amo!!!) dá algumas orientações interessantes para nós, codependentes, que adaptei para vocês:

Não permitirei que ninguém abuse de mim, física ou verbalmente;
Não acreditarei ou apoiarei mentiras conscientemente;
Não permitirei uso/abuso de drogas em meu lar;
Não salvarei pessoas das consequências de seu abuso de drogas ou outro comportamento irresponsável;
Não financiarei o uso de drogas ou o comportamento irresponsável de ninguém;
Não mentirei para proteger ao outro;
Não permanecerei diante de ações ou palavras insanas. Ou sai você, ou saio eu, ou a sanidade fica.
O outro pode estragar o seu divertimento, o seu dia, a sua vida – isso é problema dele – mas não deixarei que ele estrague o meu divertimento, o meu dia ou a minha vida.

Parece meio cruel, não é mesmo? Mas não é não. Agindo assim, aumentamos as chances do outro buscar meios de recuperação, e salvamos a nós mesmas(os).

E ainda tem várias outras "exigências" pessoais, que varia de acordo com a necessidade de cada uma(um) de nós, e que precisamos fazer os outros saberem quais são... Não passemos por cima das nossas necessidades. Ok?

Sabe, gente, detesto quando “metem a colher” no meu casamento. Sou protetora da minha família mesmo. Sou hiper apaixonada, muito romântica e sonhadora. E não há problema nenhum em ser assim. Essa é a Polyanna. E me orgulho do que sou. Mas, daí a ser codependente, ou seja, a amá-lo mais do que a mim mesma, me anulando, há uma grande diferença.

Quero deixar bem claro que meu esposo tem uma doença, a dependência química. Entretanto, ele não é bandido (nunca cometeu NENHUM delito), não é farrista (nada de bares, festas, amigos ou mulheres), não é violento (nunca agrediu a mim ou às crianças), e consegue longos períodos limpo. Nesses oito anos que estou com ele, acredito que ele tenha conseguido passar de 90 a 95% desses dias, limpo.

É suficiente? Não. Quero que ele consiga vencer a sua doença de vez. Mas isso é um processo. E ele tem buscado. Tem tentado, incansavelmente. Acompanho isso todos os dias.

Então, queridas(os), uma das missões deste blog é reduzir esse mito de que dependente químico é tudo isso que falei acima, pois, apesar de alguns serem tudo isso, muitos não são.

Querida(o) leitora(r), e pra terminar, quero te convidar, com esse post, a pensar em sua vida, e em seu relacionamento, com sinceridade, e tentar analisar se o outro também está lutando pelo amor de vocês.

Dependência química não o torna inválido. Ele é capaz, se realmente quiser.

E lembre-se: codependência não é amor. E se é amor, é um amor adoecido, que faz muito mal a ambos.

Não se esqueça, “o amor não é uma luta”!

Vamos ser felizes?

Grande beijo!
Poly

10 comentários:

  1. Toda vez que ele cai eu me separo dele, falo que não aguento mais, sinto até ódio dele, não quero mais voltar, não quero mais saber dele, chego ate depois passa um tempo ele melhora um pouco, começa a se tratar e acabamos voltando e tentando sempre mais uma vez, daí passamos uns dois meses, ele cai novamente, daí me separo novamente, entre indas e vindas já até perdi as contas e todas as vezes a perda, as frustrações são cada vez piores, as feridas aumentam mais e mais, ao contrario de mim ele não desiste de mim, se eu fosse ele já teria me largado, pq não consigo continuar com ele quando ele cai nas drogas, me sinto muito mal, não sei lidar com a situação. Isso tudo já vem a 5 anos desse jeito, as vezes penso que nunca mais vamos voltar e acabamos sempre voltando, temos uma filha, ela sente muito a falta do pai. Agora já faz uns 2 meses que nos separamos DENOVO, falei horrores, ele ficou nas ruas, agora esta se tratando novamente. Estou começando a amolecer novamente, mas é um sentimento que não queria sentir, queria poder deixar de gostar dele, seguir minha vida, encontrar outra pessoa e deixa-lo seguir a vida dele também!!!! Não sei ao certo o que Deus nos reserva mas gostaria tanto mais tanto que ele pudesse sair desse inferno e sermos felizes, só que não tenho mais confiança nele, é muito dolorido ter que confiar denovo e me decepcionar mais uma vez!!!!! Não sei o que fazer Poly!!!!

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    1. Olá, querida, bom dia!
      Em primeiro lugar, seria muito bom se você fosse a um grupo de apoio, para poder desabafar, ouvir outras experiências, ser abraçada, se fortalecer e se conhecer.
      No início do meu casamento, eu também agia assim: fiz e desfiz as malas muitas vezes. Na verdade, eu agia assim porque pensava que ele recair às drogas era uma prova de falta de amor por mim. A cada ida e vinda, nos machucávamos muito.
      Querida, você deve ser sincera consigo mesma, analisando o que a faz deixá-lo, e o que a faz voltar, e o que realmente quer para si mesma.
      Sei que todas sonhamos com isso: "que ele saia desse inferno, e sejamos felizes", como você disse. Entretanto, ele precisa reconhecer que está doente (é o primeiro passo), e se tratar (é o segundo passo), e ainda assim, o índice de adictos que ficam limpos por mais de 1 ano é de apenas 3%.
      Não digo isso para apagar a sua esperança, mas porque é necessário que saibamos da realidade como ela é.
      As recaídas acontecem com a esmagadora maioria dos adictos.
      E agora o que fazer?
      Encare a realidade. Seja sincera consigo mesma. Faça a sua escolha. Se escolher partir, busque forças para não voltar atrás, porque isso além de machucar, diminui o respeito do casal, desgasta a relação, e prejudica na recuperação do dependente.
      E se escolher ficar, busque ajuda. Você precisará aprender a lidar com essa doença, sem adoecer junto.
      Querida, sua filha precisa de você saudável. E você precisa de você saudável também.
      Um grande beijo!
      Poly

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  2. Olá companheira, me identifiquei com sua partilha, vivi muito tempo assim, tem um post do blog q talvez se identifique http://dependenciaecodependencia.blogspot.com.br/2014/06/aprendi-observar.html#comment-form

    Bom dia Poly...uai vc tirou as atualizações dos blogs que apareciam no canto direito do teu blog??..hoje que reparei..... bjus

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    1. Bom dia, Kel. Tirei sim. Na verdade, excluí todos os blogs que eu seguia, e estou adicionando novamente, porque a minha lista de blogs estava cheia de spam, e não atualizava mais. Bjos.

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  3. Oiee esta lista de blogs esta fazendo falta....bjus kkkk Damarys

    Força, foco e muita fé !

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    1. Estou precisando de ajuda com o blog...

      Alguém pode colocar o link dos blogs, aqui nos comentários, que ainda são atualizados, para eu incluir?

      Alguém pode me ajudar a responder os e-mails?

      Help me!!

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  4. Ufa!!! rsrsrs que bom que está tuudo bem!
    Essa música é maravilhosa mesmo, já me encontrei muito nela!
    É muito bom sentir isso, que não estamos lutando sozinhas, e que eles mesmo fracos tbm estão lutando.... não tem preço!
    Continuemos nossa luta então não é mesmo!?
    Só por hoje!
    Grande abraço!
    Cris

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  5. Como tenho aprendido com vc.
    Só por hoje meu marido está
    limpo a 5 dias.

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  6. Oi Poly! Estou sempre acompanhando o seu blog e tive uma história linda de amor com um dependente quimico. Hoje esse assunto corre em minhas veias e queria mto poder ajudar de alguma forma, vc ou alguém que acompanha o blog teria algum lugar ou projeto para indicar, aonde eu pudesse voluntariar ajudando dependentes ou família? Beijos a todas Ah...que seja em SP.

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  7. Oi. Acompanho seu blog e me identifico com várias situações. Bem, agora, depois de um ano, meu noivo recaiu, vendeu até a aliança e isso foi muito pra mim. Recaí, minha co dependência voltou com força total e agora com ele internado tento colocar minha cabeça no lugar.
    Foi e está sendo muito difícil. bjs

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