sexta-feira, 27 de junho de 2014

Somos todos indivíduos!

Bom diaaa!

Quanto tempo, não é mesmo?!

Passei por uns dias turbulentos, com problemas de saúde em casa, mas nada relacionado a drogas.

Meu filho do meio deu catapora, depois quando ele já estava bem, foi a vez do caçulinha se encher de pintinhas... Isso incomoda demais, né? Várias vezes, no meio da noite, me levantava para dar um banho nos pequenos, e passar os remedinhos receitados... Graças a Deus, já está passando!

Não bastasse isso, dei um torcicolo que fiquei “travada” durante quase uma semana... Pescoço duro, e uma dor que não passava. Será coisa da idade?!! É, o “trem” tá feio por aqui! Risos.

Mas, apesar desses probleminhas, estou bem!

E vocês, como estão, hein?

Continuo recebendo muitos e-mails de pessoas em situação de desespero. Sei o quanto é doloroso ver um familiar amado se destruindo nas drogas. Mas, enquanto não percebermos que todos nós somos indivíduos únicos, e que cada um é responsável por si mesmo, e insistirmos em carregar um peso que não somos capazes de carregar: o outro sobre nossas costas, a dor tende a se intensificar.

Mas, como tirá-lo das costas? Como aliviar essa dor?

BUSCANDO AJUDA!

Você precisa entender que sozinho é muito difícil! Não somos super-heróis. Vá a um grupo de apoio! Leia livros! Participe de terapias comunitárias! Procure um Psicólogo! Vá à Igreja! Ore! Converse com seus amigos e familiares mais próximos! Cuide de você!

Enquanto estiver focado na luta do outro, será difícil resolver a sua própria luta.

Neste Blog, eu não trago a receita da felicidade, mas simplesmente relato a minha experiência, porque talvez dê certo pra você também.

Eu estava enlouquecendo, e um dia descobri uma forma nova de encarar tudo isso. Escolhi um estilo de vida diferente para mim. E a cada dia estou aprendendo a viver em paz comigo mesma.

Como?

Me colocando em primeiro lugar. Me livrando do hábito de maus pensamentos obsessivos em relação ao outro. Cuidando de mim, sem culpa. Ou seja, simplesmente vivendo a MINHA vida.

Sempre lembro a mim mesma que ao outro eu só posso amar. E só. Jamais conseguirei dominar suas escolhas e controlar os seus passos. E reconhecer isso foi um grande avanço para começar a viver em paz.

É normal que, ao ver nosso familiar sofrendo, nós também sintamos dor, e nos preocupemos. Claro! Mas, o que não é normal é fazer dessa dor e preocupação o centro da nossa vida. Pois, a partir do momento que fizermos isso, estaremos morrendo junto com o nosso familiar dependente químico, pouco a pouco. E será muito difícil ajuda-lo assim.

Meu esposo continua limpo, não houve mais recaídas. Entretanto, ele está naquela fase de tristeza. É quando o cérebro começa a emitir um turbilhão de falsos motivos para usar drogas, sabe? Daí, o adicto começa a achar que o trabalho está ruim, que a família é ruim, que a vida é ruim, até chegar àquele pensamento de que: “puxa, está tudo tão ruim, que mereço um pouco de alívio, na droga.”

Em outros tempos, eu estaria louca tentando convencê-lo de que ele está errado, de que a vida dele é ótima, ou até mesmo que isso é sintoma da doença e tal. Mas, já fiz isso no passado, e nunca deu certo, ao contrário, só fazia com que ele se fechasse ainda mais. Então hoje, apenas o ouço, e até concordo com ele em alguns pontos, afinal problemas realmente existem na vida de todo mundo. E quando tenho oportunidade, como tive ontem, proponho que ele busque um médico (Psiquiatra) para ajuda-lo.

Enquanto isso, vou pedindo a Deus para me ajudar a manter o foco em mim e nos pequenos, e para me dar sabedoria para agir da melhor forma possível, e ajudar o meu esposo a sair dessa armadilha que a adicção arma em sua cabeça, e que ele sempre cai como um patinho. 

"Vai lá, amor, busque agir de forma diferente, para obter resultados diferentes... Estamos juntos!"

Esses dias, li um texto muito interessante no Blog da Flor (clique aqui), com o qual me identifiquei muito, e gostaria de partilhar com vocês.



  
O RELACIONAMENTO SIGNIFICATIVO
(autor desconhecido)

Aprendi que você e eu somos mais felizes um com o outro quando podemos manter um sentido de separação mútua e a capacidade de aceitar tal separação.

Essa separação implica que você e eu somos dois indivíduos únicos e distintos. Você tem seus próprios sentimentos, atitudes e valores. Aquilo que você é, está OK para mim, e aquilo que eu sou, está OK para você.

Esse sentido de separação também significa que aquilo que você é diz respeito, em primeiro lugar, a você, e aquilo que eu sou diz respeito, primeiramente, a mim. Eu não sou responsável pelo seu destino, e você não é responsável pelo meu.

Será que o sentido de separação significa que cada um de nós deve seguir seu próprio caminho sozinho, sem ter qualquer ligação um com o outro?

Não, absolutamente. Eu iria continuar querendo que você tivesse interesse em mim e nas coisas que me acontecem, da mesma forma que eu tenho interesse em você. Mas, para manter esse sentido de separação, eu não posso deixar meu carinho por você sair fora de controle e pressioná-lo a se tornar o que eu quero que você se torne, nem posso permitir que você me molde na forma como quer que eu seja.

Se realmente me interesso por você e gosto daquilo que você é, eu deixarei que siga a sua própria direção. Se você gosta realmente do que sou, você, da mesma forma, me deixará conduzir a mim mesma.

Eu nem sempre irei gostar do que você fizer ou disser algumas vezes, e às vezes você não se sentirá bem com as coisas que eu fizer ou disser. Quando isso acontecer, não farei com que você mude e gostaria que não tentasse me mudar. Mas mostrarei que me preocupo com você, fazendo com que saiba como me sinto quando estou chateada com você, e, se você decidir ou não mudar o que disse e fez, em resposta ao meu interesse por você, essa é uma decisão sua, não minha.

Gostaria que você demonstrasse que se importa comigo, compartilhando seus sentimentos quando eu fizer algo que te incomoda, mas também deixando com que eu mesma decida se quero mudar o que faço.




É exatamente nesse tipo de relacionamento que acredito, seja com um adicto ou não. E somente quando aprendi a respeitar a individualidade do meu esposo, que comecei a respeitar a minha individualidade também.

A tentativa de controle sobre o outro sempre acabava em total descontrole sobre mim mesma, e isso me desgastava demais.

Sim, amo o meu esposo, e quero que ele saia dessa. Mas, me afundar com ele não é prova de amor. E isso eu não faço mais. Não mesmo.

Fico aqui na torcida, e orando para que tudo saia bem.

Deixa eu ir, que a meninada está colocando a casa abaixo! Todos acordados já!

Grande beijo!

Fiquem com Deus!



6 comentários:

  1. Querida Poly, desde que achei seu blog e decidi fazer o meu a quase dois anos atrás, mudei muito minha vida e aprendi com vc, que é um exemplo de amor e dedicação, que podemos sim ter uma vida própria, podemos sim sermos felizes mesmo com todas as adversidades que a dependência química trás em nossos lares, hoje também não perco mais minha serenidade por causa das insanidades que as drogas faz meu marido cometer, hoje consigo separar minha vida da dele e posso te dizer que aprendi muito com você, vc me ensina a cada dia com sua fé, determinação e exemplo de vida, Obrigado por partilhar suas experiencias tão edificantes conosco...Amo vc incondicionalmente.

    ResponderExcluir
  2. Oi Polly. Que saudades de você e de suas palavras. Que bom que está tudo melhorando por aí. Por aqui também está tudo bem. Ele continua internado e focado no tratamento. Ainda é um pouco difícil pra mim me desligar emocionalmente e fazer minhas coisas. Ainda encontro dificuldade em me focar e encontrar força de vontade em mim mesma para fazer o que é preciso ser feito. Mas aos pouquinhos vamos indo. Agradeço a Deus por cada dia de serenidade que tem me dado.
    Suas palavras são sempre um conforto pra nós. Obrigada. Que Deus te abençoe. Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Meu Deeeeeeus como é difícil!!
    Ele está limpo mas eu não... é tão difícil aceitar os defeitos de caráter deles, o cérebro deles a todo momento tentando os convencer que precisam das drogas... e mais difícil ainda aceitar os meus defeitos, a minha doença, as minhas manipulações comigo mesma, com ele, com tudo! Nossa, como preciso aprender, como preciso amadurecer ainda! Bom, vamos seguindo sempre, não posso desistir de mim mesma, e só posso rezar e pedir a Deus que dê forças a ele para não desistir de si tbm...
    "Só por hoje tentarei viver somente este dia e não tentarei solucionar todos os problemas da minha vida de uma só vez."
    Bjs querida, e obrigada mais uma vez pelas palavras que me ajudam muito!
    Cris

    ResponderExcluir
  4. Oiii, agradeço por ter encontrado esses blogs de ajuda mútua. Mais uma semana, meu noivo sai do internamento, tenho medo do que virá, mais agora me sinto fortalecida e vou fazer o meu melhor... Meu problema agora é entrar em conflito com a família dele, pois estão me pressionando para virar evangélica, mesmo eles não sendo, rsrsrs. bjs

    ResponderExcluir
  5. Sou co-dependente ou insegura? Não sei. Depois de 20 anos convivendo com um marido usuário de cocaína junto com bebida alcoólica, e que em raras vezes quis sair desta situação, penso que não o deixei porque sou insegura, tenho medo de seguir sozinha, porque amor não sinto mais. Porque apesar dele ser grosso, insensível, imaturo, mentiroso, bêbado, bipolar, ele é o pai de minha filha e assim como eu trabalha para dar o melhor pra ela. E porque nunca retirou uma agulha de dentro de casa para usar em drogas. Porque mesmo após passar a noite usando, acorda no outro dia e vai trabalhar. Mas apesar das consequências serem menores do que de outras pessoas nesta situação, elas existem na minha família também. Me dói no peito ver ele no domingo a tarde sentado na frente da TV com uma lata de cerveja ao lado e cocaína na carteira. Me dói na alma lembrar que em todos os aniversários da minha filha ele estava sob efeito da droga. Me irrita demais o fato dele só ser amável e conversar comigo quando está drogado. Me faz chorar lembrar das inúmeras vezes que brigamos por causa de coisas banais que o deixam irritado e agressivo. Dói ver que eu sou o seu saco de pancadas e que mesmo assim continuo aqui lavando suas roupas. Será que ele é assim por causa da droga? Sinto que ele me ama, mas ao mesmo tempo não faz nada para demonstrar isso, ao contrário. Não sei, já passei por tanta coisa ao lado dele. Já briguei muito tentando fazer ele parar. Já fui atrás buscar ele no bar. Já fiz papel de louca na frente dos outros. Já me humilhei chorando e pedindo para ele parar. Já apanhei e bati. Mas agora, não faço nada disso, deixo ele fazer o que quiser da vida dele. Mas não deixei de sofrer por agir assim. Sou muito carente. Carente do companheirismo, da amizade, das conversas, das reuniões com a família, de tudo que vejo as outras famílias terem e a minha não. Minha indiferença não mudou a situação, piorou. Ele percebe minha inércia e tenta me desestabilizar de outras formas, com agressividade, por exemplo. Com cobranças de mais atenção e carinho que ele nunca retribui. Com suas palavras tentando me diminuir na frente de amigos e familiares. Assim eu vivo pisando em ovos, porque qualquer mínima coisa que eu fale ou faça é motivo para irritá-lo e para iniciar-se uma discussão. A situação é tão insana que chego a ficar aliviada quando ele usa droga, porque fica carinhoso e propenso a diálogo. Mas é uma ilusão, porque no outro dia quando acorda lá está a realidade: o mal-humor, a agressividade, as cobranças, a apatia, a falta de diálogo. Já nem consigo ficar no mesmo ambiente que ele. É sufocante! É irritante! O que fazer? Não sei.


    ResponderExcluir