sexta-feira, 27 de junho de 2014

Somos todos indivíduos!

Bom diaaa!

Quanto tempo, não é mesmo?!

Passei por uns dias turbulentos, com problemas de saúde em casa, mas nada relacionado a drogas.

Meu filho do meio deu catapora, depois quando ele já estava bem, foi a vez do caçulinha se encher de pintinhas... Isso incomoda demais, né? Várias vezes, no meio da noite, me levantava para dar um banho nos pequenos, e passar os remedinhos receitados... Graças a Deus, já está passando!

Não bastasse isso, dei um torcicolo que fiquei “travada” durante quase uma semana... Pescoço duro, e uma dor que não passava. Será coisa da idade?!! É, o “trem” tá feio por aqui! Risos.

Mas, apesar desses probleminhas, estou bem!

E vocês, como estão, hein?

Continuo recebendo muitos e-mails de pessoas em situação de desespero. Sei o quanto é doloroso ver um familiar amado se destruindo nas drogas. Mas, enquanto não percebermos que todos nós somos indivíduos únicos, e que cada um é responsável por si mesmo, e insistirmos em carregar um peso que não somos capazes de carregar: o outro sobre nossas costas, a dor tende a se intensificar.

Mas, como tirá-lo das costas? Como aliviar essa dor?

BUSCANDO AJUDA!

Você precisa entender que sozinho é muito difícil! Não somos super-heróis. Vá a um grupo de apoio! Leia livros! Participe de terapias comunitárias! Procure um Psicólogo! Vá à Igreja! Ore! Converse com seus amigos e familiares mais próximos! Cuide de você!

Enquanto estiver focado na luta do outro, será difícil resolver a sua própria luta.

Neste Blog, eu não trago a receita da felicidade, mas simplesmente relato a minha experiência, porque talvez dê certo pra você também.

Eu estava enlouquecendo, e um dia descobri uma forma nova de encarar tudo isso. Escolhi um estilo de vida diferente para mim. E a cada dia estou aprendendo a viver em paz comigo mesma.

Como?

Me colocando em primeiro lugar. Me livrando do hábito de maus pensamentos obsessivos em relação ao outro. Cuidando de mim, sem culpa. Ou seja, simplesmente vivendo a MINHA vida.

Sempre lembro a mim mesma que ao outro eu só posso amar. E só. Jamais conseguirei dominar suas escolhas e controlar os seus passos. E reconhecer isso foi um grande avanço para começar a viver em paz.

É normal que, ao ver nosso familiar sofrendo, nós também sintamos dor, e nos preocupemos. Claro! Mas, o que não é normal é fazer dessa dor e preocupação o centro da nossa vida. Pois, a partir do momento que fizermos isso, estaremos morrendo junto com o nosso familiar dependente químico, pouco a pouco. E será muito difícil ajuda-lo assim.

Meu esposo continua limpo, não houve mais recaídas. Entretanto, ele está naquela fase de tristeza. É quando o cérebro começa a emitir um turbilhão de falsos motivos para usar drogas, sabe? Daí, o adicto começa a achar que o trabalho está ruim, que a família é ruim, que a vida é ruim, até chegar àquele pensamento de que: “puxa, está tudo tão ruim, que mereço um pouco de alívio, na droga.”

Em outros tempos, eu estaria louca tentando convencê-lo de que ele está errado, de que a vida dele é ótima, ou até mesmo que isso é sintoma da doença e tal. Mas, já fiz isso no passado, e nunca deu certo, ao contrário, só fazia com que ele se fechasse ainda mais. Então hoje, apenas o ouço, e até concordo com ele em alguns pontos, afinal problemas realmente existem na vida de todo mundo. E quando tenho oportunidade, como tive ontem, proponho que ele busque um médico (Psiquiatra) para ajuda-lo.

Enquanto isso, vou pedindo a Deus para me ajudar a manter o foco em mim e nos pequenos, e para me dar sabedoria para agir da melhor forma possível, e ajudar o meu esposo a sair dessa armadilha que a adicção arma em sua cabeça, e que ele sempre cai como um patinho. 

"Vai lá, amor, busque agir de forma diferente, para obter resultados diferentes... Estamos juntos!"

Esses dias, li um texto muito interessante no Blog da Flor (clique aqui), com o qual me identifiquei muito, e gostaria de partilhar com vocês.



  
O RELACIONAMENTO SIGNIFICATIVO
(autor desconhecido)

Aprendi que você e eu somos mais felizes um com o outro quando podemos manter um sentido de separação mútua e a capacidade de aceitar tal separação.

Essa separação implica que você e eu somos dois indivíduos únicos e distintos. Você tem seus próprios sentimentos, atitudes e valores. Aquilo que você é, está OK para mim, e aquilo que eu sou, está OK para você.

Esse sentido de separação também significa que aquilo que você é diz respeito, em primeiro lugar, a você, e aquilo que eu sou diz respeito, primeiramente, a mim. Eu não sou responsável pelo seu destino, e você não é responsável pelo meu.

Será que o sentido de separação significa que cada um de nós deve seguir seu próprio caminho sozinho, sem ter qualquer ligação um com o outro?

Não, absolutamente. Eu iria continuar querendo que você tivesse interesse em mim e nas coisas que me acontecem, da mesma forma que eu tenho interesse em você. Mas, para manter esse sentido de separação, eu não posso deixar meu carinho por você sair fora de controle e pressioná-lo a se tornar o que eu quero que você se torne, nem posso permitir que você me molde na forma como quer que eu seja.

Se realmente me interesso por você e gosto daquilo que você é, eu deixarei que siga a sua própria direção. Se você gosta realmente do que sou, você, da mesma forma, me deixará conduzir a mim mesma.

Eu nem sempre irei gostar do que você fizer ou disser algumas vezes, e às vezes você não se sentirá bem com as coisas que eu fizer ou disser. Quando isso acontecer, não farei com que você mude e gostaria que não tentasse me mudar. Mas mostrarei que me preocupo com você, fazendo com que saiba como me sinto quando estou chateada com você, e, se você decidir ou não mudar o que disse e fez, em resposta ao meu interesse por você, essa é uma decisão sua, não minha.

Gostaria que você demonstrasse que se importa comigo, compartilhando seus sentimentos quando eu fizer algo que te incomoda, mas também deixando com que eu mesma decida se quero mudar o que faço.




É exatamente nesse tipo de relacionamento que acredito, seja com um adicto ou não. E somente quando aprendi a respeitar a individualidade do meu esposo, que comecei a respeitar a minha individualidade também.

A tentativa de controle sobre o outro sempre acabava em total descontrole sobre mim mesma, e isso me desgastava demais.

Sim, amo o meu esposo, e quero que ele saia dessa. Mas, me afundar com ele não é prova de amor. E isso eu não faço mais. Não mesmo.

Fico aqui na torcida, e orando para que tudo saia bem.

Deixa eu ir, que a meninada está colocando a casa abaixo! Todos acordados já!

Grande beijo!

Fiquem com Deus!



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Floresceu novamente!



Boa tarde!

E então, animados para a Copa do Mundo? Começa amanhã!!

Eu andei bem chateada (revoltada) com os altos custos dos estádios, mas sou uma verdadeira apaixonada por futebol, e quando vejo as camisas amarelas em campo não consigo não torcer... Lembro-me de quando eu era menina (copa de 90), minha irmã e minha mãe não entendiam nada de futebol, e eu explicava tudo, pois já sabia as regras, e conhecia todos os jogadores. Na copa de 94, fui sozinha ver os jogadores na Esplanada dos Ministérios, e me sapequei toda no sol... É, eu nunca fui muito normal... haha

Quanto aos estádios superfaturados, acho que o melhor lugar para mostrarmos nossa indignação em relação à forma como o dinheiro público vem sendo gasto, é nas urnas. Não é mesmo?!

Amanhã a pipoca e o verde e amarelo estarão garantidos aqui em casa.

Por aqui, está tudo bem. Meu esposo segue limpo, matando um leão por dia! E sei que se ele se mantiver firme, com o passar dos dias, os sintomas ficarão mais leves. No caso dele, o sintoma mais forte é a instabilidade emocional.

Daí, nesses dias, a família tem a opção de embarcar com eles nessa instabilidade, ou de reconhecer isso como um sintoma da abstinência, algo deles e não nosso, e que vai passar.

Em alguns dias, me saio bem. E em outros, me saio muito mal. Mas, hoje temos humildade para reconhecermos os nossos erros e pedirmos desculpas um ao outro, quando necessário.

É interessante vermos como vamos crescendo com o tempo, não é mesmo?

Hoje estava conversando com uma amiga, irmã de um adicto. Ela e sua mãe são pessoas muito queridas, e nos conhecemos já há alguns anos. A senhora sua mãe, tempos atrás, era alguém muito (muito mesmo!) codependente, e que pouco sabia sobre a dependência química. E aos poucos (com muito custo), ela buscou informação, buscou tratamento, e recebeu acolhimento. Daí, um dia desses, ela viu uma outra mãe falando sobre a internação do filho, e que ele sairia “curado” de lá. Surpreendentemente, ela virou e disse: “Hum, não sabe de nada... inocente!” Eu ri muito com isso. É bom ver o crescimento das pessoas. Hoje o filho dela está limpo há vários meses, mas ela sabe bem o que é a dependência química, e mais que isso, ela está se tratando com Psiquiatra, Psicólogo, buscando ajuda espiritual, enfim, se fortalecendo... E ela voltou a viver a própria vida. Bom demais ver isso!

E quando penso em parar com o meu trabalho, chega alguém como uma esposa que conheci nesta semana. Casada há 33 anos. Não tem mais nada em casa (nada mesmo!). O marido, usuário de crack já trocou tudo por drogas, e é violento com ela. Há mais de 10 anos eles não têm uma relação de marido e mulher. E ao conversar com ela, vejo uma prisão tão enorme entre ela e o esposo, algo tão doentio, que somente com o tempo, e com amor, podemos realmente ajudar. Mas, é aquela coisa, ainda que ela não queira mudar de vida, o abraço acolhedor é sempre bem-vindo nessa hora de dor...

Aprendi a não ter pena de nenhum familiar e de nenhum adicto... Hoje sinto apenas compaixão. Pois sei que todos eles podem sair dessa, se quiserem.

Eu acredito muito nas pessoas. Acredito que qualquer mãe de adicto pode voltar a viver, acredito que as esposas podem ser felizes, e acredito que as namoradas podem fazer boas escolhas para as suas vidas... Acredito que qualquer adicto pode ser o que quiser ser... Tudo depende do tamanho da decisão de cada um, e da sua fé!

Mas, claro que nada vem de graça, há um preço a ser pago. Você está disposto?

Ontem recebi um convite para dar o meu depoimento no Grupo de Apoio que mudou a minha vida. No dia 22 do mês que vem, estarei lá, naquela mesma sala... Comecei frequentando o grupo, buscando algo que curasse o meu marido, mas na verdade lá estava a “cura” para mim mesma. E eu não desisti. Todas as terças-feiras, estava lá, com meu bebê no colo. Era difícil, longe de casa, marido recaindo, e eu só sabia chorar e chorar. Mas, também sabia ouvir. Fui com minha mente aberta, com humildade. Fiz o que me sugeriam. Li os livros que me indicavam. E pouco a pouco, fui me libertando daquela dor que me consumia e que dominava a minha vida... E vejam só, eu nunca imaginei que, quatro anos depois, estaria ali dando o meu depoimento, para outras pessoas que estão chegando, afundadas naquela mesma dor, tão conhecida.

Isso é a prova do amor de Deus na minha vida. É a prova de que vale a pena não desistirmos de nós mesmos, nunca.

Bom, e amanhã é dia dos namorados! Ahhhh...

E quero contar uma história para vocês.

Em 25 de maio do ano passado, fiz uma postagem aqui no blog, falando sobre a publicação do meu segundo livro: Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação (CLIQUE AQUI, e veja). E na ocasião, falei que sobre a mesa de autógrafos, estava a orquídea que meu esposo havia me dado, representando o nosso amor. Se lembram?


Nossa orquídea sobre a mesa, em 2013.


Vocês sabem que as orquídeas só florescem uma ou duas vezes por ano, né?

Pois é. Passado o mês de maio de 2013, as pétalas caíram, e ficou apenas o tronquinho da orquídea. Durante todo o ano cuidamos dela...

Neste ano, novamente no mês de maio, ela começou a brotar, e ficamos super entusiasmados. Mas, nosso filhinho caçula, em um descuido nosso, arrancou o galhinho que estava brotando. Quase chorei quando vi. Achamos que ela havia morrido...

Dias depois, para a nossa surpresa, aquela plantinha deu um jeito de brotar novamente em um outro galhinho. Era inacreditável! Ela estava viva! E brotando novamente.

Continuamos cuidando dela. E na semana passada, novamente ela floresceu! Linda!

E ela está aqui, em nossa mesa da sala...

E ela descreve muito bem o nosso amor.

Viva e linda, em 2014!

Feliz dia 12 de junho a todos! E boa sorte, Brasil!!!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Obrigada, de coração!

Boa tarde!

Em meio aos pedidos de ajuda, sempre recebo palavras de carinho e de força, e gostaria hoje de agradecer por essas palavras.

Separei um pedacinho de três e-mails recebidos recentemente, para representar a todos os que me ajudaram com palavras positivas, de ânimo, de amor e de acolhimento. Obrigada, de coração!

Peço desculpas por não conseguir responder a todos os e-mails. Leio a todos. Mas, nem sempre consigo responder, porque gosto de mergulhar em cada história, para encontrar as melhores palavras que poderão ajudar de alguma forma, e isso leva tempo, e não pode ser feito de qualquer maneira... Mas, sempre que posso, respondo.

Estou com meu filhote do meio com catapora (contei 196 pintinhas ontem - coisa de mãe, hehe), e como estou em casa hoje, consegui ler todas as mensagens recebidas por e-mail.

Muitos pedidos de orientação e muita dor... Tenho orado por todos que me escreveram!

Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu... Força a todos!

Grande beijo!
Poly


domingo, 8 de junho de 2014

Por que usamos drogas?



Na semana passada, participei de uma reunião do Movimento Pedagogia das Virtudes, que é um movimento que trabalha pelo despertar e fortalecimento dos valores éticos na sociedade.

Na reunião em questão, falamos muito sobre dependentes químicos e seus familiares. E confesso que saí de lá muito reflexiva, e com vontade de dividir com vocês as minhas reflexões.

Em 2013, o Datafolha realizou uma pesquisa que indicou que o maior medo do paulistano é o medo de ter um familiar envolvido com drogas. Esse medo foi mais cotado do que o medo de ter sua casa invadida por assaltantes ou mesmo de ser assaltado na rua.

Nós, familiares de dependentes, somos vistos como grandes sofredores. E, na maioria das vezes, os dependentes são vistos como grandes vilões.

Você já parou para se perguntar de onde saiu essa visão formada sobre a dependência química? Já parou pra analisar como esse assunto é abordado pela mídia, quase sempre de forma sensacionalista?

Certa vez, perguntaram para Richard Davenport-Hines, que estudou a relação entre os homens e as drogas ao longo da história, por que o ser humano consome drogas? E ele respondeu: “Porque isso faz parte da natureza do ser humano”.

Talvez alguns estejam pensando: “Cara, a Polyanna pirou! Agora ela vai defender o uso de drogas?!”

Não é nada disso! Sou radicalmente contra o uso de drogas porque acredito que isso seja uma forma de suicídio, que começa matando a dignidade do ser, e que traz muito sofrimento para ele e para todos que o amam.

Mas, a minha intenção neste post é fazer com que nós, familiares de dependentes químicos, consigamos desmistificar um pouco a questão da dependência química.

Eu pergunto: por que as pessoas usam drogas? E as respostas podem ser: “para sentirem prazer” ou “para fugirem da realidade”.

Portanto, quem não usa nenhuma “droga”, então, que atire a primeira pedra.

Gente, vivemos hoje em uma sociedade totalmente entorpecida.

Muita gente “normal” faz uso contínuo de remédios para dormir ou para se acalmarem. Ritalina e Fluoxetina daqui a pouco serão vendidas na padaria da esquina, porque a cada dia se tornam mais comuns dentre as pessoas “normais”.

Isso não seria, de certa forma, uma fuga da realidade, ou uma busca por uma satisfação também?




E o que dizer dos iphones, ipads, tablets, etc? Tudo isso é coisa de gente “normal”. Gente que não olha mais nos olhos. Gente que não conversa mais com os filhos. Gente que está totalmente ausente da vida que acontece ao redor. Gente que está fugindo do mundo real, e buscando por algum prazer, mesmo que esse prazer seja uma “curtida” na postagem em rede social.

O que é a televisão? Não seria também uma espécie de “droga”? A função dela também não é essa, a de nos “alienar”?

Quanta gente joga de forma compulsiva, e acredita que é apenas uma “fezinha”. Quanta gente come de forma compulsiva, buscando na comida o prazer e uma fuga. Quanta gente é viciada em gente (codependentes), buscando na vida do outro a solução para a sua própria vida.

Ah, e é claro, que gente “normal” toma bebida alcóolica pelo menos na sexta e sábado, e em todas as festas, afinal, sem bebida não há diversão.

Nossa sociedade está adoecida!

Não importa se é cocaína ou se é o teclado do iphone, tudo é resultado da busca do ser humano por algo que preencha o seu vazio interior.

Vivemos em uma correria louca, buscando espaço nesse mundo insensível, agitados para construirmos nossos “castelos de areia”.

Pouco a pouco, parece que as pessoas se tornaram menos importantes do que as coisas. Dá a impressão de que gente é algo trivial, e que o essencial são as coisas, o ter. E é essa inversão de valores e conceitos que têm nos tornado dependentes de todo tipo de droga, porque está muito difícil viver nesse mundo “de cara limpa”.

Então, querido leitor, seu familiar não é diferente dos outros. A questão é que o tipo de droga que ele experimentou, e pela qual ele se viciou, o faz ter atitudes que o expõem.

Mas, ele continua sendo um ser humano, como qualquer outro.

Não sou a favor da facilitação do uso de drogas. Não sou a favor de que a família se torne refém do adicto. Mas também não sou a favor daqueles que “atiram pedras” em quem está adoecido pelo uso de drogas.

Todos nós temos telhado de vidro.




Acho que é hora de pararmos um pouco, e voltarmos ao que é essencial em nossa vida. O essencial são as pessoas que amamos. O essencial são os seres, não os objetos e não os conceitos.

Acho que é hora de voltarmos à prática do diálogo sincero, olho no olho, sem superioridade ou inferioridade em relação ao outro.

Acho que é hora de tirarmos as pedras das mãos, colhermos flores, e as distribuirmos uns aos outros.

Afinal, quem é que vive realmente sóbrio nesse mundo louco de hoje?

Mães de dependentes químicos, não sintam vergonha do seu filho, ele pode sair dessa, e com apoio se torna menos difícil.

Esposas de dependentes químicos não se envergonhem de amarem alguém adoecido pelas drogas, ele também é um ser humano.

Não somos melhores nem piores do que ninguém. Podemos erguer nossas cabeças, e juntos lutarmos contra o que está afligindo a nossa família.

E acredito que, quando voltarmos ao simples, ou seja, quando voltarmos a valorizar o prazer do que é realmente essencial na vida, como um jantar reunidos à mesa, uma oração em família, a brincadeira com as crianças, o tempo com as pessoas, e nos esquecermos dessa luta para manter a aparência de que também somos “normais”, deixaremos de necessitar tanto assim das “drogas”, porque o nosso vazio interior estará preenchido.




Fiquem com Deus!

Grande beijo.
Poly


P.S: Peço àqueles que possuem blogs que continuam sendo atualizados, e que desejarem a divulgação aqui, que deixem o link nos comentários abaixo. Estou atualizando minha lista de blogs, pois estava com problemas nas atualizações, mas em breve eles estarão de volta aqui no cantinho direito.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vale a pena lutar?




Queridas(os) leitoras(es), boa tarde!

Tudo bem com vocês?

Tenho recebido algumas mensagens, dizendo que estão sentindo falta das postagens, que ando meio sumidinha...

Agradeço pela preocupação e pelo carinho!

Entretanto, como falei para vocês, no dia 08 de maio passado, assumi um cargo novo, nessa área de prevenção ao uso de drogas, e de apoio às famílias de dependentes químicos. Junto com o cargo, vieram muitas responsabilidades e, sobretudo, metas que estabeleci para mim mesma, afinal, esses cargos são tão passageiros, que quero dar o melhor de mim enquanto estiver aqui.

Portanto, o tempo tem sido bem corrido.

E quando chego em casa, não quero ficar falando de “drogas” e “codependência”, pois estou lidando com isso o dia todo.

Acho que me entendem, né?

Mas, como disse, tudo isso é provisório. E o Blog continua firme por aqui.

Certamente, o aprendizado que estou adquirindo convivendo com profissionais especialistas dessa área, desenvolvendo trabalhos nessa área, e conhecendo na prática, não apenas como familiar, enriquecerá ainda mais o conteúdo do Blog.

Estou crescendo muito, é o que posso dizer.

Quanto ao maridão, fiquem tranquilas(os), ele está bem, continua limpo, e seguindo o seu caminho com boas escolhas. (Graças a Deus!)

Peço desculpas por minha ausência aqui e nos e-mails, mas acredito que é por um bem maior.

Ontem postei na Página do Amando um DQ no Facebook (CLIQUE AQUI, e curta) um pedacinho da música do filme À Prova de Fogo, que se chama Love is not a fight (Amor não é uma luta), que dizia: “O amor não é uma luta. Mas vale a pena lutar por ele.”


Acredito muito nisso.

Acho que o amor é algo sereno, e não um campo de batalhas. Acredito que ele nos traz paz e não confrontos. Enfim, acho que todo ser humano nasceu mesmo para amar, o resto é resto.

E por isso acho que vale a pena sim lutar por esse amor. Entretanto, essa luta só é válida, quando as duas partes a travam juntas.

Vejo o meu esposo do meu lado, disposto a lutar contra nossas adversidades, e isso me faz acreditar que vale a pena continuar investindo em nosso amor.

Mas se essa luta fosse travada apenas por mim, ou apenas por ele, perderia o sentido.

A Melody Beattie (amo!!!) dá algumas orientações interessantes para nós, codependentes, que adaptei para vocês:

Não permitirei que ninguém abuse de mim, física ou verbalmente;
Não acreditarei ou apoiarei mentiras conscientemente;
Não permitirei uso/abuso de drogas em meu lar;
Não salvarei pessoas das consequências de seu abuso de drogas ou outro comportamento irresponsável;
Não financiarei o uso de drogas ou o comportamento irresponsável de ninguém;
Não mentirei para proteger ao outro;
Não permanecerei diante de ações ou palavras insanas. Ou sai você, ou saio eu, ou a sanidade fica.
O outro pode estragar o seu divertimento, o seu dia, a sua vida – isso é problema dele – mas não deixarei que ele estrague o meu divertimento, o meu dia ou a minha vida.

Parece meio cruel, não é mesmo? Mas não é não. Agindo assim, aumentamos as chances do outro buscar meios de recuperação, e salvamos a nós mesmas(os).

E ainda tem várias outras "exigências" pessoais, que varia de acordo com a necessidade de cada uma(um) de nós, e que precisamos fazer os outros saberem quais são... Não passemos por cima das nossas necessidades. Ok?

Sabe, gente, detesto quando “metem a colher” no meu casamento. Sou protetora da minha família mesmo. Sou hiper apaixonada, muito romântica e sonhadora. E não há problema nenhum em ser assim. Essa é a Polyanna. E me orgulho do que sou. Mas, daí a ser codependente, ou seja, a amá-lo mais do que a mim mesma, me anulando, há uma grande diferença.

Quero deixar bem claro que meu esposo tem uma doença, a dependência química. Entretanto, ele não é bandido (nunca cometeu NENHUM delito), não é farrista (nada de bares, festas, amigos ou mulheres), não é violento (nunca agrediu a mim ou às crianças), e consegue longos períodos limpo. Nesses oito anos que estou com ele, acredito que ele tenha conseguido passar de 90 a 95% desses dias, limpo.

É suficiente? Não. Quero que ele consiga vencer a sua doença de vez. Mas isso é um processo. E ele tem buscado. Tem tentado, incansavelmente. Acompanho isso todos os dias.

Então, queridas(os), uma das missões deste blog é reduzir esse mito de que dependente químico é tudo isso que falei acima, pois, apesar de alguns serem tudo isso, muitos não são.

Querida(o) leitora(r), e pra terminar, quero te convidar, com esse post, a pensar em sua vida, e em seu relacionamento, com sinceridade, e tentar analisar se o outro também está lutando pelo amor de vocês.

Dependência química não o torna inválido. Ele é capaz, se realmente quiser.

E lembre-se: codependência não é amor. E se é amor, é um amor adoecido, que faz muito mal a ambos.

Não se esqueça, “o amor não é uma luta”!

Vamos ser felizes?

Grande beijo!
Poly