segunda-feira, 12 de maio de 2014

Uma hora de cada vez.



Boa tarde!

Estou aqui, em meu primeiro dia de trabalho, no novo setor.

Feliz por estar aqui, e cheia de planos para executar.

O período da manhã passou rápido.

Mas, as coisas lá em casa não estão tão bem.

Nos últimos dois anos, meu esposo, apesar das três recaídas (ou lapsos, como dizem os profissionais), conseguia voltar rapidamente para o estágio da ação.

Lembram-se dos estágios motivacionais pelos quais o dependente químico passa?

Pré-contemplação: não pensa em parar de usar drogas.

Contemplação: quer parar, mas não sabe como.

Determinação: quer parar e toma uma atitude para isso.

Ação: fica abstinente e consegue mudanças em seu estilo de vida.

E a manutenção da ação.



Segundo os profissionais dessa área, durante a abstinência, o dependente químico pode vir a ter: lapsos, que são pequenos deslizes ao usar drogas, com uma imediata volta ao seu propósito de vida sem drogas; ou recaídas, que são a volta ao antigo padrão de vida com as drogas.

Tanto a recaída como o lapso fazem parte da doença, mas não da recuperação, entretanto, infelizmente é assim que grande parte dos dependentes vai identificando os seus pontos fracos, e buscando mudanças para se manterem limpos.

Pois é, voltando ao meu familiar, há tempos não o via como o vi ontem e hoje. Ele não voltou a usar drogas, depois de sexta pela manhã, mas seu comportamento não está legal.

Ele me olha com tanta raiva, está irredutível, falando coisas para machucar... Nem parece o meu esposo, e de fato não é ele, e sim a sua adicção gritando.

Hoje ele está no trabalho. Só voltará amanhã.

Nenhuma ligação. Nenhuma mensagem.

Como dói, não é mesmo?

Esses estágios motivacionais não são sequenciais, ou seja, um dependente químico pode passar por todos eles em apenas um dia... Não existe lógica, nem garantias.

Graças a Deus, hoje conheço bem a minha doença, e mesmo diante de tudo isso, me mantenho serena.

Claro que estou triste, decepcionada, mas sem culpas, sem buscar porquês, e sem desespero.

E quando bate aquela vontade de me isolar, de sumir, ou de me descabelar, uso as ferramentas que aprendi no Nar-Anon: "um dia de cada vez", "só por hoje", "que comece por mim", "primeiro as primeiras coisas", "solte-se e entregue-se a Deus", "viva e deixe viver", dentre outras.

Fico triste por ele... Por nós... Por nossa família.

E peço a Deus para que o ajude a voltar a si mesmo.

Quando somos nós dois juntos contra a adicção, é uma coisa. Mas, quando a adicção fica entre nós dois, é tudo bem mais difícil.

Acredito em sua recuperação.

Mas, percebo nitidamente que ele caiu na fase da contemplação.

Eu queria muito poder tirá-lo de lá, mas não posso. Somente ele mesmo pode...

São quase oito anos juntos. Dói, né?

E não há problema nenhum em sentirmos essa dor da decepção, dos sonhos se quebrando, da vontade de ver o outro sair dessa...

Entretanto, não ficarei presa nessa dor. E não permitirei que ela seja o centro da minha vida, ou do meu dia.

Estou aqui, de pé.

Pensar em meus filhos me dá forças.

E me agarrar a Deus nessas horas, é tudo.

E assim vou caminhando... Uma hora de cada vez.

Posso até chorar escondida, pois não quero perder quem amo para as drogas.

Mas, minha vida vai seguir...

Minha mão estará sempre estendida, mas não vou parar para esperá-lo voltar.

A vida segue.



Beijo no coração!

9 comentários:

  1. Oi Poly. Força na peruca. Um dia de cada vez. Ele já sabe o que tem que fazer, então tem que deixar que faça né. Nós todas passamos por isso, essa decepção, e tudo parece um ciclo sem fim. Oro muito por vocês também. Só o que podemos fazer é entregar nas mãos de Deus porque Ele sabe o que é melhor. Fica com Deus!

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  2. o homi vive nesse estágio essa semana foram 3 dias de ódio eu era a responsável pela desgraça dele.....kkkk...acostumei...e hoje sinceramente nem triste fico mais apenas observo, eu o amo, gostaria muito de ter minha família de baixo do mesmo teto...MAS O AGORA...me chama...e eu decidi não me entristecer...não...definitivamente...posso até ficar triste...alguns minutinhos não mais do que isso...a vida é linda e eu já tenho o suficiente para ser feliz: a oportunidade de aprender....aprendi a não esperar nadica de nada dele...sem decepções...pq de certa forma aprendi a me proteger....dói mesmo quando permanecemos ao lado deles, dividindo a vida com eles (dividindo o teto), é como minha terapeuta diz, não tem como estarmos no mesmo barco sem nos afetar com as tempestades é impossível....vc sabe dos motivos que ainda tem pra continuar (de baixo do mesmo teto)...que Deus te guie, guie seu esposo para que o melhor seja feito pra vcs e por vcs...que ele possa retomar as rédeas da própria vida...e voltar a lutar...e que vc continue levando a mensagem de força fé e esperança...tmj...

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  3. e nega...vamo combinar que enquanto eles não se entregam de corpo e alma a recuperação se reconhecendo doentes....esses ciclos continuam perpetuando..pelo que me parece....seu marido faz igual o meu..."finge que não é adicto"...no estágio em que se encontram isso é puro auto-engano...até se seguram limpos por um tempo...porém mais cedo ou mais tarde enquanto não se admitirem impotentes..eles usam de novo...por isso acho q estar limpo tem muita diferença de estar em recuperação...dói admitir isso...mais pelo menos não nos decepcionamos...

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  4. o marido da polyana fica bastantes tempos limpo
    ele vai consegui Deus é mais.

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  5. Oi Poly,amei seu blog de verdade.Tenho meu filho dependente químico de 21 anos que no momento está numa comunidade terapêutica há dois meses,porém meus medos,dúvidas e buscas para tentar absorver tudo que posso para ajudá-lo é sem fim,não me livrei da culpa por ele estar nessa situação,mas o medo do futuro me atormenta.Como lidar com o meu filho quando ele voltar?Mas você faz esclarecer que nossos dependentes sofrem sim de uma doença crônica que não tem cura...eu amo meu filho acima de tudo...e lutarei por ele até o fim...Deus te abençoe...

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    1. Daniela, sua atitude é louvável. Meu namorado é dependente químico e também está internado numa comunidade terapêutica, há 1 semana. Eu e minha sogra estávamos quase perdendo as esperanças, mas Deus sempre renovas nossas forças. É importante que você se informe como puder sobre a doença dele e frequente grupos de apoio. Ouvir outras histórias e compartilhar as suas é, além de um consolo, também uma terapia. E o mais importante, cuide de si mesma. Você só pode ajudar se estiver bem consigo mesma.
      Também tenho um blog, Só pra divulgar. http://recuperacaoepossivel.blogspot.com.br/
      Fica com Deus. Beijos

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    2. Oi Daniela, o pai do meu filho (estou no sexto mes de gravidez) esta internado em uma clinica faz 3 meses, ate entao nao quis falar comigo ainda. O que tem ajudado muito para mim e tambem para como irei recebe-lo quando ele sair (daqui 3 meses) sao as reunioes do Amor Exigente, eu vou em 2 grupos aqui na minha cidade, ou seja 2x na semana. Procure na sua cidade, tenho certeza que vai te fazer muito bem, esclarec suas duvidas e mante-la forte e tambem como receber seu filho quando retornar para casa. Fique com Deus.

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    3. Obrigada J.L. e Thais,sim estou desde a sua internação frequentando as reuniões do amor exigente,mas preciso de mais por isso tenho procurado por livros que também possam me auxiliar,e foi nessa busca que cheguei até o blog...mas com certeza o que nos move sempre é a fé...se não fosse por ela eu teria desistido,por que até chegar aqui,falavam de tudo ele é vagabundo,um viciado...sabemos que a nossa jornada começa agora...e só por hoje...com muita luz ,fé e esperança de dias melhores,vamos ser fortes na recuperação dos nossos dependentes...Fiquem com Deus,mais uma vez obrigada e um grande beijo!!!Força!!!

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  6. Só quem tem um adicto próximo sabe as dores que passamos...
    Hoje meu querido está a 12 dias limpo, mas sei que logo a vontade fala mais alto. Gostaria muito que ele se recuperasse, estou lutando por isso e buscando minha recuperação também.

    Pra vocês meninas que também estão nessa, fiquem com Deus.
    Polly, ainda bem que achei seu blog... me mostrou tantas coisas que antes eu não me dava conta antes.

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