quinta-feira, 15 de maio de 2014

Seja e faça!



“Após um ano, ele recaiu. Como ele pode fazer isso?”

“Ele está usando crack várias vezes na semana. Não se alimenta, não dorme. Vai se matar assim...”

“Ele recaiu e está faltando ao trabalho, e desse jeito vai perder o emprego...”

“Ele está usando todo o seu salário com drogas...”
                                                                                                             
“Ele está bebendo novamente. Logo vai recair às outras drogas...”


Esses são alguns dos relatos que escuto (leio) todos os dias. E na sequência, os familiares perguntam: “o que eu faço?”

Muitas(os) das(os) leitoras(es) passam horas e horas lendo sobre dependência química e sobre a recuperação para o dependente. São verdadeiras experts no assunto do outro.

Sei que as(os) leitoras(es) que chegam aqui, vêm em momento de desespero, de busca de ajuda e orientação. E eu conheço a sua dor e o seu problema, na pele.

Sei o quanto nos sentimentos desesperadas(os) ao ver o nosso familiar destruindo a si mesmo, diante dos nossos olhos. Nos preocupamos. Sofremos.

Mas, agora eu pergunto, de todas as tentativas que você já usou para fazê-lo parar, alguma deu certo? Você conseguiu controlá-lo?

Se sim, você teria repetido e repetido a mesma ação, até ele estar totalmente recuperado. Não é mesmo?

Pois é, não está em nossas mãos. Não podemos curar o outro. Não podemos segurar a sua adicção.

Então, para nós, só resta um caminho para viver em paz: o caminho do desligamento.

Desligar-se é abandonar?

Não necessariamente.

É você, e somente você, quem vai definir o nível desse desligamento, com base no quanto o outro está te fazendo mal.

Você pode me dizer: “Ah, Poly, não quero terminar o relacionamento”, ou “não posso tirar o meu filho de perto de mim.”

Ok. Respeito e compreendo a sua decisão.

Mas, ainda assim, você precisa se desligar.

Como fazer isso?

Pense com você mesmo: se o adicto não estivesse em sua vida, ou se ele não tivesse recaído agora, o que você faria hoje? O que seria diferente em sua vida? Que programas estaria fazendo? Quais atividades iriam compor o seu dia? 

Pense com calma e com carinho. Se imagine vivendo sem esse problema... Que viagens faria? Como passaria suas horas? A quem visitaria? Enfim, quem seria você, sem o problema da adicção te rondando?

Ok. Agora que você já sabe quem seria você e o que faria, SEJA e FAÇA.

Sei como é essa dor. Sei o quanto é difícil seguir adiante. E por isso precisamos de ajuda. Busque ajuda!

Desligar-se não é deixar de amar. 

Desligar-se é entregar para Deus aquela pessoa ou aquele problema que você não é capaz de resolver, e confiar... E seguir adiante, livre, sem esse peso sobre nós.

Lembre-se, o melhor lugar para levarmos o nosso familiar adicto é somente no coração (e nas orações), e não nas costas.

É hora de voltar a viver a sua própria vida, e de deixar de ser escudo para o seu familiar adicto. Tente se preocupar menos com ele, e mais com você. Permita que ele arque com as consequências do seu uso de drogas. Pode parecer maldade, mas assim você fará um bem a você mesma(o), a ele, e a toda a sua família.

Quando deixamos de ser escudo, nos machucamos menos, cobramos menos do outro, e vivemos mais, e mais felizes.

Consequentemente, o adicto tem a oportunidade de viver a sua própria vida, arcando com suas responsabilidades e com as consequências do seu uso de drogas... Ou seja, há uma maior probabilidade dele buscar ajuda e recuperação.

E você estará inteira(o), e de pé, para estender-lhe a mão, quando isso acontecer...

Força para todas(os) nós. SÓ POR HOJE!

Beijo no ♥!

PS: Faltam três dias para o aniversário de 03 anos do Blog Amando um Dependente Químico!!! Nossa... Já?!! Quem tiver um relato bacana do papel desse Blog em sua vida, envie para o e-mail polyp.escritos@gmail.com. Publicarei alguns relatos, preservando sempre o anonimato de todos. :)

4 comentários:

  1. Oi querida, andei meio sumida, mas hoje dei uma atualizada nos blogs....Muita força pra vc viu !! Beijo no coração! Tamujunto :)

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  2. só tem uma forma de se desligar ir atrás de se conhecer, profundamente...quando isso acontece o desligamento com amor acontece sem tristeza e dor...já três anos caraca..rs

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