sexta-feira, 16 de maio de 2014

Ainda o amo tanto!



Há exatos sete anos, selávamos a nossa união... 16/05/2007...

Havia dez meses de relacionamento, e cinco dividindo o mesmo teto.

E ele me disse: - quer se casar comigo?

Com aquele sorriso desconcertado, respondi: - claro!!!

E foi ali, em Fairfax, no estado de Virginia (EUA), que nos casamos oficialmente.

Nos casamos. Numa igreja cheia de familiares e amigos? Que nada. Só nós dois, no lindo estado de Virginia, numa Court, com um Juiz que nos perguntou se queríamos nos casar em Inglês ou em Português. Respondemos que queríamos em Português. No entanto, o Português dele era uma mistura de Espanhol, com Inglês e Italiano, tudo, menos Português. Não entendíamos quase nada, a gente se olhava com vontade de rir. Mas, entendemos que estávamos ali jurando amor e companheirismo eterno. Eu lhe disse sim. Ele também me disse sim. Foi sério. E ainda hoje dizemos sim um ao outro, a cada dia.” (extraído do livro Amando um Dependente Químico)


Fairfax Court


Na volta para casa, batemos o carro. Daí, passamos o dia resolvendo as pendências disso.

Lembro-me que naquela noite, ficamos relembrando os detalhes do nosso “louco dia de casamento”, e rimos muito.

“Eu prometo te amar e te respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe...”

Eu costumo brincar que, naquele momento, pensei que a doença seria no máximo uma gripe... haha... Não imaginava o que era conviver com um dependente químico. Não é fácil...

Mas, aqui chegamos nós. Juntos.

Na minha concepção, amar é aceitar o outro. É dizer “eu te amo, apesar do que você é”.

Assim, sem garantias, sem condições, sem exigências, se ama porque se ama e ponto.

Por favor, não associem essa minha afirmação à aceitação de violência física ou emocional, ou mesmo à aceitação de outros desatinos ocasionados em razão da adicção ativa. Não é isso.

Estou aqui dizendo que meu esposo, mesmo em seus longos períodos limpo, continua sendo um adicto. E ele tem dificuldades. Ele passou muitos anos usando drogas, fugindo para as drogas, e isso lhe trouxe muitas consequências. Ele tem problemas de aceitação de si mesmo, e também problemas para se relacionar com as pessoas ao seu redor, inclusive comigo.

Além disso, ele trava uma luta diária para se manter limpo, é uma batalha contra seu próprio corpo, sua própria mente, então nem sempre ele está disponível para quem está perto.

Mas, eu o amo.

Daí me pergunto: “por que eu o amo?”

Eu o amo porque ele desperta em mim o que tenho de melhor.

O amo porque me sinto feliz ao seu lado.

O amo porque sinto o seu amor por mim.

Sim, ele sempre me amou:

Nos EUA, quando eu era uma babysitter ou uma house-cleaning, e também quando estava desempregada.

Me amou quando eu estava magérrima, e também quando fiquei gordinha.

Me amou, mesmo com as consequências que a gravidez traz para o corpo.

Ele me amou nos meus dias de TPM, quando fui incompreensiva, e quando quase surtei em razão da codependência.

Ele simplesmente me amou, sempre. Do jeito que sou. Mesmo com meus defeitos e traumas, ele me amou. E isso, pra mim, é muito!

Ele tem um lugarzinho em seu ombro, que chamo de “o meu lugarzinho”. Quando ele se deita, e me deito ao seu lado, coloco minha cabeça sobre “o meu lugarzinho”, e ali conversamos sobre tantas coisas. Somente ele tem esse “meu lugarzinho” e eu o amo por isso.

Eu o amo, porque em alguns dias, com o corre-corre de mãe, profissional e dona de casa, não lhe dou a devida atenção, e ele tem sido compreensivo.

Eu o amo porque somos cúmplices. Acreditamos nos sonhos um do outro, e apostamos neles.

Eu o amo porque ele é um guerreiro.

Eu o amo porque, todas as manhãs, ele me deixa um leite com café na caneca, prontinho, para quando me levanto apenas esquentar no microondas.

Eu o amo porque ele cuida dos nossos filhos com tanto amor e dedicação.

Eu o amo porque o amo.

Sim, eu poderia citar aqui alguns dos defeitos dele que não gosto. E, certamente, ele também tem um rol dos meus defeitos que o incomodam. Mas, isso que é lindo. Ainda assim, nos amamos.

Querer que o outro mude não é amor. Desprezar o outro porque ele não é como você idealiza, não é amor. Aceitá-lo como ele é, isso é amor.

Mais uma vez ressalto, não estou falando de uso de drogas. Usar drogas não é defeito de personalidade, é doença. E doença tem que ser tratada.

Mas, estou falando de aceitar o dependente químico como ele é, e de amá-lo.

Hoje em dia, queremos tirar proveito de tudo, até mesmo dos relacionamentos. Sempre pensamos: “o que vou ganhar com isso?” Não condeno quem vive assim, mas isso não funciona comigo. Felicidade, pra mim, está em fazer coisas por amor, sem exigências, sem contratos.

"Querido marido mais chato do mundo, eu te amo. E, por favor, me providencie uma medalha por esses sete anos!" Foi minha declaração hoje pela manhã. Risos.

O que importa mesmo é o que construímos juntos nesse tempo. 

Que Deus nos abençoe sempre!

E no mais, "deixe que digam, que pensem, que falem..."

3 comentários:

  1. parabéns...o Amor é a coisa mais sublime do universo...não se tem motivos...simplesmente se Ama...nós que confundimos tudo e separamos o Amor...classificamos o Amor segundo a nossa concepção em uma escala,amar a nós mesmos, amor de mãe, amor de filho, amor de amigo, amor de marido e mulher, amor pela profissão...o amor é o mesmo em tudo..Amor é vida, perdão, aceitação...só que por vezes confundimos o Amor...com outros sentimentos...(não que seja seu caso)..mais sim confundimos...com paixão, carinho, admiração, aceitação...e ficamos justificando tudo em nome dessa concepção de amor...AMOR não se divide é simplesmente AMOR :)

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  2. Querida Poly, muito lindo o que escreveste. Me fez chorar. Porque é bem assim que me sinto. E eles tem um jeito tão diferente de ver e de fazer as coisas, que acabam nos fazendo passar pelas coisas mais loucas, e a gente dá muita risada depois. (ainda bem) Que Deus abençoe muito a união de vocês. Você é uma guerreira. Ele é um guerreiro. Que vocês possam construir muito mais, juntos, nos próximos anos que virão. Beijos!

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  3. Eu estou com meu namorado há oito anos entre idas e vindas isso por conta da droga! Ultimamente a situação está insustentável eu choro sofro oro peço pra Deus me ajudar! Eu nao quero deixa-lo pois eu amo ele demais mas ele é ass fica messes sem usar e depois acaba tendo deslizes recaidas de ficar tres ate mais dias se drogando sem comer sem dormir! As pessoas me dizem sai dessa vc nao merece isso e tal... mas eu nao consigo e tbm nao quero abandona-lo pois meu amor está forte como nunca e eu tenho tentado ficar forte tbm! Ele ja foi internado 3 vezes e as vezes eu acho que nao tem mas jeito mas o meu amor supera e está superando isso. Eu nao aguento ver ele olhar pra ele quando ele usa eu fico muito triste com raiva com dó é uma mistura de sentimentos que me domina e olho e penso cmg esse não é o homem por quem me apaixonei e choro de soluçar! Ele vende roupa tenis até mesmo presentes que eu dei pra ele pra poder usar droga! Pq eu pego o dinheiro dele com medo de ele gastar tudo com drogas. Eu ja não estou sabendo lidar com essa situação eu tenho apenas 23 anos e ele 24 e eu estou enloquecendo sem saber o que fazer Polly me ajuda por favor pelo amor Deus!

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