quinta-feira, 1 de maio de 2014

A alegria contagia!



Boa noite!

E então, preparadas(os) para o feriado?

Hoje é 1º de maio... Amo esse mês! E que ele venha abençoado por Deus!

Aqui em casa está tudo bem.

Sabe aqueles períodos em que a gente até se esquece que a dependência química existe? Pois é.

Meu marido segue limpo, cuidando de si mesmo, trabalhando, desempenhando bem seus papéis como pai, marido, profissional e ser humano.

Ele tem um jeito peculiar de ser, mesmo sem a droga, porque a bipolaridade, o TDAH, a abstinência, os traumas, as sequelas e culpas, por vezes aparecem. E é nessas horas que acho importante usar a compreensão e a empatia (não confunda com facilitação ou autoengano).

Mas, mesmo com tudo isso, posso dizer que ele tem se saído muito bem! E que eu o amo do jeitinho que ele é. 

Só não dá pra ter drogas na jogada, porque daí todos perdemos.

Ele tem sido muito fofo conosco! Vejo o seu esforço, e valorizo muito isso.

E do outro lado, estou eu, também me esforçando para ser melhor, a cada dia. Melhor para mim, o que acaba refletindo nos relacionamentos com os outros.

Já estivemos em um fundo de poço tão fundo, que às vezes até minha fé balançava. Mas, é muito gratificante ver hoje o meu esposo esperando para ser nomeado no concurso público para o qual foi aprovado. Acompanhar os elogios que ele tem recebido em seu trabalho. Observar como tem sido importante a sua participação ativa na vida das crianças. Vê-lo feliz, tão cheio de vida. E sentir o quanto ele me tem feito bem.

Obrigada, Deus!

Já se foi mais de um ano sem NENHUM atestado médico ou falta ao trabalho. Achei até engraçado porque ele pegou uma conjuntivite forte nesta semana, e continuava trabalhando escondidinho. Daí, sua chefe o viu e lhe mandou pegar um atestado. E ele disse: “Chefe, fiz uma promessa que não me afastaria mais do meu trabalho. Da ultima vez que peguei um atestado, fiquei seis meses sem voltar. Por isso não queria sair agora.”

Ele precisou pegar um atestado de 7 dias, em razão da conjuntivite, mas mesmo assim, nesse período continuou fazendo um Home Care.

O senso de responsabilidade dele está bem bacana!

Bom, vocês devem observar que não falo muito dele aqui, porque o foco deste blog é outro. O foco somos nós, familiares. Mas, acho interessante às vezes falar dele, para que vejam que é possível uma mudança, e para isso basta ELES decidirem de verdade.

Sabemos que quando o assunto é dependência química, o termo “nunca mais” não existe. Vivemos sempre no “só por hoje”. E graças a Deus, só por hoje, está tudo bem. E tenho fé que esse “só por hoje” pode se repetir por muitos e muitos dias.

Eu sou responsável pelo resultado na recuperação do meu esposo? Não. Isso é mérito dele. Mas certamente eu deixei de ser uma pedra no caminho da recuperação dele, e isso é mérito meu.

Não gosto nem de me lembrar... Gente, eu era muito chata! Agora eu sou apenas um pouco chatinha. (Risos).

Na verdade, ele percebe o quanto mudei.

Algumas vezes ele chega a mim, perguntando sobre alguma decisão que ele deve tomar (da vida dele): “Amor, o que eu faço?”

E eu respondo: “Não sei, amor. O que você decidir, eu apoio.”

Se fossem outros tempos, eu daria todos os comandos para ele seguir. Mas, é muito bom para ambos quando começamos a aprender o real significado do “viva e deixe viver”.

Quando ele está meio pra baixo, eu digo: “Amor, vou ali dar uma volta com as crianças. Quer ir?”

Algumas vezes ele vai, outras vezes não. E eu hoje consigo ir, viver aquele momento, curtir os filhotes, sem estar com a mente ligada no meu marido. E sempre quando voltamos, ele já está melhor. Já aprendi que a alegria e a paz de espírito são contagiantes. Então quando cultivamos isso em nós, provavelmente iremos contagiar a quem está ao redor.


"A alegria e a paz de espírito são contagiantes".

Ao contrário, as cobranças, sermões e críticas nunca deram resultado positivo por aqui.

Outra mudança que percebo em mim é que hoje falo muito menos, e ouço bem mais. O fato dele ter a sua forma de ver o mundo, diferente da minha, não quer dizer que ele seja errado e eu a certa, e que o seu lado não mereça ser escutado, e compreendido. Isso enriquece muito a nossa relação.

Bom, neste momento ele está de plantão, e eu estou aqui morrendo de saudades!

Temos conversado tanto, sobre tantas coisas. Dia desses ele me fez rir tanto, tanto com suas histórias... Hoje ele deixou a comida pronta para quando eu chegasse do trabalho, casa arrumadinha. São detalhes que fazem muita diferença.

Entretanto, lembre-se que tudo isso é reflexo da recuperação DELE. Mas, o meu foco, como familiar, dever ser a MINHA recuperação. E as duas são independentes.

Hoje graças a Deus, está tudo bem. Mas, eu te desafio a ler as primeiras 250 páginas do livro Amando um Dependente Químico, sem chorar. Foi difícil chegar até aqui!

Talvez alguém pense: “Ela está bem porque ele está bem”.

Mas, quem sabe do caminho que andei, e do quanto precisei ser forte (sem ser) para trabalhar a minha própria recuperação, em dias de muita dor, sou eu! E digo, valeu a pena! Valeu a pena por mim. Valeu a pena pelos meus filhos. E valeu a pena pelo meu marido.

“Minha harmonia foi restaurada. Abandonando minha atitude de perfeição, os pensamentos de culpar os outros e a necessidade de estar sempre certa, me liberto dos sentimentos de raiva, tristeza, frustração e desespero. Viva e deixe viver...” (CEFE de hoje)

E que venha o mês de maio!

Beijos!


O DESFILE.



E eis que começa o desfile.

Tentamos nos arrumar da melhor forma possível. Cores. Brilhos. Sorrisos. Passos.

A música começa a tocar. E seguimos. Empenhados. No ritmo da canção. Dando o máximo de nós mesmos, pois sabemos que aquele desfile é único. A oportunidade é única.

Mas, de repente, avistamos um outro passista. Nos aproximamos. Nos unimos a ele. E pouco a pouco, mudamos o nosso jeito de dançar.

Alteramos o nosso ritmo para acompanhá-lo em seus passos. Por vezes, ele insiste em ir na contramão, e nós o seguimos. Outras vezes, ele tropeça e cai, e nós também paramos. Nos sentamos ao seu lado. Choramos. Sentimos culpa por não termos forças para mantê-lo de pé.

Nós o arrastamos. Tentamos lhe mostrar o ritmo e a direção.

Nós o impedimos de seguir em seu próprio desfile.

Nossa linda fantasia está rasgada. Nossos pés estão sujos. Estamos cansados. Suados. Com sede. E esse desfile deixou de ser prazeroso para nós, simplesmente porque não estamos mais na dança que é nossa.

E quando nos damos conta, já nem estamos mais na passarela, estamos somente na plateia. Com os olhos fitos nele.

E não conseguimos ver a beleza do desfile. E não dançamos mais. Não acompanhamos a marcha. Não sorrimos... Viramos apenas expectadores.

Batemos palmas quando ele vai bem no desfile. Ficamos sentados em silêncio, quando ele desliza. E nos esquecemos do nosso próprio papel no desfile da vida.

Vamos voltar para o desfile? Vamos voltar a desempenhar o nosso próprio papel? Qual é a sua dança? Qual é o seu ritmo? Cadê o seu sorriso e a sua alegria de viver? A vida está passando. O seu amado dependente químico está desfilando do jeito dele, vivendo a vida dele... E você? Que vida você tem vivido? A sua ou a dele?

Já ouvi tantas histórias sofridas. E sei bem o quanto é triste ver quem amamos nas drogas. Mas também é muito triste ver tanta gente esquecendo de viver sua própria vida, afundada na codependência.

Vamos buscar ajuda? Grupos de apoio, psicólogos, coisas que nos façam bem.

Não brinquem com a codependência. Ela nos amarra no banco da plateia. Ela nos impede de viver. Ela nos mata.

(Polyanna P., Livro Amando um Dependente Químico) 

11 comentários:

  1. Sim, eu li os dois primeiros livros... eu chorei muito tbm, eu os vivi mto na minha pele, as dores, os medos... os monstros... sei o quanto foi doloroso pra vc, tbm foi pra mim, e ainda é... agradeço mto a Deus pelos dias de paz que vc tem vivido querida, e ele tbm... vc merece! vcs merecem! Tenho fé que um dia a tempestade que vivo hoje vai passar... agradeço a Deus por já conseguir ficar em paz... mesmo enquanto não tenho a mínima idéia de como ele esteja... mas eu estou aqui, e estou bem, de verdade! vivendo e deixando viver, mesmo o amando mto... que Deus continue abençoando mto a sua linda família querida! Só por hoje, vale a pena!

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    1. Querida, muito obrigada!
      Vê-los em recuperação certamente é uma grande dádiva, mas conseguir viver em paz, independente do outro, é uma dádiva ainda maior. Parabéns pelas suas conquistas. Muita serenidade!
      Estamos juntas!
      Fique com Deus! Beijos.

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  2. Onde eu encotro o livro pra comprar?

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    1. Olá! O livro está disponível no site do Clube de Autores. O link é http://www.clubedeautores.com.br/book/158131--Amando_um_Dependente_Quimico . Ou então, clique na capa do livro, no canto superior direito do Blog, para acessar o site.
      Obrigada.

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  3. Muito obrigada por compartilhar conosco o seu conhecimento. E o mais encantador e o modo como você faz isso: com amor. O seu amor pela vida transpassa através de suas palavras e chega direto ao coração do leitor. Eu posso dividir a minha jornada em antes e depois de conhecer o seu blog. Tem um ano mais ou menos que acompaho o seu trabalho e hoje sou outra pessoa! Sou imensamente grata pela sua vida e pelo seu trabalho. Mil vezes parabéns! Deus te abençoe.

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  4. Como doi essa distância. ... 30 dias internado ... Essa semana vou vé-lo... Um dia de cada vez... So por hoje quero estar com mais fé que ontem.
    Um forte abraço ..

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  5. Boa noite, encontrar seu blog foi mto importante pra mim, estou vivendo um mundo mto novo e confuso. Estava mto mal com td isso, me sentindo frustrada e impotente. Ler alguns depoimentos, me fez mto bem, me fez começar entender o meu papel. Viver um dia de cada vez, sem cobranças, sem expectativas, e sem sofrer por não conseguir controlar o q não posso controlar. Sei que ainda vou chorar bastante, mas vamos la, seguindo em frente sempre!!!

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  6. a vida é assim, em momentos de paz nos abastecemos de alegria, amor, esperança para quando surjam as tempestades tenhamos força para navegar e desistir de nós mesmos jamais...bjus

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  7. Mais uma noite de preocupações, hoje estou me sentindo frustrada, sem ânimo, cansada... venho até aqui e leio as suas mensagens e elas me fortalecem, mas não sei que rumo tomar... Espero do fundo do meu coração que vc e sua família sigam por esses momentos de paz por muito e muito tempo!!!

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  8. Conheci seu blog hoje, confesso...fiquei chocada. Chocada em pensar que uma pessoa tão linda, com lindos filhos, com um bom emprego tem esse sofrimento?! Desculpe-me, mas foi esse o sentimento que tive ou estou tendo. Não entendo, "e quem sou para entender?!" Vc sofreu com o seu pai e escolheu um homem com o mesmo problema?!! Foi o que mais me chocou, pois sofri com o meu pai com dependência do álcool, reconheci muito do seu sofrimento na minha infância - ansiedade, medo, angústia, nojo, aflição...tudo que o mal da dependência causa na família . Porém, aprendi, cada dia de sofrimento de vê-lo bêbado eu prometia para mim mesma, nunca, jamais namoraria ou casaria com um homem que bebesse e assim o fiz, meu marido não bebe nada. Esse horror também foi vivido por meu irmão ,temos horror a bebidas e sérios traumas por um casamento conturbado o qual fomos obrigado a conviver, pois , sim, fomos obrigados , pois a escolha foi da nossa mãe e não nossa. Felizmente, não temos revolta, a nossa revolta foi a decisão de não proporcionarmos um lar igual para os nosso filhos e, Graças a Deus, eu e meu irmão (q também não bebe), conseguimos. Não estou querendo ser melhor ou pior, foi apenas um desabafo diante de tudo q li. Desculpe-me a sinceridade ! Desejo-te sabedoria , luz, saúde e paz. Bjs..Ana.

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  9. Pois é, um erro muito comum é achar que as crianças não estão vendo, que são muito novas para entender. Não são. Se a pessoa dependente passa mais tempo em recuperação do que na ativa, vale a pena permanecer com ela porque dá pra perceber o interesse em se cuidar e cuidar da família. Mas quando isso não acontece, é melhor seguir adiante sem a pessoa que puxa vc e os filhos para baixo.

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