sexta-feira, 30 de maio de 2014

Aprendi com você!



Caramba, o que dizer nesse dia?

Talvez seja bom começar desejando que esse seja o melhor ano da sua vida, pois realmente acredito que será, se você tiver fé para isso.

Começar agradecendo a Deus pela sua vida, que hoje completa 39 anos de existência, dos quais 8 foram partilhados comigo.

E agradecendo a você, por tudo o que vivemos juntos, e por tudo o que me ensinou.

Sim, aprendi muito com você. Sabia?

Com você, aprendi que não importa o tamanho da queda, o que vale mesmo é a força para se levantar, se reerguer, recomeçar e seguir adiante.

Com você, aprendi o que quer dizer a frase “não desisto nunca”.

Com você, aprendi o significado da palavra companheirismo e cumplicidade.

Com você, aprendi a dirigir. Lembra? Eu já possuía carteira há 4 anos, mas tinha medo. E você confiou em mim, antes de mim mesma. Me entregou a chave do seu carro, e disse: “você consegue”.

Com você, aprendi a conhecer os pés de cada fruta, que antes eu não sabia distinguir.

Com você, aprendi a gostar de orquídeas, e das flores em geral, que eu conhecia tão pouco.

Com você, aprendi tanto sobre as estrelas e os planetas, e as tais “pedras” do espaço.

Com você, aprendi a rir até perder o fôlego diante de uma comédia boba.

Com você, aprendi a ser mais humana e mais solidária.

Com você, aprendi a torcer pelo Vascão.

Com você, aprendi a tomar chimarrão na cuia, sem me queimar.

Com você, aprendi o valor de um ombro para encostar.

Com você, aprendi a viver cada dia como se fosse o último, a curtir cada hora, cada minuto.

Com você, aprendi a ser mais forte.

Com você, aprendi que sou linda, independente do meu peso ou da maquiagem.

Com você, aprendi a estender as roupas no varal, hoje sei separar tudo bonitinho por peças e cores.

Com você, aprendi a gostar de bachata e vanerão.

Com você, aprendi a mergulhar e a pegar “jaca” no mar.

Com você, aprendi a pescar.

Com você, aprendi a identificar o que, de fato, é essencial.

Com você, aprendi o amor.

Então, meu bem, se hoje bater aquela tristeza que, por vezes, você sente em seus aniversários, e se por acaso bater aquele sentimento de incapacidade ou de inutilidade, lembre-se do quanto aprendi com você. E continuo aprendendo, todos os dias.

E sei que outras pessoas também têm aprendido com você.

Pense nisso.

Agradeço a Deus pela sua vida tão especial, e desejo que Ele conceda a realização dos seus sonhos, que sabemos bem quais são.

Parabéns pelos 39 anos! Ainda está muito jovem!

E parabéns pelas 192 horas (8 dias) que você está limpo! Um dia de cada vez, você consegue. Sei que não está sendo fácil, mas essa fase vai passar, sempre passa. E você pode ser mais forte que isso.

E lembre-se que, se precisar, é só esticar a mão, que encontrará a mão dessa aprendiz aqui, estendida, para juntos seguirmos adiante.

Feliz aniversário, amor!


sábado, 24 de maio de 2014

Não é fácil vê-lo sofrer, mas é necessário.



“O familiar que quiser ver o paciente longe das drogas, terá que se preparar para vê-lo sofrer”. (Jorge Jaber)

Eu já havia postado esta frase aqui no blog. Foram as palavras de um especialista, em entrevista a um programa de TV, em maio do ano passado (CLIQUE AQUI,  e assista).

Ver quem amamos, sofrendo, não é nada fácil. Não é mesmo?

Mas, se queremos, de fato, ajudar o nosso familiar, precisamos parar de protegê-lo das consequências do seu uso de drogas.

Mentir para os outros, minimizar as atrocidades cometidas, passar a mão na cabeça, enganar a si mesmo, se expor a riscos, abandonar a vida social, deixar-se de lado, se deixar manipular, são algumas das atitudes comuns nas famílias de dependentes químicos.

Mas, ao contrário do que se pensa, isso não é amor. Pelo menos, não um amor saudável. Isso é codependência, ou seja, um amor tóxico, que enlouquece a família, e atrapalha no processo de recuperação do adicto.

Nesta semana, eu tive uma “prova prática” sobre o assunto.

Como vocês sabem, na quarta-feira, dia 21, meu esposo recaiu. Desta vez não foi apenas um lapso, mas recaída mesmo. Ou seja, voltou aos antigos hábitos compulsivos de uso. Ele passou 17 horas na rua.

Naquela manhã, ele havia voltado de um plantão (home care), e me entregou apenas a metade do valor recebido. Geralmente, ele traz o valor inteiro. E então começou a inventar desculpas (mentiras) sobre o destino do restante do valor. Eu sabia que não era verdade. Mas, já aprendi que não consigo controla-lo. Então não questionei, nem discuti. Sua agitação era nítida. Eu tinha certeza que ele usaria.

Deixamos as crianças na creche. Fui para o trabalho. E ele seguiu o caminho que escolheu para aquele dia.

No caminho para o trabalho, ainda enviei uma mensagem por SMS a ele, dizendo:

“Amor, tente descansar. Faça orações. Deus pode cuidar de nós, e Ele tem coisas boas reservadas para nossas vidas. Acredite. Eu te amo.”

Confesso que, ao enviar essa mensagem, ainda foi uma tentativa de controle da minha parte, tentando fazê-lo pensar. Mas, quando eles estão decididos a usar, parecem um trem desgovernado, e é muito difícil (praticamente impossível) fazê-los desistir desse pensamento obsessivo.

Naquele dia, fui para o curso de Multiplicadores às famílias. E foi o dia da minha palestra. Imaginam como foi difícil? Fiquei muito feliz por conseguir. Cumpri o meu papel. Trabalhei. Levei a mensagem. Falei sobre a codependência e sobre uma forma melhor de viver. E certamente ninguém imaginava o que eu passava naquele dia.

Ainda não consigo me desligar completamente. Nem sei se um dia conseguirei. Minhas palestras sempre são recheadas de brincadeiras e risos, mas naquele dia foi uma palestra mais séria.

Mas, ainda assim, me parabenizei por conseguir... São muitos progressos. Há quatro anos atrás, eu nem teria saído de casa, certamente.

Liguei à tarde, e ele não atendeu. Ainda assim, cumpri o meu horário normal. E, ao voltar para casa, ele não estava, como vocês sabem.

Ele chegou por volta de duas horas da manhã, naquele estado deplorável. Triste demais vê-lo daquele jeito novamente. Não falei nada.

Ele tomou o seu banho. E depois veio, naquele momento de depressão pós-uso, que vocês conhecem. Chorou. Disse que não aguenta mais, etc. Enfim, hoje sei que isso é verdadeiro. Quando eles dizem isso, realmente é o que sentem. Afinal, quem é que se sente feliz e inteiro sendo dominado por um monte de pó ou por uma pedra?!! Eles sofrem sim. Entretanto, os estágios motivacionais do adicto oscilam demais. Por isso, é importante agir rápido quando eles pedem ajuda. Amanhã, ele já poderá pensar que não precisa mais.

Como ele estava ainda alterado, e era madrugada, sugeri que fosse descansar e que conversássemos no dia seguinte.

No dia seguinte (meu niver), ele estava de plantão, e não acordou no horário. Então, eu o acordei, e o fiz ir para o trabalho. Ele estava mal. Pés muito machucados, e certamente com muitas dores no corpo, além dos calafrios. Mas, ainda assim, ele foi.

Gente, não é fácil agir assim. Dói. Mas, hoje sei que não há outro caminho. Ele precisa arcar com as consequências dos seus atos, e não eu. Só assim, ele pode “acordar”!

Ele falou um monte de coisas. Tentou jogar a culpa em mim. Tentou me dizer que estava indo trabalhar doente e tal. E eu fiquei firme. Quando ele deu as costas, desabei a chorar. Afinal, quem disse que é fácil?!!

Segui para o trabalho. Novamente, estava no curso. Chegaram várias mensagens de sua colega de trabalho (que não sabe da sua adicção), me dizendo que ele estava na emergência do hospital, passando mal.

Pelos sintomas descritos, percebi que eram em decorrência do uso, então não fui. Enviei uma mensagem dizendo que não poderia ir, mas que me avisassem caso ele piorasse.

Puts, como doeu. Me senti um monstro. Mas nessa hora, eu me lembrei de tudo o que havia aprendido. “Deixá-lo arcar com as consequências”...

Segui no curso. Cumpri minhas atividades. Venci a codependência. Uma hora de cada vez... A vontade de deixar tudo, e ir vê-lo, era enorme. Mas não fui. E não liguei.

Por volta de 13 horas, ele me ligou, dizendo que havia recebido alta, e que precisava ir para casa. Ele queria que eu fosse buscá-lo. Mais uma vez, foi prova de fogo! Não fui. Permaneci no trabalho, durante todo o expediente.

Sim, por vezes, eu pensava: “E se ele for usar de novo?” “Poly, Poly, você não pode interferir nisso...” Eu me lembrava.

No decorrer do dia, cantaram os parabéns no meu trabalho, recebi muitos abraços, e muitas mensagens de aniversário, inclusive aqui pelo blog e e-mail (obrigada a todos!!!).

E ao retornar, ele estava em casa.

Sim, ele está magoado. “Você nem se importou comigo em uma emergência de hospital”, “Puxa, estou doente”, foram algumas das suas palavras para me comover, e me jogar culpa. Mas, não me deixei levar. Não é o meu marido falando. Ainda é a sua doença, infelizmente.

“Se você estivesse doente no hospital, eu deixaria tudo para estar com você. Mas, você estava lá porque escolheu, e eu não vou ser conivente com isso.” Foi minha resposta.

Daí, em alguns momentos, ele estava bem e motivado para recomeçar. Em outros, batia a depressão. Em outros, irritado. Isso é normal. Sintomas da abstinência.

Ontem, finalmente, ele agiu em seu favor. Foi ao grupo à noite, e marcou uma consulta com o Psiquiatra.

Ele ainda está se deixando levar pelas mentiras da adicção. Mas, acredito que ele vai conseguir sair disso. E estou pedindo a Deus para que isso aconteça logo. E estou cumprindo o meu papel, para que isso aconteça o mais breve possível, ainda que ele não entenda minhas ações.

Tenho uma amiga que entende muito sobre o assunto. E ela me disse: “seja forte, amiga. Isso que você está fazendo agora, realmente é amor...”

Eu o amo. E não estou medindo esforços para ajuda-lo. Ele é meu marido, meu amigo, meu companheiro, pai dos meus filhos. Mas, deixar me levar pelas manipulações da sua doença, ou pelos impulsos da minha doença, não ajudaria em nada.

Espero que logo ele volte a si, e entenda.

Dói muito.

Mas, estou feliz por ter conseguido.

Só por hoje!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Eu sou responsável!


Uma hora da manhã deste 22 de maio de 2014.

Meu aniversário! 36 anos...

Uau, como passou rápido!

Ontem cheguei tão cansada do trabalho, que antes das 21 horas já estava dormindo com os meus filhotes, e só acordei agora.

Pois é, acho que hoje não haverá abraços por aqui.

Meu esposo recaiu feio. Está no uso desde ontem, e ainda não voltou para casa.

Ontem, no Curso de Multiplicadores, o Dr. Evandro deu uma palestra muito esclarecedora sobre o processo da dependência química no cérebro da pessoa.

Absorvi muitas informações. E compreendo a doença dele, de verdade.

Entretanto, isso não muda o fato de que hoje estou aqui sozinha, começando o meu aniversário com essa dor no peito...

Uma das coisas que ouvi ontem na palestra foi que o fracasso dos tratamentos geralmente vem da falta de humildade. E eu concordo muito com isso. Meu esposo teve três lapsos em 2013, sempre se reerguendo rapidamente. E, neste ano de 2014, ele havia tido dois lapsos, também sem se afundar na compulsão. Isso o faz pensar que ele consegue “usar controladamente”. E ele acaba se esquecendo do quanto já sofreu e já perdeu pelo uso de drogas. Se esquece que tem uma doença, que precisa de cuidados.

Ele quer ser uma pessoa normal, com vida normal, sem Psiquiatras, Psicólogos, NAs, ou qualquer tipo de tratamento. Mas, ele não é uma pessoa normal, e sem ajuda, é quase impossível conseguir.

Já conversamos muitas vezes sobre isso, mas ele estava resistente. Ele apostou na sorte. E agora está nas ruas novamente.

Faltou humildade... Aliás, desde que eu o conheço, suas recaídas sempre são por essa razão. Ele acha que consegue sozinho, que não tem risco de recaídas... que não é um adicto.

Enfim, não estou sentindo raiva agora. Apenas tristeza mesmo.

Essa doença é muito dolorosa. Imagino a sensação de derrota que ele sente. Mas, espero que ele não desista.

Quanto a mim, agora é hora de dar o ultimato: ou se trata, ou ... :(

E que venham as outras 23 horas do “meu dia”.

36 anos já. E acho que um dos resultados do meu “amadurecimento” foi a descoberta de que eu sou responsável.

“Eu sou responsável por mim. Eu sou responsável por viver ou não a minha vida. Eu sou responsável por prover o meu bem estar espiritual, emocional, físico e financeiro. Eu sou responsável por identificar e satisfazer minhas necessidades. Eu sou responsável por resolver meus problemas ou aprender a conviver com eles, se não puder resolvê-los. Eu sou responsável por minhas escolhas. Eu sou responsável pelo que dou e recebo. Eu sou responsável por estabelecer e alcançar minhas metas. Eu sou responsável pelo tanto que desfruto de minha vida. Eu sou responsável pelo tanto de prazer que encontro em minhas atividades diárias. Eu sou responsável por quem eu amo, e como escolho expressar este amor. Eu sou responsável pelo que faço aos outros, e pelo que eu permito que os outros me façam... (Melody Beattie)

E eu sou responsável por fazer deste meu aniversário um dia feliz!

Beijos.

domingo, 18 de maio de 2014

Hoje estamos em festa por aqui!





18/05/2011.

Não foi nada planejado ou programado.

A dor era grande, me sentei diante do computador... Como tantas que aqui chegaram, eu não havia encontrado nada além de teorias. Eu precisava conversar, expor o que estava sentindo naquele momento, diante de mais uma recaída do meu esposo.

Um blog. Um diário virtual para registrar meus pensamentos, sentimentos e atitudes vivendo ao lado de um adicto, para que eu mesma pudesse aprender e crescer com esses registros. Foi difícil ter coragem para começar, pois eu sabia que não seria fácil me encarar assim. E não foi. E não é.

Nesses três anos, a transparência foi a marca desse blog. Nunca fiz tipo, ou falei coisas para agradar aos leitores ou à sociedade em geral. Não.

Quando eu estava mal, eu dizia que estava mal. Quando eu errava, não escondia. Quando ele recaía, eu narrava os fatos. Quando eu me sentia bem, também compartilhava com todos.

No início, eu contava tudo em detalhes, pois o blog era bem menos visitado.

Com o tempo, e com o aumento das visitas ao blog, além das palavras de carinho, passaram a chegar a mim palavras agressivas também. Chegavam em minoria, mas machucavam. “Burra”, “mau exemplo”, “doente”, “personagem irreal”, foram alguns dos títulos que recebi por esses.

Algumas vezes insultaram ao meu esposo, e em outras, desejaram o fim da nossa família.

Diante disso, pensei várias vezes em parar com o blog. Não bastasse os desafios da vida, ainda ter que tolerar esse tipo de coisa, me fez realmente querer parar.

Mas, todas (exatamente todas!) as vezes que pensei em parar, alguma coisa acontecia para me motivar novamente. Algumas vezes, eram e-mails recebidos com relatos do quanto o Blog estava ajudando, e outras vezes, convites para palestrar ou dar entrevista. E eu recebia isso como um sinal para continuar.

Continuei. E aqui estamos nós. Três anos!!!

Mais de 301.200 visitas ao Blog nesse período.

Mais de 310 seguidores.

Mais de 800 e-mails, com pedidos de ajuda.

Mais de 600 postagens (algumas foram deletadas, e incluídas no livro, para não expor demasiadamente a nossa vida).

E mais de 2.780 comentários.

A página no facebook hoje tem mais de 2.360 participantes, e um alcance médio de 6.000 pessoas por semana.

Mais de 500 pessoas leram o livro Amando um Dependente Químico.

Sei que por trás de cada 1 constante nesses números, existe uma história, uma vida... E poder, de alguma forma, colaborar para que essa história seja mais feliz, não tem preço.

Deixarei, abaixo, nos comentários, alguns dos relatos que recebi, falando sobre a importância do blog em suas vidas. Lindos... Muito obrigada!

Além do “mundo virtual”, Deus abriu as portas para que no “mundo real”, eu também levasse essa mensagem de amor, fé e esperança.

Dezenas de palestras ministradas em comunidades terapêuticas, faculdade, órgão público, e nos cursos aos familiares da SEJUS-DF.

Pude colaborar na idealização de um projeto governamental aos familiares de dependentes químicos, bem como em sua implantação.

E nesse projeto, que recebeu o nome de Ame, mas não sofra!, já foram atendidas mais de 500 famílias.

Quando olho para tudo isso, sinto muita gratidão a Deus!

Há quatro anos, eu era um monte de cacos espalhados. Como era dolorosa a minha vida. Aos 31 anos, me sentia totalmente sem esperança, sem alegria, sem força.

E ao olhar para essa Polyanna de hoje... Só posso agradecer a Deus!

Ajudar aos meus iguais me faz realizada. Além disso, cada vez que posto nesse Blog, ou que dou uma palestra, estou falando primeiramente para mim mesma, para que eu nunca me esqueça de onde saí.

Também gosto de contar a minha história para vocês, afinal, se eu consegui sair daquele buraco, qualquer um consegue. E olha que o buraco era bem fundo, viu?

Leia o livro, e conheça...

Bom, agora tenho novos projetos!

O livro O Diário de Francine Deschamps será lançado em breve.

Continuo na busca por um contrato com uma Editora comercial, a fim de ver o livro Amando um Dependente Químico em todas as livrarias, acessível a todas as famílias. Já recebi um “não” da Editora Rocco e da Editora Gente, mas não tem nada não, como podem perceber, EU NÃO DESISTO!

Quero, neste ano, juntamente com a equipe, executar o Ame, mas não sofra!, em Brasília, da melhor forma possível.

Mas, mesmo em meio a tudo isso, o Blog vai continuar. Eu amo esse cantinho, e preciso dele! Mesmo sem poder vir aqui com a frequência que gostaria.

Já foram muitas horas da minha vida aqui. Me lembro de postar com o barrigão da gravidez, e outras vezes, amamentando o bebê... Era hilário...

Muitas madrugadas...

Esse Blog faz parte da minha vida... Vocês fazem parte da minha vida!

Agradeço a todos vocês que me fazem companhia diariamente.

Agradeço pelos amigos queridos que fiz aqui.

Agradeço pelo carinho e pelas orações de vocês.

“Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer o que sozinha eu não consigo...”

E como prometi, enviarei de presente o livro Amando um Dependente Químico para a Cris (DCC), a JS (JL) e para a JA, que foram as primeiras a enviar os relatos.

Então, três livros pelos três anos!

Meninas, entrarei em contato por e-mail. Muito obrigada!

Vejam alguns dos relatos, abaixo, nos comentários.

sábado, 17 de maio de 2014

Será que preciso de ajuda?



Você se preocupa com o quanto alguém usa drogas?

Você tem problemas financeiros por causa do uso de drogas de alguém?

Você costuma mentir para encobrir o uso de drogas de alguém?

Você acha que, para essa pessoa querida, usar drogas é mais importante do que você?

Você acha que o comportamento da pessoa que usa drogas é causado pelas companhias dela?

As suas refeições e sono são constantemente afetados por causa dessa pessoa dependente química?

Você faz ameaças como: “se não parar de usar drogas, vou abandonar você?”

Quando cumprimenta essa pessoa (com um beijo ou abraço), secretamente tenta observar se os olhos estão vermelhos, ou o seu hálito?

Você tem medo de aborrecer alguém e isso vir a provocar uma recaída?

Você já foi magoado ou embaraçado pelo comportamento de um dependente químico?

Parece que cada feriado é estragado por causa do uso de drogas de alguém?

Você já considerou chamar a polícia por causa do comportamento do dependente químico sob efeito de drogas?

Você se surpreende procurando drogas escondidas?

Você acha que, se uma pessoa que usa drogas realmente te amasse, ela pararia de usar para te agradar?

Você já recusou convites sociais por medo ou ansiedade?

Algumas vezes você se sente culpado ao pensar nas coisas que já fez para controlar a pessoa que usa drogas?

Você acha que, se a pessoa que usa drogas parasse de usar, isso resolveria todos os seus problemas?

Você já ameaçou ferir a si mesmo para assustar ao dependente químico?

Você já tratou alguém (crianças, empregados, parentes, colegas de trabalho, etc) injustamente por estar com raiva de outra pessoa?

Você acha que ninguém pode compreender os seus problemas?

Bom, se você respondeu sim a três ou mais perguntas, indica que você pode estar precisando de ajuda para lidar com o uso de drogas de alguém. (adaptado do livro Codependência Nunca Mais, da Melody Beattie)

Busque ajuda...

Indico o grupo Naranon (http://www.naranon.org.br/), o grupo Amor-Exigente (http://www.amorexigente.org.br/), terapias individuais e/ou em grupo, e se estiver em Brasília procure a unidade do Ame, mas não sofra!, ou realize um dos cursos às famílias (http://www.sejus.df.gov.br/projetos/ame-mas-nao-sofra/inscreva-se-aqui.html).

Eu pensava que somente o meu familiar precisava de ajuda. Com o tempo descobri que eu também havia adoecido. Mas, também descobri que podemos mudar. Que podemos ter uma vida mais leve. E que temos o direito de ser felizes, mesmo que haja alguém próximo adoecido pelas drogas.

“Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer o que sozinha eu não consigo...”







Queridas(os), amanhã (18/05), o blog Amando um Dependente Químico completará 03 anos! E ele ganhou, de presente, a sua logo. Espero que tenham gostado... Eu amei!

Foi um presente de uma amiga, Narah Souza. (Obrigada!!!)

Aproveito para pedir a quem gostaria de relatar como o blog o ajudou, que envie um e-mail para polyp.escritos@gmail.com. O seu anonimato sempre será preservado.

Esses relatos são muito importantes, porque são eles que me motivam a continuar, afinal, não foi (e não é) nada fácil expor minha vida aqui, por todo esse tempo.

Vamos lá... Você estará concorrendo a um livro Amando um Dependente Químico! Participe. Esse cantinho aqui é de todas(os) nós! 


PS: Queridas(os), mesmo tendo respondido a muitos, ainda restam 77 e-mails de pedido de ajuda pendentes. Aos poucos, estou respondendo. Ok? Grande beijo!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Ainda o amo tanto!



Há exatos sete anos, selávamos a nossa união... 16/05/2007...

Havia dez meses de relacionamento, e cinco dividindo o mesmo teto.

E ele me disse: - quer se casar comigo?

Com aquele sorriso desconcertado, respondi: - claro!!!

E foi ali, em Fairfax, no estado de Virginia (EUA), que nos casamos oficialmente.

Nos casamos. Numa igreja cheia de familiares e amigos? Que nada. Só nós dois, no lindo estado de Virginia, numa Court, com um Juiz que nos perguntou se queríamos nos casar em Inglês ou em Português. Respondemos que queríamos em Português. No entanto, o Português dele era uma mistura de Espanhol, com Inglês e Italiano, tudo, menos Português. Não entendíamos quase nada, a gente se olhava com vontade de rir. Mas, entendemos que estávamos ali jurando amor e companheirismo eterno. Eu lhe disse sim. Ele também me disse sim. Foi sério. E ainda hoje dizemos sim um ao outro, a cada dia.” (extraído do livro Amando um Dependente Químico)


Fairfax Court


Na volta para casa, batemos o carro. Daí, passamos o dia resolvendo as pendências disso.

Lembro-me que naquela noite, ficamos relembrando os detalhes do nosso “louco dia de casamento”, e rimos muito.

“Eu prometo te amar e te respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe...”

Eu costumo brincar que, naquele momento, pensei que a doença seria no máximo uma gripe... haha... Não imaginava o que era conviver com um dependente químico. Não é fácil...

Mas, aqui chegamos nós. Juntos.

Na minha concepção, amar é aceitar o outro. É dizer “eu te amo, apesar do que você é”.

Assim, sem garantias, sem condições, sem exigências, se ama porque se ama e ponto.

Por favor, não associem essa minha afirmação à aceitação de violência física ou emocional, ou mesmo à aceitação de outros desatinos ocasionados em razão da adicção ativa. Não é isso.

Estou aqui dizendo que meu esposo, mesmo em seus longos períodos limpo, continua sendo um adicto. E ele tem dificuldades. Ele passou muitos anos usando drogas, fugindo para as drogas, e isso lhe trouxe muitas consequências. Ele tem problemas de aceitação de si mesmo, e também problemas para se relacionar com as pessoas ao seu redor, inclusive comigo.

Além disso, ele trava uma luta diária para se manter limpo, é uma batalha contra seu próprio corpo, sua própria mente, então nem sempre ele está disponível para quem está perto.

Mas, eu o amo.

Daí me pergunto: “por que eu o amo?”

Eu o amo porque ele desperta em mim o que tenho de melhor.

O amo porque me sinto feliz ao seu lado.

O amo porque sinto o seu amor por mim.

Sim, ele sempre me amou:

Nos EUA, quando eu era uma babysitter ou uma house-cleaning, e também quando estava desempregada.

Me amou quando eu estava magérrima, e também quando fiquei gordinha.

Me amou, mesmo com as consequências que a gravidez traz para o corpo.

Ele me amou nos meus dias de TPM, quando fui incompreensiva, e quando quase surtei em razão da codependência.

Ele simplesmente me amou, sempre. Do jeito que sou. Mesmo com meus defeitos e traumas, ele me amou. E isso, pra mim, é muito!

Ele tem um lugarzinho em seu ombro, que chamo de “o meu lugarzinho”. Quando ele se deita, e me deito ao seu lado, coloco minha cabeça sobre “o meu lugarzinho”, e ali conversamos sobre tantas coisas. Somente ele tem esse “meu lugarzinho” e eu o amo por isso.

Eu o amo, porque em alguns dias, com o corre-corre de mãe, profissional e dona de casa, não lhe dou a devida atenção, e ele tem sido compreensivo.

Eu o amo porque somos cúmplices. Acreditamos nos sonhos um do outro, e apostamos neles.

Eu o amo porque ele é um guerreiro.

Eu o amo porque, todas as manhãs, ele me deixa um leite com café na caneca, prontinho, para quando me levanto apenas esquentar no microondas.

Eu o amo porque ele cuida dos nossos filhos com tanto amor e dedicação.

Eu o amo porque o amo.

Sim, eu poderia citar aqui alguns dos defeitos dele que não gosto. E, certamente, ele também tem um rol dos meus defeitos que o incomodam. Mas, isso que é lindo. Ainda assim, nos amamos.

Querer que o outro mude não é amor. Desprezar o outro porque ele não é como você idealiza, não é amor. Aceitá-lo como ele é, isso é amor.

Mais uma vez ressalto, não estou falando de uso de drogas. Usar drogas não é defeito de personalidade, é doença. E doença tem que ser tratada.

Mas, estou falando de aceitar o dependente químico como ele é, e de amá-lo.

Hoje em dia, queremos tirar proveito de tudo, até mesmo dos relacionamentos. Sempre pensamos: “o que vou ganhar com isso?” Não condeno quem vive assim, mas isso não funciona comigo. Felicidade, pra mim, está em fazer coisas por amor, sem exigências, sem contratos.

"Querido marido mais chato do mundo, eu te amo. E, por favor, me providencie uma medalha por esses sete anos!" Foi minha declaração hoje pela manhã. Risos.

O que importa mesmo é o que construímos juntos nesse tempo. 

Que Deus nos abençoe sempre!

E no mais, "deixe que digam, que pensem, que falem..."

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Seja e faça!



“Após um ano, ele recaiu. Como ele pode fazer isso?”

“Ele está usando crack várias vezes na semana. Não se alimenta, não dorme. Vai se matar assim...”

“Ele recaiu e está faltando ao trabalho, e desse jeito vai perder o emprego...”

“Ele está usando todo o seu salário com drogas...”
                                                                                                             
“Ele está bebendo novamente. Logo vai recair às outras drogas...”


Esses são alguns dos relatos que escuto (leio) todos os dias. E na sequência, os familiares perguntam: “o que eu faço?”

Muitas(os) das(os) leitoras(es) passam horas e horas lendo sobre dependência química e sobre a recuperação para o dependente. São verdadeiras experts no assunto do outro.

Sei que as(os) leitoras(es) que chegam aqui, vêm em momento de desespero, de busca de ajuda e orientação. E eu conheço a sua dor e o seu problema, na pele.

Sei o quanto nos sentimentos desesperadas(os) ao ver o nosso familiar destruindo a si mesmo, diante dos nossos olhos. Nos preocupamos. Sofremos.

Mas, agora eu pergunto, de todas as tentativas que você já usou para fazê-lo parar, alguma deu certo? Você conseguiu controlá-lo?

Se sim, você teria repetido e repetido a mesma ação, até ele estar totalmente recuperado. Não é mesmo?

Pois é, não está em nossas mãos. Não podemos curar o outro. Não podemos segurar a sua adicção.

Então, para nós, só resta um caminho para viver em paz: o caminho do desligamento.

Desligar-se é abandonar?

Não necessariamente.

É você, e somente você, quem vai definir o nível desse desligamento, com base no quanto o outro está te fazendo mal.

Você pode me dizer: “Ah, Poly, não quero terminar o relacionamento”, ou “não posso tirar o meu filho de perto de mim.”

Ok. Respeito e compreendo a sua decisão.

Mas, ainda assim, você precisa se desligar.

Como fazer isso?

Pense com você mesmo: se o adicto não estivesse em sua vida, ou se ele não tivesse recaído agora, o que você faria hoje? O que seria diferente em sua vida? Que programas estaria fazendo? Quais atividades iriam compor o seu dia? 

Pense com calma e com carinho. Se imagine vivendo sem esse problema... Que viagens faria? Como passaria suas horas? A quem visitaria? Enfim, quem seria você, sem o problema da adicção te rondando?

Ok. Agora que você já sabe quem seria você e o que faria, SEJA e FAÇA.

Sei como é essa dor. Sei o quanto é difícil seguir adiante. E por isso precisamos de ajuda. Busque ajuda!

Desligar-se não é deixar de amar. 

Desligar-se é entregar para Deus aquela pessoa ou aquele problema que você não é capaz de resolver, e confiar... E seguir adiante, livre, sem esse peso sobre nós.

Lembre-se, o melhor lugar para levarmos o nosso familiar adicto é somente no coração (e nas orações), e não nas costas.

É hora de voltar a viver a sua própria vida, e de deixar de ser escudo para o seu familiar adicto. Tente se preocupar menos com ele, e mais com você. Permita que ele arque com as consequências do seu uso de drogas. Pode parecer maldade, mas assim você fará um bem a você mesma(o), a ele, e a toda a sua família.

Quando deixamos de ser escudo, nos machucamos menos, cobramos menos do outro, e vivemos mais, e mais felizes.

Consequentemente, o adicto tem a oportunidade de viver a sua própria vida, arcando com suas responsabilidades e com as consequências do seu uso de drogas... Ou seja, há uma maior probabilidade dele buscar ajuda e recuperação.

E você estará inteira(o), e de pé, para estender-lhe a mão, quando isso acontecer...

Força para todas(os) nós. SÓ POR HOJE!

Beijo no ♥!

PS: Faltam três dias para o aniversário de 03 anos do Blog Amando um Dependente Químico!!! Nossa... Já?!! Quem tiver um relato bacana do papel desse Blog em sua vida, envie para o e-mail polyp.escritos@gmail.com. Publicarei alguns relatos, preservando sempre o anonimato de todos. :)