segunda-feira, 14 de abril de 2014

Livre para Escolher!



Acho que, finalmente, estou conseguindo...

Após quase oito anos me relacionando com um adicto, e sobretudo, após trinta e cinco anos de relacionamento comigo mesma, parece que estou despertando para a realidade da vida.

Vivi a fase da “coitadinha” por muito tempo, me achando a vítima da vida, e acomodada nas minhas insatisfações internas e externas.

Gente, é tão ruim viver assim. Parecia que eu não era a responsável pela forma como minha vida era conduzida... Horrível!

Passei pela fase da revolta, da raiva, dos questionamentos. Também não era muito bom viver assim. Eu sempre tirava zero no quesito aceitação.

Sim, também vivi o meu momento de “Amélia”, de aceitar tudo, dizer sim sempre, e sufocar uma grande dor dentro de mim. Auto anulação.

Houve também a fase da heroína. De tentar mostrar aos outros o quanto sou forte, capaz e perfeita.

Então, se pararmos para analisar, eu era coitadinha por causa dos outros, minha revolta acontecia em razão do que os outros faziam, eu dizia ‘sim’ para não contrariar aos outros, e eu era forte para mostrar também aos outros...

Puxa, será que vale à pena entregar a vida assim nas mãos desses “outros”? Certamente não!

Enquanto eu vivia nesse conflito, pulando de uma etapa para a outra, sem saber ao certo quem eu era, e o que eu queria, não conseguia ter paz. E sabe o que mais? Eu nunca conseguia satisfazer aos “outros” e tampouco a mim mesma. Era frustrante.

Sempre fui muito cristã, desde criança. Então esse lado espiritual sempre foi forte em mim. Muita fé.

Mas, eu precisava de uma orientação de quem vivia o mesmo que eu vivia. E essa orientação precisava vir, não como um conselho, porque eu sou cabeça dura, e provavelmente não ouviria, mas sim em forma de experiências. Eu precisava aprender com as experiências de quem vivia o mesmo que eu.

Em uma sala de grupo de apoio, durante mais de um ano, nas terças a noite, aprendi a olhar para a pessoa mais importante da minha vida, pela primeira vez: eu mesma.

Ouvi, aprendi e cresci com experiências positivas, e também negativas, de quem sentia o mesmo que eu.

Posteriormente, por meio deste blog, continuei exercitando isso: o olhar para mim mesma, e o aprendizado com as experiências de quem passa por desafios semelhantes aos meus.

E hoje, posso dizer com todas as letras que finalmente aprendi o caminho. Posso até errar os passos, mas o caminho eu já conheço.

Aprendi que o meu crescimento só acontece quando vivo em paz com as escolhas que eu fiz (e faço).

Tem gente infeliz por ser mãe, e não conseguir dormir como antes, e ter que abrir mão de algumas coisas. Tem gente infeliz porque é casado e queria ser solteiro. Tem gente infeliz porque é Engenheiro e queria ser Ator.

O problema não está em ser mãe, em ser casado ou em ser Engenheiro, tem tanta gente feliz nisso. Mas, o problema que faz essa gente infeliz é o fato dela querer tantas coisas, mas ter escolhido outras bem distintas...

Sabe, eu sou realmente feliz com minhas escolhas.

Fico louca com a correria em razão dos meus três filhos. Casa para arrumar. Marido. Trabalho.

Caramba, e meu marido ainda tem uma doença “do cão” que é a adicção. Tem dias que ele tá um fofo, e tem dias que está insuportável. Ele vive lutando contra si mesmo.

Mas quando olho para nós cinco, me sinto tão realizada. Tão feliz. Tão eu...

Se eu escolhesse algo diferente, deixaria de ser a Polyanna. Talvez fosse sim algo mais racional, mas não seria eu.

Eu amo tudo isso. Beijo do marido, café da manhã, troca de fraldas do bebê, banho do filho do meio, estudar Física com minha filha mais velha, limpar casa, cozinhar, escrever, dormir de conchinha, acordar no meio da madrugada com o filho me chamando, Gestão de Pessoas, Codependência (não a doença, mas o assunto), Blog, livros, planos...

Vivo em paz com as escolhas que fiz. E refaço essas escolhas todos os dias, porque essa sou eu.

Tem gente que gosta do que sou. Tem gente que admira. Tem gente que critica. Tem gente que não gosta. Mas, essa gente toda aí são os outros.

Minha bússola nunca falha. Minha bússola é um coração em paz.

Quanto ao meu esposo, graças a Deus, ele tem feito escolhas que incluem a mim e aos nossos filhos.

Infelizmente quando eles optam pelas drogas, não cabe mais ninguém, não é mesmo?

Mas, não é o caso. (Obrigada, meu Deus!)

Ele se mantém limpo. E eu me mantenho limpa também. Limpa de tantos sentimentos tóxicos que me sufocavam. Limpa da culpa, da raiva, da autopiedade, da ansiedade, da sensação de que tudo e todos dependem de mim... Limpa para ser apenas a Poly.

Na sexta-feira passada, fiz mais uma escolha. Nos últimos seis meses, além do meu trabalho convencional, colaborei e coordenei o Projeto Ame, mas não sofra!, sem receber nada por isso, apenas por amor à causa mesmo. Entretanto, eu estava exausta, tendo que abrir mão de muitas coisas, para estar no Projeto. Na semana anterior, ao chegar na creche dos meus filhos quase às 20 horas (a creche fecha às 19 hs), só estavam os meus dois pequenos com a “tia”. Naquela hora percebi que era preciso escolher. Então, optei por sair da coordenação do projeto. A equipe é maravilhosa e dará continuidade a esse Projeto que mora no meu coração.

E eu seguirei daqui, escolhendo!

Por vezes, digo ao meu marido: “amor, vamos deixar tudo para trás, e s’imbora vender mariscos em uma praia... Eu cuido das crianças e você pesca...”

Hoje ainda estou escolhendo a vida corrida da capital, mas se um dia achar que serei mais feliz assim, tenha certeza que irei... Ah, certamente irei!

A vida passa tão depressa.

Ah, e uma dica que dou é: ore sempre pedindo a direção de Deus, e creia que Ele nos responde de várias maneiras.

É isso. Escolho o que me realiza, o que me dá paz e o que me faz feliz. E consequentemente, sou feliz com minhas escolhas, vivo em paz com elas e elas me realizam... É um ciclo!

E você, querido(a) leitor(a), o que tem feito da sua vida? Escolhas? Ou apenas tem acatado as escolhas alheias para você? Está conduzindo, ou apenas sentadinho no carona? Está “fazendo acontecer”, ou apenas reagindo aos acontecimentos?

Quando nos tornamos codependentes é comum vivermos em função dos outros. Mas, acredite, é possível mudar, e vale a pena mudar. Comece devagar, mas comece... Um passo de cada vez.

Vale a pena lembrar que as escolhas vêm seguidas de responsabilidades e consequências. Esteja em paz com todas elas, e seja feliz!

Estamos juntos!

Grande beijo.
Poly.

9 comentários:

  1. Boa noite, tentando entender o que faz alguém começar a usar drogas cheguei ao seu blog, li vários posts, me identifiquei com alguns. Como ajudar alguém me você já não acredita que ela vá mudar? Depois de tantas promessas e planos não realizados? Tô muito desanimada, triste, não sei mais o que fazer.

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  2. Sabe Polly, o que observo, não são apenas os adictos que vivem anestesiando suas consciências e nem os codependentes que vivem a vida dos outros, esses são os nomes que usamos pra dar nome aos bois, mais a verdade é que existe por ai pessoas anestesiando sua consciência e fugindo da realidade, seja procurando a sua felicidade em bens materiais, em um amor, em tudo que está fora de si e passam a vida correndo em círculos, pq se conquista algo e essa conquista trás uma felicidade temporária...acabam esquecendo de se olhar aprender a se conhecer pra ai sim conseguir caminhar, fazendo escolhas, desfrutando das consequências sejam boas ou ruins, simplesmente levando uma vida com equilíbrio, e existem os que vivem a vida dos outros, mesmo que esses outros não sejam adictos, aqueles que só conseguem medir sua felicidade quando se comparam aos outros...não sabem olhar pra si sem ter que olhar no espelho do outro sempre se comparando achando que só serão felizes quando alcançarem o sucesso do outro...o mundo é feito de "adictos" e "codependentes"...que nada mais são pessoas que se anestesiam suas consciências e pessoas que buscam no outro o que deveriam encontrar em si mesmas....muita luz e paz pra ti...bjus

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  3. Bom dia Poly! Sempre uma benção passar por aqui e ver como Deus é bom em todo o tempo, em todos os lugares! Um feriado muito abençoado a vocês, beijo!!

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  4. Coisa boa poder ler isso, desde o dia 7 sem postar nada, fiquei preocupada... o melhor da nossa vida é vivê-la sendo felizes com nossas escolhas! Aprendi muito com vc querida, e as minhas escolhas por mais que difíceis ás vezes, tem sido acertadas. E isso fez com que ele também mudasse o rumo de suas escolhas... e o resultado está sendo maravilhoso, só por hoje graças a Deus quatro meses... bjão querida! Tamo junto!

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  5. Lendo esse texto, chega dar um alívio! A esperança se renova, é possível ter uma vida e estar bem consigo mesma independente do outro, pq o codependente cada hora inventa uma moda pra viver em função dos outros (é incrível), do adicto, da família, das opiniões, do amigo que precisa...enfim. Tenho lutado para me livrar disso e o seu texto, nos enche de garra, obrigada por partilhar, obrigada por ser apenas você, cheia de incenterzas, certezas, lutando diariamente para estar em paz como todos nós! Um grande abraço, fique com Deus.

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  6. Oi Poly. Essa semana mesmo tive que fazer uma escolha que, se desse errado, poderia colocar meu namorado adicto em risco de morte, mas se desse certo, poderia livrá-lo do que estava passando, problemas que ele mesmo procurou. Mas escolhi aquilo que, no fim, me prejudicaria menos. Fiz minha escolha e deixei as consequencias nas mãos de Deus. Graças a Deus o desfecho foi bom, e ele já está em casa novamente, se preparando para a internação. Deus é maravilhoso, e quer sempre o melhor pra nós.
    Mas o mais importante, é que a escolha que fiz, fiz por mim. Sabia que tinha a possibilidade de perdê-lo pra sempre, e o fiz com o coração partido. Mas fiz por mim, porque bem como você diz, quando eles escolhem as drogas, não cabe mais ninguém em seus planos. Graças a Deus deu tudo certo, depois de 3 dias de agonia e espera, mas agora me sinto bem pelos primeiros passos que estou conseguindo dar em relação a minha codependência. Tenho muito que aprender ainda e suas palavras sempre me dão força. Obrigada!

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  7. Reflexão desta semana sera enbasada em sua palavras .Das escolhas que temos feito!!!!!!!!!!Obrigado

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  8. Meu nome é Vilma, me sinto as vezes covarde por nunca conseguir ir ate o fim, já dei várias e várias chances para meu marido e sempre acaba em separação por nao aguentar mais, as vezes penso que fugindo da situação e ficando longe dele vou me sentir mais aliviada, realmente me sinto aliviada, mas não por completo, tento nao saber noticias dele, mas vira e mexe estou perguntando sobre ele, e no fundo torcendo para que se recupere e fique bem, mesmo longe da família dele. Nunca procurei um grupo, quando estou muito angustiada corro pra igreja, me alivia um pouco, mas realmente sigo vivendo somente para meus filhos. Me sinto perdida as vezes sem direção.

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