segunda-feira, 28 de abril de 2014

Liberte-se!



Boa tarde, queridas(os)!

Finalmente, após 15 dias em casa, cuidando de mim, das crianças e do maridão, adoecidos por uma virose que trazia gripe e conjuntivite forte, estou de volta ao trabalho.

Daí, aproveitei o horário do almoço para vir aqui...

Tudo bem com vocês?

Analisando a minha história de alguns anos atrás, e as histórias que acompanho, estava pensando: “por que, nós familiares de dependentes químicos, sofremos tanto?”

Sofremos porque tentamos controlar coisas e pessoas que não somos capazes de controlar, e nessa tentativa, perdemos o controle sobre nós mesmos e sobre nossas vidas.

Não podemos controlar a dependência química de quem amamos. E também não podemos controlar a vida de quem amamos.

Mas, é difícil entender isso, e aceitar isso. Queremos livrar o nosso familiar do vício a qualquer custo.

Tentamos, tentamos, tentamos... E nos frustramos, cada vez mais.

As mães tentam impedir que os filhos usem drogas. Tentam muda-los. Fazê-los “normais”. E nessa ânsia por controlar o externo, passam a ser dominadas pelo pensamento de que “essa é a minha missão, é o meu papel, preciso salvar meu filho”. E ver essa “missão” indo por água abaixo é tão doloroso.

As esposas enlouquecem tentando mudar seus maridos. Afastá-los das drogas. Mudar seus defeitos. Já fiz muito isso. Até que um dia percebi que não era eu quem estava controlando o meu marido e a sua adicção, mas era a sua adicção quem estava controlando, não somente a ele, mas também a mim.

A sua adicção me controlava sempre. Quando ele estava bem, eu me desesperava em ser a melhor, para que ele não tivesse novamente o desejo pela droga. Quando ele estava em abstinência, irritado ou deprimido, eu inventava mil e uma formas para que ele melhorasse, sem recorrer à droga. Quando ele estava na ativa, eu fazia buscas, faltava ao trabalho, esquecia meus filhos, esquecia de mim mesma na tentativa de fazê-lo voltar. Ele me controlava com suas manipulações, com suas chantagens, com seu sofrimento, com suas vitórias... Com tudo!

Era a sua adicção quem me dizia se eu deveria estar feliz, triste, ansiosa, com raiva, aflita, angustiada, alegre... Sempre ela no controle.

Era exaustivo. Doloroso.

Me cansei.

Em um e-mail que recebi na semana passada, havia a frase de uma mulher em desespero: “não sei como segurar a vontade dele”.

Realmente não há uma forma para segurarmos a vontade do outro.

A adicção faz com que eles tenham a falsa sensação de que a droga é tão necessária quanto o ar, a comida e a água, ou mais. Eles estão doentes. E para saírem desse quadro, precisam de tratamento.

A família não tem condições para tratar o adicto, pois não tem preparo emocional, nem conhecimento técnico. Portanto, famílias, procurem ajuda.

Que tal começar buscando ajuda para si mesmas. Procurem orientação e informação.

Liberte-se dessa ideia de que você é o responsável pelas escolhas do outro, ou de que você pode ter o controle sobre isso.

Não podemos!

Eu e você não podemos controlar o comportamento compulsivo de quem amamos.

Então o que podemos fazer?

Mais uma vez eu digo, podemos NOS cuidar.

Quando a família se cuida, ela se torna forte emocionalmente. Ela se torna inteira. Ela se livra da culpa. Ela não cede às manipulações. Ela deixa de ser um facilitador da adicção do outro. E então ela passa, efetivamente, a ajudar para que a recuperação do outro aconteça.

Sim, ver quem amamos em um caminho de destruição sempre nos causará dor, mas isso não nos controlará mais, nem nos impedirá de vivermos nossa própria vida.

Poly, como posso buscar ajuda para mim, vendo quem eu amo se destruindo?

Lembre-se: "Em caso de despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente à sua frente. Coloque primeiro a sua máscara, e só então auxilie quem estiver ao seu lado". 

Seria isso um ato egoísta? Certamente não!

Você não conseguirá ajudar ao outro estando sem oxigênio, desmaiada ou agonizando.

Coloque primeiro a sua máscara!

Quer que o outro se livre da compulsão pela droga? Então comece você se livrando da compulsão que tem por ele, ou outras compulsões.

Quer que o outro seja mais responsável? Então não assuma as responsabilidades dele, e lembre-se de arcar com as suas.

Quer que o outro seja feliz sem drogas? Então seja você feliz, hoje, mesmo sem ter tudo o que deseja.

Quer que o outro tenha disciplina? Seja disciplinado você.

Quer que o outro vá ao NA? Vá você ao Nar-Anon ou Amor Exigente.

Entenda que tudo isso você fará por si mesmo, e não pelo outro.

A relação com o outro é sempre algo que serve de suplemento em nossas vidas, mas nunca deve ser a causa das nossas ações.

Você ama um dependente químico?

Eu também.

E por mais romântica que eu seja, precisei aprender que isso vai além de sonhos e poesias. Quem ama um dependente químico precisa agir. Precisa se cuidar para não adoecer. Precisa estar bem consigo mesmo. Caso contrário, será difícil aguentar. E será quase impossível o outro encontrar um ambiente favorável ao seu despertar para a recuperação.

Amo o meu familiar adicto (muito muito!). Estou aqui, ao seu lado. Acredito na sua recuperação. Luto para ajuda-lo no que me cabe. Mas, minha vida não se resume a isso.

Uma mudança de foco, muda tudo!

Hoje sou livre... Livre, inclusive, para continuar ao lado de quem amo.




Um grande beijo.

Poly

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um pedaço da minha história!

Boa noite, queridas(os)!

Tudo bem?

Vou deixar para vocês um novo vídeo, contendo a última parte da palestra que dei no mês passado.

Ele fala um pouco sobre a minha mudança de postura diante da vida, e também sobre a história deste blog. 

Vale à pena conferir.




Além disso, gostaria de convidá-los a ouvir amanhã, na rádio Senado, uma entrevista dada por mim, falando sobre a codependência. Ela irá ao ar por volta de 06h30min da manhã (bora acordar cedo!), e pode ser ouvida pelo site www.senado.gov.br/radio (em qualquer lugar), ou nas seguintes sintonias: Brasília - DF: 91,7 MHz, Natal – RN: 106,9 MHz, Cuiabá – MT: 102,5 MHz, Fortaleza - CE: 103,3 MHz, Rio Branco - AC: 100,9 MHz, Teresina - PI: 104,5 MHz, Manaus - AM: 106,9 MHz, e João Pessoa - PB: 106,5 MHz.

Contagem regressiva para o aniversário de três anos deste Blog!

Muito obrigada por vocês existirem em minha vida.

Grande beijo!

Durmam com Deus!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sou pequena demais!



Boa noite, queridas(os)! Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem, graças a Deus!

Acabei de colocar os pequenos para dormir (ufa!), e hoje meu esposo está de plantão à noite, daí resolvi aproveitar esse momento sozinha para vir aqui, escrever.

Estou há oito dias em casa, com uma conjuntivite forte, que não passa. Hoje até fui para o trabalho, mas me fizeram voltar para casa. Não sei se por cuidado comigo ou por medo do contágio. Risos.

Peguei do meu bebê, e o maridão também pegou. Então no feriado ficamos de molho em casa...

Mas, ainda assim, foi muito divertido. Nesse ano, fiz as pegadinhas do coelho para meu filho de 5 anos seguir. Foi o máximo! Ele tontinho de sono, seguindo as pegadinhas feitas com tinta guache pela casa, e colhendo os chocolates. Deixei o ovo que ele tinha pedido (do Hot Wheels) no local mais difícil para ser o último a ser encontrado, e vocês precisavam ver a cara de felicidade dele ao ver esse ovo!

Fiquei encantada com a inocência e fantasia do meu filho! É muita doçura! Acredita piamente que foi o coelhinho quem trouxe os ovos, e deixou as pegadas. Por falar em pegadas, deu um trabalhão para limparmos a tinta da cerâmica. Missão para o maridão ajudar... Tadinho. Risos.

Além disso, meu filhote participou de uma peça sobre a morte de Jesus, na escola. Não pude ir, mas vi o vídeo, e acompanhei a empolgação dele em casa. Ele foi o soldado que prendeu Jesus.

“Puxa, sou tão amigo de Jesus, não quero prender Ele! Não vou fazer isso com Jesus...”

“Mamãe, sabia que Jesus morreu para nos salvar? Mas, ainda bem que Ele já sarou!”

Essas foram algumas das “pérolas” ditas por meu filho, nesses dias. Lindo demais, né?

Quanto ao meu esposo, ele segue bem. Quem acompanha o blog sabe que, no ultimo ano, ele teve um lapso em novembro e outro no início de março. Ou seja, ele recaiu. Mas o interessante foi que após o uso, ele não caiu na compulsão, mas sim na repulsa, se levantando novamente para um novo período abstinente, que já passa de 50 dias.

Puxa, tomara que isso o afaste de vez da droga. Digo isso porque quando o conheci, ele tinha um outro vício, o álcool. Ele bebia todas as semanas. Entretanto, ele começou a passar mal com a bebida. Então cada vez que bebia, não tinha mais a compulsão por beber mais, mas a repulsa. Até que ele parou de vez. Hoje, ele está há mais de seis anos sem beber nada nada de álcool. Algo que eu imaginava ser impossível de acontecer.

E nesses últimos dois usos de cocaína, mesmo usando pouco, ele passou muito mal, e não caiu naquele ciclo de recaída, culpa, uso, compulsão, uso, culpa, etc. Simplesmente usou, se enojou, e se levantou.

Sei que a doença é progressiva, mas quem sabe a cura também seja?!! Nem precisa vir me dizer o be-a-bá da doença, viu, gente? Eu sei, eu sei. Mas, eu continuo acreditando que verei o meu marido livre disso.

Ele quer! Eu quero! Deus quer! Então, acredito e ponto!

Nos últimos trinta dias, tenho passado momentos difíceis. Nada a ver com adicção ou codependência. Ou talvez seja sim consequência desses dois juntos, que ainda temos que arcar.

Mas, o fato é que são dias difíceis.

Então muitas vezes, nesses dias, meu marido e eu nos abraçamos e dissemos um ao outro: “Já passamos por coisas muito piores, esse vento não vai nos derrubar. Vamos passar por isso juntos. E ainda vamos rir de tudo isso.”

E eu realmente acredito em dias melhores!

Quando meu esposo recaía quase toda semana, quando a dor era tão grande em meu coração, muitas vezes eu não tinha forças nem mesmo para conversar com Deus. Então eu simplesmente fazia a oração da serenidade, em meio a tantas lágrimas. Às vezes sem forças, cansada, com vontade de desistir, mas no meu coração ainda era possível sentir o calorzinho da fé.

Na semana passada, meu esposo cuidou de um dependente químico no hospital, e passou o número do meu telefone para a mãe do rapaz, para que eu conversasse com ela. Ela nem imagina que meu marido também é um dependente. Ao telefone ela disse: “parabéns pelo marido maravilhoso que você tem, Deus o colocou no meu caminho. Ele é tão generoso e de tão bom coração. Agradeça a Deus todos os dias pelo marido que você tem, minha filha.”

E é isso o que faço, agradeço a Deus todos os dias pela vida do meu marido. Ele cresceu muito. E eu também.

Tem dias que dá vontade de mandar ele ir catar coquinho na esquina, e às vezes até mando mesmo... Risos... Mas, ele é o homem a quem eu amo, e também o homem que me ama. Somos complicados, temos tantos traumas, tantas dores, tantos desafios... Mas, juntos nos sentimos mais fortes, e melhores.

Hoje, mesmo longe das drogas, estamos vivendo dias difíceis. Mas, Deus sempre esteve do nosso lado. E se Ele está do nosso lado, não tem pra mais ninguém!

Eu tenho CERTEZA que um dia virei aqui nesse blog, fazer um post narrando a forma como conseguimos dar a volta por cima, nesse desafio das nossas vidas.

Um dia alguém me perguntou por que Deus permite que soframos. Daí pensei e respondi: Sou pequena demais para saber...




Como assim, Poly?

Eu creio em um Deus de amor. Um Deus que é meu Pai, Cuidador. Ou seja, não acredito em um Deus sádico que quer nos ver sofrendo. Mas, então, por que sofremos?

Bom, tenho um filho de dois anos. Ele adora colocar coisas nas tomadas, comer sabonetes, e subir na estante. Para que ele não se machuque, por vezes, preciso repreendê-lo e retirá-lo desses lugares. E ele chora muito, contrariado. Mas faço isso porque o amo, mesmo que ele não entenda.

Muitas vezes chorei. Muitas vezes doeu. E algumas coisas ainda estão doendo. Mas, a única coisa que não quero perder nunca é a minha fé, e a minha certeza do amor e cuidado de Deus por mim.

Algumas coisas não sei explicar o por quê de acontecerem. Não sei por que seu filho é um adicto. Não sei por que meu marido também o é. Não sei por que sentimos dores. Não sei por que cada um tem o seu próprio sofrimento. Mas, uma coisa eu sei: Deus nos ama! Então, nunca vou questionar com Ele... Afinal, é como se eu tivesse apenas “dois anos”. Algumas coisas não consigo entender. Sou pequena demais. Simplesmente confio que Ele sabe o que é melhor para mim, sempre!

Então o melhor a fazer é descansar nos braços Dele... e esperar a tempestade passar.





Grande beijo, queridas(os)!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Livre para Escolher!



Acho que, finalmente, estou conseguindo...

Após quase oito anos me relacionando com um adicto, e sobretudo, após trinta e cinco anos de relacionamento comigo mesma, parece que estou despertando para a realidade da vida.

Vivi a fase da “coitadinha” por muito tempo, me achando a vítima da vida, e acomodada nas minhas insatisfações internas e externas.

Gente, é tão ruim viver assim. Parecia que eu não era a responsável pela forma como minha vida era conduzida... Horrível!

Passei pela fase da revolta, da raiva, dos questionamentos. Também não era muito bom viver assim. Eu sempre tirava zero no quesito aceitação.

Sim, também vivi o meu momento de “Amélia”, de aceitar tudo, dizer sim sempre, e sufocar uma grande dor dentro de mim. Auto anulação.

Houve também a fase da heroína. De tentar mostrar aos outros o quanto sou forte, capaz e perfeita.

Então, se pararmos para analisar, eu era coitadinha por causa dos outros, minha revolta acontecia em razão do que os outros faziam, eu dizia ‘sim’ para não contrariar aos outros, e eu era forte para mostrar também aos outros...

Puxa, será que vale à pena entregar a vida assim nas mãos desses “outros”? Certamente não!

Enquanto eu vivia nesse conflito, pulando de uma etapa para a outra, sem saber ao certo quem eu era, e o que eu queria, não conseguia ter paz. E sabe o que mais? Eu nunca conseguia satisfazer aos “outros” e tampouco a mim mesma. Era frustrante.

Sempre fui muito cristã, desde criança. Então esse lado espiritual sempre foi forte em mim. Muita fé.

Mas, eu precisava de uma orientação de quem vivia o mesmo que eu vivia. E essa orientação precisava vir, não como um conselho, porque eu sou cabeça dura, e provavelmente não ouviria, mas sim em forma de experiências. Eu precisava aprender com as experiências de quem vivia o mesmo que eu.

Em uma sala de grupo de apoio, durante mais de um ano, nas terças a noite, aprendi a olhar para a pessoa mais importante da minha vida, pela primeira vez: eu mesma.

Ouvi, aprendi e cresci com experiências positivas, e também negativas, de quem sentia o mesmo que eu.

Posteriormente, por meio deste blog, continuei exercitando isso: o olhar para mim mesma, e o aprendizado com as experiências de quem passa por desafios semelhantes aos meus.

E hoje, posso dizer com todas as letras que finalmente aprendi o caminho. Posso até errar os passos, mas o caminho eu já conheço.

Aprendi que o meu crescimento só acontece quando vivo em paz com as escolhas que eu fiz (e faço).

Tem gente infeliz por ser mãe, e não conseguir dormir como antes, e ter que abrir mão de algumas coisas. Tem gente infeliz porque é casado e queria ser solteiro. Tem gente infeliz porque é Engenheiro e queria ser Ator.

O problema não está em ser mãe, em ser casado ou em ser Engenheiro, tem tanta gente feliz nisso. Mas, o problema que faz essa gente infeliz é o fato dela querer tantas coisas, mas ter escolhido outras bem distintas...

Sabe, eu sou realmente feliz com minhas escolhas.

Fico louca com a correria em razão dos meus três filhos. Casa para arrumar. Marido. Trabalho.

Caramba, e meu marido ainda tem uma doença “do cão” que é a adicção. Tem dias que ele tá um fofo, e tem dias que está insuportável. Ele vive lutando contra si mesmo.

Mas quando olho para nós cinco, me sinto tão realizada. Tão feliz. Tão eu...

Se eu escolhesse algo diferente, deixaria de ser a Polyanna. Talvez fosse sim algo mais racional, mas não seria eu.

Eu amo tudo isso. Beijo do marido, café da manhã, troca de fraldas do bebê, banho do filho do meio, estudar Física com minha filha mais velha, limpar casa, cozinhar, escrever, dormir de conchinha, acordar no meio da madrugada com o filho me chamando, Gestão de Pessoas, Codependência (não a doença, mas o assunto), Blog, livros, planos...

Vivo em paz com as escolhas que fiz. E refaço essas escolhas todos os dias, porque essa sou eu.

Tem gente que gosta do que sou. Tem gente que admira. Tem gente que critica. Tem gente que não gosta. Mas, essa gente toda aí são os outros.

Minha bússola nunca falha. Minha bússola é um coração em paz.

Quanto ao meu esposo, graças a Deus, ele tem feito escolhas que incluem a mim e aos nossos filhos.

Infelizmente quando eles optam pelas drogas, não cabe mais ninguém, não é mesmo?

Mas, não é o caso. (Obrigada, meu Deus!)

Ele se mantém limpo. E eu me mantenho limpa também. Limpa de tantos sentimentos tóxicos que me sufocavam. Limpa da culpa, da raiva, da autopiedade, da ansiedade, da sensação de que tudo e todos dependem de mim... Limpa para ser apenas a Poly.

Na sexta-feira passada, fiz mais uma escolha. Nos últimos seis meses, além do meu trabalho convencional, colaborei e coordenei o Projeto Ame, mas não sofra!, sem receber nada por isso, apenas por amor à causa mesmo. Entretanto, eu estava exausta, tendo que abrir mão de muitas coisas, para estar no Projeto. Na semana anterior, ao chegar na creche dos meus filhos quase às 20 horas (a creche fecha às 19 hs), só estavam os meus dois pequenos com a “tia”. Naquela hora percebi que era preciso escolher. Então, optei por sair da coordenação do projeto. A equipe é maravilhosa e dará continuidade a esse Projeto que mora no meu coração.

E eu seguirei daqui, escolhendo!

Por vezes, digo ao meu marido: “amor, vamos deixar tudo para trás, e s’imbora vender mariscos em uma praia... Eu cuido das crianças e você pesca...”

Hoje ainda estou escolhendo a vida corrida da capital, mas se um dia achar que serei mais feliz assim, tenha certeza que irei... Ah, certamente irei!

A vida passa tão depressa.

Ah, e uma dica que dou é: ore sempre pedindo a direção de Deus, e creia que Ele nos responde de várias maneiras.

É isso. Escolho o que me realiza, o que me dá paz e o que me faz feliz. E consequentemente, sou feliz com minhas escolhas, vivo em paz com elas e elas me realizam... É um ciclo!

E você, querido(a) leitor(a), o que tem feito da sua vida? Escolhas? Ou apenas tem acatado as escolhas alheias para você? Está conduzindo, ou apenas sentadinho no carona? Está “fazendo acontecer”, ou apenas reagindo aos acontecimentos?

Quando nos tornamos codependentes é comum vivermos em função dos outros. Mas, acredite, é possível mudar, e vale a pena mudar. Comece devagar, mas comece... Um passo de cada vez.

Vale a pena lembrar que as escolhas vêm seguidas de responsabilidades e consequências. Esteja em paz com todas elas, e seja feliz!

Estamos juntos!

Grande beijo.
Poly.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

♥♥

Boa tarde, queridas(os)!
Duas frases me marcaram na semana passada, e quero dividi-las com vocês.


"Procure a sabedoria e aprenda a escrever os capítulos mais importantes de sua história nos momentos mais difíceis de sua vida." (Augusto Cury)




Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. (Ana Jácomo)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Namoro, botar na rua, traição e ibogaína.


Boa tarde, gente!

Tudo bem?

Queridas(os), me perdoem, mas não estou conseguindo responder aos e-mails. Li todos, mas não consigo tempo para responder. São muitos.

Então separei os quatro assuntos mais questionados, e responderei nessa postagem.


1.       Namoro com dependente químico




Como já falei algumas vezes no blog, e também nos livros, meu esposo nunca me escondeu que era um dependente químico. Soube disso antes de começarmos a namorar. Entretanto, eu não tinha as informações que tenho hoje. Eu pensava que a dependência química dele seria curada com o meu amor e ponto.

Hoje, vocês, namoradas, têm condições de fazerem suas escolhas, sabendo exatamente o que é a dependência química, uma doença muito complexa, que afeta toda a família, e causa muita dor.

Se eu soubesse de tudo isso, ainda ficaria com ele, como namorado? Realmente não sei. Sou muito teimosa, cabeça-dura, então talvez sim. Além disso, sempre tive características codependentes, por ser filha de um adicto, e como nunca tinha me tratado, acho que teria continuado no relacionamento sim.

Mas, se me perguntarem se aconselho vocês a continuarem namorando com dependentes químicos, respondo que não. Por quê? Porque é uma vida incerta, por vezes dolorosa. Estou aconselhando o que aconselharia à minha filha, mas claro que respeito a escolha de cada uma, e entendo também.

Nos últimos dois anos, apesar das três rápidas recaídas, meu marido imediatamente se reergueu, e logo voltou ao estágio da ação (clique aqui, e entenda os estágios). Então não houve muito sofrimento em casa.

Entretanto, nos cinco primeiros anos do nosso casamento, sofri muito, tanto pela dependência dele, como pela minha codependência, e não gostaria que vocês passassem pelo mesmo.

Se o namorado está em recuperação (no mínimo dois anos), bacana! Daí até dá pra pensar. Entretanto, esteja ciente que mesmo assim a recaída pode acontecer.

Mas, se ele não quer se recuperar, se não quer deixar as drogas, sinceramente, cai fora!

Sei que há muito sentimento envolvido. Sei que geralmente eles são muito cativantes, e nós muito carentes, mas preciso ser muito honesta com vocês, mais uma vez. Afinal, já recebi e-mails até mesmo de meninas de 15 anos, nessa situação.

Ressalto que não basta terminar o relacionamento, é preciso também buscar ajuda (terapia, grupo de apoio) para mudar a sua forma de olhar para si mesma.

Quero deixar claro que tudo isso é apenas a minha opinião. Cada um sabe de si!

Se me perguntar se me arrependo, digo que não. Afinal, há muito amor e outros sentimentos envolvidos. São oito anos de história. São dois filhos lindos gerados. Foi muito aprendizado. Há muita cumplicidade. Enfim, essa é a MINHA vida, e essa foi a MINHA escolha.


2.       Separar ou não separar, botar na rua ou não




Eu, Polyanna, não tenho coragem de dizer para ninguém: “se separe, que seu marido vai buscar recuperação” ou “bota o seu filho para fora de casa, que ele toma jeito”. Por que não tenho essa coragem? Porque não conheço o seu marido, nem o seu filho. Pode ser que esse “fundo de poço” o leve a reagir e a buscar ajuda, mas também pode ser que isso traga resultados desastrosos. E aí? Você, familiar, está preparado para isso? Saberá conduzir sua vida adiante, sem culpa?

Qual é o meu conselho aqui? Busque ajuda! Quando você busca ajuda, começa a se “desligar” do adicto. Começa a se redescobrir. A enxergar os seus próprios limites. Seus próprios desejos. A mudança tem que acontecer de dentro para fora, e não o contrário. Não adianta tomar atitudes drásticas para mostrar aos outros, se por dentro você continua extremamente ligada ao adicto.

Se o seu familiar adicto age com violência, ou coloca em risco a própria vida ou a vida de quem convive com ele, acho que uma medida radical deve ser tomada sim. Mas, se não é esse o caso, ainda acredito que a família indo a grupos de apoio, e fazendo terapia, conseguirá um ponto de equilíbrio, e passará a ter atitudes assertivas que poderão inclusive colaborar na recuperação do outro.

Se isso não for suficiente, e se o seu desejo é realmente o de se afastar, você estará pronta para isso. Então faça isso, sem culpa.

O que sempre digo é: o que você QUER para você? Descubra isso, e corra atrás disso. Eu nunca quis me separar. Já me afastei duas vezes dele, em atitudes desesperadas de tenta-lo fazer acordar. Deu certo. Nas duas vezes ele buscou internação. Mas, também poderia ter dado errado. Portanto, não tenho como dizer que porque deu certo com meu esposo, dará com o seu familiar também. Lembre-se, cada um, cada um.

Apenas não passe por cima de si mesma. E não permita que ninguém faça isso com você. Não vejo mal nenhum em amar alguém, ao contrário, acredito muito no amor. Entretanto, se você não SE ama, aí sim, haverá um grande problema.

Se você se amar, não precisará de ninguém para te dizer o que fazer, pois saberá respeitar os seus limites, e conduzir sua própria vida, em paz, em qualquer caminho que escolher.

Nesse caso, erga sua cabeça, assuma suas escolhas, e “beijinho no ombro” pra quem quiser falar.

Mas, vou adiantando que em um relacionamento com um adicto, só amor não basta. Precisamos de força para nos cuidar e não adoecer também. E de força para buscar conhecimento sobre o assunto, a fim de não sermos facilitadoras(es) da doença deles.

Então é preciso AMOR-PRÓPRIO, LIMITES, BUSCAR AJUDA, BUSCAR INFORMAÇÃO,  e tudo isso somado ao amor ao outro, e à compreensão, pode sim dar certo, se ambos desempenharem os seus papéis.


3.       Traição




Acho que a insegurança ronda 99,9% das mulheres que se relacionam com dependentes químicos que não estão em recuperação.

E com razão, afinal, a droga afeta o ponto do cérebro responsável pela ponderação. Além disso, os sumiços constantes acabam gerando desconfiança.

Muitos dependentes químicos traem? Sim.

Todos dependentes químicos traem? Não.

Nesse caso, cada um conhece o seu próprio familiar, suas características, os locais que ele frequenta, etc.

Tenho uma relação de confiança com o meu marido, embora seja bem ciumentinha.

Então, para quem pergunta se eu perdoaria uma traição, afirmo que sim. Perdoaria, mas não conseguiria mais confiar. E uma boa relação não existe sem confiança. Portanto, acho que não conseguiria continuar junto.

Mas, mais uma vez eu digo, cada um sabe de si!

A droga acaba sendo uma amante também, né? Muitas vezes fui trocada por ela, e acabei perdoando... Vai saber!


4.       Ibogaína




Meu marido nunca fez o tratamento com ibogaína, em razão do custo elevado.

Há alguns anos atrás conversei com a Psiquiatra que é dona da clínica que faz esse tratamento, em Curitiba. E também com o médico que faz a aplicação, em São Paulo. Assisti um DVD com alguns depoimentos, e fiquei muito animada.

Entretanto, ela não “cura” a dependência química. Pelo que entendi, ela retira os sintomas da fissura. Mas, ainda ficam outras questões de caráter, compulsão, etc, para serem tratadas. E como qualquer outro tratamento, depende do QUERER do adicto para dar certo.

Quem quiser saber mais, CLIQUE AQUI, e acesse o blog sobre essa planta e tratamento.

No entanto, não acreditem nessas propagandas enganosas que prometem “a cura para a dependência química”, pois tem muita gente gananciosa querendo se dar bem às custas da nossa dor e ingenuidade.


Queridas(os), é isso. Essa é a minha opinião sobre esses assuntos. Busquem opiniões de outras blogueiras, e de profissionais também. E, sobretudo, ouça a si mesma(o), confie em si mesma(o), e peça orientação a Deus, pois Ele também fala conosco...

Beijo no coração!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aprendendo a velejar!



Boa tarde!

Tudo bem com vocês?

Comigo tudo em paz, e com minha família também, graças a Deus!

Hoje meu esposo saiu cedinho para o trabalho, e eu estava deitada, o observando, sem que ele notasse.

Ele havia deixado um café com leite sobre a bancada da cozinha para mim. Foi no quarto das crianças, e vi quando ele cobriu o nosso filho do meio. Em seguida, fez o mesmo com o caçulinha que dormia em nossa cama. Me deu um beijinho, e se foi.

É isso. Dias normais. Estamos enfrentando um problema grave, mas não é nada relacionado a drogas, nem ao nosso casamento. E sei que vamos superar.

Acho interessante quando me perguntam: como você pode ser feliz, convivendo com um dependente químico?

É importante destacar que não sou casada com um dependente químico. Sou casada com um homem maravilhoso, que sofre de dependência química, e que não se entrega a ela. Ele é muito mais do que a sua doença. E não desiste da sua luta.

Mas, independente dele, o bom mesmo é que aprendi a viver a minha vida, feliz.

E quando digo que sou feliz, não quero dizer que não há desafios, lágrimas, obstáculos ou cansaço. Há sim. Mas, ainda assim, levo uma vida feliz.

Acredito em uma felicidade que é acessível a TODOS, bastar querer, se apegar a ela, e valorizá-la.

Olhando para mim, vejo uma Polyanna mais feliz, desde que passei a ser mais positiva, a valorizar mais as coisas boas que Deus me dá todos os dias, a alimentar a minha fé, e sobretudo, desde que aprendi a acreditar mais em mim mesma e em meus ideais.

Querem uma dica? Parem de olhar para a “casa da vizinha”. Parece que na casa dela tudo é perfeito, né? Ela não tem familiar adicto, parece que para ela tudo é tão fácil... Ilusão! Certamente ela também tem os seus próprios desafios.

Cuidado também com as redes sociais. Elas te farão muito mal, se você não souber utilizá-las. Por favor, não acredite nas fotos maquiadas, sorridentes e festeiras. Isso nem sempre é real! Somente cada um sabe o que carrega no dia a dia.

Também não acredite nos roteiros de novelas.

A vida é mais que internet e TV. É algo real e palpável que acontece ao seu redor, pertinho de você, todos os dias, composta por alegrias e tristezas. Mas, ainda assim, ela nos propõe a felicidade, todos os dias.

Cada um tem a sua própria dor e desafio. E nós, familiares de dependentes químicos, também temos os nossos. Mas, ainda assim, podemos ser felizes. Só depende de nós e de nossas escolhas.

Quando aceitamos a nossa vida como ela é, e damos graças pelas dádivas recebidas, abrimos as portas para a felicidade real, e para a paz.

Gostaria de deixar um texto do Augusto Cury para vocês.

A vida é uma grande universidade, mas pouco ensina a quem não sabe ser um aluno...

Ser feliz não é ter uma vida isenta de perdas e frustrações. É ser alegre, mesmo se vier a chorar. É viver intensamente, mesmo no leito de um hospital. É nunca deixar de sonhar, mesmo se tiver pesadelos. É dialogar consigo mesmo, ainda que a solidão o cerque.

É ser sempre jovem, mesmo se os cabelos embranquecerem. É contar histórias para os filhos, mesmo se o tempo for escasso. É amar os pais, mesmo se eles não o compreenderem. É agradecer muito, mesmo se as coisas derem errado. É transformar os erros em lições de vida.

Ser feliz é sentir o sabor da água, a brisa no rosto, o cheiro da terra molhada. É extrair das pequenas coisas grandes emoções. É encontrar todos os dias motivos para sorrir, mesmo se não existirem grandes fatos. É rir de suas próprias tolices.

É não desistir de quem se ama, mesmo se houver decepções. É ter amigos para repartir as lágrimas e dividir as alegrias. É ser um amigo do dia e um amante do sono. É agradecer a Deus pelo espetáculo da vida...

Quais dessas características você possui?

Quem conquista uma vida feliz?

Será que são as pessoas mais ricas do mundo, os políticos mais poderosos e os intelectuais mais brilhantes?

Não! São os que alcançam qualidade de vida no palco de sua alma. Os que se libertam do cárcere do medo. Os que superam a ansiedade vencem o mau humor, transcendem os seus traumas. São os que aprendem a velejar nas águas da emoção.

Você sabe velejar nessas águas ou vive afundando?

(Dez Leis para Ser Feliz – Ferramentas para se apaixonar pela vida – Augusto Cury).




Vamos juntas(os), um dia de cada vez, aprendendo a velejar nessas águas, e a ser felizes! Você também vem, não é mesmo?! Por favor, não desista...


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Beijos.

Fiquem com Deus!