domingo, 30 de março de 2014

Palestra sobre codependência, com Polyanna P.

Bom dia, queridas(os)!

Tentei publicar a palestra inteira, mas não consegui, pois são quase duas horas de vídeo. Então vou deixar uma parte dela aqui para vocês, e aos poucos vou postando. Espero que gostem!

Beijos!

E s'imbora curtir o domingão, hein!



Parte 1


Tem uma versão do vídeo que está bem melhor, e traz o início da palestra, sem cortes. Muito importante essas informações (história, características, sintomas e fases da codependência). Todo familiar de dependente químico deveria ver. CLIQUE AQUI  e veja.

Fiquem com Deus!

sábado, 29 de março de 2014

Quanto mais gente multiplicando, melhor!

Bom dia!

Como estão vocês?

Espero que bem, e buscando ajuda...

Ontem se encerrou o III Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias. Gente, é indescritível o que sinto a cada edição desse curso.

São profissionais e familiares, juntos, debatendo informações úteis, a fim de levar ajuda a quem precisa. Simplesmente lindo! Todos os palestrantes são voluntários, o que faz a coisa ser feita ainda com mais amor.

Fiquei devendo os últimos três dias do curso para vocês. Não é mesmo?

A quarta-feira foi aberta com a palestra de Roberto Cavalcanti, do Amor-Exigente, que contou um pouco da história do grupo, falou sobre limites, educação de filhos, e sobre os 12 Princípios do AE.


Roberto Cavalcanti, do Grupo Amor-Exigente.


Na sequência, ouvimos o Dr. Leonardo Moreira, que embora seja o Subsecretário de Políticas sobre Drogas do DF, e um Psiquiatra muito conceituado, Especialista em Dependência Química, é alguém muito simples e acessível. Sua palestra foi rica de informações técnicas sobre a dependência química, e também sobre o papel da família. Ele extrapolou meia hora do horário do fim da aula, para atender aos interessados que continuavam a fazer perguntas. Achei muito bacana!


Dr. Leonardo Moreira, sabe muito!

Na quinta-feira, o R.S., um adicto em recuperação há mais de 05 anos, trouxe a sua palestra: Motivação e Disciplina na Recuperação. Ele envolveu todo o público ao contar da sua garra para se recuperar.


R.S., história linda!

Na sequência, foi a minha vez. Levei a palestra: Codependência, a doença da família. A primeira parte da palestra foi teórica, com conceitos e história da codependência. E na segunda parte, fiz uma partilha sobre a minha experiência de vida.


Polyanna, falando sobre a codependência.


Ao final, recebi muitos abraços, fotos, carinho, agradecimentos... Mas os olhinhos marejados de uma senhora de quase 80 anos, pegando em minha mão e dizendo: “Minha filha, que testemunho lindo esse seu. Sofro com meu filho que usa drogas. Mas agora sei que esse problema não é meu, é dele. Agora vou cuidar de mim...” foi inesquecível!

Sensação inenarrável.

Antes de falar do ultimo dia do curso, queria contar sobre a blusa que usei para palestrar.

Sei lá por que, um dia acordei com a ideia de comprar uma camisa com a palavra FÉ para usar na palestra. Andei, andei e não achei. Daí, em uma loja pequena, perto de onde moro, adentrei e perguntei ao dono: tem alguma blusa com a palavra FÉ? E ele disse que não. Quando eu estava saindo, vi uma blusinha preta no manequim, que estampava várias palavras positivas: SAÚDE, GENEROSIDADE, FAMÍLIA, AMOR e várias outras... mas, não tinha fé. Ok. Achei a blusa linda, e pensei: com essa blusa, mesmo calada, já estarei levando a mensagem... Comprei.

Na noite anterior à palestra, deixei minha roupa pendurada em cabides, na área de serviço do apartamento onde moro. Quando acordei, pela manhã, ao olhar para a blusa, de longe, vi uma grande palavra FÉ! Todas as palavras juntas formavam a palavra fé, e eu não havia percebido. Gente, me arrepiei! E pensei: obrigada, meu Deus, por me mostrar que realmente é preciso ter fé, mesmo quando desistimos dela!


Fé!!!

Demais, né?

Continuando sobre o curso, a penúltima participação foi do grupo Nar-Anon, levando aquela mensagem maravilhosa de recuperação!


Acesse: www.naranon.org.br


No intervalo, os participantes, além do coffe-break, tiveram a oportunidade de visitar o palco da copa do mundo em Brasília, a arquibancada do estádio Mané Garrincha, afinal, o curso foi dado na sala de imprensa do Estádio.


Visitando a arquibancada do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha


E pra fechar, a Psicóloga e Especialista em Dependência Química, Patrícia Aires, fez um debate com os participantes, sobre Dependência Química e Codependência. Muito alto astral, dinâmica, e engraçadíssima, ela respondeu a todas as perguntas e nos fez refletir bastante.


Psicóloga Patrícia Aires, ela é demais!


Uma média de 130 novos multiplicadores foram formados. Sensação gostosa de missão cumprida. Agora cabe a cada um levar adiante o que foi apreendido. E espero que muitos dos familiares presentes continuem buscando ajuda.


Alguns dos novos multiplicadores e equipe.


O próximo curso será de 19 a 23/05/2014!

Conforme prometi, depois voltarei para postar o vídeo da palestra sobre codependência para vocês.

E no decorrer das postagens, vou multiplicando com vocês as informações apreendidas no curso. Muuuitasss!

Beijos.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Multiplicando!



Bom diaaa!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, graças a Deus, tudo bem.

Após aquele “incidente” do dia 10, aos poucos, tudo foi voltando para o seu devido lugar aqui em casa.

Nesta semana, a Secretaria na qual trabalho está realizando o III Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias, do Projeto Ame, mas não sofra!, um projeto voltado aos familiares de dependentes químicos.

Embora eu atue como “coordenadora”, “idealizadora”, “colaboradora” ou sei lá o que, na verdade, sou apenas mais uma familiar de dependentes químicos, e me sinto feliz e emocionada ao poder levar informação de qualidade, com profissionais qualificados, e também levar acolhimento, carinho e atenção àqueles que estão sofrendo com a adicção de alguém querido.

Entretanto, mesmo sendo uma atuação em meu trabalho, preciso sempre estar atenta à minha tendência codependente de ser. Nesses dias, por vezes, não me alimento direito, perco o sono, não descanso, pensando em como poderei ajudar àquela gente... Ai, Poly, quando é que você vai aprender que tem coisas que só Deus pode fazer?!! Um dia eu aprendo... Rs.

Queridas(os), muitas(os) de vocês me enviam mensagens perguntando se esse curso irá para outros estados, ou se será disponibilizado à distância. A princípio, ele é apenas presencial, em Brasília. Essa edição está sendo realizada na sala de imprensa (auditório) do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Entretanto, posso sim verificar a possibilidade de disponibilizar o material a quem esteja interessado (link), e amanhã, que será a minha palestra, tentarei filmar, e postar o vídeo pra vocês. O que acham?

Resumindo um pouquinho dos dois primeiros dias, ontem o curso começou com a solenidade de abertura. Estavam presentes o Secretário de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF, Alírio Neto, o Secretário de Estado de Saúde do DF (Adjunto), Elias Fernando Miziara e o Subsecretário de Políticas sobre Drogas, Leonardo Moreira.


Da direita p/ esquerda: Subsecretário Leonardo Moreira, Secretário de Justiça Alírio Neto, Secretário de Saúde Elias Miziara, Alexandre, intérprete de libras, e Érica Teles, a cerimonialista. 


Na hora da execução do Hino Nacional, eu que já estava super emocionada ao ver aquele auditório com mais ou menos 140 participantes, fiquei realmente arrepiada ao ver pela primeira vez a execução do Hino em Libras (linguagem de surdos). Gente, que coisa mais linda! Nunca vi alguém traduzir em libras com tanta emoção. Demais!

Na sequência, as autoridades falaram um pouco sobre o que se tem feito, a título de políticas públicas, na luta contra as drogas.

A primeira palestra foi de “Prevenção ao Uso de Drogas”. O Secretário Alírio Neto mostrou aos presentes a palestra que ele e sua equipe têm ministrado nas escolas e empresas, em um trabalho preventivo. Sua palestra traz informação, imagens chocantes e música. Achei realmente bacana a didática adotada por ele, e acredito (e torço!!!) que esse trabalho que já foi levado a quase 400.000 pessoas aqui no DF, ajude a impedir que as drogas alcancem muitos desses lares.


Secretário de Justiça, Deputado Distrital, Presidente do Comitê de Enfrentamento ao Crack, e Ator, Alírio Neto.


Depois, tivemos um coffee break (delícia!), afinal, essas famílias merecem o nosso melhor!

A segunda palestra foi com a Especialista em Psicologia Transpessoal Antonia Nery, que veio mostrar como a família pode ser um fator de proteção, a fim de impedir o uso indevido de drogas de seus adolescentes e jovens.


Antonia Nery, Especialista em Psicologia Transpessoal e palestrante.


Ontem, no segundo dia, a primeira palestra foi ministrada pela equipe do Al-Anon (Grupos Familiares de Apoio aos Familiares de Alcóolicos). Que coisa linda! Eram três esposas de alcóolicos, sendo que duas são viúvas, e ainda hoje, continuam no grupo, demonstrando sua gratidão pela mudança de vida alcançada, e ajudando a outros.




E a segunda palestra foi dada pelo Dr. Evandro Faganello, Psiquiatra Especialista em Dependência Química. Gente, a palestra dele é fantástica. E uma das coisas que achei muito interessante foi quando ele disse: “Preciso usar a fé no exercício da minha profissão. Apenas 3% consegue se manter limpo por mais de 12 meses, então a cada atendimento, eu uso a minha fé. Acredito! Já vi verdadeiros milagres acontecerem...”




Aproveito as palavras do Dr. Evandro para citar a frase de Guglielmo Marconi, físico italiano, e inventor da telegrafia sem fio: “Declaro com ufania que sou um homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como cristão, mas também como cientista.”

Como já falei algumas vezes aqui no blog, não me apego a essas estatísticas demonstrando os índices de recuperação de adictos. É uma doença crônica? É. É difícil? É. É doloroso? É. Os índices são baixos? São. Ok. Já sei disso. Não posso fechar os olhos para isso, para não cair na negação ou na alienação. Mas, agora que sei de tudo isso, faço a minha parte, cuido de mim para que eu não adoeça também, busco informações, e sobretudo, aciono a minha fé!

Bom, voltando ao curso, ontem o público participou bastante com muitas perguntas, e recebi um montão de abraços! Ah, e ainda tive o prazer de rever um companheiro do Nar-Anon, pai de uma jovem adicta, que está fazendo o curso.


Eu (de pé), Cléo, Elcy e Ivanir, parte da equipe do Projeto. ♥♥♥


Hoje tem mais! E amanhã, terei a missão de mostrar aos presentes o que é a codependência e como ela nos “enlouquece”... 

Depois voltarei com mais novidades... E se tudo der certo, postarei o vídeo da palestra pra vocês, afinal, o objetivo é multiplicar!

Grande beijo a todos!

Se cuidem!

E muita serenidade, só por hoje...

domingo, 23 de março de 2014

Uma questão de fé!



Recuperação é possível, basta querer de verdade!
(Odilon Santos, Pastor, limpo há 17 anos)


O jovem, e o adolescente, é muito dinâmico. E eu passei por uma fase na minha vida de muita curiosidade, por ter nascido em um lar evangélico, dentro da igreja. Então ouvia os amigos dizerem “eu fiz isso, fiz aquilo”, e a curiosidade começou a brotar dentro de mim. Ninguém me apresentou nada, foi uma curiosidade que nasceu, e eu dei uma brecha. A Bíblia diz que o Diabo está ao nosso redor, tramando como um leão. E então, pela curiosidade, fui me aproximando de pessoas que não deveria me aproximar. E quando fui ver, eu já estava enrolado, entrelaçado, e no fundo do poço. Durante onze anos fui escravizado pela cocaína e pela maconha, mesmo sendo um filho de pastor.

Cheguei a pedir para ser internado. Eu havia me tornado um dependente químico, e não conseguia ficar nenhum dia sem usar droga. Eu já estava em uma situação muito complicada, ao ponto de fazer coisas terríveis para adquirir a droga.

Em Salmos 119 diz: “Escondi a Tua palavra no meu coração, para não pecar contra Ti”. Fui liberto através de Jesus, e através da Palavra. A Palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho. Jesus é Aquele que liberta por completo. E foi assim que voltei a viver de novo.

O viciado em drogas é um escravo. Ele não consegue usufruir as coisas boas da vida. Não consegue, por exemplo, ir a uma praia, sem pensar em levar um baseado. Ou seja, não consegue usufruir nada do que Deus nos deixou, sem usar a droga. Então quando Jesus te liberta, você consegue voltar a viver, e a curtir tudo o que Deus nos deixou. E essa libertação veio a mim por meio da Palavra de Deus, e também de muito esforço. É preciso fazer uma aliança com Deus e com a Sua Palavra, e buscar uma igreja.

Hoje estou livre há mais de 17 anos, e ajudo outras pessoas que passam por isso.

Minha esposa foi um presente de Deus na minha vida. Ela é minha esposa, minha amiga, minha companheira. Me emociono ao falar dela porque, realmente, ela foi um presente. Se fosse outra pessoa, acho que não aguentaria, porque no início do nosso casamento, tive uma recaída muito grande, permanecendo durante um ano. E ela não desistiu. Ela sempre creu em um Deus que tudo pode. Eu mesmo cheguei a falar para ela: “Querida, vou lhe dar um conselho. Pegue a sua roupa, faça a mala, e volte para a casa de seus pais. Porque eu não tenho mais jeito. Já tentei de todas as formas, e não consigo. Então vou continuar usando, e você não merece passar por isso.” Nesse dia, ela falou palavras de fé a mim, e eu ri. Eu não acreditava.

Entretanto, hoje, estamos casados há 18 anos. Estou livre das drogas há 17 anos. Ela canta, eu prego, e juntos levamos a Palavra de Deus.


Relato da Esposa de Odilon Santos

Nos casamos no dia 9 de dezembro de 1995. Desta data até completar um ano de casada, chorei todas as noites. Logo quando nos casamos ele disse: “Já tentei sair das drogas, tentei, e não vou conseguir sair nunca. Então você decide ficar casada com um viciado ou se separa. Não vou largar as drogas. Eu gosto e me sinto bem. Tanta gente no meio artístico consegue continuar vivendo assim, então, vamos conseguir.”

Ouvir isso foi a pior afronta que já recebi na minha vida! Era como se o Diabo estivesse falando comigo. Então, percebi que a minha luta não era contra o meu marido, mas contra o Diabo. Precisava usar armas mais poderosas do que brigar e argumentar, precisava fazer uso da oração.

As pessoas percebiam que algo estava errado, mas não comentavam nada sobre o assunto.

No meio de tudo isso, recebi o convite de gravar meu primeiro CD. Uma das músicas que estaria no novo CD seria a canção “Tira-me do vale”. Então fui ao banheiro da gravadora e disse a Deus: “Como eu vou cantar essa música se ela ainda não é verdade na minha vida? Como vou cantar essa canção se eu tenho vivido no vale desde o início do meu casamento? Dá-me um sinal de que há esperança. Eu não aguento mais!”

Depois de ter cantado a música, senti que Deus faria algo. Então cheguei em casa de madrugada e ele novamente não estava (geralmente estava no morro neste horário). Mesmo não o vendo no nosso lar, senti uma confiança no coração. Deus havia me consolado de uma forma especial durante a minha oração. O Espírito Santo me tocou para orar pela vida dele.

Fiquei em oração por ele. Quando deu três horas da manhã, ouvi o barulho do carro chegando no estacionamento. Ele havia chegado totalmente atordoado. Havia tido um problema no “morro” e estava decidido a morrer. Saiu de lá com o carro em alta velocidade. Então, ele entrou no quarto e ajoelhou ao lado da minha cama e disse: “Ore por mim. É para você orar pedindo a Deus para me levar ou me libertar, porque do jeito que estou, eu não aguento mais.”

Então, fiz essa oração de entrega. Foi horrível porque eu não queria que Deus o levasse, mas fiz como ele havia pedido. Depois desse incidente, ele foi para um retiro espiritual e eu fiz uma viagem para Macapá. O local onde meu marido estava não tinha telefone, então não tinha como me comunicar com ele, sendo assim, ficamos quatro dias sem nos falar.

Fiquei todo esse tempo em oração. Fiquei receosa se no momento em que chegasse o encontraria morto porque ele poderia fugir do sítio e voltar para o morro.

Em uma das noites do congresso em Macapá, uma mulher se levantou, colocou as mãos na minha cabeça e disse: “Por que se preocupa com quem você deixou em casa? Quando você voltar terá uma grande surpresa e Deus os usará muito!” Naquele momento percebi que realmente era Deus que estava no controle e que não podia fazer nada.

Quando voltei para casa, vi que meu marido não estava em casa. Meu coração estava acelerado, porque mesmo tendo uma palavra de Deus, tinha receio dele estar no morro. Fui até a casa de sua mãe, e vi que estavam todos reunidos. Havia muita alegria e presença de Deus na casa. Olhei para o meu marido, e ele parecia outra pessoa. Havia sido renovado no Espírito Santo e liberto.

Ele nunca mais usou drogas, já faz 17 anos. Foi consagrado a diácono, posteriormente a pastor. Nossa vida foi transformada e tivemos dois filhos. 

Hoje ele dirige uma filial da igreja e eu o ajudo com o trabalho ministerial.

Gravei recentemente a música “Profetiza”, do CD “Jesus, o Brasil te adora” como homenagem aos pais do meu marido, que sofreram tudo isso durante o período em que ele usava drogas. Faz referência também a todas as famílias que têm sofrido esse dilema diariamente.


Odilon, Eyshila e seus dois filhos.

***

A história de hoje é de um casal muito conhecido no meio cristão: Odilon Santos e sua esposa Eyshila.

Sempre gostei das canções da Eyshila. Mas, não sabia da sua história ao lado do seu esposo. Conheci essa história por meio de uma leitora do Blog, que me enviou um e-mail, fiquei realmente emocionada com o relato, mas ainda não havia encontrado o momento de postá-lo aqui no blog.

E é com essa história que termino essa série Recuperação é possível, basta querer de verdade!.

Nessa série vimos a história de uma ex-usuária de merla que encontrou a recuperação em uma internação, e no N.A. (clique aqui); a história de um ex-usuário de crack que encontrou a recuperação, sem internação, indo ao N.A. todos os dias durante três anos (clique aqui); a história de um ex-usuário de álcool e drogas, que encontrou a recuperação em uma sala de A.A. (clique aqui); a história de um ex-usuário de cocaína que encontrou a recuperação na internação em uma comunidade terapêutica (clique aqui); e por fim, um ex-usuário de cocaína e maconha, que encontrou a recuperação em um retiro da igreja.

E todos eles, sem exceção, em seus relatos falam da necessidade de uma decisão, de um grande esforço, e sobretudo, de ter Deus em suas vidas, para que essa recuperação dê certo.

Espero que tenham gostado...

Quanto a mim, sigo acreditando!

Grande beijo!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Um presente lindo de Deus!



Boa noiteee!

19 de março, dia mais que especial!

Dia em que fui presenteada com o meu caçulinha...

JV, parabéns por seus 02 aninhos, meu filho!

O significado do seu nome diz que você foi acrescentado por Deus, e simboliza a vitória. E é verdade!

Amorzinho, te amo muito. E desejo que Deus derrame toda sorte de bênçãos sobre você, hoje e todos os dias da sua vida!

Sei que às vezes reclamo por você ficar subindo em tudo, pelos biscoitos e sucos derramados pelo chão, pelas noites de sono interrompidas, por sua mania de derramar os shampoos, pelo "mamama" o tempo inteiro... Mas, eu não saberia viver sem isso...

Deus te trouxe para acrescentar alegria e trazer mais força para vencermos os desafios...

Obrigada, Senhor, pela vida do nosso caçulinha!

Te amo demais, bebê! (Oinnnn, já está deixando de ser bebê!)

Caramba, parece que foi ontem que eu dava a notícia aqui no blog, sobre a gravidez... Lembram?

E agora, mal consigo postar, com ele puxando meu braço, ou subindo na estante atrás de mim...

Tentarei postar amanhã a ultima história da série Recuperação é possível, basta querer de verdade!

Fui!!!

Beijos.



 Meu programa de todas as noites, o preferido do baixinho!

terça-feira, 18 de março de 2014

Mais consciente, mais humano e mais cristão!



Boa tarde, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Estou em uma semana bem corrida, às vésperas da terceira turma do curso às famílias, que dessa vez terá mais de 200 participantes. Estou bem feliz e ansiosa nesse trabalho, torcendo para que leve ajuda a muitos que precisam e anseiam por recebê-la.

Amanhã meu caçulinha completará dois aninhos! Partimos o seu bolinho no domingo, na casa da minha irmã, com alguns amigos que não via há muitos anos. Foi uma tarde muito agradável.

Quanto ao meu esposo, ele segue limpo, travando suas lutas diárias. Após uma recaída, leva tempo até que tudo volte ao seu lugar (emocional, psicológico, família, trabalho, sonhos).

E eu estou aqui, orando e torcendo para que ele consiga vencer, sair desse ciclo, e dar passos adiante em sua vida. E sigo vivendo a MINHA vida.

Gente, hoje temos uma história linda de recuperação! O J.A. foi um dos primeiros a seguir o blog Amando um Dependente Químico, e é o autor do Blog Limpo Apenas Hoje, CLIQUE AQUI, para conhecer o blog dele.

Obrigada pela participação e pela força sempre, J.A.! TMJ!

Leitoras(es), quero deixar claro que a minha intenção ao trazer essas histórias não é a de alimentar falsas esperanças em ninguém. Certo? Afinal, o nosso familiar só vai ter uma história dessas para contar, quando (e se) ele realmente quiser isso. Então, ao ver essas histórias podemos ter esperanças sim, sabendo que o outro tem capacidade para mudar, e que ele não é nenhum coitadinho. Fé sempre! Mas, isso não quer dizer que devemos anular nossas vidas, e viver sofrendo ao lado de um adicto, esperando pela sua mudança... Não é nada disso. Ok?

E após encerrar essa série, o blog volta ao normal: Foco em NÓS, familiares!

Acho que minha intenção está clara para a maioria, né?




Recuperação é possível, basta querer de verdade!
(J.A., Professor, 38 anos, limpo há mais de 05 anos)

Fui uma criança e um jovem de classe média. Aparentemente tive tudo o que precisava no campo material, mas percebi, no início da minha juventude, um problema terrível na minha casa: a falta de diálogo.

Na minha cabeça de 14 anos, criara-se um muro intransponível entre eu e meus pais. Era o filho mais velho. Meu irmão tinha apenas 9 anos. Enfim, não tinha com quem conversar.

Estudava em um colégio de orientação religiosa. Na época, tinha poucos amigos e a autoestima baixa. Financeiramente estávamos vivendo momentos difíceis.

Nessa época, andava de skate e, por meio de alguns da turma, fui apresentado às bebidas, ao cigarro e ao loló. Logo falei para minha mãe que estava fumando. Ela, na ocasião, me disse que tinha mais o que fazer ao invés de me vigiar e, como fumante, sabia que o cigarro era ruim e não me aconselhava. Só.

Aos poucos fui aprendendo a malandragem das ruas. Algumas brigas de turma, época dos cavalos de pau, bebedeiras que varavam pelo menos dois dias e assim foi indo. Aos poucos perdia o controle e nem me dava conta. Tolamente, achava que isto era autoafirmação. Aos quinze anos, deixei-me reprovar no 1º ano do Ensino Médio. Fui expulso da escola ao final do período letivo.

Embora tivesse grande facilidade em aprender as coisas, não me esforçava para tanto. A maconha chegou quando tinha uns 16 anos. Associava a maconha a uma atitude meio hippie de ser. Lemas desgastados e tolos do tipo "sexo, drogas e rock roll" marcaram minha cabeça. Meus ídolos eram todos adictos e que tinham morrido quase sempre de uma overdose, como Jim Morrison e Janis Joplin.

Tolamente me deixei levar por ilusões, banalidades.

Perdi algumas namoradas por causa das drogas. Sempre tentava conciliar o que esperava ser uma "vida normal" com drogas. Que nada. As mulheres que perdi, hoje percebo, acabaram me vendo, por conta das drogas e bebedeiras, como um perdedor, um sem futuro. Quem quer namorar um sem futuro? Mas eu não conseguia ver isto, que para mim hoje é tão óbvio.

Aos 17 para 18 anos, veio o primeiro contato com a cocaína. Sinceramente, não senti lá essas coisas e continuei mesmo na maconha e bebidas.

Vez ou outra me via obrigado a parar com esta vida não por mim, mas por situações e/ou pessoas. Quase sempre namoradas. Lembro-me que quando comecei a namorar com minha esposa, ela colocou que namoro com drogas não dava.

Parei, por um tempo, não por mim, mas apenas para manter o namoro. Claro que a mentira de ter parado vinha à tona vez ou outra, e eu, que já era um adicto e não sabia, fazia juras e juras que no íntimo sabia que não conseguiria cumprir.

Não conseguia me manter limpo de forma consistente e duradoura. Isso me desesperava. Ao retirar as drogas, ficava um vazio enorme que eu substituía por trabalho ou estudo.

Várias coisas da minha vida foram ficando de lado. Já tinha saído de casa e precisava me virar. Recebi muita ajuda de minha esposa (na época namorada) e sua família. Trabalhava pela manhã, tarde, noite e fins de semana. Estava iniciando em minha profissão e precisava estar consolidado. Mas, em meio a tudo isto, vez ou outra, a droga. Lembro que nesta época, eu e um conhecido, fizemos uma farra de cocaína por vários dias e, em uma noite só, quase tive uma overdose. Foi por pouco. Nesta hora pedi a Deus que não morresse, pois mudaria de vida. Mentiras e ilusões.

Perdi o interesse pelo meu curso superior e o deixei de lado por mais de dois anos. Perdi-o, retomei-o, perdi-o novamente. Tinha uma grande facilidade em ganhar dinheiro e mais ainda para mandá-lo para o espaço. Minha vida não tinha controle, não tinha consistência.

No início de meu casamento, substitui as drogas por muito trabalho, mas ela vez ou outra aparecia. Por esta época, deixei a maconha de lado pela visibilidade que dava quando eu a usava. Iniciou-se a época dos comprimidos.

Minha esposa encontrou, casualmente, algumas cartelas de comprimidos vazias. A princípio, consegui despistar, mas a mentira não perdurou muito. Mais uma vez mentiras e ilusões criadas. Apenas ilusões.

Não estava percebendo a real dimensão de meu problema. Substituía a droga pelo trabalho, pela família ou qualquer outra coisa. Não assumia que tinha problemas e limitações, que não poderia usar drogas, e não achava que precisava de ajuda. Minha autossuficiência e meu orgulho estavam me matando, pois me impediam de assumir para mim que era um dependente e que precisava me tratar.

Quando passei para a cocaína, achava que conseguiria ter controle. Ora, se eu podia "disfarçar", por que não poderia controlar? No começo desta fase, era muita empolgação, mas o pior estava sendo construído e eu não percebia que cavava meu poço. Aos poucos veio a fase negra, como a depressão, a vontade de me matar, as crises de choro (vária vezes chorava só, não querendo usar, mas acabava usando). 

Recordo-me de uma vez que o impulso para me matar foi tão forte (estava só / minha esposa e filhos estavam viajando) que tomei vários comprimidos de Dramin para apagar e não fazer nenhuma besteira. Estava transtornado, ouvindo vozes, olhando pelas frestas da porta achando que alguém estava me procurando, tendo algumas alucinações. Por esta época, meu consumo era exorbitante e financeiramente estava um caos. Embora não saísse com nada de casa para vender ou empenhar no traficante, meu salário todo e mais os extras e empréstimos eram aspirados diariamente. Passava de três dias sem dormir, me isolando, me idiotizando (não conseguia falar coisa com coisa).

Sinceramente, ao recordar um pouco deste período, não consigo encontrar nada de proveitoso. Estava completamente destruído. Olhava-me no espelho e não sabia quem era. Me drogava contra minha própria vontade. Hoje entendo quando dizem que a droga tira a capacidade de discernimento e o poder de decisão do usuário. Não conseguia ver ou não queria ver onde tinha me afundado e o que estava acontecendo comigo. Drogas, mentiras, ilusões e um grande vazio. Eis o que minha vida tinha se tornado. Era apenas um morto vivo perambulando.

Durante vários meses quando estava internado, ficava me perguntando por que fiz isto comigo. O que estava procurando que valesse este preço? Entendi que muitos problemas relacionados à não aceitação de algumas realidades minhas, geraram uma revolta que se voltou contra mim de uma forma autodestrutiva e de fuga. A princípio, quando dos meus 14 a 16 anos, pensava que a droga tinha sido  uma necessidade de autoafirmação, de ser aceito em um grupo. Nada disso: foi uma fuga desesperada de questões familiares e, por conseguinte, de quem eu era e do que tudo isto representava. Foi uma tentativa de destruir o que me afligia, nem que para isto tivesse que me destruir.

Tive que me perdoar por tantas coisas que fiz, para começar a buscar uma espécie de equilíbrio e de serenidade. Ainda há, claro, várias questões internas para serem resolvidas, mas consegui perceber que o caminho a ser tomado não é a autodestruição, mas o equilíbrio, a sensatez e a serenidade.  Só por hoje, me entrego a um Poder Superior e peço que ele cuide de mim. Por que não? Já que entreguei minha vida a um sentimento e um poder destruidor, por que não agora substituir isso por um poder restaurador, pela serenidade, equilíbrio e amor próprio? Só por hoje quero me olhar no espelho e saber quem sou e, principalmente, me aceitar, não ter vergonha de mim e do que estou fazendo.

Hoje estou limpo graças a um tratamento que fiz em uma comunidade terapêutica, com sede em Teresina, PI. Não conseguiria estar limpo se não fosse essa CT. Entrei lá dia 21/11/2008 e conclui meu tratamento em 20/12/2009. Sozinho não acredito em mudanças. Somos muito fracos perante nossos defeitos de caráter.

A dependência química é uma doença incurável, progressiva e fatal que tinha e não sabia. Passei muitos anos de minha vida usando drogas sem perceber a dimensão do problema.

Estava em um estado de insanidade e desequilíbrio quando fui para o tratamento. Não fui para a internação porque quis, mas porque fui pressionado. Tinha sido descoberto por minha esposa. A vergonha e a sensação de pânico tomaram conta de mim. O tratamento era a única opção que tinha naquele momento.

Não foi fácil. Lá me deparei com meu pior inimigo: eu mesmo. Alguns meses haviam transcorrido e eu ainda não tinha iniciado de fato meu tratamento, estava lá apenas de corpo presente. Descobri que qualquer tratamento para dependência química começa no admitir a minha impotência perante o álcool, as drogas e os meus defeitos de caráter. Tive que perceber que não apenas estava na lama, mas havia jogado no lixo tudo o que eu mais amava, a começar por mim mesmo.

Doeu muito sair do fundo do poço. Era como se a cada pequena conquista eu arrancasse algo podre que tinha se fixado em mim na época em que era usuário de drogas. Entendi que tinha que me perdoar primeiro por tudo de ruim que fiz para poder não apenas fazer as reparações morais que deveria, como também viver em paz com minha consciência.

Aos poucos, Deus foi me restituindo tudo que a droga havia me tirado. Se hoje estou vivo e “limpo”, é graças a Ele. Terminar o tratamento foi difícil. Após ele, uma outra etapa se descortinou diante de mim: recomeçar.

Hoje, estou limpo há pouco mais de cinco anos.

Não peço nada a Deus porque Ele já me deu tudo que poderia desejar: minha dignidade, amor próprio, fé, esperança, família e trabalho. O que mais tenho a pedir? Nada. Apenas agradeço por tudo o que Ele fez por mim. Pela manhã, faço uma oração de agradecimento e peço forças para ficar limpo durante o dia. Ao dormir, faço uma rápida retrospectiva de minhas ações e agradeço a Ele pelo dia e suas dificuldades e, especialmente, por ainda estar limpo.

Manter-se limpo não é fácil. Para isso acontecer, há um conjunto de fatores combinados: Deus, os 12 passos de NA, boa vontade, mente aberta e fé.

A sobriedade traz muitos benefícios e um deles é sentir-se vivo. Como é bom sentir a vida em todas as suas dificuldades. Não deixar, em estado de anestesia, a vida passar, mas vivê-la em seus mais belos e simples instantes. Ser agente de minha existência e não um mero expectador passivo.

Não crio grandes expectativas e desejos para com o futuro. Vivo de forma mais simples. Aprendi a encontrar a beleza no sorriso de meu filho e a felicidade em um abraço. O que mais preciso? Sinceramente, nada. Já tenho o suficiente e, ter a consciência disto faz com que eu não vá buscar, ilusoriamente, a felicidade em meio a coisas artificiais. Entendi, depois de muito sofrimento e tempo desperdiçado, que a minha felicidade está aqui dentro, comigo, e não externamente; que ela não reside no que se tem e com quem se está, mas que é, dentre outras coisas, um estado de equilíbrio e comunhão íntima com Deus. Não há felicidade fora Dele, só ilusão.

Nunca vi ninguém ter conquistas estando nas drogas. Como diz um amigo meu, companheiro de recuperação, na droga, trocamos tudo que temos de melhor por nada.

Minha vida hoje está boa. Claro que como todo ser humano tenho problemas, passo vez ou outra por uma situação complicada, mas só o fato de poder sentir a vida sem estar anestesiado já é grande coisa. Familiarmente minha vida está melhor; profissionalmente estou em crescimento – graças a Deus que tive a oportunidade de retomar minha profissão como Professor, e espiritualmente estou mais próximo de Deus. Hoje percebo como minha vida era fútil e vazia sem a presença de Deus. A cada dia, uma nova lição, um novo amadurecimento, uma nova conquista.

Muitas vezes, achamos que o sofrimento que estamos vivenciando é insuportável e eterno, que não há esperança, e que jamais as coisas irão mudar em nossas vidas. Temos que ter paciência e perseverança para entendermos que nada é duradouro e que há aprendizagem em todas as nossas vivências. Paciência, fé, aceitação e esperança são princípios básicos para mantermos nossa sobriedade.


“Após um sofrimento, moral ou físico, cada um de nós sai mais consciente, mais humano e mais cristão”. (José de Sousa Nobre)


J.A. na caminhada pela vida, com seu filho.

"Percebi que a estrada seria longa e difícil, mas tudo estaria em minhas mãos, ou pelo menos a decisão inicial de mudar o rumo que minha vida tinha tomado. Não foi fácil e instantâneo, mas não foi impossível..." (J.A.)

***

Parabéns, J.A.!

Meninas(os), tenho recebido vários e-mails perguntando sobre ibogaína, em breve falarei sobre isso novamente no blog. E também trarei outros assuntos muito questionados como: traição; e namoro com dependentes químicos.

Beijos!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Será que existe recuperação?



Boa tarde, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Estão gostando das histórias de adictos em recuperação?

A história de hoje, é do Sr. Altair. E para contá-la, extraí o texto das páginas 392 a 395, do livro Amando um Dependente Químico, que fala exatamente o que penso sobre a recuperação dos nossos familiares adictos, e sobre o nosso papel nisso tudo.

O título desse texto no livro é “Será que existe recuperação”?

Vamos à leitura? O que você acha: existe ou não existe recuperação?

“Recebi um e-mail de uma jovem, com as seguintes perguntas: “Existe mesmo recuperação de dependentes químicos? Qual é o índice de pessoas que se tratam e voltam a usar drogas? Existe algum motivo que faça com que a pessoa volte a se drogar?” 

Quando amamos um dependente químico, são tantas dúvidas e angustias que nos cercam e assombram, não é mesmo? Isso acontece porque buscamos certezas em um mundo totalmente incerto, queremos garantias onde não há. Então quando decidimos amar um dependente químico, devemos apenas amar, sabendo dos riscos e das consequências, e assumindo-os.

Vamos às respostas?

Sim, existe recuperação para os dependentes químicos, mas infelizmente não há cura para a dependência química. Assim como o diabético que até o fim de sua vida deverá ter uma alimentação regrada e outros cuidados, o dependente químico também precisa de cuidados especiais, dentre eles, manter-se longe da primeira dose e buscar um tratamento continuado.

Conheço pessoas que estão limpas há dois, quatro, onze anos, ou seja, em recuperação. Entretanto, se falarmos em estatísticas, nos entristeceremos. Os números são baixos. Meu esposo saiu de sua ultima internação há cinco meses, e todos os que saíram com ele já recaíram. É preciso muita vontade e força. É uma luta constante contra si mesmo. Não é fácil. Mas é possível. Na verdade, prefiro me apegar a outra porcentagem: se nossos amados realmente quiserem se recuperar, buscarem tratamento, e cumprirem o que é sugerido no programa dos Narcóticos Anônimos, a chance de se recuperarem é de 100%.

Mas, como pode perceber, isso não depende de mim nem de você.

Quanto aos motivos que os levam a recair são muito subjetivos. Posso te afirmar que se eles buscarem pessoas, hábitos e lugares da época de ativa, facilmente recairão. E também se tomarem bebidas alcoólicas, provavelmente buscarão as drogas. Entretanto, alguns recaem sem precisarem disso. Recaem porque estão tristes, ou porque estão felizes. Recaem por não saberem lidar com sentimentos e emoções. Recaem porque caiu uma folha da árvore, porque choveu ou porque fez sol... Infelizmente não existem porquês concretos.

O que nós, familiares de dependentes químicos, precisamos entender, é que não está em nossas mãos a chave para fazer com que eles se recuperem. Por um lado, isso nos dá um sentimento de tristeza e impotência, mas, por outro, podemos nos livrar do peso desse fardo.

Não cabe a você, nem a mim, somente a eles. Eles não são culpados nem responsáveis pela doença que têm, mas, são responsáveis pela recuperação.




Recuperação é possível, basta querer de verdade!
(Altair, faleceu aos 57 anos, e limpo há 30 anos)

“Gostaria de relatar a história de um senhor, para que tenhamos esperança. Esse senhor faleceu há poucos anos numa queda de um helicóptero. Morreu dignamente e amado por muitos. Ele fez um trabalho lindo de ajuda a dependentes químicos, durante vinte e cinco anos.

Esse mesmo senhor era dependente químico e alcoólatra. Sua família não aguentou a dor e o colocou para fora de casa. Ele foi mendigar. Chegou a vender o próprio sangue (anos 70) para comprar drogas e bebidas. Fez coisas inimagináveis para obter drogas, e sob o efeito delas.

Entretanto, um dia, no Rio de Janeiro, com seus pensamentos totalmente confusos, ele olhou para o Cristo Redentor, e falou: “Se tu realmente existes, me darás um sinal hoje!” Ali mesmo ele apagou sob efeito das substâncias.

Ao acordar, já desesperado para usar mais, começou a apalpar seus bolsos em busca de algo que pudesse trocar por mais drogas. E o que ele encontrou foi um cartãozinho dizendo: “Se você quiser continuar bebendo, o problema será seu, mas se você quiser parar, o problema será nosso!” Era dos Alcoólicos Anônimos.

De imediato ele se recordou das palavras que tinha dito em oração, e cruzou a cidade para buscar ajuda naquele endereço do papelzinho. Ele questionava muitas coisas do A.A., era resistente, e não parou com as drogas de imediato, mas, continuou voltando. Até que um dia, tomado por uma força maior do que a sua doença, ele disse a si mesmo: “a partir de hoje, nunca mais usarei droga nenhuma!” E ele cumpriu.

Sabe por quê? Porque a vontade de parar foi maior do que qualquer outra vontade. Ele recuperou sua dignidade, sua família, sua vida profissional, e ainda ajudou a muitas pessoas que sofriam do mal que ele conhecia tão bem. Se ele pôde, qualquer um pode, basta querer.

Não nos apeguemos a estatísticas. Ainda que o índice de recuperação de dependentes químicos seja baixo, eu te digo que 100% dos que querem sua recuperação mais do qualquer outra coisa, conseguem.

Por isso, embora não cultive expectativas, tenho uma grande esperança, sempre.

A escolha de continuar ou não com o seu amado está em suas mãos. Mas, a escolha de parar com as drogas somente cabe a ele."


Queridas(os), esse é o relato de hoje... Amo a história do Altair! E ainda teremos mais duas histórias nessa série.

Esses relatos vêm com o objetivo de ajudar a reacender a esperança das famílias, mostrando que existem muitos adictos em recuperação, e que se os nossos familiares realmente quiserem, eles também podem.

Entretanto, o objetivo maior desse Blog continua, que é o de ajudar a nós, familiares, a nos enxergarmos, nos amarmos e nos cuidarmos, tirando o foco da vida do outro, e colocando em nossa própria vida...

Mensagem de reflexão do CEFE de hoje: “Já tive muitas coisas em minhas mãos e perdi todas elas; mas o que quer que tenha colocado nas mãos de Deus, ainda possuo.” (Martin Luther King)

Boa tarde!

Beijos.