sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O mesmo amor e a mesma dor!


Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem?

Hoje quero dividir com vocês as matérias que saíram no jornal Correio Braziliense, durante toda a semana, sob o título Vidas Roubadas, relatando o drama de mães de dependentes químicos.

O interessante é que nessa reportagem da jornalista Thaís Cieglinski, diferente do que a gente vê por aí, o foco não estava no sensacionalismo, mas em levar informações, além de contar as histórias.

No domingo, dia 23/02, foi contada a história de Neusa de Paula. Ela luta contra a dependência química da filha mais velha, Érica, de 32 anos, usuária de crack, portadora de esquizofrenia e bipolaridade, e presa desde agosto do ano passado, por tentar agredir a mãe e o padrasto.

“Ela ficava na rua três, quatro dias. Voltava para casa louca e dizia que queria me matar. A polícia vivia na nossa porta. Os meus outros filhos viviam apavorados e começaram a ter antipatia pela irmã, medo mesmo.” Disse Neusa.

Na segunda, dia 24/02, foi contada a história de Teresa*, a aposentada de 62 anos que enfrenta a difícil batalha de tentar tirar o filho de 37 anos das drogas. De uma família de classe média, moradora do Plano Piloto (centro de Brasília), ele se tornou dependente químico ainda na adolescência e já chegou a agredir a mãe.

Seu filho, após uma internação, e diante do fato de se tornar pai, chegou a lograr três anos limpo, mas a morte repentina de seu pai, vítima de um enfarto, acabou desencadeando uma recaída. “Não pude sequer viver o meu luto. A minha preocupação era saber onde o meu filho estava. Fomos a hospitais, delegacias e até ao IML”. Ela recorda.

Em 25/02, foi contada a história de Silvana*, de 48 anos, mãe de um jovem de 20 anos, usuário de crack.

“Naquela época, não sabia nada sobre esse problema, não entendia o que era a dependência química. Achei que, se ele fosse para uma clínica, sairia de lá curado”. Conta a mãe, sobre quando descobriu o vício do filho.

Seu filho sofreu um atentado na porta de casa, em julho do ano passado, quando levou dois tiros, e ficou por mais de um mês internado. Ele segue em uma clínica de reabilitação de dependentes, há sete meses, e hoje atua como monitor.

Em 26/02, foi narrada a história da diarista, D. Oscarina. Café, cigarros, antidepressivos e calmantes. Esse é o combustível de Oscarina Alves Coelho Rodrigues, 52 anos, para aguentar o pesadelo em que se transformou a vida dela desde que a filha mais nova passou a fumar crack, há cerca de três anos. “Por onde eu ando, as pessoas perguntam: ‘Por que esse olhar tão triste?'”, diz. Com dívidas, uma parcela mensal de R$ 1,5 mil para manter Karine Rodrigues, 23 anos, em uma clínica de desintoxicação e dois netos para criar, a dona de casa é o retrato da dor.

Ontem, dia 27/02, foi contada a história de Cíntia*, uma mãe, de 46 anos, que gastou mais de 90 mil com tratamentos para o filho, dependente químico desde o ensino médio, e hoje morador de rua.

Um aparelho de tevê de 42’’, uma coleção de relógios, um porta-joias vazio. Essa é parte do prejuízo causado pelo vício do filho único de Cíntia, 46 anos. “Fico triste ao perceber que ele não respeita nem a mim nem a nossa casa, mas o que dói mesmo é não saber onde o Paulo* está, se está vivo”, resume a mãe. O olhar perdido parece buscar na memória o tempo em que a vida do garoto alegre tinha como foco as aulas de artes marciais e os shows de axé. Há cinco anos, a decoradora não podia imaginar que o destino dele daria uma guinada radical.

E hoje, para fechar a série, foi contada a história de Flávia Costa Hahn, de 65 anos, que no domingo de Páscoa, em 12 de abril de 2009, durante um churrasco em casa, em um momento de desespero, acabou baleando o único filho, viciado em crack, Tobias Lee Manfred Hahn, de 25 anos, que morreu na hora.

Triste, né?

Mas, pode acontecer...

Quem acompanha este Blog, sabe que o foco dele não é falar sobre histórias tristes, sobre a dor, sobre o sofrimento, porque isso já conhecemos bem. Opto por falar sobre recuperação, e sobre como podemos ter uma vida melhor, mais leve, mesmo com essa dor.

Mas, achei bacana a iniciativa desse jornal, em olhar para nós familiares, e dedicar uma semana para falar um pouco do que vivemos.

E todos os dias foram levadas informações como: dados do Levantamento Nacional de Famílias de Dependentes Químicos, da UNIFESP, mostrando que essa doença afeta toda a família. Para quem quiser ver o Levantamento, na íntegra, clique aqui

Trouxe também palavras da Psicóloga Neliana Buzi Figlie, Psicóloga Especialista em Dependência Química, que disse: “quanto antes os familiares procurarem ajuda, independentemente de o usuário de drogas querer tratamento, os danos podem, em muito, ser amenizados ou contidos.”

Também falou sobre os grupos de apoio, olha que bacana o texto publicado:

“Com o objetivo de prestar ajuda a quem vive a dura realidade de conviver com um usuário de drogas, alguns grupos de autoajuda desenvolvem atividades em vários locais do Brasil. Na capital, as principais ações ficam por conta do Nar-anon e do Amor Exigente. Ambos os grupos oferecem reuniões semanais em alguns locais do DF.

Frequentador há quatro anos do Nar-Anon em Brasília, Antônio explica que o grupo é uma irmandade mundial criada nos Estados Unidos em 1968, focada no atendimento voluntário e gratuito a parentes e a amigos de dependentes químicos. Não há qualquer ligação com religião, partidos políticos ou entidades governamentais. “Quando tomamos conhecimento do problema, ficamos sem chão. Somos analfabetos nesse assunto, nenhuma família está preparada para encarar esse problema”. Revela.

Um dos princípios é garantir o anonimato dos frequentadores, que não são obrigados a se identificar para participar das atividades.

“Nar-anon existe para quem quer, não para quem precisa, pois, se fossemos atender todos que precisam, a reunião teria de ser feita no estádio Mané Garrincha”, observa Antônio. Hoje, a entidade atende aproximadamente 60 famílias no Distrito Federal.”

Site do Nar-anon: www.naranon.org.br .

Gente, espero que muita gente que precisa tenha lido isso... Como sabem, o Nar-Anon mudou a minha vida, e continua mudando vidas todos os dias!

Também tive a oportunidade de conversar com a jornalista. Veja a matéria:

"Além dos devastadores efeitos causados nos dependentes químicos, o uso contínuo de drogas costuma adoecer as famílias. São mães que abandonam o emprego para vigiar o comportamento dos filhos, que vão às bocas de fumo à procura deles e que, na maioria das vezes, enfrentam problemas de saúde. Na tentativa de prestar auxílio e apoio a quem convive diariamente com esses desafios, em novembro do ano passado, a Secretaria de Justiça do DF lançou o Programa Ame, mas não Sofra.

'Conviver com um dependente químico é doloroso, e um amor sem limites acaba intensificando o problema do usuário e o sofrimento da família. Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de informação de qualidade. É um processo muito complexo, mas é possível amenizar', explica Polyanna*, coordenadora do curso. Essa é a primeira ação do gênero no Brasil e já atendeu mais de 300 pessoas em duas edições.

Nos encontros que duram uma semana, os participantes assistem a palestras e têm a oportunidade de trocar experiências sobre os desafios que enfrentam na convivência com um familiar viciado. 'É possível ser feliz sendo parente de um dependente químico? Sim, desde que a pessoa não deposite na outra a responsabilidade pelo bem-estar dela. Nosso trabalho é ajudá-las a pegarem de volta as próprias vidas e a trabalharem pelos seus sonhos', avalia Polyanna."

Os nomes seguidos de * são fictícios.

Infelizmente não saiu nada sobre o Blog, mas tá valendo.

Na semana que vem, irá ao ar uma entrevista à Rádio Senado, sobre Codependência, e divulgarei aqui para vocês o áudio.

Queridas(os), conviver com um dependente químico não é fácil. Em todas essas histórias, a presença da dor é algo muito forte. A família precisa se cuidar. Procure ajuda para você, familiar. Sozinho é muito difícil encontrar forças para viver, para ser feliz, e até mesmo para ajudar o outro.

“Eu seguro a minha mão na sua e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer o que não consigo fazer sozinha...”

Bom, feriado de carnaval chegando, e sei que muitos familiares estão com o “coração na mão”, afinal, o índice de recaídas às drogas, nesses dias, é bem elevado. Uma dica que dou é, incentive o seu familiar a procurar o grupo Narcóticos Anônimos. Alguns grupos, nesses dias, ficam abertos 24 horas, em regime de Plantão, para “guardar” os seus membros.

Site do NA: http://www.na.org.br/

Bom feriado. Que Deus abençoe a todos nós!

Termino com uma homenagem ao meu pai, que hoje completaria 70 anos, mas que infelizmente faleceu em razão de uma overdose, em 1995.


Puxa, você faria 70 anos amanhã.

E penso que bem que você poderia estar aqui, 
curtindo os netos, afinal, sempre foi tão apaixonado por crianças.
Poderia estar aqui, tocando o seu violão, 
comendo a sua macarronada, fazendo suas graças.
Sim, poderia...
Lembra quando me chamava de “perninha de sabiá do papai”, e me fazia cosquinhas? 
Eu adorava!
Sinto saudades.
Bem que você poderia estar aqui, para me ajudar nas horas difíceis, 
e me proteger nas horas de medo. Né?
Mas, eu sei que não deu, pai.
As drogas foram mais fortes. 
Eu sei que você até tentou... Mas não deu.
E elas, as malditas drogas te levaram embora de vez.
Mas, eu queria te dizer que te amo. 
E que te perdoo pelo que não fez. 
Te perdoo pelas ausências, pelas dores, 
e até por ter ido embora assim de forma tão brusca e precipitada...

Te amo pra sempre!


5 comentários:

  1. sim..é ruim falar das coisas tristes..mais é uma realidade..parabéns a jornalista por mostrar essa realidade sem fantasias..sem sensacionalismo...espero que muitos que vivem essa problemática se identifiquem e busquem uma nova maneira de viver...e que seu pai descanse em paz aonde quer que ele esteja, e que possa lhe ajudar nas horas difíceis e lhe proteger quando sentir medo, mesmo não estando mais fisicamente ao seu lado...ele estará sempre no seu coração...fica com Deus e bom carnaval :)

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  2. Comentário da jornalista Thaís, deixada na página do Face sobre esta postagem: "Me esforcei para dar voz a vocês e passar informação de qualidade para apoiar as famílias. Fico feliz em saber que consegui contar as histórias preservando a dignidade dessas mães! E quanto ao blog, fique tranqüila, em breve farei uma reportagem só para falar sobre ele! Mais uma vez, te agradeço pela grande ajuda que me deu. Um forte abraço!"

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  3. O MESMO AMOR E A MESMA ALEGRIA!! Mães, esposas, familiares. Quero deixar uma mensagem de animo pra vcs. A adcção é uma doença incurável MAS tem tratamento !!! Procurem ajuda principalmente vcs codependentes. Creio que assim se tratando vcs demonstram verdadeiramente o amor por seus adictos. Poly vc poderia colocar aki nesse blog histórias de adctos em recuperação, são histórias lindas, limpos a 1,2....até 30 anos. No mundo tereis aflições mas tende bom animo, eu venci o mundo. João 16:33

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