sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O (des)controle!


Bom dia, meninas(os)!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo em paz, graças a Deus!

Ontem foi o primeiro dia de aula da minha filha (14 anos), no Ensino Médio. Então, fui leva-la. Que sensação estranha. Ela estudou por dez anos na mesma escolinha, onde a maioria era de crianças, e onde eu conhecia todas as “tias”. Mas, agora, ela estaria em um ambiente desconhecido, com pessoas desconhecidas. Bateu uma vontade enorme de guarda-la em uma redoma, comigo... Mas, não posso. Né?

Ela assistiu sua aula, eu fui para o meu trabalho, e pouco a pouco, fui aceitando que minha filha está crescendo, e que a independência dela precisa mesmo chegar... Vi que é preciso ir tomando consciência disso, senão, daqui a alguns anos, estarei eu, sendo codependente da minha filha. Deus o livre! Só por hoje, opto por aceitar o que preciso aceitar, e deixar de tentar controlar coisas que não estão sob o meu controle.

Dei um beijinho nela. Orei por ela. E saí de cena.

A eduquei nesses anos todos. Temos um diálogo aberto. E agora, cada vez mais, as decisões serão tomadas por ela, e isso não posso evitar. Ela é um doce de menina, e estarei sempre aqui, no que ela precisar.

Bom, após esse desabafo de mãe, vamos voltar ao assunto tema deste blog?

Maridão hoje precisou levar uma quantia em dinheiro para o trabalho, para pagar um hidratante que ele comprou para mim, de uma colega.

Na hora bateu aqueles pensamentos, do tipo: “vai lá no horário do expediente e leva o dinheiro pra ele, Poly”, “pede para ele pegar um número de conta, e faz a transferência, Poly”, enfim, mil e uma alternativas para tentar impedi-lo de levar o dinheiro, na verdade, mil e uma alternativas para tentar manter-me no controle, e evitar prováveis recaídas.

Quando me sinto assim, corro para os livros. Faço a minha leitura. E em seguida converso comigo mesma, tentando dar nomes aos meus sentimentos.

Isso acaba me aliviando, porque me lembro que sou impotente perante a adicção dele. E que ainda que eu faça todas as articulações possíveis, ele só se manterá limpo, se ele decidir isso.

Então a paz voltou aqui para dentro de mim.

Sabe, queridas(os), em minhas palestras falo muito sobre a aceitação, porque acredito que ela seja um enorme passo para a nossa mudança.

Ficar mascarando os nossos sentimentos, ou mesmo negando a realidade a nós mesmos nos impede de crescermos e também de ajudarmos ao nosso familiar adicto.

Sei o quanto é doloroso encarar a adicção de quem amamos, mas somente assim poderemos confrontá-la.

A cada busca às drogas, a cada recaída, surge em nós um sentimento de luto. Dói demais ver quem tanto amamos se destruindo, e correndo graves riscos.

Sinta essa dor. Permita-se a senti-la. Chore, se necessário. Mas, enxergue a realidade como ela é.

Não se engane mais, com mentiras como: “se eu o vigiar 24 horas por dia, ele não vai usar”, “se eu deixar o meu trabalho”, “se eu me anular”, “se eu for atrás dele nas ruas”, “se, se, se...”, “se eu morrer por ele...”

Você pode cumprir todos os “se”, mas ainda assim, ele só vai parar, quando decidir parar de usar.

Dói isso, né? Mas, é preciso encarar essa dor. Só assim você poderá se ajudar, e posteriormente ajudar ao seu ente.

Passei os três primeiros anos do meu casamento, vivendo em uma grande ilusão criada por mim mesma. Eu não queria enxergar a realidade. Eu não a aceitava.

A cada período limpo, eu me enchia de expectativas, e fazia um milhão de planos sobre a vida do meu esposo, jurando que ele nunca mais iria recair.

Quase fiquei louca tentando controlar a adicção dele, nesse período.

Namorei, casei, tive filhos com ele, abandonei trabalhos, tentei arrombar a porta do banheiro, fingi estar desmaiada, me joguei na frente do carro, rodei a cidade pelas madrugadas, não dormi a noite toda, dormi o dia todo, chorei, me descabelei, deixei pessoas de lado, me deixei de lado, gritei, abracei, xinguei, ameacei, prometi, cumpri, não cumpri, fui em delegacias, fui em hospitais, fui à boca, liguei em IML, negociei, me separei, voltei, fiz as malas, dei dinheiro, escondi o dinheiro, o expulsei, o acolhi, o tranquei, o soltei, entendi, não entendi, rastreei históricos do computador e chamadas no celular, falei baixinho, joguei as coisas na parede, insultei, elogiei, dei a mão, tirei a mão, odiei e amei... E tantas outras coisas eu fiz, na tentativa de ter o controle sobre o meu familiar adicto. Não deu certo. Nada funcionou. E eu ainda adoeci.

Demorei, mas entendi que não posso controlar a dependência química de quem amo.

Entendi que, no final, independente das minhas ações, ele sempre fazia o que queria fazer, e o que havia decidido fazer.

E que nessa tentativa de ter controle sobre ele, minha vida estava cada vez mais descontrolada.

Claro que nós, familiares, em nossas atitudes poderemos ter ações que aumentem a probabilidade do nosso familiar adicto procurar ajuda para se recuperar, mas não há garantia nem mesmo sobre isso.

Mas, isso é muito doloroso, Poly! Sim, é sim. Mas é a nossa realidade, e é hora de a encararmos. Até entendermos que não está em nossas mãos. Até desistirmos de tentar controlar a vida do outro.

Talvez a recuperação dele só precise da nossa “desistência” para acontecer. Talvez não. Mas, uma coisa é certa, ao tomarmos essa decisão, mudamos a NOSSA vida.

Tome todas as atitudes necessárias para cuidar de si mesma, e para respeitar os seus próprios limites. Mas não para tentar controlar o outro.

Pouco a pouco você se sentirá mais leve. Mais desligada(o).

E isso não é deixar de amar não, gente. Ao contrário. É abandonar essa obsessão sobre a vida do nosso familiar, é curar a nossa doença, para dar espaço somente para o amor.

Afinal, somente estando saudáveis, teremos condições e forças para entender a doença do outro, para saber onde e quando buscar ajuda, e para estender-lhe a mão.

Convido você, leitor(a), a refletir sobre o que você está tentando manter o controle, e por quê. Seja sincero com você mesmo. Avalie se essas tentativas estão dando certo. Se sim, continue. Mas, se não, comece a mudar. Comece devagar. Um passo de cada vez. Mas, comece...

Uma boa dica é uma ida a um grupo de apoio aos familiares de dependentes químicos.


“Pare de controlar os outros e cuide de você mesmo!” (Melody Beattie)

“Fico feliz ao perceber que hoje minha vida está muito mais controlável do que quando comecei a lidar com a adicção do meu esposo. Não sou perfeita, nem minha vida é perfeita, por vezes ainda sinto medo e tenho pensamentos insanos, entretanto aprendi a não me entregar a eles. Aprendi a entregar a um Deus amoroso e fiel tudo o que não posso controlar, enquanto me sinto livre para viver.” (livro Amando um Dependente Químico)

E por falar no livro Amando um Dependente Químico, o sorteio da nossa rifa acontecerá no domingo, dia 09/02! O valor da rifa é R$ 2,00, e você estará concorrendo ao livro Amando um Dependente Químico – Dias de Dor e Dias de Recuperação – 2ª Edição, que chegará em sua casa, com uma mensagem exclusiva da autora.




Além disso, todos os que adquirem a rifa (TODOS), recebem em seu e-mail um ebook do livro Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação – 1ª Edição. E quem adquirir acima de 10 rifas (R$ 20,00), receberá os dois Ebooks.

Para isso, basta realizar um depósito em favor da conta-corrente do Banco do Brasil, AG. 3413-4, CONTA 11.874-5, titular G.P. (iniciais do nome), e enviar o comprovante ou dados do depósito/transferência para polyp.escritos@gmail.com.

Participe!

No domingo, 09/02, postarei no blog o vídeo do sorteio, que será realizado em site da internet, e divulgarei o valor arrecadado.

Muito obrigada a todos os participantes. E boa sorte!

Grande beijo.

Poly.

5 comentários:

  1. Deus é tão bom...e nos conhece tão profundamente, que ele nos da uma infinidade de caminhos que nos levam até Ele...em todos esses caminhos que trazem consigo diversos nomes, Grupos de Apoio, Religiões, Amigos, Blogs, Amores, Dores...todos nos levam ao mesmo caminho...aonde Jesus nos ensinou a buscar...DEUS ESTÁS DENTRO DE VÓS...bjus tmj SEMPRE

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  2. É a primeira vez que falo sobre isso. Minha esposa é dependente química a pelo menos 1 ano eu acho. E a minha vida já ficou insuportável. Agora mesmo ela não está em casa. Suporto tudo sozinho, nunca falei com ninguém. Ninguém da minha família, do meu trabalho ou da faculdade sabe. Acho que estou nessa fase de admitir que não posso fazer nada, ou melhor, nada que eu faça se ela não quiser mudar vai adiantar. Só não abandonei ela por causa da nossa filha de seis anos. Que na verdade não é minha filha biológica, mas cuido como tal desde os seis meses de idade. Tenho medo dela não cuidar da nossa filha, ou meu medo é realmente de deixá-la nessa condição. Ela largou o emprego iniciou a faculdade no ano passado e largou também, perdeu a cnh dela. Eu mesmo quase perdi minha bolsa na faculdade por baixo aproveitamento por não ter foco nos estudos estamos quase perdendo nosso apartamento que foi tão sofrido de conseguir. Hoje pesquisando no google cheguei até aqui e me identifiquei com essa parte do seu post: "...tentei arrombar a porta do banheiro, fingi estar desmaiada, me joguei na frente do carro, rodei a cidade pelas madrugadas, não dormi a noite toda, dormi o dia todo, chorei, me descabelei, deixei pessoas de lado, me deixei de lado, gritei, abracei, xinguei, ameacei, prometi, cumpri, não cumpri, fui em delegacias, fui em hospitais, fui à boca, liguei em IML, negociei, me separei, voltei, fiz as malas, dei dinheiro, escondi o dinheiro, o expulsei, o acolhi, o tranquei, o soltei, entendi, não entendi, rastreei históricos do computador e chamadas no celular, falei baixinho, joguei as coisas na parede, insultei, elogiei, dei a mão, tirei a mão, odiei e amei..." Essa é minha vida hoje, mas sei que com luta e muita fé conseguirei conviver com essa realidade e enfrentar o que vem pela frente. Desculpe pelo comentário longo.

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  3. Oi Poly, estou tentando ler todos os posts, pois estão me ajudando muito. Obrigada pelo o que faz e parabéns!!!
    Fazem dois anos que namoro um adicto. Há 23 dias ele está internado involuntariamente, mas aliviado por ser afastado das drogas. Estou tentando deixar de controlar a vida dele, e de passar pelas situações que citou e mais... Cheguei a um ponto em que não sei mais se devo seguir ao lado dele e aprender a lidar com um adicto, ou abandoná-lo e tratar de cuidar de todas as feridas que escondo. Descobri suas várias traições, não sei se isso é fruto da adicção ou do seu desvio de carater. Me envolvi sem saber de sua doença, mas desde que descobri tentei ajudá-lo. Me dava muito amor quando estava bem, temos uma quimica maravilhosa. Porém, sempre pensei que ele me traia quando sumia. Hoje sei que algumas vezes isso era verdade. Ele usa desde os 13 anos, hoje esta com 29 anos, é uma pessoa muito querida por todos. Sempre viveu na farra (a unica vida que conhece) e estava tentando aprender a ter uma vida normal, com estudos, trabalho e familia, pois nunca conseguiu viver nada disso. Seus pais sustentam todo o vicio, necessidades e luxo dele. Ele tem um filho com 6 anos e uma filha com 3 aninhos, com mulheres distintas, está pouco com seus filhos, mesmo sendo louco por eles. Enfim, ele vai ter que reaprender completamente a viver, e isso parece tão impossivel. Não sei se meu relacionamento tem salvação ou se é só ilusão, mesmo com a decisão dele de seguir lutando contra essa doença.

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  4. Oi Poly, estou tentando ler todos os posts, pois estão me ajudando muito. Obrigada pelo o que faz e parabéns!!!
    Fazem dois anos que namoro um adicto. Há 23 dias ele está internado involuntariamente, mas aliviado por ser afastado das drogas. Estou tentando deixar de controlar a vida dele, e de passar pelas situações que citou e mais... Cheguei a um ponto em que não sei mais se devo seguir ao lado dele e aprender a lidar com um adicto, ou abandoná-lo e tratar de cuidar de todas as feridas que escondo. Descobri suas várias traições, não sei se isso é fruto da adicção ou do seu desvio de carater. Me envolvi sem saber de sua doença, mas desde que descobri tentei ajudá-lo. Me dava muito amor quando estava bem, temos uma quimica maravilhosa. Porém, sempre pensei que ele me traia quando sumia. Hoje sei que algumas vezes isso era verdade. Ele usa desde os 13 anos, hoje esta com 29 anos, é uma pessoa muito querida por todos. Sempre viveu na farra (a unica vida que conhece) e estava tentando aprender a ter uma vida normal, com estudos, trabalho e familia, pois nunca conseguiu viver nada disso. Seus pais sustentam todo o vicio, necessidades e luxo dele. Ele tem um filho com 6 anos e uma filha com 3 aninhos, com mulheres distintas, está pouco com seus filhos, mesmo sendo louco por eles. Enfim, ele vai ter que reaprender completamente a viver, e isso parece tão impossivel. Não sei se meu relacionamento tem salvação ou se é só ilusão, mesmo com a decisão dele de seguir lutando contra essa doença.
    Estou com o coraçao em pedaços, pretendiamos nos casar, quando a situação melhorasse, agora já não sei mais...
    Que Deus abençoe voce e sua familia!
    Beijos,
    Lih

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    Respostas
    1. Oi Lih li o seu post e venho lhe dizer nao perca o tempo de se despedir eu criei essa ilusao que um dia tudo ia melhorar, sinto dizer nao melhora, a nao ser que vc esteja preparada pra viver momentos inconstantes. Vc ja tem varios indicios no namoro q tera problemas no casamento, ele nao sabe lidar com responsabilidades mesmo tendo filhos , vc corre o risco de ser mais uma mae e a crianca nao merece esse sofrimento, eu digo isso pois nao conseguir me livrar a tempo e mesmo quanndo sinto vontade de desistir tem meu filho q ama o pai e eu tenho medo de separar e meu filho nao ter mais contato com o pai. Vc ta namorando aproveite a opotunidade de poder ver e saber antes , muitos amigos familiares me alertaram e eu nao acreditei assim como eu sei q vc vai inventar mil desculpas como eu fiz mas por favor busque ajuda pra vc va um grupo do amor exigente pena q eu tive nocao q eu estou doente so agora nao torne codependente do seu namorado vc pode ser feliz eu nao desejo essa vida a ninguem como eu queria poder ser normal sem ter q lidar com minha doenca e nem com adiccao do meu marido. Vivo fazendo planos pra o futuro com medo e sozinha tudo tenho q resolver sozinha nao queira isso pra vc nao se iluda ele nao vai largar as drogas por vc. Beijos e boa sorte
      EOSouza

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