sábado, 15 de fevereiro de 2014

No que acredito e no que não acredito!



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem?

Hoje estou aqui para falar no que eu acredito e no que não acredito nesse mundo de adicção e codependência.

Quero deixar claro que é apenas a minha forma de pensar sobre o assunto.

Mudei minha forma de pensar, ao longo dos anos, sobre alguns quesitos. E amanhã pode ser que eu tenha uma outra forma de olhar para o assunto. Mas, hoje, é assim que penso.

Vamos lá?

Acredito que a dependência química é uma doença física, emocional e espiritual. Ela altera a estrutura física do cérebro, afeta o comportamento, e afasta a pessoa de Deus e das coisas boas. Para quem não sabe, a adicção é reconhecida como doença pela OMS.

Não acredito que a dependência química seja um problema moral ou de falta de caráter, ou de falta de “vergonha na cara”. Mas, acredito que por vezes falta empenho e força de vontade do adicto em se tratar.

Não acredito que o adicto seja um coitadinho, ao contrário, o vejo como alguém que tem um problema, mas que também tem a capacidade para superar esse problema, basta querer de verdade.

Acredito que a família adoece junto do adicto. E embora a codependência não seja reconhecida como doença, eu a vejo como doença sim. Com sintomas físicos, psicológicos, emocionais e espirituais. Na verdade, ficamos muito parecidos com o adicto. Só que a obsessão dele é pela droga, e a nossa é em salvá-lo da dependência química e das suas consequências.

Acredito que a família tem muita dificuldade em reconhecer que precisa de ajuda, e que sozinha não conseguirá mudar sua forma de reagir à doença do outro. Acredito que pelo fato do foco da família estar sempre sobre o dependente, ela não consegue enxergar o quanto também está adoecida, e precisa mudar.

Acredito que a dependência química ainda é vista com muito preconceito. Trazemos em nós resquícios do passado, quando dependentes químicos eram apedrejados em praça pública, ou enviados juntos com os loucos em navios para alto mar (nau dos loucos); ou simplesmente afastados da sociedade, internados em manicômios.

Acredito que, sem ajuda, a família sofre mais, e tende à exaustão.

Acredito no poder de mudança que brota por meio dos Doze Passos. Seja para o adicto, ou para a família.

Acredito que para a família viver melhor ela precisa de ajuda (grupo de apoio, terapias, e igreja) para ajuda-la a mudar o foco da sua vida, retirando-o do adicto, e colocando-o em si mesma.

Acredito que a família não tem culpa da doença do adicto. E que ela também não tem controle sobre isso, e nem tem a cura para essa doença. Sendo assim, ela precisa reconhecer sua impotência para viver livre desse peso.

Acredito que cada pessoa é única. E cada uma tem sua própria percepção, seus próprios limites, e seus próprios sentimentos. Por isso, não acredito em conselhos, mas sim na troca de experiências de uns com os outros.

Acredito que estabelecer limites para nós mesmos, como: “não aceito uso de drogas dentro de casa”, “não convivo com um adicto na ativa”, “não acordo à noite para abrir a porta para ele”, “não saio de casa para busca-lo na rua”, "não me permito sofrer agressões físicas ou verbais" é muito benéfico para ambos.

Não acredito no efeito de punições para o adicto, principalmente quando a família está cheia de culpa sobre si. Punir o adicto não dá resultado, mas reconhecer os nossos limites, deixa-los claros e respeitá-los, dá muito resultado.

Não acredito na história de que “se colocar o adicto para a rua, ele chegará ao fundo do poço, e buscará ajuda”. Ele pode buscar ajuda, ou pode morrer de overdose. Resta saber se o familiar tomou essa decisão pelo outro, para punir o outro, ou para respeitar a si mesmo. 

Acredito que a única coisa que faz um adicto deixar de usar drogas é o seu querer.

Acredito que a única coisa que faz o familiar mudar seu comportamento, e o seu desejo de controle sobre o outro, é o seu querer.

Acredito na internação, mas não como a primeira opção de tratamento, e sim como a última.

Acredito que internação involuntária só dá resultado se depois se tornar voluntária, pois o desejo do adicto de parar de usar é que vai fazê-lo parar. Mas, a involuntária pode ser a salvação de uma vida, em casos extremos.

Acredito em Deus. E acredito em Seus milagres.

Acredito que nós, familiares, precisamos encher o nosso coração de fé, força, esperança, alegria e paz, mesmo em momentos difíceis, para conseguirmos lidar com a situação.

Acredito que olhar para o lado bom da vida não está em nada relacionado com autoengano. É apenas uma escolha de ser feliz, independente do que está ao redor. Já o autoengano é fechar os olhos para a realidade.

Acredito no amor e nos seus benefícios. A família precisa de amor. E o adicto também precisa de amor. Mas, ambos são altamente prejudicados quando esse amor se torna codependente.

Acredito que dependência química é uma doença crônica, ou seja, é prolongada, e precisará da decisão diária do adicto até o fim. Mas, claro que com o passar do tempo abstinente, os sintomas se tornam mais amenos.

Acredito 100% na recuperação dos dependentes químicos.

Acredito 100% na recuperação da família.

Acredito que podemos ser felizes, e levar nossas vidas adiante, mesmo com a problemática da dependência química em nossos lares.

Acredito que alguns dependentes precisam de tratamento com Psiquiatra e com uso de medicação. Outros, precisam de internação. Outros de grupos de Narcóticos Anônimos diários. Outros, de igreja. Outros, de terapia com Psicólogos. Outros, apenas de decisão. E outros, de tudo isso junto. E outros, precisarão de coisas distintas em cada fase da vida. Não é uma receita de bolo...

Acredito que quando a família se torna um facilitador do uso de drogas é muito difícil o adicto querer parar de usar. Alguns familiares permitem o uso de drogas dentro de casa, por julgar a rua como um lugar perigoso. Outros dão dinheiro para o adicto usar drogas, para impedi-lo de cometer delitos. Outros mentem para salvar o familiar adicto das consequências do seu uso de drogas, como problemas no trabalho, por exemplo. Sei que fazemos isso achando que é o melhor para ele, mas podemos ser uma pedra no caminho da recuperação do nosso familiar agindo assim. Na verdade, podemos estar matando aos poucos aquele a quem tanto amamos.

Acredito que dependência química é uma coisa. Traição é outra coisa. Violência é outra coisa. Desrespeito é outra coisa. Criminalidade é outra coisa. E cada uma deve ser tratada de forma diferente.

Acredito que álcool é droga, cigarro é droga, maconha é droga, e nada deveria ser liberado, e muito menos incentivado. Acredito que não precisamos de nada disso pra curtir a vida!

Não acredito que a descriminalização da maconha seja o caminho.

Acredito no amor próprio! Acredito que quando olhamos para nós mesmos com amor, e nos cuidamos, e nos respeitamos, esse amor acaba extravasando e atingindo quem está ao redor.

Por outro lado, acredito que quando só temos amor e atenção para o nosso familiar adicto, e nos esquecemos de nós mesmos, esse amor se esgota, e só fica a mágoa, o cansaço, a desilusão, a insanidade, e a vontade de desistir do outro, afinal, já desistimos de nós há tempos.

Acredito que não podemos mudar a ninguém, a não ser a nós mesmos. Mas que, misteriosamente, quando nós mudamos, as coisas ao redor também mudam.

Acredito que juntos nos tornamos mais fortes.

Acredito na recuperação do meu esposo.

Acredito na minha recuperação.

Acredito no nosso casamento e na nossa família.

Acredito no poder da oração. Sempre converso com Deus, e Ele me dá o que preciso naquele momento: fé, perseverança, serenidade, força, capacidade para dizer não, etc.

E encerro esse post com uma oração que, quando não sei o que dizer ou como dizer, a uso para falar com Deus, afinal, acredito muito em suas palavras:

“Deus, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que eu posso, e sabedoria para perceber a diferença”.

Acredito na força do acreditar... sempre!



12 comentários:

  1. MUITO ESCLARECEDOR SEU POST HJ....VC TEM NOÇÃO DO TANTO DE PESSOAS HOJE QUE ESTAVAM PRECISANDO DE OUVIR ISTO....EU ACREDITO NA RECUPERAÇÃO...FOI FORTEEEEEEE

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  2. É assim mesmo Polyanna
    Eu também acredito em Deus e em Seus milagres.
    Quando ficava em busca de saber sobre dependência química encontrei sua história e pessoas mandadas por Ele que me acalmam, que me dão esperanças de sobreviver ...
    Eu peço anjos e Ele me manda os anjos.
    Continuo impotente mas sei que o meu tempo tá quase chegando.
    Você é luz, você é amor, você é anjo enviado por Deus.
    Boa tarde

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  3. OLÁ MINHA AMIGA POLYANNA,PARABÉNS PELO POST,FICO IMAGINANDO COMO SERIA MARAVILHOSO SE,TODOS OS FAMILIARES PUDESSEM LER ESSE TEXTO,OS AJUDARIAM EM MUITO,CONHECI SEU BLOG ATRAVÉS DE MINHA ESPOSA,POIS ELA É CO-DEPENDENTE,EM RAZÃO DA MINHA ADICÇÃO A FIZ SOFRER MUITO COM MINHA INSANIDADE,HOJE AMBOS SABEMOS OS CAMINHOS DA RECUPERAÇÃO,GRAÇAS AO PROGRAMA DOS DOZE PASSOS,FIQUEI INTERNADO EM UMA COMUNIDADE TERAPEÚTICA,E FOI LÁ QUE CONHECI O PROGRAMA,FREQUENTO REGULARMENTE N.A. E MINHA ESPOSA NAR-ANON,JUNTOS APRENDEMOS A LIDAR COM NOSSAS DIFICULDADES DIARIAS,VIVEMOS O SÓ POR HOJE,ESTOU VIVO E LIMPO A 1 ANO 3 MESES E 20 DIAS COMPLETOS HOJE,NOSSA DOENÇA REQUER MUNDANÇAS,ELAS SÓ VEM COM O DESEJO DE PARAR DE USAR,ADMITINDO IMPÔTENCIA PERANTE A ADICÇÃO,BUSCANDO UM PODER MAIOR DO QUE NÓS PARA DEVOLVER NOSSA SANIDADE,E ENTREGAR NOSSA VIDA A ESSE PODER.
    HOJE TENHO A CONCIÊNCIA DO REAL TAMANHO DA MINHA DOENÇA,E COMO DIZ A LITERATURA DE NA (UMA É DE MAIS E MIL NÃO BASTA)CADA ADICTO TEM SEU FUNDO DE FOSSO,(POIS POÇO TEM AGUÁ LIMPA) E O MEU FOI FICAR EM ESTADO DE RUA,CADA LOCAL EM QUE FICAVA,FIZ TORNA UMA CRACKOLÁNDIA,POIS O CRACK É MINHA DROGA DE PREFERENCIA,PRESTES A PERDER MINHA VIDA,TIVE UM LAPSO DE SANIDADE,QUANDO EM UM MOMENTO DE CANSAÇO,POR ESTAR VARIOS DIAS EM USO,ACABEI DESFALECENDO,NÃO ME LEMBRO POR QUANTO TEMPO,SÓ SEI Q ACORDEI COM UMA RATAZANA ENORME EM MEU PEITO,ONDE TIVE UM DESPERTAR E VEIO EM MINHA MENTE,O RATO ESTÁ NO SEU HABITAT NATURAL,O LIXO, EU É QUÊM ESTOU NO LUGAR ERRADO,DEPOIS DISSO TIVE A CONCIÊNCIA DO MEU PROBLEMA E BUSQUEI AJUDA. ENFIM,UM PEDACINHO DA MINHA EXPERIÊNCIA COM MINHA ATIVA,MAIS UMA VEZ PARABÉNS PELO POST, UM GRANDE ABRAÇO, FORÇA ,FÉ, ESPERANÇA NA SUA CAMINHADA, TAMU JUNTO SÓ POR HOJE!!!!!!!!!!!!

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  4. Nossa ..quanta vontade vc tem..admiro sua perseverança. Sou uma adicta em recuperação dependente de álcool cigarro e maconha, estou a dois anos e alguns meses limpa depois de 20 anos de embriaguez, fumava na base de 10 baseados por dia regados a litros de álcool. No final da minha decadência, no meu fundo de poço comecei a cheirar cocaina para aguentar beber mais..dos 13 anos aos 33 vivi esse inferno.Meu esposo fez de tudo por mim são 10 anis de casados, mais te digo, só parei porque não aguentava mais e não por ele...Vivo hoje com muitos arrependimentos pois não consigo entender porque fui tão idiota, e morro de medo de sofrer sequelas pulmonares...Hoje estou no 8 mês de gravidez, feliz, feliz, feliz..e todo dia 1 de agosto faz aniversário meu renascimento..bjim boa sorte!

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  5. Polly como a admiro. Busco força em Deus e nos seus post , no seu livro. Só por hoje meu marido está limpo e está aqui comigo após dois meses e dez dias de internação. Ele não terminou o tratamento, porém pela primeira vez ele nós pediu uma chance de cuidar da sua vida sem nossa interferência, pois sua internação foi involuntária. Com o passar dos anos , dias e meses acreditar no adicto fica quase impossível, porém enquanto eles quisserem e lutarem pela recuperação nós familiares estaremos com eles e que seja por amor !!!! Somente com amor conseguimos impor limites para nós e não para eles , afinal eles que devem impor a eles seus limites. Lutar contra a co dependência é muito difícil , mas quando vemos os resultados do tratamento da co dependência não tem preço.
    #
    Obrigada Polly ...

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  6. é bem isso...e hoje mais do que nunca eu acredito em atitudes...as palavras podem até ter uma intenção verdadeira, porém só se realizaram se forem colocadas em prática...por isso volto naquele ditado: quem quer faz quem não quer arruma desculpa..rs..bjus e bom dia

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  7. Olá tenho 18 anos e namoro a três anos um dependente químico. Busco forças a Deus e durante esses anos, ele ficou seis meses limpo, depois disso tenta e não consegue mais, ele já foi viciado em cocaína antes de começar a namorar com ele, ele costuma dizer que apareci na hora certa na vida dele, pois ele começou aver brilho na vida e se internou, quando voltou após seis meses começou a ter novas amizades sair e beber por ser muito novo e achar comum hoje ele se ver dependente, dá maconha, e todos os dias vivemos em lutas constantes, porém creio no Deus vivo e poderoso, sei que ele vai conseguir se libertar, pois ver o seu sorriso verdadeiro para mim é uma imensa alegria. E eu digo a todos que se desanimam acredite na mudança deles, pois quem acredita em Deus vence qualquer desafio, tenho 18 anos sou modelo, o meu namorado têm 20 anos e as vezes não consegue cuidar do comércio dos país. Porém eu tenho certeza que seremos vencedores.

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  8. Olá Polyanna. Encontrei seu blog por acaso a alguns meses, enquanto fazia algumas pesquisas na internet sobre dependência química, co-dependência química e tudo o que envolve esta luta constante do dependente químico e seus familiares. Eu sempre vi de longe pessoas com tais problemas e só hoje sei o quanto tem sido difícil ver um ente querido se destruindo aos poucos, negando que há um problema, e querendo resolver tudo do seu jeito, ou seja "sozinho", sem ajuda de ninguém. Hoje eu vejo alguém que era doce, carinhoso, e atencioso se transformando a cada dia em alguém agressivo, egoísta, e sem paciência alguma, sempre com os nervos a flor da pele, explodindo no primeiro problema, no primeiro "não"que recebe de alguém (seja em casa, no trabalho, com os amigos...) . Somos muito pequenos para entender os planos de Deus em nossas vidas, e na vida de nossos familiares. Mas é importante lembrarmos (mesmo em meio as lágrimas e a dor) que Deus está e sempre esteve ao nosso lado, e tudo há de ter o tempo certo de acontecer. Deus mostra constantemente o seu amor por nós colocando em nossos caminhos pessoas que nos ajudarão, e que ajudarão nosso familiar, e mesmo em passos pequenos Deus está sempre trabalhando por nós. Por isso obrigada por compartilhar toda sua luta e a luta de seu marido comigo e com todas as demais pessoas que lêem o seu blog. Um pequeno texto, ou um pequeno relato, mas que mostra um olhar diferente e com mais esperança sobre um problema real. Muito Obrigada, fique com Deus.

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  9. Eu acredito em Deus, em seus milagres! Mas acredito que Deus também quer uma atitude vinda de nós :)
    http://eumlongocaminho.blogspot.com.br/

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  10. Ou Polui, acompanho o seu blog já há alguns meses, mas soh agora estou comentando. Admiro muito a sua força, a sua positividade. Tenho um marido dependente químico e estou qse desistindo, acho q nconsigo mais, pois já passei por isso em minha vida outras vezes. Ele conhece a programação há anos. Estou com ele há apenas 9 meses. Vive vendendo objectos. Ontem ele voltou de uma clínica q ele já trabalhou e numa das últimas recaídas, ele decidiu passar 15 dias la, mas no fda veio p casa e recaiu de novo, pediu mais uma chancela, voltou p la e ficou mais 3 dias o q era o nosso combinado..mas ontem voltou e eu tenho qse ctz q usou. Ele jura q não, mas a noite dei falta de um óculos escuros dele, falei...ele disse q vai achar, mas disse q não vendeu, nem usou. Claro q não acreditei, ao se formou a gde briga. Tenho medo de deixa—lo e ele realmente se acabar, mas tb tenho medo de continuar com ele e continuar sofrendo. O q eu faço? Me da uma luz...obg

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  11. Polly, escrevi esse comentário acima já há alguns dias atrás, mas não obtive resposta, gostaria muito q me desse uma luz. Obrigada!

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    1. Querida, é muito difícil dar conselhos sobre a vida de outra pessoa, mas o que posso te assegurar é que: você não é responsável pela recuperação dele, e nem pela doença dele. Quando você diz "tenho medo de deixá-lo e ele se acabar", é como se isso estivesse sobre suas costas, e não deveria estar. Na verdade, ele só buscará a recuperação dele, se ele quiser, estando você com ele ou não... Portanto, faça suas escolhas pensando em sua própria vida. Não coloque a sua vida nas mãos de outra pessoa, e muito menos de uma pessoa que está adoecida...
      Se cuida!
      Busque ajuda!
      Beijos.
      Poly

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