sábado, 1 de fevereiro de 2014

Mude, mas mude por você!



Olá, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo em paz, graças a Deus!

Na quinta-feira, eu estava conversando com uma pessoa, contando algumas das minhas loucuras cometidas, impulsionadas pela codependência. E narrando ali um pouco da minha vida, me lembrei de como minha mente era confusa.

Eu pensava que o meu marido, por ser adicto, “necessitava” mais de mim do que os meus próprios filhos.

Vivia estressada, cansada, angustiada, de mal humor, cheia de medos... Não conseguia ser uma mulher inteira, nem uma mãe inteira...

Me sentia como uma sombra.

Me perdia mais e mais, a cada dia.

E o fato de viver olhando sempre para o outro me impedia de enxergar as minhas próprias ações.

Muitos dizem: “você é uma guerreira”, “você é forte”, e coisas assim... Mas, eu não teria conseguido sair daquele buraco tão profundo sozinha. Não mesmo.

Precisei de um grupo de apoio para abrir os meus olhos e me mostrar o caminho, além de me acolher com carinho e amor.

Precisei de terapia para me organizar por dentro.

Precisei de cursos para entender a doença do meu marido, e a minha própria.

Precisei de muita leitura (amo a Melody Beattie!), para me auxiliar.

Precisei de pessoas iguais a mim, e que já estavam mais adiante na recuperação, para me conduzir.

Precisei de alimentar a minha fé, indo à igreja e conversando com Deus sempre.

E, somente assim, pude sair daquela vida tão dolorosa que eu levava.

Hoje me sinto inteira! 

Sou uma mãe presente, de corpo e de alma. Tenho leveza para brincar com os meus pequenos. E tenho serenidade para compreender meu marido como ele é, e auxiliá-lo em sua recuperação.

Entenda bem, eu disse auxiliá-lo, e não viver a recuperação dele, ou conduzir a recuperação dele. Ok?

Mas, é engraçado que, quando dou as palestras, propositalmente não falo há quanto tempo o meu esposo está limpo. Afinal, o foco é uma nova forma de viver para a família. Entretanto, uma das primeiras perguntas que recebo é: “há quanto tempo o seu esposo está abstinente?”

Daí, eu gosto de brincar com a seguinte resposta: "Ah, vocês querem saber há quanto tempo ele está limpo? Ele está limpo só por hoje!"

Será que tudo o que narrei acima não é motivo suficiente para a família buscar ajuda e mudar o seu comportamento?

Sim, meu esposo está bem, graças a Deus!

Como já disse, sua ultima recaída foi em março do ano passado, passando por um lapso no início de novembro. Entretanto, isso não é mérito meu, e sim dele. Cada 24 horas limpo se deve ao querer dele.

Fico muito feliz com a recuperação do meu esposo, claro! Mas, hoje não me sinto mais responsável por ela.

Na semana passada ele comentou: “Amor, minha chefe me chamou em sua sala para fazer-me um elogio, e disse que sou o único que, no ultimo ano, não teve nenhuma falta e nenhum atraso. Me sinto tão feliz com isso!” Uma conquista dele. 

Ter sido aprovado em um concurso público, também é resultado do seu esforço.

Entretanto, as famílias tendem a associar a minha recuperação à recuperação dele. E a recuperação dele à minha.

Queridas(os), quando nós, familiares, mudamos o nosso comportamento, passando a ser assertivos, conhecendo os nossos limites, vivendo a nossa própria vida, é claro que o adicto percebe. Agindo assim, deixamos de ser facilitadores da sua doença, ou seja, deixamos de ser uma pedra no caminho da recuperação deles.

Mas, ainda assim, não há garantias. Eles só irão se recuperar, se optarem por isso, e se desejarem isso mais do que tudo. E essa escolha não está em nossas mãos.

Não mudei para salvar ao meu esposo. Mudei para salvar a mim, e aos meus filhos.

E graças a Deus, essa mudança também fez bem ao meu amado. Que bom!

Ontem ele estava me dizendo: “Amor, você mudou tanto, né? Até no seu tom de voz quando me liga, percebo diferença. Vejo que não tem mais aquele intuito de me fiscalizar, saber se vou voltar para casa ou não. Aquilo me fazia tão mal...”

Essa tentativa de controle constante, o sentimento de culpa, a falta de assertividade, o medo, a falta de amor próprio, assumir as responsabilidades do adicto, são coisas que prejudicam sim no processo de recuperação do outro, além de nos sobrecarregar e deprimir.

Mas, a mudança que tanto falo aqui nesse blog e em meus livros, não são mudanças focadas no outro. Mas, em mim!

Família, mude por você! Você verá que quando você muda, tudo muda ao seu redor.

Seu adicto vai parar de usar drogas? Pode ser que sim, ou pode ser que não. Só ele pode decidir isso.

Mas, o estrago que isso causará em você será tão menor, que sobrará forças para estender a mão ao seu amado familiar adicto, quando necessário...

"No auge da minha codependência, eu vivia em constante desespero: quando meu marido estava na ativa, por vê-lo se destruindo; e quando ele estava bem, por medo dele recair. Era muita falta de paz. Hoje economizo minhas energias para fazer coisas boas que me deixam feliz e realizada. Se meu marido está bem, curto os nossos momentos e acredito que eles podem ser eternos. Quando ele está mal, busco minha serenidade e força em Deus, tento despertar uma pontinha de esperança de que aquela crise vai passar e de que ele encontrará novamente o seu ponto de equilíbrio. E o principal: esteja ele bem ou não, o foco da minha vida permanece em mim". 
(livro Amando um Dependente Químico)

Um grande beijo em seu coração!

Poly.





3 comentários:

  1. Incrível sua postagem Polyana. Sou co-dependente de uma pessoa há mais de 2 anos. Hoje em dia, melhorei até um pouco do que em relação a antes. Mas diferente de você que é casada e tem uma vida diária com seu marido. Eu sou namorada e ainda não conto com nenhuma ajuda dos pais dele, que as vezes só fazem piorar a situação. Não são capazes nem de ao menos perguntar como ele está. Nunca perguntam. Eu converso com ele de tudo, principalmente quando não está bem. Igual hoje que está a 3 semanas limpo e estava esperando ele para irmos pra casa dele, mas ele me ligo depois de participar da reunião de n.a e disse que não estava bem e que ia conversar com os companheiros dele hoje e amanhã a gente se vê. Essa situação é um pouco difícil pra mim, porque me iludir, me arrumar toda pra vê-lo e de repente ver tudo isso não acontecer me deixa muito triste e frustada. Também impotente às vezes pois parece que eu não posso ajudá-lo em nada. Mas acho que na verdade posso, só o compreendendo e deixando Deus tomar conta. Não posso conversar isso com meus pais e nem com ninguém na verdade, por isso guardo muita coisa. Suas publicações hoje me fizeram um pouco mais tranquila. Obrigada!
    P.S: Desculpe o desabafo, mas escrever é pra mim uma forma de me tranquilizar.

    ResponderExcluir
  2. kkkk a verdade que é uma emoção....cada dia uma personalidade...diferente...do amável ao isolado, do isolado ao intolerante, do intolerante ao briguento, do briguento ao carente, do carente ao egoísta, do egoísta ao carinhoso e amável denovo..com quem será que vamos acordar hoje...kkkk...olhando pelo lado positivo aprendemos a lidar com todos os tipos de pessoas...através de um só...kkkkk

    ResponderExcluir
  3. Me chamo Ricardo e tenho 43 anos , hoje fazem 475 dias que me mantenho em sobriedade vivendo SPH. Me internei em setembro de 2014 pois; aprendi durante o tratamento na clinica onde me encontrava, todo adicto é dono de si, prepotente, arrogante, e eu simplesmente resolvi deixar o alcool sozinho mas devido a abstinência tive 05 crises conversivas e se não fosse o pronto atendimento dos PMs ou Bombeiros para me levarem ao PS estaria morto então me decidi, QUERO ME INTERNAR, meu tio Pe. e seu confadre então me levaram a uma clinica na cidade de Jaci-SP mantida pela Fraternidade Franciscana, onde deu início rumo a minha nova vida no 15/09/14. Foi esranho no princípio pois, com 41 anos achava que já era um pouco tarde e pergunte a Deus em minhas orações, DEUS, porque agora, porque tudo isto aconteceu? e ELE em sua bondosa e onipotência, onipresença e onisciência me respondeu - ECLESIASTES 03 - TUDO TEM SEU TEMPO. Tive alta melhorada em 06/02/15 e ao retornar novamente ao mundo aqui fora foi meio estranho a princípio. Agora dependia de tudo o que aprendera no Lar S.Francisco, esta escolha , esta nova atitude dependia agora u\única e exclusivamente de mim; já não mais me encontrava em um ambiente protegido. Sabendo que sou alcoólatra reforcei e reforço todos os dias o SPH e assim continuo vivendo, quanto ao guardar os dias que me mantenho limpo é até um pouco estranho para mim mas, tenho uma certeza, tudo isto para mim tem sido muito salutar pois, me faz relembra de todos os lindos e mágicos momentos vividos no Lar S.Francisco. Um grande abraço e força , se me permiti, amiga, FORÇA a ti e teu marido. SPH / TMJ.

    ResponderExcluir