sábado, 22 de fevereiro de 2014

Faça alguma coisa por você!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui tudo em paz, graças a Deus.

Semana de férias terminando... Férias do trabalho oficial, porque na verdade, foi uma semana muito produtiva.

O terceiro livro está em fase quase final. Dei uma entrevista a um jornal de grande circulação em nosso estado, que deverá sair no domingo. E na próxima segunda, entrevista em uma rádio de âmbito nacional. Depois trarei tudo aqui pra vocês.

Mas, também dormi bastante. Tá? Risos.

Nesses dias finais de fevereiro, fico um pouco triste, pois se aproxima a data de aniversário do meu pai, e é inevitável não pensar em como tudo seria se ele estivesse aqui (sem as drogas). Ele faria 70 anos no próximo dia 28...

Mas, enfim, a vida segue!

Nossa vida está “normal”. Maridão trabalhando e aguardando sua nomeação em um órgão público. Bem tranquilo. 

Minha filha de 14 decidiu se batizar em sua igreja, no domingo passado. Foi muito bonito e emocionante. Fiquei realmente feliz com a decisão dela. Conversamos muito nesses dias que fiquei em casa.

Os pimpolhinhos menores seguem com sua interminável energia! Com os dois, tenho trabalho, ocupação e diversão na certa! É muito engraçado que, às vezes, paro diante do computador por alguns minutos, e ao olhar para traz, parece que passou um furacão pela casa...

O de 5 anos começou a trazer “dever de casa” nesta semana, e a empolgação dele é contagiante. Está sendo alfabetizado. E acho bacana gastar esses momentos com ele, todos os dias, realizando as tarefas.

O pucuxinho, de 01 ano e 11 meses, finalmente parou de mamar! Foi difícil para mim... Eu adoro amamentar. E saber que acabou, doeu. Mas, já estava mais do que na hora. Sentirei saudades desse ato de amor. Amamentei os três, e valeu à pena. Todos saudáveis, graças a Deus! No próximo dia 19, o caçulinha fará dois aninhos.

Nesta semana liguei para uma companheira do Nar-anon. Como ela é doce... Só de ouvir aquela voz, sinto-me fortalecida. Ela foi alguém muito importante em minha recuperação. Por vezes ficava com o meu filho no jardim, para que eu pudesse ouvir a reunião sossegada. E ela disse: “Poly, eu sentia pena de você, naquela época, chorando, com seu bebê no colo... E quando olho para você hoje, vejo que realmente Deus sempre escreve certo.”

Escreve sim, sempre. Cheguei naquela sala totalmente dilacerada. E pouco a pouco, os pedaços foram sendo juntados. A dor foi sendo sarada. O sorriso foi voltando ao meu rosto. A vontade de vida despertou novamente! Ah, como sou grata a todos daquele grupo lindo!

Não bastasse isso, Deus ainda me deu a dádiva de poder ajudar a outros que hoje estão como eu estava naquela época: afundada na dor de ter um dependente químico na família.

Atualmente estou fazendo um curso de Comunidades Terapêuticas (SENAD), e no mês que vem iniciarei um de Intervenções Familiares em Dependência Química (UNIAD), e um de Oratória (SEBRAE). Bacana, né?

Gente, uma dica que dou é: olhem sempre os cursos do SENAD. Eles são muito bons, à distância, e gratuitos. Trazem muita informação para nós. E informação para a família, é imprescindível.

Dia desses, eu estava conversando com uma amiga de trabalho do meu esposo, via rede social. Ela está grávida, e sua gravidez é de risco, então comecei a falar palavras de ânimo para ela. Ela não sabe da adicção do meu esposo, apenas conhece o seu lado profissional e humano.

E de repente, ela me surpreendeu com essas palavras: “Poly, muito obrigada pelas palavras positivas. Gosto muito de você. Você é admirável, uma mulher incrível e que merece tudo de melhor nesse mundo. Não nos conhecemos muito, mas sei que você é tudo isso porque o seu apaixonado marido fala de você o dia inteiro, e só coisas boas...”

Puxa, fiquei tão feliz... E mais apaixonada também, né? É muito bom ter alguém ao nosso lado que nos respeita, ama e admira. E eu também o admiro muito.

Muitas mulheres me dizem: “Não tenho a sua força, vou me separar do meu adicto...” E outras acham que estou com ele porque sou "a mais doente". Ontem eu estava conversando com meu esposo sobre isso.

Gostaria que vocês entendessem que não sou mais forte (nem mais doente) que ninguém. Hoje sou apenas uma mulher normal. A diferença não está em mim, mas na escolha diária dele. Se ele optasse pela droga, seria muito difícil conviver com isso, e criar os nossos filhos no meio disso. Mas, um dia de cada vez, ele tem escolhido a vida. E eu tenho escolhido apoiá-lo em sua decisão acertada.

O meu papel foi o de buscar ajuda para mim, para saber como agir de forma mais assertiva, sem facilitação e também sem julgamentos.

Nesse post que escrevo agora, vocês podem ver a coisa que mais valorizo na vida: a minha família. Para mim, ela é sagrada. Algo instituído por Deus. E, cá pra nós, detesto quando tocam na minha família. Viro bicho!

Já passamos por momentos totalmente caóticos. E sei o quanto tudo isso dói.

Mas, o que posso dizer para quem está com o seu familiar na ativa é: cuide de você. Busque ajuda. Busque informação. Não essa informação distorcida da mídia, ou cheia de preconceitos da sociedade. Busque informação com profissionais, e nos livros. Se fortaleça. Se conheça. Conheça os seus limites. Saiba quais são os sintomas e as fases da Codependência. E entenda também a doença da Dependência Química. Mas, trate de você primeiro. Olhe pra você primeiro. Garanto a você que tudo vai mudar.

Seu dependente químico vai parar com as drogas? Talvez não, a decisão é dele. Você só pode ajudá-lo nesse processo, nada mais. Entretanto, mesmo que ele não pare, você estará de pé para encarar isso, para tomar as suas próprias decisões, e seguir adiante sem culpa. De pé!

Ah, já ia me esquecendo de dizer. Nesta segunda, meu esposo dobrou o plantão no hospital, então não veio dormir em casa. Há um ano, ele dorme conosco, todas as noites. E o fato dele não vir naquela noite, me despertou lembranças tão ruins. Lembranças do tempo em que eu o esperava, e ele não voltava. Daí as crianças começaram a pedir pelo pai, e expliquei que o papai estava trabalhando, e iria cuidar de um senhor “dodói” no hospital. Eles demoraram a dormir, estavam agitados. Afinal, o do meio joga com o pai todas as noites, no tablet. E o caçula só dorme com o pai. E depois que eles dormiram, eu não conseguia dormir. As lembranças das noites sem ele, no tempo de ativa, vieram muito fortes.

Meu marido me ligou, e me enviou vários SMSs durante o plantão. E eu dizia a mim mesma: “Poly, está tudo bem, ele está trabalhando, só isso.” O que eu sentia não era medo, era apenas a lembrança da dor. Era como se eu visualizasse a dor de como seria se ele não estivesse bem. Entendem?

Precisei orar a Deus. A oração da serenidade me ajuda muito. E as leituras também. E pouco a pouco, fui me acalmando, até conseguir dormir.

Queridas(os), nós familiares, ficamos muito adoecidos. Muito mesmo. Por isso precisamos de ajuda tanto quanto os adictos. Nós acabamos enlouquecendo um pouco... 

Sugiro um grupo de apoio porque foi o que funcionou para mim. Se você não gostar de um, vá em outro, existem vários. Se não gostar de grupos, faça terapia. Se não tem dinheiro, busque terapias comunitárias. Sei lá. Mas faça alguma coisa! Insista em você e em seu cuidado próprio.

Nós, familiares, nos tornamos codependentes. Ou seja, nossos amados dependentes químicos exercem um efeito muito grande sobre nós e sobre nossas vidas. Na tentativa de controla-los, perdemos o controle sobre nós mesmos. E só conseguiremos nos desligar disso (com amor), se buscarmos ajuda.

Sozinhos é muito mais difícil.

Para quem está em Brasília, sugiro que entre em contato com a Unidade de Apoio às Famílias, do Ame, mas não Sofra, da SEJUS. O telefone é 2104-1868. A equipe poderá te indicar meios de obter essa ajuda, além de ter um abraço te esperando...

E para todos, existem links de ajuda do Nar-anon e Amor-Exigente, no canto direito do Blog.

Tá sem força para sair de casa? Então ao menos leia. Indico os livros da Melody Beattie, e os meus (claro, né?). Rs. 

Faça algo por você mesmo!

“Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer o que sozinha eu não consigo.”

Ah, gente, já enviei o livro da Cristina, a sorteada da nossa rifa. E ela já recebeu, e gostou! Parabéns, Cris!




Estou respondendo os e-mails, um a um, só um pouco de paciência, queridas(os), porque são muitos.

Grande beijo!

Bom sabadão!

8 comentários:

  1. Olá poly!!!!! Adorei a postagem de hoje, como sempre, nos fazem refletir a nossa vida e atitudes. Tentei entrar no site do SENAD, mas só vi um curso voltado a profissionais da área. Existem mais cursos????? Obrigada por nos deixar informados de coisas que seria obrigação do Estado. Segue meu blog. http://eumlongocaminho.blogspot.com.br/

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  2. Oi Poly e tao bom ler seus post.....me acalma.....no momento agora meu peito doi e uma angustia e tristeza correi dentro de mim, meu esposo sai para trabalhar, nao me ligou hoje, nao chegou ate agora ! ninguem merece passar um sabado nesta angustia,desculpe o desabafo , mas tenho fé que vou sairr deste fundo de poço e se Deus quiser juntos pois amo minha familia´e nao quero a perder por causa desta maldita droga ! BJUS EM SEU CORAÇÃO

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  3. Tenho passado dias tão doloridos... Estou nos últimos dias da gestação e meu esposo ainda não conseguiu se livrar desse vício. Eu tenho fé em Deus e sei que ele vai conseguir sair dessa prisão, mas não quero que nossa filha sofra com isso como eu tenho sofrido... Que Deus nos dê forças para nossa família se libertar dessa dor.

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  4. Boa tarde!

    Preciso muito desabafar e igualmente de ajuda.
    Há meses iniciei um relacionamento com um adicto e nem sabia da existência dessa palavra...fizemos planos de casamento. ..vivemos um conto de fadas...um homem maravilhoso em todos os sentidos....ele ja estava em uso quando começamos. ...me contou depois...foi internado e qdo saiu tudo estava perfeito. ...vivemos de novo im conto de fadas....quando passo semanas em sua casa, tudo é lindo e ele não usa....porém quando vou embora ele recai.....moramos em cidades distintas.
    É meu primeiro amor com incrivelmente 36 anos...e logo com um adicto? Ele diz que me ama muito....mas como meu amor não cura? Porquê ele prefere drogas à mim?
    Não queria jogar tudo para o alto....mas como viver assim?

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  5. Oi Poly, nao escrevo e nem entro no blog a bastante tempo. Venho escrever hoje pois nao sei se aguento mais, ou melhor, meu marido que desistiu de nos. Cada uma temos uma cruz, e cada pessoa tem sua vida afetada de maneira difrente ...Meu marido é adicto de cocaina desde os 17 anos e hoje ele ja tem 45...E volta e meia ele pula a cerca...é visivel que quando as crises aumentam ele nao me da valor e fica transtornado. Nos separamos outra vez pois ele se juntou com uma mulher mais maluca do que ele...eu nem beber bebo...e dessa vez acredito que nao tenha sido diferente. Nunca estivemos tao bem e de repente pumba...comecou a esconder celular, comecou a se sentir incomodado com a minha presenca e finalmente depois de 3 meses ele quis se separar. Estou sofrendo muito pois nao consigo aceitar. Nao consigo tira lo da minha cabeca e do meu coracao. Acho que eu estou doente! Como eu posso ter lutado tanto por esse homem durante 6 anos e ele nem da valor...me tornei evangelica por causa dele e hoje acredito em muitas coisas que eu nao acreditava. Todas as minhas horas de desespero eu recorria a deus e ao seu blog que sempre me sustentou muito e acreditei que tudo iria terminar bem. Mas hoje estou sem esperanca me sentindo traida e humilhada. Ele diz nao ter ninguem mas nao é o que parece. Estou dizendo isso tudo aqui por que imagino que tenham outras pessoas passando pelas mesmas coisas.Nao consigo ve lo sendo o cretino que tem sido sobrio....nunca acreditei em demonios ou esse tipo de coisa ate que meu marido se transformou completamente ...estavamos no carro e ele nem estava "tao" doido quanto o normal e levamos uma fechada de um cara de moto...ele se transformou, queria passar por cima do rapaz com o carro...gritei e chorei muito mas nada adiantava ate que comecei a ordenar em nome de jesus que aquilo que estava nele saisse....fiz com medo de que ele me desse uma bolacha, confesso....( ele nunca levantou a mao p mim mas isso seria demais)...foi quando ele comecou a se acalmar e a mudar a fisionomia, ele estalou o pescoco virou p mim com o rosto placido e perguntou por que eu estava chorando! Quase tive um treco e depois desse dia minha vida virou um inferno ainda maior do que antes. Depois disso nosso casamento veio por agua abaixo. Ele parece que ficou cada vez mais incomodado com minha presenca. Nao quero desistir dele acredito que ele precise de cura. OU que Deus me cure dele. Que Deus cuide do coracao de cada uma de voces e lhes de forca para enfrentar o que tiverem que enfrentar e estejam certas de que se eu nao tivesse procurado uma igreja hoje eu nao estaria mais aqui pois nao teria tido forcas p viver tudo que vivi ao lado dele. Por isso digo, nao passem por isso sozinhas. Procurem ajuda de uma religiao que as complete e que as faca bem. Obrigada Poly.lud

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