quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Até quando vai durar?


“Quinze dias que meu esposo está limpo! Já tinha algum tempo que ele não conseguia essa marca. Felicidade e gratidão a Deus!

Ontem ele chegou em casa bem cansado por conta da sua maratona de trabalhos, mas sua satisfação e felicidade estavam estampadas em sua face. Chegou com o carro e com o dinheiro recebido. Passou na padaria e trouxe umas guloseimas para as crianças.

Hoje ele saiu no horário de costume. Ainda estava escuro. Uniforme branco. Agasalho azul. Ele está fortinho novamente e já não existem marcas em seus braços. É inegável que eu o amo. O amo muito e verdadeiramente. Amar é saudável, e faz bem a nós mesmas(os) e aos adictos. Entretanto, eu gostaria de falar sobre algo que confundimos com amor, e que é muito maléfico e destrutivo: a dependência de pessoas, a adicção pelo adicto, ou seja, a codependência.
           
Como diferenciar uma coisa da outra?

A primeira característica já foi falada acima, amar é saudável, enquanto a codependência dói e machuca.
           
Você se dedica ao dependente químico equilibradamente, porque o ama, sem esperar nada em troca? Ou, pelo fato de ter recebido pouca atenção e afeto em sua infância e adolescência, tenta dar o que não teve, se tornando atenciosa excessivamente, de preferência a alguém que “necessite” de você?

Você ama o seu adicto como ele é? Ou você pensa que o mudará com a força do seu amor, tornando-o naquilo que você deseja, conforme os seus padrões?

Você faz somente a sua parte para ter um bom relacionamento? Ou você tem pânico ao pensar que pode haver um rompimento, e assume qualquer preço, faz qualquer coisa, passa por cima de tudo, até de si mesma, para ajudar seu companheiro adicto, ainda que ele não queira ou não peça?

O seu amor é consciente e tem limites claros? Ou você deixa estampado ao adicto que quando ele erra, é você quem está disposta a mudar, a ter mais paciência, a tentar ser melhor para agradá-lo mais?

Você permite que o seu amado dependente químico arque com as consequências dos seus atos insanos? Ou você assume toda a responsabilidade e a culpa, paga as contas do adicto, e mente em favor dele?

Você sabe que merece e pode ser feliz? Ou pensa que sua felicidade só será possível se conseguir livrar o seu amado das drogas?

Você consegue realizar suas próprias atividades, pensando em si mesma? Ou sente necessidade desesperada de exercer controle sobre o adicto, se enganando que isso é apenas para ajudá-lo?

Onde está o seu foco? Em sua vida, ou na vida do dependente químico?

Queridas leitoras, amo o meu esposo e estou me recuperando da codependência, e posso dizer que amar é muito bom. Para mim, o amor é o sentimento que rege nossas vidas e dá sentido a elas. Entretanto, ser dependente de outra pessoa é horrível. Ter compulsão pela vida de outra pessoa nos leva à insanidade.

Só por hoje o meu foco estará em mim mesma e em minhas atividades. Quando eu pensar em meu esposo, serão pensamentos de carinho e saudade, e não de necessidade de controlar os seus atos, afinal, não posso mesmo controlá-los. Ele é responsável por suas próprias escolhas.

Só por hoje, escolho amar de forma saudável e me permito ser feliz.”

(Pág. 174 a 176, livro Amando um Dependente Químico – Dias de Dor e Dias de Recuperação – 2ª Edição.)


Relendo alguns trechos desse livro que narra a minha própria história ao lado do meu esposo, brotam tantos sentimentos.

Gosto desse capítulo que fala sobre o amor e sobre a codependência, e sobre suas diferenças, porque embora sejam coisas totalmente distintas, nós familiares, geralmente confundimos.

Achamos que as insanidades que cometemos são por amor, quando na verdade são demonstrações de que precisamos de ajuda.

Mas, quando vejo a primeira linha desse texto, onde comemoro o fato do meu esposo estar limpo há quinze dias, pois ele não conseguia esse tempo há meses, me dá um nó na garganta, e uma grande gratidão a Deus pelos dias atuais.

Peço perdão aos leitores do blog, pois realmente perdi as contas de quanto tempo faz que ele está limpo. Tenho que rever as postagens e as datas, para colocar na calculadora do NA. Mas, o mais importante é que ele está limpo hoje! Sua ultima recaída foi em março do ano passado, uma recaída muito dolorosa, mas imediatamente seguida de uma breve internação. Depois, aconteceu um lapso no início de novembro, mas graças a Deus, ele usou isso para voltar ao estágio da ação, ou seja, da motivação de manter-se limpo.

E assim, ele tem conseguido, um dia de cada vez. Uma hora de cada vez.

Hoje vim até aqui, só dizer para vocês que estou feliz. A vocês que estão comigo há quase três anos. Que me acompanharam em tantas noites sombrias, em tantos momentos de dor, e de lágrimas... Vocês que me acompanharam nos nove meses da minha ultima gestação, quando por vezes ele não estava comigo, em razão de períodos de ativa ou de internação.

Então me sinto na obrigação de vir aqui compartilhar essa felicidade também com vocês! Pois sei que a minha felicidade pode alimentar a esperança de quem está passando pelos vales que meu marido e eu passamos.

Vales tão profundos. Solitários. Dolorosos.

Até quando vai durar a nossa felicidade? Realmente não sei. Mas, é melhor que eu não saiba mesmo. Pois se eu soubesse que acabaria amanhã, não conseguiria aproveitá-la hoje, pelo medo do que viria. E se eu soubesse que duraria para sempre, correria também o risco de não aproveitá-la agora, por saber que a teria depois e depois... Mas, assim, nessa incerteza, vivo intensamente cada momento de paz com a minha família, não permitindo que nenhum sorriso passe despercebido, e não perdendo nenhuma oportunidade de dizer “eu te amo, meu bem”, ou “obrigada, meu Deus!”.

Bom, queridas(os), é isso!

Hoje é o primeiro dos meus dez dias de férias.

Tirei uma foto para vocês.

Realidade de mãe e dona de casa! kkkkkkk


Na verdade, essas férias são para descansar um pouco, estava me sentindo exausta, e com muito sono atrasado, então a missão é dormir um pouco mais! Prometo que vou tentar. Risos.

Mas também tenho a grande missão de tentar concluir o terceiro livro nesses dias. Um livro difícil de escrever, pois é uma história que mexe demais comigo, mas vai valer muito a pena. Tenho certeza que ajudará muitos jovens e muitas famílias a não sofrerem o que nós sofremos em razão do uso e do abuso de drogas.

Hoje aproveitei o dia para dormir, levar a meninada para a escola, e curtir o maridão que está de folga. Pipoca, filme, limpeza na casa, sonequinha, essas coisas. Agora vou buscar os pequenos para um sorvete.

Delícia de paz!

Senhor, obrigada, obrigada e obrigada!

Estou de férias, mas estarei sempre por aqui...

Beijo no coração!
Poly



6 comentários:

  1. Gosto desse blog, pois você sempre está falando da codepência. E cá entre nós, estou dominada por essa porcaria de doença. Das perguntas que você citou no início da postagem, minhas respostas eram todas NÃO... Seu amor é consciente? Não. Você o ama pelo que ele é? Não. Você sabe que pode ser feliz? Não.

    Olha, se eu pudesse esquecer, voltar no tempo, começar do zero, apagar as tristezas... Mas eu não posso, ou não quero? Não sei mais, não estou me mandando mais, meus atos são todos cometidos por impulso, tenho feito coisas que não acredito que seria capaz! Minhas atitudes não estão ajudando em nada, e eu sei disso, mas estou totalmente doente.

    Não sei até quando vou viver assim, só sei que não vou aguentar muito tempo mais. Está muito dolorido, muito pesado, muito sofrido... Não tenho mais forças.
    Enfim, estou totalmente desmotivada dessa vida.

    Agradeço pelos textos, espero que um dia tanta leitura faça efeito pra mim.
    Fica com Deus Polly!

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    1. É engraça do e até espantoso como as histórias de vida são parecidas...Li seu comentário agora e me identifiquei pois tb sou codependente e minha família não se conforma pq não consigo me separar dele, mesmo depois de tanta coisa que ele fez e a última agora foi traição que descobri no face dele. Enfim, pra mim já deu seis anos e meio indo e voltando cansei aguentei muita coisa fui companheira mas traição não aguento! O pior é o poder de argumentação que eles tem, inventam mil estórias e colocam as outras pessoas como erradas, Decidi que isso não é vida que mereço muito mais não vou chegar aos 40 derrubada de tanto sofrer, vamos viver gente!

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  2. Ei Polly, co-dependente vicia??
    Estou completamente viciada em seu blog.
    Entro sempre pra ver se tem algo que encaixa pra mim..
    Fica com Deus Polly

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  3. Boas férias (descanso)!!!! Deus também sabe dar o refrigero. Dizer que é uma guerreira, todos nos sabemos. Mas também acredito em varias colocações no quesito "no que vc acredita". Sei que é uma eterna luta, mas também sei que somos mais que vencedores. Gostaria de saber se vc já se aprofundou no assunto da Ibogaína? Bjs e divirta-se.

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  4. Oi Polly

    Me chamo Priscilla e acompanho seu blog faz uns dois anos.Tenho um marido dep quim e estamos juntos faz seis anos e meio e eu sempre lutando para tira lo dessa mas ele diz q vai se tratar e nada acontece, ele enrola. Passamos por momentos ruins entr delegacia e hospital, enfim ele deu trabalho mas eu srmpre ali. Anteontem eu vi o facebook dele no celular dele pq esqueceu em casa e descobri q esta me traindo com varias mulheres algumas usuarias de cocaina tb e mulheres da noite e segundo algumas pessoas q vi naquelas msgs e associações de coisas q deixou escapar, eu constatei q ele sempre me traiu. Ele dizia q as noites e dias fora eram em virtude da droga.
    Agora me decidi e vou embora pq aceitei muita coisa mas ser traida nao dá, sou codependente e ponto de passar por cima de mta coisa mas dessa vez chega!
    Polly vc ja pegou alguma traição do seu marido?

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  5. ola acompanho seu blog, a um bom tempo e sempre quando estou muito triste ou em panico, entro e me conforto com todas as mensagens de esperança. Eu sinceramente ja estava sem esperança alguma, frequentei o AE muito tempo, mesmo depois de me recuperar da minha dependencia quimica, me vi tendo que me recuperar da minha coodependecia. Tenho uma filhinha linda de 4 aninhos, que toda vez que o pai estava em uso, pedia pra ele não sair pra trabalhar. Foram 7 anos de brigas, depressão, desespero, e hoje faz 9 dias que meu marido, esta limpo. Parece pouco, mais eu o conheço a 18 anos e nunca vi ele um dia sequer limpo. Não sei o dia de amanhã, mais como aprendi, o ontem ja foi e o amanhã a Deus pertence, muitos anos no inferno, logico que só resisti porque o amo muito, e ele é uma pessoa maravilhosa, que mesmo em uso sempre respeitou nossa casa, e nossas crianças ( ele tem mais 2 filhos do 1° casamento), um mora conosco, apenas 9 dias limpo e eu estou maravilhada, com sua mudança. Hoje resolvi escrever para pedir que tenham esperança, sei o quanto a luta é grande e ardua, mais mesmo que tenham que tomar atitudes para não se prejudicarem tambem, tenham a certeza que pode acontecer um milagre.Hoje tenho fé, que é possivel.Obrigada por ser a porta voz nossa Poly. Deus abençõe a todas as companheiras que estão passando por isso.
    SENHOR DAI FORÇA E ESPERANÇA PRA GENTE

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