sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O mesmo amor e a mesma dor!


Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem?

Hoje quero dividir com vocês as matérias que saíram no jornal Correio Braziliense, durante toda a semana, sob o título Vidas Roubadas, relatando o drama de mães de dependentes químicos.

O interessante é que nessa reportagem da jornalista Thaís Cieglinski, diferente do que a gente vê por aí, o foco não estava no sensacionalismo, mas em levar informações, além de contar as histórias.

No domingo, dia 23/02, foi contada a história de Neusa de Paula. Ela luta contra a dependência química da filha mais velha, Érica, de 32 anos, usuária de crack, portadora de esquizofrenia e bipolaridade, e presa desde agosto do ano passado, por tentar agredir a mãe e o padrasto.

“Ela ficava na rua três, quatro dias. Voltava para casa louca e dizia que queria me matar. A polícia vivia na nossa porta. Os meus outros filhos viviam apavorados e começaram a ter antipatia pela irmã, medo mesmo.” Disse Neusa.

Na segunda, dia 24/02, foi contada a história de Teresa*, a aposentada de 62 anos que enfrenta a difícil batalha de tentar tirar o filho de 37 anos das drogas. De uma família de classe média, moradora do Plano Piloto (centro de Brasília), ele se tornou dependente químico ainda na adolescência e já chegou a agredir a mãe.

Seu filho, após uma internação, e diante do fato de se tornar pai, chegou a lograr três anos limpo, mas a morte repentina de seu pai, vítima de um enfarto, acabou desencadeando uma recaída. “Não pude sequer viver o meu luto. A minha preocupação era saber onde o meu filho estava. Fomos a hospitais, delegacias e até ao IML”. Ela recorda.

Em 25/02, foi contada a história de Silvana*, de 48 anos, mãe de um jovem de 20 anos, usuário de crack.

“Naquela época, não sabia nada sobre esse problema, não entendia o que era a dependência química. Achei que, se ele fosse para uma clínica, sairia de lá curado”. Conta a mãe, sobre quando descobriu o vício do filho.

Seu filho sofreu um atentado na porta de casa, em julho do ano passado, quando levou dois tiros, e ficou por mais de um mês internado. Ele segue em uma clínica de reabilitação de dependentes, há sete meses, e hoje atua como monitor.

Em 26/02, foi narrada a história da diarista, D. Oscarina. Café, cigarros, antidepressivos e calmantes. Esse é o combustível de Oscarina Alves Coelho Rodrigues, 52 anos, para aguentar o pesadelo em que se transformou a vida dela desde que a filha mais nova passou a fumar crack, há cerca de três anos. “Por onde eu ando, as pessoas perguntam: ‘Por que esse olhar tão triste?'”, diz. Com dívidas, uma parcela mensal de R$ 1,5 mil para manter Karine Rodrigues, 23 anos, em uma clínica de desintoxicação e dois netos para criar, a dona de casa é o retrato da dor.

Ontem, dia 27/02, foi contada a história de Cíntia*, uma mãe, de 46 anos, que gastou mais de 90 mil com tratamentos para o filho, dependente químico desde o ensino médio, e hoje morador de rua.

Um aparelho de tevê de 42’’, uma coleção de relógios, um porta-joias vazio. Essa é parte do prejuízo causado pelo vício do filho único de Cíntia, 46 anos. “Fico triste ao perceber que ele não respeita nem a mim nem a nossa casa, mas o que dói mesmo é não saber onde o Paulo* está, se está vivo”, resume a mãe. O olhar perdido parece buscar na memória o tempo em que a vida do garoto alegre tinha como foco as aulas de artes marciais e os shows de axé. Há cinco anos, a decoradora não podia imaginar que o destino dele daria uma guinada radical.

E hoje, para fechar a série, foi contada a história de Flávia Costa Hahn, de 65 anos, que no domingo de Páscoa, em 12 de abril de 2009, durante um churrasco em casa, em um momento de desespero, acabou baleando o único filho, viciado em crack, Tobias Lee Manfred Hahn, de 25 anos, que morreu na hora.

Triste, né?

Mas, pode acontecer...

Quem acompanha este Blog, sabe que o foco dele não é falar sobre histórias tristes, sobre a dor, sobre o sofrimento, porque isso já conhecemos bem. Opto por falar sobre recuperação, e sobre como podemos ter uma vida melhor, mais leve, mesmo com essa dor.

Mas, achei bacana a iniciativa desse jornal, em olhar para nós familiares, e dedicar uma semana para falar um pouco do que vivemos.

E todos os dias foram levadas informações como: dados do Levantamento Nacional de Famílias de Dependentes Químicos, da UNIFESP, mostrando que essa doença afeta toda a família. Para quem quiser ver o Levantamento, na íntegra, clique aqui

Trouxe também palavras da Psicóloga Neliana Buzi Figlie, Psicóloga Especialista em Dependência Química, que disse: “quanto antes os familiares procurarem ajuda, independentemente de o usuário de drogas querer tratamento, os danos podem, em muito, ser amenizados ou contidos.”

Também falou sobre os grupos de apoio, olha que bacana o texto publicado:

“Com o objetivo de prestar ajuda a quem vive a dura realidade de conviver com um usuário de drogas, alguns grupos de autoajuda desenvolvem atividades em vários locais do Brasil. Na capital, as principais ações ficam por conta do Nar-anon e do Amor Exigente. Ambos os grupos oferecem reuniões semanais em alguns locais do DF.

Frequentador há quatro anos do Nar-Anon em Brasília, Antônio explica que o grupo é uma irmandade mundial criada nos Estados Unidos em 1968, focada no atendimento voluntário e gratuito a parentes e a amigos de dependentes químicos. Não há qualquer ligação com religião, partidos políticos ou entidades governamentais. “Quando tomamos conhecimento do problema, ficamos sem chão. Somos analfabetos nesse assunto, nenhuma família está preparada para encarar esse problema”. Revela.

Um dos princípios é garantir o anonimato dos frequentadores, que não são obrigados a se identificar para participar das atividades.

“Nar-anon existe para quem quer, não para quem precisa, pois, se fossemos atender todos que precisam, a reunião teria de ser feita no estádio Mané Garrincha”, observa Antônio. Hoje, a entidade atende aproximadamente 60 famílias no Distrito Federal.”

Site do Nar-anon: www.naranon.org.br .

Gente, espero que muita gente que precisa tenha lido isso... Como sabem, o Nar-Anon mudou a minha vida, e continua mudando vidas todos os dias!

Também tive a oportunidade de conversar com a jornalista. Veja a matéria:

"Além dos devastadores efeitos causados nos dependentes químicos, o uso contínuo de drogas costuma adoecer as famílias. São mães que abandonam o emprego para vigiar o comportamento dos filhos, que vão às bocas de fumo à procura deles e que, na maioria das vezes, enfrentam problemas de saúde. Na tentativa de prestar auxílio e apoio a quem convive diariamente com esses desafios, em novembro do ano passado, a Secretaria de Justiça do DF lançou o Programa Ame, mas não Sofra.

'Conviver com um dependente químico é doloroso, e um amor sem limites acaba intensificando o problema do usuário e o sofrimento da família. Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de informação de qualidade. É um processo muito complexo, mas é possível amenizar', explica Polyanna*, coordenadora do curso. Essa é a primeira ação do gênero no Brasil e já atendeu mais de 300 pessoas em duas edições.

Nos encontros que duram uma semana, os participantes assistem a palestras e têm a oportunidade de trocar experiências sobre os desafios que enfrentam na convivência com um familiar viciado. 'É possível ser feliz sendo parente de um dependente químico? Sim, desde que a pessoa não deposite na outra a responsabilidade pelo bem-estar dela. Nosso trabalho é ajudá-las a pegarem de volta as próprias vidas e a trabalharem pelos seus sonhos', avalia Polyanna."

Os nomes seguidos de * são fictícios.

Infelizmente não saiu nada sobre o Blog, mas tá valendo.

Na semana que vem, irá ao ar uma entrevista à Rádio Senado, sobre Codependência, e divulgarei aqui para vocês o áudio.

Queridas(os), conviver com um dependente químico não é fácil. Em todas essas histórias, a presença da dor é algo muito forte. A família precisa se cuidar. Procure ajuda para você, familiar. Sozinho é muito difícil encontrar forças para viver, para ser feliz, e até mesmo para ajudar o outro.

“Eu seguro a minha mão na sua e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer o que não consigo fazer sozinha...”

Bom, feriado de carnaval chegando, e sei que muitos familiares estão com o “coração na mão”, afinal, o índice de recaídas às drogas, nesses dias, é bem elevado. Uma dica que dou é, incentive o seu familiar a procurar o grupo Narcóticos Anônimos. Alguns grupos, nesses dias, ficam abertos 24 horas, em regime de Plantão, para “guardar” os seus membros.

Site do NA: http://www.na.org.br/

Bom feriado. Que Deus abençoe a todos nós!

Termino com uma homenagem ao meu pai, que hoje completaria 70 anos, mas que infelizmente faleceu em razão de uma overdose, em 1995.


Puxa, você faria 70 anos amanhã.

E penso que bem que você poderia estar aqui, 
curtindo os netos, afinal, sempre foi tão apaixonado por crianças.
Poderia estar aqui, tocando o seu violão, 
comendo a sua macarronada, fazendo suas graças.
Sim, poderia...
Lembra quando me chamava de “perninha de sabiá do papai”, e me fazia cosquinhas? 
Eu adorava!
Sinto saudades.
Bem que você poderia estar aqui, para me ajudar nas horas difíceis, 
e me proteger nas horas de medo. Né?
Mas, eu sei que não deu, pai.
As drogas foram mais fortes. 
Eu sei que você até tentou... Mas não deu.
E elas, as malditas drogas te levaram embora de vez.
Mas, eu queria te dizer que te amo. 
E que te perdoo pelo que não fez. 
Te perdoo pelas ausências, pelas dores, 
e até por ter ido embora assim de forma tão brusca e precipitada...

Te amo pra sempre!


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Faça alguma coisa por você!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui tudo em paz, graças a Deus.

Semana de férias terminando... Férias do trabalho oficial, porque na verdade, foi uma semana muito produtiva.

O terceiro livro está em fase quase final. Dei uma entrevista a um jornal de grande circulação em nosso estado, que deverá sair no domingo. E na próxima segunda, entrevista em uma rádio de âmbito nacional. Depois trarei tudo aqui pra vocês.

Mas, também dormi bastante. Tá? Risos.

Nesses dias finais de fevereiro, fico um pouco triste, pois se aproxima a data de aniversário do meu pai, e é inevitável não pensar em como tudo seria se ele estivesse aqui (sem as drogas). Ele faria 70 anos no próximo dia 28...

Mas, enfim, a vida segue!

Nossa vida está “normal”. Maridão trabalhando e aguardando sua nomeação em um órgão público. Bem tranquilo. 

Minha filha de 14 decidiu se batizar em sua igreja, no domingo passado. Foi muito bonito e emocionante. Fiquei realmente feliz com a decisão dela. Conversamos muito nesses dias que fiquei em casa.

Os pimpolhinhos menores seguem com sua interminável energia! Com os dois, tenho trabalho, ocupação e diversão na certa! É muito engraçado que, às vezes, paro diante do computador por alguns minutos, e ao olhar para traz, parece que passou um furacão pela casa...

O de 5 anos começou a trazer “dever de casa” nesta semana, e a empolgação dele é contagiante. Está sendo alfabetizado. E acho bacana gastar esses momentos com ele, todos os dias, realizando as tarefas.

O pucuxinho, de 01 ano e 11 meses, finalmente parou de mamar! Foi difícil para mim... Eu adoro amamentar. E saber que acabou, doeu. Mas, já estava mais do que na hora. Sentirei saudades desse ato de amor. Amamentei os três, e valeu à pena. Todos saudáveis, graças a Deus! No próximo dia 19, o caçulinha fará dois aninhos.

Nesta semana liguei para uma companheira do Nar-anon. Como ela é doce... Só de ouvir aquela voz, sinto-me fortalecida. Ela foi alguém muito importante em minha recuperação. Por vezes ficava com o meu filho no jardim, para que eu pudesse ouvir a reunião sossegada. E ela disse: “Poly, eu sentia pena de você, naquela época, chorando, com seu bebê no colo... E quando olho para você hoje, vejo que realmente Deus sempre escreve certo.”

Escreve sim, sempre. Cheguei naquela sala totalmente dilacerada. E pouco a pouco, os pedaços foram sendo juntados. A dor foi sendo sarada. O sorriso foi voltando ao meu rosto. A vontade de vida despertou novamente! Ah, como sou grata a todos daquele grupo lindo!

Não bastasse isso, Deus ainda me deu a dádiva de poder ajudar a outros que hoje estão como eu estava naquela época: afundada na dor de ter um dependente químico na família.

Atualmente estou fazendo um curso de Comunidades Terapêuticas (SENAD), e no mês que vem iniciarei um de Intervenções Familiares em Dependência Química (UNIAD), e um de Oratória (SEBRAE). Bacana, né?

Gente, uma dica que dou é: olhem sempre os cursos do SENAD. Eles são muito bons, à distância, e gratuitos. Trazem muita informação para nós. E informação para a família, é imprescindível.

Dia desses, eu estava conversando com uma amiga de trabalho do meu esposo, via rede social. Ela está grávida, e sua gravidez é de risco, então comecei a falar palavras de ânimo para ela. Ela não sabe da adicção do meu esposo, apenas conhece o seu lado profissional e humano.

E de repente, ela me surpreendeu com essas palavras: “Poly, muito obrigada pelas palavras positivas. Gosto muito de você. Você é admirável, uma mulher incrível e que merece tudo de melhor nesse mundo. Não nos conhecemos muito, mas sei que você é tudo isso porque o seu apaixonado marido fala de você o dia inteiro, e só coisas boas...”

Puxa, fiquei tão feliz... E mais apaixonada também, né? É muito bom ter alguém ao nosso lado que nos respeita, ama e admira. E eu também o admiro muito.

Muitas mulheres me dizem: “Não tenho a sua força, vou me separar do meu adicto...” E outras acham que estou com ele porque sou "a mais doente". Ontem eu estava conversando com meu esposo sobre isso.

Gostaria que vocês entendessem que não sou mais forte (nem mais doente) que ninguém. Hoje sou apenas uma mulher normal. A diferença não está em mim, mas na escolha diária dele. Se ele optasse pela droga, seria muito difícil conviver com isso, e criar os nossos filhos no meio disso. Mas, um dia de cada vez, ele tem escolhido a vida. E eu tenho escolhido apoiá-lo em sua decisão acertada.

O meu papel foi o de buscar ajuda para mim, para saber como agir de forma mais assertiva, sem facilitação e também sem julgamentos.

Nesse post que escrevo agora, vocês podem ver a coisa que mais valorizo na vida: a minha família. Para mim, ela é sagrada. Algo instituído por Deus. E, cá pra nós, detesto quando tocam na minha família. Viro bicho!

Já passamos por momentos totalmente caóticos. E sei o quanto tudo isso dói.

Mas, o que posso dizer para quem está com o seu familiar na ativa é: cuide de você. Busque ajuda. Busque informação. Não essa informação distorcida da mídia, ou cheia de preconceitos da sociedade. Busque informação com profissionais, e nos livros. Se fortaleça. Se conheça. Conheça os seus limites. Saiba quais são os sintomas e as fases da Codependência. E entenda também a doença da Dependência Química. Mas, trate de você primeiro. Olhe pra você primeiro. Garanto a você que tudo vai mudar.

Seu dependente químico vai parar com as drogas? Talvez não, a decisão é dele. Você só pode ajudá-lo nesse processo, nada mais. Entretanto, mesmo que ele não pare, você estará de pé para encarar isso, para tomar as suas próprias decisões, e seguir adiante sem culpa. De pé!

Ah, já ia me esquecendo de dizer. Nesta segunda, meu esposo dobrou o plantão no hospital, então não veio dormir em casa. Há um ano, ele dorme conosco, todas as noites. E o fato dele não vir naquela noite, me despertou lembranças tão ruins. Lembranças do tempo em que eu o esperava, e ele não voltava. Daí as crianças começaram a pedir pelo pai, e expliquei que o papai estava trabalhando, e iria cuidar de um senhor “dodói” no hospital. Eles demoraram a dormir, estavam agitados. Afinal, o do meio joga com o pai todas as noites, no tablet. E o caçula só dorme com o pai. E depois que eles dormiram, eu não conseguia dormir. As lembranças das noites sem ele, no tempo de ativa, vieram muito fortes.

Meu marido me ligou, e me enviou vários SMSs durante o plantão. E eu dizia a mim mesma: “Poly, está tudo bem, ele está trabalhando, só isso.” O que eu sentia não era medo, era apenas a lembrança da dor. Era como se eu visualizasse a dor de como seria se ele não estivesse bem. Entendem?

Precisei orar a Deus. A oração da serenidade me ajuda muito. E as leituras também. E pouco a pouco, fui me acalmando, até conseguir dormir.

Queridas(os), nós familiares, ficamos muito adoecidos. Muito mesmo. Por isso precisamos de ajuda tanto quanto os adictos. Nós acabamos enlouquecendo um pouco... 

Sugiro um grupo de apoio porque foi o que funcionou para mim. Se você não gostar de um, vá em outro, existem vários. Se não gostar de grupos, faça terapia. Se não tem dinheiro, busque terapias comunitárias. Sei lá. Mas faça alguma coisa! Insista em você e em seu cuidado próprio.

Nós, familiares, nos tornamos codependentes. Ou seja, nossos amados dependentes químicos exercem um efeito muito grande sobre nós e sobre nossas vidas. Na tentativa de controla-los, perdemos o controle sobre nós mesmos. E só conseguiremos nos desligar disso (com amor), se buscarmos ajuda.

Sozinhos é muito mais difícil.

Para quem está em Brasília, sugiro que entre em contato com a Unidade de Apoio às Famílias, do Ame, mas não Sofra, da SEJUS. O telefone é 2104-1868. A equipe poderá te indicar meios de obter essa ajuda, além de ter um abraço te esperando...

E para todos, existem links de ajuda do Nar-anon e Amor-Exigente, no canto direito do Blog.

Tá sem força para sair de casa? Então ao menos leia. Indico os livros da Melody Beattie, e os meus (claro, né?). Rs. 

Faça algo por você mesmo!

“Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer o que sozinha eu não consigo.”

Ah, gente, já enviei o livro da Cristina, a sorteada da nossa rifa. E ela já recebeu, e gostou! Parabéns, Cris!




Estou respondendo os e-mails, um a um, só um pouco de paciência, queridas(os), porque são muitos.

Grande beijo!

Bom sabadão!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

No que acredito e no que não acredito!



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem?

Hoje estou aqui para falar no que eu acredito e no que não acredito nesse mundo de adicção e codependência.

Quero deixar claro que é apenas a minha forma de pensar sobre o assunto.

Mudei minha forma de pensar, ao longo dos anos, sobre alguns quesitos. E amanhã pode ser que eu tenha uma outra forma de olhar para o assunto. Mas, hoje, é assim que penso.

Vamos lá?

Acredito que a dependência química é uma doença física, emocional e espiritual. Ela altera a estrutura física do cérebro, afeta o comportamento, e afasta a pessoa de Deus e das coisas boas. Para quem não sabe, a adicção é reconhecida como doença pela OMS.

Não acredito que a dependência química seja um problema moral ou de falta de caráter, ou de falta de “vergonha na cara”. Mas, acredito que por vezes falta empenho e força de vontade do adicto em se tratar.

Não acredito que o adicto seja um coitadinho, ao contrário, o vejo como alguém que tem um problema, mas que também tem a capacidade para superar esse problema, basta querer de verdade.

Acredito que a família adoece junto do adicto. E embora a codependência não seja reconhecida como doença, eu a vejo como doença sim. Com sintomas físicos, psicológicos, emocionais e espirituais. Na verdade, ficamos muito parecidos com o adicto. Só que a obsessão dele é pela droga, e a nossa é em salvá-lo da dependência química e das suas consequências.

Acredito que a família tem muita dificuldade em reconhecer que precisa de ajuda, e que sozinha não conseguirá mudar sua forma de reagir à doença do outro. Acredito que pelo fato do foco da família estar sempre sobre o dependente, ela não consegue enxergar o quanto também está adoecida, e precisa mudar.

Acredito que a dependência química ainda é vista com muito preconceito. Trazemos em nós resquícios do passado, quando dependentes químicos eram apedrejados em praça pública, ou enviados juntos com os loucos em navios para alto mar (nau dos loucos); ou simplesmente afastados da sociedade, internados em manicômios.

Acredito que, sem ajuda, a família sofre mais, e tende à exaustão.

Acredito no poder de mudança que brota por meio dos Doze Passos. Seja para o adicto, ou para a família.

Acredito que para a família viver melhor ela precisa de ajuda (grupo de apoio, terapias, e igreja) para ajuda-la a mudar o foco da sua vida, retirando-o do adicto, e colocando-o em si mesma.

Acredito que a família não tem culpa da doença do adicto. E que ela também não tem controle sobre isso, e nem tem a cura para essa doença. Sendo assim, ela precisa reconhecer sua impotência para viver livre desse peso.

Acredito que cada pessoa é única. E cada uma tem sua própria percepção, seus próprios limites, e seus próprios sentimentos. Por isso, não acredito em conselhos, mas sim na troca de experiências de uns com os outros.

Acredito que estabelecer limites para nós mesmos, como: “não aceito uso de drogas dentro de casa”, “não convivo com um adicto na ativa”, “não acordo à noite para abrir a porta para ele”, “não saio de casa para busca-lo na rua”, "não me permito sofrer agressões físicas ou verbais" é muito benéfico para ambos.

Não acredito no efeito de punições para o adicto, principalmente quando a família está cheia de culpa sobre si. Punir o adicto não dá resultado, mas reconhecer os nossos limites, deixa-los claros e respeitá-los, dá muito resultado.

Não acredito na história de que “se colocar o adicto para a rua, ele chegará ao fundo do poço, e buscará ajuda”. Ele pode buscar ajuda, ou pode morrer de overdose. Resta saber se o familiar tomou essa decisão pelo outro, para punir o outro, ou para respeitar a si mesmo. 

Acredito que a única coisa que faz um adicto deixar de usar drogas é o seu querer.

Acredito que a única coisa que faz o familiar mudar seu comportamento, e o seu desejo de controle sobre o outro, é o seu querer.

Acredito na internação, mas não como a primeira opção de tratamento, e sim como a última.

Acredito que internação involuntária só dá resultado se depois se tornar voluntária, pois o desejo do adicto de parar de usar é que vai fazê-lo parar. Mas, a involuntária pode ser a salvação de uma vida, em casos extremos.

Acredito em Deus. E acredito em Seus milagres.

Acredito que nós, familiares, precisamos encher o nosso coração de fé, força, esperança, alegria e paz, mesmo em momentos difíceis, para conseguirmos lidar com a situação.

Acredito que olhar para o lado bom da vida não está em nada relacionado com autoengano. É apenas uma escolha de ser feliz, independente do que está ao redor. Já o autoengano é fechar os olhos para a realidade.

Acredito no amor e nos seus benefícios. A família precisa de amor. E o adicto também precisa de amor. Mas, ambos são altamente prejudicados quando esse amor se torna codependente.

Acredito que dependência química é uma doença crônica, ou seja, é prolongada, e precisará da decisão diária do adicto até o fim. Mas, claro que com o passar do tempo abstinente, os sintomas se tornam mais amenos.

Acredito 100% na recuperação dos dependentes químicos.

Acredito 100% na recuperação da família.

Acredito que podemos ser felizes, e levar nossas vidas adiante, mesmo com a problemática da dependência química em nossos lares.

Acredito que alguns dependentes precisam de tratamento com Psiquiatra e com uso de medicação. Outros, precisam de internação. Outros de grupos de Narcóticos Anônimos diários. Outros, de igreja. Outros, de terapia com Psicólogos. Outros, apenas de decisão. E outros, de tudo isso junto. E outros, precisarão de coisas distintas em cada fase da vida. Não é uma receita de bolo...

Acredito que quando a família se torna um facilitador do uso de drogas é muito difícil o adicto querer parar de usar. Alguns familiares permitem o uso de drogas dentro de casa, por julgar a rua como um lugar perigoso. Outros dão dinheiro para o adicto usar drogas, para impedi-lo de cometer delitos. Outros mentem para salvar o familiar adicto das consequências do seu uso de drogas, como problemas no trabalho, por exemplo. Sei que fazemos isso achando que é o melhor para ele, mas podemos ser uma pedra no caminho da recuperação do nosso familiar agindo assim. Na verdade, podemos estar matando aos poucos aquele a quem tanto amamos.

Acredito que dependência química é uma coisa. Traição é outra coisa. Violência é outra coisa. Desrespeito é outra coisa. Criminalidade é outra coisa. E cada uma deve ser tratada de forma diferente.

Acredito que álcool é droga, cigarro é droga, maconha é droga, e nada deveria ser liberado, e muito menos incentivado. Acredito que não precisamos de nada disso pra curtir a vida!

Não acredito que a descriminalização da maconha seja o caminho.

Acredito no amor próprio! Acredito que quando olhamos para nós mesmos com amor, e nos cuidamos, e nos respeitamos, esse amor acaba extravasando e atingindo quem está ao redor.

Por outro lado, acredito que quando só temos amor e atenção para o nosso familiar adicto, e nos esquecemos de nós mesmos, esse amor se esgota, e só fica a mágoa, o cansaço, a desilusão, a insanidade, e a vontade de desistir do outro, afinal, já desistimos de nós há tempos.

Acredito que não podemos mudar a ninguém, a não ser a nós mesmos. Mas que, misteriosamente, quando nós mudamos, as coisas ao redor também mudam.

Acredito que juntos nos tornamos mais fortes.

Acredito na recuperação do meu esposo.

Acredito na minha recuperação.

Acredito no nosso casamento e na nossa família.

Acredito no poder da oração. Sempre converso com Deus, e Ele me dá o que preciso naquele momento: fé, perseverança, serenidade, força, capacidade para dizer não, etc.

E encerro esse post com uma oração que, quando não sei o que dizer ou como dizer, a uso para falar com Deus, afinal, acredito muito em suas palavras:

“Deus, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que eu posso, e sabedoria para perceber a diferença”.

Acredito na força do acreditar... sempre!



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Até quando vai durar?


“Quinze dias que meu esposo está limpo! Já tinha algum tempo que ele não conseguia essa marca. Felicidade e gratidão a Deus!

Ontem ele chegou em casa bem cansado por conta da sua maratona de trabalhos, mas sua satisfação e felicidade estavam estampadas em sua face. Chegou com o carro e com o dinheiro recebido. Passou na padaria e trouxe umas guloseimas para as crianças.

Hoje ele saiu no horário de costume. Ainda estava escuro. Uniforme branco. Agasalho azul. Ele está fortinho novamente e já não existem marcas em seus braços. É inegável que eu o amo. O amo muito e verdadeiramente. Amar é saudável, e faz bem a nós mesmas(os) e aos adictos. Entretanto, eu gostaria de falar sobre algo que confundimos com amor, e que é muito maléfico e destrutivo: a dependência de pessoas, a adicção pelo adicto, ou seja, a codependência.
           
Como diferenciar uma coisa da outra?

A primeira característica já foi falada acima, amar é saudável, enquanto a codependência dói e machuca.
           
Você se dedica ao dependente químico equilibradamente, porque o ama, sem esperar nada em troca? Ou, pelo fato de ter recebido pouca atenção e afeto em sua infância e adolescência, tenta dar o que não teve, se tornando atenciosa excessivamente, de preferência a alguém que “necessite” de você?

Você ama o seu adicto como ele é? Ou você pensa que o mudará com a força do seu amor, tornando-o naquilo que você deseja, conforme os seus padrões?

Você faz somente a sua parte para ter um bom relacionamento? Ou você tem pânico ao pensar que pode haver um rompimento, e assume qualquer preço, faz qualquer coisa, passa por cima de tudo, até de si mesma, para ajudar seu companheiro adicto, ainda que ele não queira ou não peça?

O seu amor é consciente e tem limites claros? Ou você deixa estampado ao adicto que quando ele erra, é você quem está disposta a mudar, a ter mais paciência, a tentar ser melhor para agradá-lo mais?

Você permite que o seu amado dependente químico arque com as consequências dos seus atos insanos? Ou você assume toda a responsabilidade e a culpa, paga as contas do adicto, e mente em favor dele?

Você sabe que merece e pode ser feliz? Ou pensa que sua felicidade só será possível se conseguir livrar o seu amado das drogas?

Você consegue realizar suas próprias atividades, pensando em si mesma? Ou sente necessidade desesperada de exercer controle sobre o adicto, se enganando que isso é apenas para ajudá-lo?

Onde está o seu foco? Em sua vida, ou na vida do dependente químico?

Queridas leitoras, amo o meu esposo e estou me recuperando da codependência, e posso dizer que amar é muito bom. Para mim, o amor é o sentimento que rege nossas vidas e dá sentido a elas. Entretanto, ser dependente de outra pessoa é horrível. Ter compulsão pela vida de outra pessoa nos leva à insanidade.

Só por hoje o meu foco estará em mim mesma e em minhas atividades. Quando eu pensar em meu esposo, serão pensamentos de carinho e saudade, e não de necessidade de controlar os seus atos, afinal, não posso mesmo controlá-los. Ele é responsável por suas próprias escolhas.

Só por hoje, escolho amar de forma saudável e me permito ser feliz.”

(Pág. 174 a 176, livro Amando um Dependente Químico – Dias de Dor e Dias de Recuperação – 2ª Edição.)


Relendo alguns trechos desse livro que narra a minha própria história ao lado do meu esposo, brotam tantos sentimentos.

Gosto desse capítulo que fala sobre o amor e sobre a codependência, e sobre suas diferenças, porque embora sejam coisas totalmente distintas, nós familiares, geralmente confundimos.

Achamos que as insanidades que cometemos são por amor, quando na verdade são demonstrações de que precisamos de ajuda.

Mas, quando vejo a primeira linha desse texto, onde comemoro o fato do meu esposo estar limpo há quinze dias, pois ele não conseguia esse tempo há meses, me dá um nó na garganta, e uma grande gratidão a Deus pelos dias atuais.

Peço perdão aos leitores do blog, pois realmente perdi as contas de quanto tempo faz que ele está limpo. Tenho que rever as postagens e as datas, para colocar na calculadora do NA. Mas, o mais importante é que ele está limpo hoje! Sua ultima recaída foi em março do ano passado, uma recaída muito dolorosa, mas imediatamente seguida de uma breve internação. Depois, aconteceu um lapso no início de novembro, mas graças a Deus, ele usou isso para voltar ao estágio da ação, ou seja, da motivação de manter-se limpo.

E assim, ele tem conseguido, um dia de cada vez. Uma hora de cada vez.

Hoje vim até aqui, só dizer para vocês que estou feliz. A vocês que estão comigo há quase três anos. Que me acompanharam em tantas noites sombrias, em tantos momentos de dor, e de lágrimas... Vocês que me acompanharam nos nove meses da minha ultima gestação, quando por vezes ele não estava comigo, em razão de períodos de ativa ou de internação.

Então me sinto na obrigação de vir aqui compartilhar essa felicidade também com vocês! Pois sei que a minha felicidade pode alimentar a esperança de quem está passando pelos vales que meu marido e eu passamos.

Vales tão profundos. Solitários. Dolorosos.

Até quando vai durar a nossa felicidade? Realmente não sei. Mas, é melhor que eu não saiba mesmo. Pois se eu soubesse que acabaria amanhã, não conseguiria aproveitá-la hoje, pelo medo do que viria. E se eu soubesse que duraria para sempre, correria também o risco de não aproveitá-la agora, por saber que a teria depois e depois... Mas, assim, nessa incerteza, vivo intensamente cada momento de paz com a minha família, não permitindo que nenhum sorriso passe despercebido, e não perdendo nenhuma oportunidade de dizer “eu te amo, meu bem”, ou “obrigada, meu Deus!”.

Bom, queridas(os), é isso!

Hoje é o primeiro dos meus dez dias de férias.

Tirei uma foto para vocês.

Realidade de mãe e dona de casa! kkkkkkk


Na verdade, essas férias são para descansar um pouco, estava me sentindo exausta, e com muito sono atrasado, então a missão é dormir um pouco mais! Prometo que vou tentar. Risos.

Mas também tenho a grande missão de tentar concluir o terceiro livro nesses dias. Um livro difícil de escrever, pois é uma história que mexe demais comigo, mas vai valer muito a pena. Tenho certeza que ajudará muitos jovens e muitas famílias a não sofrerem o que nós sofremos em razão do uso e do abuso de drogas.

Hoje aproveitei o dia para dormir, levar a meninada para a escola, e curtir o maridão que está de folga. Pipoca, filme, limpeza na casa, sonequinha, essas coisas. Agora vou buscar os pequenos para um sorvete.

Delícia de paz!

Senhor, obrigada, obrigada e obrigada!

Estou de férias, mas estarei sempre por aqui...

Beijo no coração!
Poly



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sorteio da Rifa!

Bom dia!

Gente, realizei o sorteio logo cedinho e já tenho o nome do(a) ganhador(a).

Para a realização do sorteio utilizei o site www.sorteador.com.br.

No total foram 597 rifas, arrecadando um valor total de R$ 1.194,00!

Muito, muito obrigada a todos os que participaram, independente do valor... Vocês fizeram a diferença pra nós! Pessoas colaboraram com R$ 2,00 até R$ 300,00! E recebi muitas palavras de força e estímulo. Mais uma vez, obrigada!

Tenho certeza que meu marido e eu venceremos essa batalha (financeira).

Bom, mas vamos ao que interessa...

O número sorteado foi o 440.

O nome da ganhadora é Cristina.

Aguardo o seu endereço para o envio, Cristina. Parabéns, querida!

E muito obrigada a todos os que participaram.

Espero que os ebooks enviados, e o livro da ganhadora, sejam instrumentos úteis na recuperação de todos vocês.

Vejam o vídeo do sorteio, abaixo.

Grande beijo!
Poly.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O (des)controle!


Bom dia, meninas(os)!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo em paz, graças a Deus!

Ontem foi o primeiro dia de aula da minha filha (14 anos), no Ensino Médio. Então, fui leva-la. Que sensação estranha. Ela estudou por dez anos na mesma escolinha, onde a maioria era de crianças, e onde eu conhecia todas as “tias”. Mas, agora, ela estaria em um ambiente desconhecido, com pessoas desconhecidas. Bateu uma vontade enorme de guarda-la em uma redoma, comigo... Mas, não posso. Né?

Ela assistiu sua aula, eu fui para o meu trabalho, e pouco a pouco, fui aceitando que minha filha está crescendo, e que a independência dela precisa mesmo chegar... Vi que é preciso ir tomando consciência disso, senão, daqui a alguns anos, estarei eu, sendo codependente da minha filha. Deus o livre! Só por hoje, opto por aceitar o que preciso aceitar, e deixar de tentar controlar coisas que não estão sob o meu controle.

Dei um beijinho nela. Orei por ela. E saí de cena.

A eduquei nesses anos todos. Temos um diálogo aberto. E agora, cada vez mais, as decisões serão tomadas por ela, e isso não posso evitar. Ela é um doce de menina, e estarei sempre aqui, no que ela precisar.

Bom, após esse desabafo de mãe, vamos voltar ao assunto tema deste blog?

Maridão hoje precisou levar uma quantia em dinheiro para o trabalho, para pagar um hidratante que ele comprou para mim, de uma colega.

Na hora bateu aqueles pensamentos, do tipo: “vai lá no horário do expediente e leva o dinheiro pra ele, Poly”, “pede para ele pegar um número de conta, e faz a transferência, Poly”, enfim, mil e uma alternativas para tentar impedi-lo de levar o dinheiro, na verdade, mil e uma alternativas para tentar manter-me no controle, e evitar prováveis recaídas.

Quando me sinto assim, corro para os livros. Faço a minha leitura. E em seguida converso comigo mesma, tentando dar nomes aos meus sentimentos.

Isso acaba me aliviando, porque me lembro que sou impotente perante a adicção dele. E que ainda que eu faça todas as articulações possíveis, ele só se manterá limpo, se ele decidir isso.

Então a paz voltou aqui para dentro de mim.

Sabe, queridas(os), em minhas palestras falo muito sobre a aceitação, porque acredito que ela seja um enorme passo para a nossa mudança.

Ficar mascarando os nossos sentimentos, ou mesmo negando a realidade a nós mesmos nos impede de crescermos e também de ajudarmos ao nosso familiar adicto.

Sei o quanto é doloroso encarar a adicção de quem amamos, mas somente assim poderemos confrontá-la.

A cada busca às drogas, a cada recaída, surge em nós um sentimento de luto. Dói demais ver quem tanto amamos se destruindo, e correndo graves riscos.

Sinta essa dor. Permita-se a senti-la. Chore, se necessário. Mas, enxergue a realidade como ela é.

Não se engane mais, com mentiras como: “se eu o vigiar 24 horas por dia, ele não vai usar”, “se eu deixar o meu trabalho”, “se eu me anular”, “se eu for atrás dele nas ruas”, “se, se, se...”, “se eu morrer por ele...”

Você pode cumprir todos os “se”, mas ainda assim, ele só vai parar, quando decidir parar de usar.

Dói isso, né? Mas, é preciso encarar essa dor. Só assim você poderá se ajudar, e posteriormente ajudar ao seu ente.

Passei os três primeiros anos do meu casamento, vivendo em uma grande ilusão criada por mim mesma. Eu não queria enxergar a realidade. Eu não a aceitava.

A cada período limpo, eu me enchia de expectativas, e fazia um milhão de planos sobre a vida do meu esposo, jurando que ele nunca mais iria recair.

Quase fiquei louca tentando controlar a adicção dele, nesse período.

Namorei, casei, tive filhos com ele, abandonei trabalhos, tentei arrombar a porta do banheiro, fingi estar desmaiada, me joguei na frente do carro, rodei a cidade pelas madrugadas, não dormi a noite toda, dormi o dia todo, chorei, me descabelei, deixei pessoas de lado, me deixei de lado, gritei, abracei, xinguei, ameacei, prometi, cumpri, não cumpri, fui em delegacias, fui em hospitais, fui à boca, liguei em IML, negociei, me separei, voltei, fiz as malas, dei dinheiro, escondi o dinheiro, o expulsei, o acolhi, o tranquei, o soltei, entendi, não entendi, rastreei históricos do computador e chamadas no celular, falei baixinho, joguei as coisas na parede, insultei, elogiei, dei a mão, tirei a mão, odiei e amei... E tantas outras coisas eu fiz, na tentativa de ter o controle sobre o meu familiar adicto. Não deu certo. Nada funcionou. E eu ainda adoeci.

Demorei, mas entendi que não posso controlar a dependência química de quem amo.

Entendi que, no final, independente das minhas ações, ele sempre fazia o que queria fazer, e o que havia decidido fazer.

E que nessa tentativa de ter controle sobre ele, minha vida estava cada vez mais descontrolada.

Claro que nós, familiares, em nossas atitudes poderemos ter ações que aumentem a probabilidade do nosso familiar adicto procurar ajuda para se recuperar, mas não há garantia nem mesmo sobre isso.

Mas, isso é muito doloroso, Poly! Sim, é sim. Mas é a nossa realidade, e é hora de a encararmos. Até entendermos que não está em nossas mãos. Até desistirmos de tentar controlar a vida do outro.

Talvez a recuperação dele só precise da nossa “desistência” para acontecer. Talvez não. Mas, uma coisa é certa, ao tomarmos essa decisão, mudamos a NOSSA vida.

Tome todas as atitudes necessárias para cuidar de si mesma, e para respeitar os seus próprios limites. Mas não para tentar controlar o outro.

Pouco a pouco você se sentirá mais leve. Mais desligada(o).

E isso não é deixar de amar não, gente. Ao contrário. É abandonar essa obsessão sobre a vida do nosso familiar, é curar a nossa doença, para dar espaço somente para o amor.

Afinal, somente estando saudáveis, teremos condições e forças para entender a doença do outro, para saber onde e quando buscar ajuda, e para estender-lhe a mão.

Convido você, leitor(a), a refletir sobre o que você está tentando manter o controle, e por quê. Seja sincero com você mesmo. Avalie se essas tentativas estão dando certo. Se sim, continue. Mas, se não, comece a mudar. Comece devagar. Um passo de cada vez. Mas, comece...

Uma boa dica é uma ida a um grupo de apoio aos familiares de dependentes químicos.


“Pare de controlar os outros e cuide de você mesmo!” (Melody Beattie)

“Fico feliz ao perceber que hoje minha vida está muito mais controlável do que quando comecei a lidar com a adicção do meu esposo. Não sou perfeita, nem minha vida é perfeita, por vezes ainda sinto medo e tenho pensamentos insanos, entretanto aprendi a não me entregar a eles. Aprendi a entregar a um Deus amoroso e fiel tudo o que não posso controlar, enquanto me sinto livre para viver.” (livro Amando um Dependente Químico)

E por falar no livro Amando um Dependente Químico, o sorteio da nossa rifa acontecerá no domingo, dia 09/02! O valor da rifa é R$ 2,00, e você estará concorrendo ao livro Amando um Dependente Químico – Dias de Dor e Dias de Recuperação – 2ª Edição, que chegará em sua casa, com uma mensagem exclusiva da autora.




Além disso, todos os que adquirem a rifa (TODOS), recebem em seu e-mail um ebook do livro Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação – 1ª Edição. E quem adquirir acima de 10 rifas (R$ 20,00), receberá os dois Ebooks.

Para isso, basta realizar um depósito em favor da conta-corrente do Banco do Brasil, AG. 3413-4, CONTA 11.874-5, titular G.P. (iniciais do nome), e enviar o comprovante ou dados do depósito/transferência para polyp.escritos@gmail.com.

Participe!

No domingo, 09/02, postarei no blog o vídeo do sorteio, que será realizado em site da internet, e divulgarei o valor arrecadado.

Muito obrigada a todos os participantes. E boa sorte!

Grande beijo.

Poly.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Levando o curso até você!


Boa tarde, queridas(os)!

Estou devendo pra vocês as fotos do II Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias.

O curso foi realizado de 27 a 31/01/2014 (semana passada). E nele foram formados 78 multiplicadores sociais.

O público era composto por familiares de dependentes químicos, e também por profissionais que atuam nessa área, ou que tem o desejo de ajudar adictos e familiares.

Foi lindo, gente!

Ouvi muitas pessoas agradecendo pela oportunidade de entender um pouco mais do que elas estão vivendo.

E me sinto realizada ao levar uma mensagem de recuperação àqueles que passam pelo mesmo que nós, muitas vezes sem nunca ter ouvido falar em codependência.

Em três meses, o projeto Ame, mas não sofra!, da SEJUS-DF, atendeu mais de 300 pessoas, e formou 162 multiplicadores.

O próximo curso iniciará em 24/03/2014, e já tem uma grande lista de nomes inscritos aguardando...

A intenção desse projeto é levar INFORMAÇÃO de qualidade e ACOLHIMENTO às famílias.

Vamos às fotos?



O curso foi realizado na sala Alberto Nepomuceno, do Teatro Nacional, em Brasília-DF.



Em 27/01, abertura com o Sr. Secretário de Justiça Adjunto, Jefferson Ribeiro, e com o Subsecretário de Políticas sobre Drogas, Dr. Leonardo Moreira.



Fui convidada, de surpresa, para falar na abertura, como idealizadora do projeto. E o que falei foi: "esse projeto não nasceu da mente, nasceu do coração..." Falei, ainda, sobre a necessidade de enxergarmos os familiares que sofrem adoecidos, atrás de cada dependente químico. Estava bem nervosa e emocionada!



A primeira palestra do curso foi dada por Antonia Nery, pós-graduada em Psicologia Transpessoal, e palestrante voluntária em um trabalho a famíliares de dependentes químicos em uma unidade religiosa. Ela falou sobre a família como fator de prevenção. Mostrou o que leva a família a ser um fator de risco para a entrada das drogas, e o que a torna um fator de proteção. Precisamos cuidar da nossa casa, e estar atentos às nossas crianças e adolescentes. Muitas vezes, o dependente químico mostra sinais desde a infância que merecem uma atenção especial.

"Conquiste o seu filho, antes que o traficante o faça." 
(Felipe Aquino)



Em 28/01, a primeira palestra foi dada pelos servidores Leandro e Renata, sobre os serviços prestados pelo CAPS AD, inclusive serviços específicos às famílias.



A segunda palestra do dia foi dada pela Psicóloga Especialista em Dependência Química, Patrícia Aires. Essa mulher é fantástica! Ela falou sobre a Ilusão da Droga. O interessante é que ela mostrou a ilusão que faz com que os jovens experimentem a droga, mas também falou sobre a ilusão em que os familiares vivem, se enganando, e fugindo da realidade.



No dia 29, o curso foi aberto pelo Nar-Anon. Nem precisa dizer que esse grupo mora no meu coração, né? Tenho uma gratidão eterna, afinal, foi em uma sala do Nar-anon que aprendi sobre a minha doença, e sobre a possibilidade de termos uma vida melhor, mais leve, e mais feliz, mesmo convivendo com um familiar dependente químico. Além do coordenador, uma senhora que também é companheira do grupo, deu o seu relato, e foi emocionante.



Em seguida, o Psiquiatra Especialista em Dependência Química, Evandro Faganello, falou sobre como identificar sinais de uso de drogas. Falou sobre os sintomas, e sobre as diferenças entre usuário, usuário nocivo e dependente químico. Show!



Na quinta, dia 30, o jovem Felipe deu o seu depoimento. Ele é um dependente químico em recuperação. E veio nos contar que o seu desejo de mudança só surgiu, após seus pais deixarem de ser facilitadores do seu uso de drogas. Lindo relato! Hoje ele é um jovem cheio de fé. "Muitos ex-amigos meus vão na igreja hoje só pra ver se eu realmente estou lá, pois quem me conheceu no passado, não acredita."



Depois, foi a minha vez. O tema da minha palestra foi: Codependência - A doença da família. Em quase três horas, falei sobre a história e sintomas da codependência. E narrei experiências minhas, como codependente, e como alguém que decidiu agir diferente.

O Felipe havia dito que era "doidão". Daí, eu disse: "Felipe, eu também era doidona... E sem usar nenhuma droga!"

O público riu e algumas vezes se emocionou. Senti em muitos familiares a identificação, afinal, as histórias são sempre tão parecidas. Não é mesmo?



O ultimo dia do curso foi aberto por Roberto Cavalcante, representante do Grupo Amor-Exigente. Ele falou sobre os doze princípios do AE, e tirou muitas dúvidas dos familiares. Falou também sobre amor, e sobre limites.



E pra fechar com chave de ouro, o Dr. Leonardo Moreira, Psiquiatra Especialista em Dependência Química, e Subsecretário de Políticas sobre Drogas do DF, falou sobre a Dependência Química e a Família. Ele trouxe a parte técnica sobre o assunto. Explicou o que acontece com o cérebro do dependente de drogas, e o porquê de alguns dos seus comportamentos. E também como a família pode ajudar, a começar, livrando-se de uma culpa que não lhe cabe.


Participantes. 

No ultimo dia, uma senhora falou: "puxa, meu coração está tão apertado por ser o ultimo dia. Eu não queria que acabasse..."

Graças a Deus, pelos depoimentos, acho que cumprimos o nosso objetivo de levar informação consistente e acolhimento a essas famílias. Espero, de coração, que elas sigam buscando ajuda, praticando o que foi sugerido no curso, e multiplicando a outros que precisam.



Ao final, ouvimos a belíssima voz de Rita Mel, cantando: "É preciso saber viver..."



Essa é a equipe do Ame, mas não Sofra!


Todos os profissionais que atuaram como palestrantes, o fizeram de coração, de forma voluntária. Muito lindo ver esse projeto acontecendo!

Conforme avaliação feita pelos participantes do curso, 92% consideraram o curso como excelente ou bom.

#Feliz demais!

Se quiser saber mais, veja esses vídeos:

Reportagem do Bom Dia DF, TV Globo, hoje. CLIQUE AQUI.

Reportagem da TV Supren, em 29/01/14. CLIQUE AQUI.

É isso... Espero que tenham gostado da postagem. Foi a forma que encontrei de levar um pouquinho do curso até vocês. Fico na torcida para que iniciativas como essa se expandam por todo o nosso Brasil!

Beijos.
Polyanna