domingo, 26 de janeiro de 2014

Será que dá pra ser feliz assim?



Bom diaaa!

Tudo bem com vocês?

Queria falar com vocês sobre a possibilidade de sermos felizes, vivendo em meio a essa confusão da adicção de alguém amado.

É muito comum as pessoas me dizerem: “nossa, você não parece ser familiar de dependente químico!”

Daí fico pensando como é o estereótipo do familiar de dependente químico: certamente alguém triste, com olheiras, abatido, à base de calmantes, cabelos desgrenhados, olhos inchados...

Por que precisamos ser assim?!!

Me lembro que uma vez, ao dar uma entrevista para um Jornal impresso daqui de Brasília, a fotógrafa tirou várias fotos minhas, e eu amei várias, entretanto, a que estampou a matéria foi uma das piores, acredito que pelo fato de eu estar com cara de “familiar de dependente químico”. Olha aí.


A gente não pode sorrir???


Mas, afinal, será que realmente dá pra ser feliz, carregando uma cruz tão pesada?

Não, não dá. Não damos conta de carregar essa cruz de ver quem amamos se destruindo. Pó e pedra pra nós tem significado totalmente diferente. A mensagem de um celular desligado nos faz ficar trêmulos e desesperados. O amanhã nos assusta.

E agora?

Não conseguiremos viver, e muito menos ser felizes, se tentarmos carregar nas costas a adicção de quem amamos.

Só consegui a paz de espírito, quando tirei de sobre mim a culpa ou mesmo a responsabilidade da doença e da cura do meu esposo.

Não existem culpados pela sua doença. E a responsabilidade por sua recuperação é somente dele. Só posso pedir que Deus o ilumine a cada dia, e amá-lo.

Então tirei o meu foco da vida do meu esposo. E, pouco a pouco, fui preenchendo esse espaço com coisas minhas. Isso fez toda a diferença.

Claro que é um processo demorado. A cada dia uma pequena mudança. E hoje, quando olho para mim, vejo uma grande transformação. Mas, ainda falta muito...

Ok, Poly, mas, e se ele estivesse usando drogas?

Quando o meu marido estava na ativa, eu sentia dor sim. Às vezes, chorava. Afinal, é alguém que amo. Mas, o que aprendi a evitar foi o desespero e o descontrole. Aprendi a dormir, mesmo sem ele chegar. A me alimentar, mesmo em dias ruins. E a viver a minha vida, mesmo quando a dele estava parada.

E se ele está internado?

Aprendi a conviver com a saudade, e a cultivar a esperança de dias melhores, sem criar expectativas. Aproveitei esse tempo para cuidar de mim e para aprender a lidar com as nossas doenças.

E se ele está limpo?

Aprendi a agradecer por cada dia vivido em paz. A compreender seus momentos de fissura e descontrole por falta da droga. E a respeitar o meu próprio jeito de ser.

Digo respeitar o meu próprio jeito de ser, porque muitas vezes ainda erro, mas hoje não me culpo mais por ser humana. E sei que isso não o fará recair. A única coisa que pode fazê-lo recair é o desejo de usar, e eu não tenho como interferir nisso.

A Poly de antes nunca encontrava hora de ser feliz. Se ele estava limpo, ficava louca tentando formas de impedi-lo de recair, e no medo. Se ele estava na ativa, eu deixava a minha vida de lado, para cuidar dele. E se estava internado, parecia que a saudade era maior que a minha vontade de viver...

Realmente, nessa vida, eu me encaixava perfeitamente no estereótipo criado para nós, familiares.

Ei, leitor(a), não acredite nesse estereótipo. Você pode ser feliz! Nós podemos!

Se está pesado demais, entregue para Deus. Não carregue uma culpa que não é sua. Não se ache responsável por mudar o outro. Somente ele e Deus podem. E cuide de você...

Sem terapias, e principalmente sem os grupos de apoio, eu não teria conseguido. Porque realmente não é fácil.

A última recaída do meu esposo foi em março do ano passado, passando por um lapso em novembro. Entretanto, até hoje, tem dias que se eu entrar na doença dele, eu piro.

Esta semana foi uma semana difícil. Meu marido anda com os nervos à flor da pele. Na terça e na quarta tive pesadelos horríveis dele recaindo. Nunca mais tinha sonhado com isso...

Daí, ontem, ele esqueceu uma água quente na beirada do fogão, e o nosso bebê entornou sobre si. Eu estava na sala com nosso filho do meio e ouvi os gritos. Nosso bebê gritava, e meu marido gritava mais ainda, louco de um lado para o outro, e eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Foi horrível. Ele não tem nenhuma estrutura emocional. Então eu tenho que ter. E eu só posso ter, se buscar ajuda.

Graças a Deus, não foi nada mais grave. Medicamos a barriguinha do pequeno, e deu apenas três bolhinhas que estão sendo cuidadas.

Nesta semana, tive uma crise alérgica forte. Trabalhei muito, afinal, amanhã inicia o segundo curso às famílias, promovido pela SEJUS. Estava com cólicas. E exatamente nesses dias, meu marido estava super mal no comportamento.

E ai, Poly? Dá pra ser feliz?

Claro que dá! É o organismo dele que está pedindo pela droga. É ele quem tem que ser forte para não recair. Eu estou fazendo a minha parte, como esposa. Está tudo bem. Por que vou entrar na depressão com ele? De jeito nenhum! Além disso, sei que logo ele voltará ao normal, portanto, não vale a pena ganhar algumas rugas desnecessárias...

Hoje vou curtir os filhotes. Me preparar psicologicamente e emocionalmente para o II Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias (mais de cem inscritos!!!), e para a minha palestra que será na quinta.

Estou trabalhando no livro que será publicado daqui a dois meses. Ansiosíssima para contar a vocês, mas ainda não posso... Mas, sei que vai ajudar muitos jovens a não entrarem nesse mundo das drogas.

E uma novidade em primeira mão! Assinei um contrato, nesta semana, com a America Star Books!!! Ela vai traduzir e comercializar o livro Amando um Dependente Químico nos Estados Unidos e Canadá!!!


God bless this work!


Lembram-se do que falei sobre plantar e colher? Estou plantando coisas boas, e sei que vou colher coisas boas! Acredito nisso. É só ter um pouco de paciência para esperar a colheita...

Ontem, no face da minha amiga Walkíria, vi a seguinte frase:

Dois homens olharam através das grades de suas celas. Um viu a lama do chão, e o outro viu as estrelas do céu.” (Dora)

É isso. Do lugar onde estou, sendo esposa de um dependente químico, eu posso escolher olhar para a lama do chão, ou para as estrelas do céu... Escolho a segunda opção!

E você, o que escolhe?


Eu, com cara de Poly (cara de pastel), brincando com um dos filhotes.


"A felicidade é um susto. Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. 
Chega sem chegar, insinua mais que propõe... 
Felicidade é animal arisco. Tem que ser adimirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. 
Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.
Felicidade é chuva que cai na madrugada, quando dormimos.
O que vemos é a terra agradecida, pronta para fecundar o que nela está sepultado, aguardando a hora da ressurreição.
Felicidade é coisa que não tem nome.
É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes.
Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero. 
É olhar de amigo em horas de abandono. É fala calmante em instantes de desconsolo.
Felicidade é palavra pouca que diz muito.
É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros.
Eu busco a frase de cada dia, o poema que me espera na esquina, o recado de Deus escrito na minha geladeira... 
Eu vivo assim... 
Sem doma, sem dona, sem porteiras, porque a felicidade é meu destino de honra, meu brasão e minha bandeira.
O que quero é o olhar de Jesus refletido no olhar de quem amo.
Isso sim é felicidade sem medidas.
Felicidades pequenas... 
O olhar da criança que me acompanha do colo da mãe, e que depois, à distância, sorri segura, porque sabe que eu não a levarei de seu lugar preferido.
A felicidade é coisa sem jeito, mas com ela eu me ajeito.
Não forço para que seja como quero, apenas acolho sua chegada, quando menos espero.
E então sorrio, como quem sabe, que quando ela chega, o melhor é não dispersar as forças... 
E aí sou feliz por inteiro na pequena parte que me cabe.
O que hoje você tem diante dos olhos? Merece um sorriso? Não pense duas vezes..."

(Pe. Fabio de Melo)

♥♥♥♥♥

Obrigada a todos os que votaram na enquete.

Fiquei muito feliz ao ver que 11% dos leitores estão comigo desde o início do blog, 13% acompanham o blog entre 01 e 02 anos, e 62% há menos de 01 ano. Esses números vêm mostrar que o Blog continua crescendo e atingindo novos leitores... Queridas(os), estamos juntos!!!

E pra finalizar, peço que participem da rifa do livro Amando um Dependente Químico. É por uma causa de bem e honesta! E você levará um Ebook ao adquirir a rifa. CLIQUE AQUI, e saiba mais.

Grande beijo!
Orem por nós.



São pequenas mudanças, um dia de cada vez, que no final das contas, nos transformam completamente... Portanto, vá com calma. Mas, vá! 
(Poly P.) 

10 comentários:

  1. Oi Poly, de fato sabemos que não é facil
    Meu esposo é dependente quimico do alcool. Está tentando parar de beber mas está sendo dificil Temos 31 anos de casados (fizemos semana passada) e a minha dependencia emocional é muito forte! Ele resolveu viajar esse final de semana com um amigo, foi pra algum lugar (sei mais ou menos onde é) mas não tenho o endereço e eu me prometi não ligar, nao quero, nem vou me preocupar só se for preciso.. Preciso voltar a viver a minha própria vida. Temos 3 filhos (30, 27 e 21) e eu sei que em muitos momentos, eu cuidei muito mais do pai do que dos filhos. Graças a Deus não nos deram trabalho mas não sei as sequelas que ficaram.
    Tenho buscado ser feliz independente dele, mas nem sempre consigo. Hoje é um desses dias!

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    1. Ola. Meu esposo tem o mesmo problema, porém em combinação com o uso das drogas, mais especificamente o crack. Minha maior preocupação é meu filho....as consequencias que pode acarretar em sua adolescencia. Fiquei feliz em ler seu post , em saber que seus filhos graças a Deus não tem problemas!!!!!!!!!!!!!!! Pois também tenho filho e não quero que ele seja afetado. Quanto ao seu esposo, entregue-o nas mãos de Deus.!!!!!!!!!

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    2. Impossível os filhos não serem afetados, aliás, é impossível a qualquer pessoa que conviva com isso dentro de casa passar incólume por essa experiência, imagina então os filhos.

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  2. Bom dia Poly!

    Parabéns por ser essa mulher forte e guerreira, sabemos que nada nessa vida é fácil, mas quando temos Deus no comando, tudo se torna mais fácil.
    Li hoje que ... 'Se você encontrar um caminho sem nenhum obstáculo, ele provavelmente não o levará a lugar algum.'

    Então não há vitórias sem lutas, não é mesmo?!

    Meu esposo esta limpo a 97 dias, cada dia uma vitória.

    Continuaremos aqui nossa batalha. Força para nós e que Deus nos abençoe nossas famílias!

    Grande Beijo

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  3. Sempre me perguntei isso.
    Minha mãe nunca foi feliz com meu pai. Hoje vejo que ela escolheu não ser.
    Parabéns pelo contrato! Tua mensagem atravessando fronteiras.

    Obs: Tá linda e brilhante! Rs

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  4. parabéns nega...que Deus permita q você levar essa mensagem a cada dia mais longe e assim ajudar a tantos que ainda sofrem...TMJ ;)

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  5. Parabenss!!!!!!!!!!!!!! Seus posts sempre me levam a uma reflexão e a vontade de mudança!!!!!!!!!!!!!

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  6. Seu livro ja esta nas bancas?

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  7. Lindo, Poly...

    Ainda tenho uma longa caminhada, mas sei que encontrarei a serenidade que preciso!

    bjs

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  8. parabéns pelo blog,sou coodep.tbém,vivendo um dia de cada vez.

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