terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O irmão do filho pródigo: Eu!


Boa tarde!

Vou aproveitar o horário do almoço, para conversar com vocês.

Essa noite, eu estava pensando na história do Filho Pródigo. Acho que todos nós, independente da religião, já ouvimos a história do filho ingrato que sai de casa para curtir a vida, e depois volta arrependido. Não é mesmo?

Interessante que é muito fácil fazer uma lista com os defeitos do filho pródigo. Ele era esbanjador, fútil, irresponsável, inconsequente, egoísta, libertino e por aí vai.

E quem lê a história vê que o filho mais velho era responsável e se manteve ao lado do pai. Parecia alguém muito bom. Entretanto, quando o pródigo voltou, esse seu irmão se indignou e não quis entrar para estar com sua família.

Me identifico com esse filho mais velho.

Durante muito tempo, eu olhava para o meu esposo adicto e via muitos defeitos.

Por outro lado, quando eu olhava para mim, me achava superior (por não ser dependente de drogas).

E enquanto eu me mantive a focar nos defeitos dele, e na tentativa de fazê-lo alguém melhor, eu não crescia.

Assim como esse filho mais velho, eu ficava no orgulho, na superioridade, e isso não somente machucava a quem estava ao meu lado, mas também me enchia de solidão.

Me sentia cansada, pois tinha a obrigação de ser a perfeita. A capaz de fazer tudo, de decidir tudo e de não errar nunca.

Muitas vezes, humilhei uma das pessoas que mais amo nessa vida: meu esposo.

Hoje, olhando para trás, sinto vergonha. E também sinto alegria pela oportunidade de mudança.

O meu objetivo era curar o meu marido da sua adicção. E para isso eu manipulava, era desonesta, fazia chantagens e ameaças.

Tantas promessas sem cumprir. Tantas lágrimas para subornar. Tanto orgulho em sentir dor. Tanta autopiedade. E minha soberba continuava ali intacta.

Afinal, eu era a sofredora. E ele era o vilão.

Vivíamos o caos.

Eu o amava, mas sabia que não ia aguentar isso por muito tempo.

Eu estava perdendo o meu esposo. E já havia perdido a mim mesma.

Precisei descer. Precisei reconhecer a minha impotência perante a sua adicção. Reconhecer que não posso curá-lo ou muda-lo. E mais, precisei enxergar que também tenho os meus muitos defeitos para serem trabalhados.

Percebi que eu também precisava de ajuda. Ajuda para mudar a mim mesma. Ajuda para tentar parar de controlar o outro.

Eu era como aquele irmão mais velho do filho pródigo, cheia de amargura, mas que mantinha o meu verdadeiro “eu” escondido, para cultivar a imagem da “Poderosa” (e essa poderosa não tem nada a ver com a Anitta não, viu?!! Rs)

Desci, e aos poucos vou recuperando a Polyanna.

Hoje reconheço quando estou errada. Não preciso ter a razão sempre. E posso aprender muito com o meu esposo, mesmo ele sendo um adicto.

Sobretudo, consegui deixar a adicção dele um pouco de lado, para assumir o papel central da minha vida.

Humildade... Nós, familiares de dependentes químicos, precisamos disso. Eu preciso disso!

Não sou em nada melhor que o meu esposo, e não sou diferente de você, que lê esse blog.

E é tão bom isso! Dá um alívio! Afinal, não preciso resolver tudo, saber as respostas, indicar os caminhos... Não, não. Minha responsabilidade é apenas a de fazer a Poly feliz. Só.

Não me sinto mais “dona” do meu marido, mas apenas... a sua esposa.




Mudando de assunto, como sempre recebo perguntas de pessoas que se preocupam: Poly, como está o seu marido?

Aproveito para dizer que ele está bem. Segue limpo, se cuidando. Ansioso pela nomeação no concurso público. Trabalhando bastante. E um fofo. Claro que tem dias que tá insuportável, mas quem não tem, né?

Olha só isso. Ando muito esquecida ultimamente. Acho que é muita coisa pra essa cabecinha loira pensar. Daí, quase todos os dias eu estava esquecendo minha marmitinha em casa, e acabava me alimentando mal durante o dia.

Esses dias, ao acordar, meu marido já havia saído para o trabalho, e havia bilhetinhos pela casa inteira:

No espelho do banheiro: “Amor, não esqueça a sua comida. Te amo.”
Perto dos meus óculos: “Amor, leve sua marmitinha. Te amo.”
Na porta da geladeira: “Isso mesmo, guarde logo sua comida. Te amo.”
Na porta do apartamento: “Ultima chance, pegue sua marmita. Te amo.”
E na porta do carro: “Se você esqueceu, vai ter que subir os três andares e buscar sua marmitinha... NEOQAV” (que quer dizer nunca esqueça o quanto amo você).

Achei tão bonitinho o seu cuidado.

Enfim, queridos, vida normal, só por hoje!

***

Quem quiser ouvir a segunda entrevista que dei à Rádio Nacional, CLIQUE AQUI.

E pra finalizar, muito obrigada a todos os que estão participando da Rifa do livro Amando um Dependente Químico, 2ª Edição.

Muito obrigada pela solidariedade e companheirismo!

Quem quiser saber mais sobre a rifa, CLIQUE AQUI.

Beijos no coração!



6 comentários:

  1. Poly, sempre entro no seu site...talvez as vezes por um momento de revolta, não tenha entrado rs, mas logo passa e volto a entrar. Me pergunto, como pode, como conseguirei pensar como a poly, deve ser mentira rsrs. Mas eu sei que vc só alcançou a paz e a serenidade porque decidiu buscar. Me vi nesse post....me acho a certa, a santa, a correta, meu marido...ahhh...esse é de tudo ruim...hoje faz 2 semanas e 2 dias que estamos separados, um casamento de 10anos....ele está na ativa, na destruição total, vendendo tudo o que pode a troca da drogas. Não consigo falar com ele, porque ele nunca está sobrio. Ao começar essa semana decidi mudar. Decidi não ligar mais...decidi que vou deixar de colocar minhas mãos e entreguei ele nas maos de Deus. Já deveria ter feito isso a muito tempo né? Tentei ir as reuniões do naranon e não dei continuidade, meu defeito é o imediatismo, acho que vou demorar muito pra alcançar o que as pessoas falam na reuniao. Amei suas ultimas palavras e me identifiquei...meu marido tb tinha um cuidado por mim....sempre quando eu chegava minha comidinha estava no prato, meu filho tinha tomado banho...estava tudo perfeitinho....ele é muito zeloso. Mas não entendo porque que quando ele está na ativa eu estou insastifeita e quando ele está sobrio , eu tb fico insatisfeita? Já aconteceu com vc? Beijos.

    ResponderExcluir
  2. http://eumlongocaminho.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Olá Poly, tenho acompanhado seu blog e sua rotina há alguns meses, vejo que DEUS tem te tratado, tem te dado ferramentas para prosseguir... sou admiradora do que DEUS tem feito na sua vida e no que ele tem te honrado, creio que tudo tem seu tempo e o seu tem chegado aos poucos e ver sua liberdade da co- dependência e uma alegria para o meu coração e ver seu esposo na buscar de ficar limpo é uma esperança para o mesmo, pois sei que a cura precisa ser praticada todos os dias, como único ou seja só por hoje!
    Que DEUS continue lhe abençoando.

    ResponderExcluir
  4. passo por isso também mas não sou casada...tenho dois filhos com o meu namorado mas nunca moramos juntos...descobri a dependencia quimica dele quando estava grávida do primeiro filho e isso já são 9 anos...ele foi pra clinica e continuamos juntos planejando casar...e ele caiu de novo...e de novo...e várias vezes...várias clínicas...e hoje fazem 30 dias que ele não trabalha...só usando de mentiras pra conseguir dinheiro para o crack...é muito sofrimento...não tenho paz em casa...nem no trabalho, pq trabalho perto de casa e ele fica na porta do meu trabalho querendo dinheiro pras mais inusitadas coisa...já vendeu várias coisas...não quer ia pra clinica...foi mandado embora do serviço...mesmo trabalhando não me ajudava com nada, nem pensão...tudo era pra droga...já me ameaçou várias vezes...realmente não sei o que fazer...amor não resiste a isso...

    ResponderExcluir