quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A mochila pesada!


Boa noite, amigas(os)!

O jeito é madrugar pra conseguir escrever... Como nos velhos tempos! Rs.

Tenho conversado com muitos familiares de dependentes químicos, e queria expor alguns sentimentos meus a vocês.

É muito doloroso carregar sobre as nossas costas a responsabilidade da recuperação do outro.

É pesado demais. Mas, muitas vezes insistimos em achar que conseguiremos.

Eu pensava: “Se eu esperar o meu marido com a comidinha feita, ele verá que pode ser feliz sem recaídas”. “Se eu estiver sempre de bom-humor, e nunca reclamar ou brigar, ele não vai recair”. “Se eu for a mulher mais apaixonada desse mundo, ele não vai ter razões para ficar mal.” “Se eu nunca lhe disser ‘não’, ele se sentirá realizado, e não vai procurar as drogas...”

Nem a mulher-maravilha conseguiria isso. Mas, a super-Poly pensava que isso seria possível.

Não sei quem estava mais insano, meu familiar adicto ou eu.

A cada recaída, eu me frustrava. E novamente pensava: “quem sabe se eu me esforçar um pouco mais...”

Eu estava em uma prisão. Não conseguia ser eu mesma. Me sentia refém da doença do meu esposo. E por mais que eu me esforçasse, a doença sempre vencia.

Nunca contei isso aqui, aliás, nem meu esposo sabe que foi uma encenação: uma vez, no início do nosso casamento, quando aconteceu a sua primeira recaída, eu estava tão louca, que quando ele estava sob efeito da droga, fingi que desmaiei na cozinha, para chamar a sua atenção, e fazê-lo se sentir culpado, e não usar mais. Não sei se me dá vontade de rir ou de chorar ao lembrar. Imagine eu, um mulherão de 1,73m de altura, estatelada no chão, pra chamar a atenção do outro. Afinal de contas quem mesmo que estava sob efeito de drogas?!!

Loucura total!

Me sentia derrotada. Frustrada. Culpada.

Era muita dor...

Mas, por que me sentia assim?

Eu trabalhava, cuidava dos meus filhos, da nossa casa... Mas a “mochila” da adicção dele eu não conseguia carregar. E nem era mesmo para eu carregar. Mas, ainda assim, eu insistia. E me machuquei demais nessa insistência tola.

Isso o ajudava em sua recuperação? Claro que não! A “mochila” do uso de drogas não estava sobre ele. Então porque ele veria a necessidade de jogá-la fora?

Até que um dia descobri que não havia nada que eu pudesse fazer a mais, que não havia sacrifício ou auto anulação minha que o faria parar de usar drogas.

Só duas coisas poderiam fazê-lo parar: Deus e a sua vontade (do meu marido).

Caramba, e agora?

Doeu muito saber que a dependência química é uma doença crônica, ou seja, uma doença para a vida toda, e que os riscos de recaídas sempre existirão.

Doeu encarar essa vida instável ao lado do homem que escolhi para dividir minha vida, e para formar uma família.

Doeu perceber que eu também estava doente, muito doente, e precisava de ajuda.

Doeu saber que não estava em minhas mãos, e que eu não tinha o controle sobre ele.

Mas, foi somente passando por essas dores que consegui realmente assumir o meu papel ao lado dele.

Hoje tenho vida própria. E isso faz com que eu o ame de forma mais limpa, sem tantas cobranças ou amarguras.

Por outro lado, ele sabe das suas responsabilidades e dos meus limites, e acredito que isso o estimule a se manter limpo.

Hoje me sinto mais leve porque posso ser exatamente eu, a Poly. Eu brigo quando estou de TPM, fico calada quando sinto vontade, respeito as minhas restrições, ou seja, sou um ser humano como qualquer outro.

A mochila da adicção do meu esposo está sobre ele. A cada dia limpo, ela fica mais leve para ele. E de forma nenhuma eu a carrego novamente sobre os meus ombros. Apenas me mantenho ao seu lado, oferecendo “água, suco, vitamina” para que ele continue a sua jornada.




Fácil? Claro que não é fácil!

Mas é um estilo de vida muito melhor do que o que eu levava antes. Acho que já teria enlouquecido se continuasse naquela insanidade de querer controlar a adicção do meu marido.

Hoje, às vezes ainda bate o medo, a ansiedade, a autopiedade... e outros que fazem parte dessa “galera” aí. Mas, aprendi a combater isso. Simplesmente sinto, respeito meus sentimentos, e os deixo passar, sem me afundar neles. E sempre passa.

Sinto-me feliz com a Poly de hoje, e com a vida que levamos!

E você, está feliz com a sua vida?

Que mochila está sobre as suas costas? A sua, ou a do seu familiar?

Você ainda acha que pode fazer algo para salvá-lo da dependência química? Que pode se sacrificar um pouco mais?

Queridas(os), cuidem-se. Busquem ajuda para si próprias(os). Quando mudamos a nós mesmos, tudo muda ao nosso redor...

“A felicidade pode (e deve) ser compartilhada com outros, mas nunca deve depender das ações dos outros para acontecer. Felicidade só vem de dentro de você!” (Poly)

Boa noite.
Fiquem com Deus!

Ah, por favor, participem da enquete que está no lado superior direito do Blog. Obrigada!

8 comentários:

  1. Muito obrigada aos leitores da madrugada, que me fizeram companhia hoje... ♥
    Que Deus lhes dê serenidade, e uma tranquila noite de sono.

    16/1 @ 01:19 : Belém, BR
    16/1 @ 01:18 : Guarulhos, BR
    16/1 @ 01:16 : São Luís, BR
    16/1 @ 01:14 : Sobradinho, BR
    16/1 @ 01:14 : Sorocaba, BR
    16/1 @ 01:13 : Princeton, New Jersey, US
    16/1 @ 01:11 : Maceió, BR
    16/1 @ 01:09 : Princeton, New Jersey, US
    16/1 @ 01:09 : Menlo Park, California, US
    16/1 @ 00:58 : Menlo Park, California, US
    16/1 @ 00:46 : Brazil, BR

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  2. Digo com toda a certeza que ele está leve,apesar de saber hje que meu mano resolveu ser traficante.Pode até parecer insanidade,mas estou em paz,pois sei que é uma escolha dele e não tenho controle sou impotente perante a adicção dele então vou de 1º e 3º passo e continuo voltando pq só por hoje tá funcionando,belíssimo texo Polly,beijos!

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  3. Bom dia Poly, adorei a materia ... amei seu blog.
    Tudo que foi falado é muito importante para adequarmos um pouquinhu as nossas vidas, nossas experiencias.

    Estamos nessa batalha juntas, me considere uma nova amiga!

    Grande Beijo

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  4. Bom Dia .

    Por muito tempo também tentei carregar o meu marido nas costas como se eu pudesse impedi-lo de usar drogas e esqueci completamente que tinha uma vida e então percebi que eu é que precisava de ajuda pois acabei tendo depressão, sindrome do pânico porque não vivia mais passava 24 horas pensando onde ele esta , como esta e quando tudo isso iria acabar , mas hoje posso dizer que estou em faze de mudanças já voltei a viver a minha vida , realizar meus projetos e meu sonhos e posso dizer que hoje estou conseguindo conquistar a minha felicidade :).
    Porque a única pessoa que consegue realmente mudar alguem é Deus e a propria pessoa como a Poly falou .
    Então confie em Deus e viva seus projetos , seus sonhos , acredite em você , pois todas nós temos um valor inestimavel!!!

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  5. Olá Polly adorei o texto! Realmente , depois que resolvi sair da posição de vitima e ser feliz independente se ele está bem ou não tudo melhorou!


    Esse texto biblíco me ajudou muito em momentos de desespero: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."

    Entreguei a minha dor e meu desespero nas mãos do nosso Senhor Jesus Cristo e creio no milagre da vida do meu amor!

    Beijos meninas , vistem meu blog: http://1diadecada.blogspot.com.br/

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  6. oi amiga minha situaçao bem complicada pois a mae do meu companheiro diz que nao podemos dizer nada que o magoe e ainda esconde tudo de ruim que ele faz ainda pior dar dinheiro pra ele comprar o maltido crack..pois diz que e melhor que ele roubar..ate que ele vai e se enterna ,mas ultimamente tou percebendo que ta ficando terrivel pois nao fica mas que 5 dias interno ou em casa sem usar..agora estamos separado pois tive que levalo pra casa de seus familiares pois na capital onde a gente mora tava ficando perigoso ate ja tentaram contra a vida dele pois como disse ele ta cada dia mas dependente e nao pensa nas consequencias dos atos que faqz quando ta usando... tou perdida nao sei como agir, ele limpo e otimo eu o ADMIRO muito ele faz tudo pra me ver feliz ai ver a maldita queda.. tou achando que e melhor eu deixalo de vez pois tou vivendo no inferno ja faz uns 8 meses sem vitoria.tou muito infeliz .nunca pensei em me envolver com um depedente .alias eu nao tinha neuma esperiencia. tou tonta pois ate em casa ele rouba o que tiver na frente....

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  7. Eu sempre carreguei meu esposo nas costas....e sempre nas brigas jogava isso na cara dele, que eu era a muleta dele, que estava cansada de ser mãe e baba....nosso casamento está igual a vida dele, no fundo do poço...as vezes passa pela minha cabeça em admitir realmente que não temos mais jeito como marido e mulher. A razão diz que nunca serei feliz ao seu lado, que ele nunca vai mudar, que eu nunca vou mudar....mas o meu coração diz que há esperança, que ele vai mudar, que eu vou mudar, que Deus tem algo pra nós dois juntos. São 10 anos e não 10 dias. Mas como o coração do homem é enganoso, nem sei o que pensar, como agir. Por isso que decidi depois de 10 anos entrega-lo exclusivamente a Deus....tá doendo muito não ligar pra saber como ele está, mas não posso fazer mais nada, então resolvi parar de ser rebelde, de querer tomar o lugar de Deus e entreguei meu casamento em suas mãos....Como sempre carreguei a mochila pesada e agora está aparentemente leve, to achando estranho rs. To achando que uma parte de mim se foi. Só por hoje quero continuar entregando nossas vidas na mão de Deus.

    http://eumlongocaminho.blogspot.com.br/

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  8. Oi Polly, conheci seu blog hoje e de imediato me identifiquei,embora existam milhares de "Pollys" as vezes ficamos perdidas sem ter pra onde correr, com quem conversar, enfim... Meu esposo é adicto desde que o conheço (13 anos) já foi internado há 10anos por uso de crack saiu nunca mais recaiu NO CRACK mas ele é um tipo de adicto que substitui vícios e uns 2 anos depois da internação passou a usar cocaina, finalmente ele começou a se tratar, mas recaiu, foi pro subsolo do poço e voltou pra clínica no dia 1 de janeiro.Mas a mudança mesmo acho que aconteceu comigo, eu aceitei minha fraqueza diante da doença DELE, comecei a perceber EXATAMENTE isso que vc descreve, que minha vida até hoje é simplesmente um reflexo, uma reação a determinada atitude dele.Ainda estou digerindo esse sentimento dentro de mim.As vezes me revolto comigo, as vezes repenso a saúde do meu sentimento, as vezes repenso a minha doença que inclusive deve ser tratada.Mas ter tirado a "mochila" dele de minhas costas me dá certo alívio, mesmo descobrindo que eu tenho a minha, coisa que até esses dias eu nao achava que tinha.

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