quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A bússola da Polyanna!



Boa tarde, queridas(os) leitoras(es)!

Estava respondendo aos e-mails recebidos, que já totalizam 619 (!!!), e ao observar os relatos, vi que quase todos eles trazem a descrição de uma história de vida, em seguida falam da dor diante da adicção ativa do familiar amado, e por fim trazem a pergunta: “o que eu faço?”

Fico muito feliz porque muitos se sentem a vontade para me contar os seus segredos, por depositarem em mim essa confiança, e também por me deixarem tantas palavras de força e carinho.

Sei o quanto nós, familiares, por vezes nos sentimos tão sozinhos, desamparados e incompreendidos.

Mas, por outro lado, me sinto impotente, porque não sei o que responder nessa pergunta “o que eu faço”?

O Blog Amando um Dependente Químico, desde o início, traz o relato do que eu estou fazendo com minha vida, das minhas escolhas, e dos meus sentimentos.

Entretanto, cada um é cada um...

Não posso dizer a ninguém “abandone o seu marido”, ou “fique com ele até que a morte os separe”, “interne seu filho” ou “deixe-o nas ruas”. Não posso. Afinal, quem vai arcar com as consequências disso, será você, e realmente não tenho as respostas que você busca.

Mas, estou aqui para dizer o que está dando certo pra mim. Daí, você pode ler, se identificar (ou não), e ter ideias de como agir.

Meu esposo segue limpo. Vejo o crescimento dele. Mas seria muito injusto da minha parte dizer que isso se deve somente a mim. Isso é mérito dele!

O comportamento do familiar pode sim ajudar ou atrapalhar na recuperação do dependente químico, mas nunca, jamais, a decisão dele de parar ou continuar com as drogas estará sobre nossas costas. Não mesmo.

Diante disso, decidi fazer esse post, citando o que eu acredito. Ou seja, é a MINHA forma de pensar... Não é certa, nem errada, apenas a forma da Poly se comportar diante da adicção de quem ama.

Vamos lá?

1. Não me sinto responsável pelas recaídas, e tampouco pela recuperação do meu esposo. Estou aqui para ajuda-lo, e não para carrega-lo sobre meus ombros.

2. Quando a recaída acontece, observo em seu comportamento (e não em suas palavras), se há o desejo real de voltar para a recuperação. Isso poderá se dar por meio de um tratamento ambulatorial ou grupo de apoio, ou em casos de compulsão incontrolável, pela internação.

3. Se ele não quer parar, tento no diálogo mostrar as perdas ocorridas em razão do uso de drogas, lançando perguntas para que ele reflita, sem acusações ou gritos. (Se não estou em condições, não converso). Geralmente esse diálogo é mais eficaz no dia seguinte do uso (na ressaca). Mas, se ele continua determinado a não parar, não fico junto, pois são muitas as consequências desastrosas, a mim e às crianças: emocional, psicológica e financeiramente.

4. Se ele quer parar, movo céus e terras para ajuda-lo, mas somente para ajuda-lo, sem tirar dele as atitudes que somente ele pode tomar.

5. Não sinto “pena” dele. O vejo como alguém capaz de ser o que quiser ser.

6. Entendo que a dependência química é uma doença. Entendo que não é fácil se manter abstinente quando se tem essa doença. Por isso, tento compreender em seus momentos de fissura, a irritabilidade, o mal humor, ou o desânimo.

7. Penso que o querer dele é a chave para a recuperação.

8. Não aceito uso de drogas dentro de casa. Não aceito conviver com alguém em ativo uso de drogas. Não aceito violência física ou verbal. Não aceito desrespeito.

9. Amo ao meu familiar dependente químico como ele é. Ainda que, por vezes, prevaleça a imaturidade, o egoísmo ou a manipulação, sei que também sou cheia de defeitos, e que nós dois juntos, podemos crescer e melhorar, um dia de cada vez.

10. O que passou, passou. Não fico relembrando coisas do passado de ativa. Se perdoei, perdoei.

11. Sempre foco nas qualidades dele, no homem que escolhi para ser meu companheiro.

12. Grupos de apoio (presencial ou virtual), leituras, terapias, e cursos sobre Codependência e Dependência Química foram essenciais para que eu formasse a minha própria opinião sobre o que é melhor ou pior a fazer, diante do problema.

13. Faço orações diariamente, e confio que Deus pode fazer o que eu não posso.

14. Tenho fé e esperança.

15. Não acho que meu esposo depende de mim para estar em recuperação. Não carrego essa responsabilidade sobre mim. Estou com ele porque o amo, porque ele me faz feliz, e só.

16. Respeito os meus próprios limites, defeitos e sentimentos. Nós, familiares, não somos e não precisamos ser perfeitos. Cometemos erros também...

17. Vejo o meu esposo como o meu esposo, como um homem, e não somente como um dependente químico.

18. Amo a mim mesma. Respeito a mim mesma. Não passo por cima dos meus limites por ninguém. Entretanto, dentro dos meus limites, estou disposta a ajudar, a amar, e a colaborar.

19. Aprendi a ouvir mais e falar menos. Descobri que não tenho o remédio que meu esposo precisa. Por vezes, ele só quer alguém que o escute, e o entenda.

20. Humildade... Aceitação... Compreensão... Empatia... Assertividade... Amor... Fé... Esperança... Limites... Diálogo... Mão estendida... Força... Respeito... São ferramentas que tento utilizar no meu dia a dia, com ele, com os outros, e comigo mesma.

Isso aqui não é receita de bolo não, viu, minha gente? Mas, foi dessa forma que encontrei uma vida mais leve, e mais feliz!

Espero que essas dicas possam te ajudar, de alguma forma.

Essa é a "bússola" que eu uso. Sei para onde quero ir, e ela me orienta. 

O primeiro passo é saber o que você quer para a sua vida. Já sabe? Então vá! Não permita que ninguém diga o que você deve ou não fazer. Acredite nas suas escolhas! E seja responsável por elas.

Não sei dizer o que você deve fazer, mas estou aqui para dizer que você não está sozinha (o)...

Estamos juntas(os)!


Beijos.
Poly

3 comentários:

  1. Poly

    o que vc consideraria adequado fazer se "ele" estiver usando drogas dentro de casa ? as duas vezes que vi pedi que se retirasse, mas a família dele não o aceita dessa forma tb dentro de casa. acabei acolhendo e me arrependendo. receio que se ele fique na rua vai acabar roubando, podendo ser preso ou morto. sou sozinha com meu filho de 08 anos, não tenho nenhum familiar próximo. minha mãe está há 1200 km daqui. não tenho a quem recorrer. a família dele toda mora aqui. gente sem estrutura, mas em fim, mãe, padrasto, irmãs, avó, tios...todos aqui. preciso de um norte...fico com pena e sei que pena não posso ter. devo ser firme? deixo que ele mate no peito td o que possa acontecer com ele? como responsabilizá-lo se nos momentos de crise ele parece que sai do corpo?

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    1. Bom dia, querida! Nós, familiares de dependentes químicos, realmente vivemos esse dilema: "permito que ele use drogas em casa, um lugar seguro? Ou o coloco para fora, onde ele correrá riscos?" O fato é que, usando drogas, ele corre risco em qualquer lugar: seja de acontecer uma overdose, ou de ser vítima de traficantes. Quando facilitamos o uso de drogas deles, apesar de nos sentirmos aliviados, pois não há o peso da culpa, dificultamos o processo de recuperação deles. Afinal, por que parar o uso de drogas, se está tudo bem? Infelizmente, muitos deles só buscam tratamento quando sentem a dor e as perdas causadas pelo uso de drogas, e se nós os protegemos disso, somos pedras no seu caminho de recuperação. Mas, por outro lado, claro que existem os riscos reais fora de casa. Então, é necessário que nós, familiares, busquemos a força que vem dos grupos de apoio, para sabermos exatamente até onde vai o nosso papel, e nos livrarmos de uma culpa que não é nossa. Dependentes químicos são doentes, mas não são incapazes, e dar-lhes responsabilidade sobre suas próprias vidas muitas vezes faz toda a diferença. Em alguns casos extremos, existe a internação involuntária. Beijos!

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  2. "O que passou, passou. Não fico relembrando coisas do passado de ativa. Se perdoei, perdoei."
    Acho este tópico muito importante, pois o perdão tem que ser real. O que vemos geralmente são pessoas fingindo e no primeiro desentendimento desenterrar toda aquela mágoa.
    Este é um princípio de sabedoria.

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