sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Live... And let live!

Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem. 

Estou exausta, após uma noite mal dormida, em razão de gripe nos meus dois pequenos, mas nada fora do convencional de vida de mãe.

Meu esposo voltou a frequentar um grupo de apoio, e hoje retornou ao trabalho, após 30 dias de férias. Saiu antes de clarear o dia, com seu uniforme branquinho.

Dois dias limpo.

Fiquei por um breve momento observando-o, da janela do quarto do nosso apartamento, enquanto ele seguia.

Por um instante, pensamentos controladores passaram por minha mente: “Ele não devia ter levado o celular (dele), nem o tablet (dele).” “Será que ele vai voltar bem pra casa, após o expediente?”




Acooorda, Poly! Volte para a vida que te pertence!

Peguei o meu livro CEFE para ler, e a mensagem de hoje era toda pra mim. E me fez lembrar que preciso me desligar das coisas sobre as quais não tenho o controle.

Só por hoje, opto por entregar meu esposo aos cuidados de Deus, e quando eu tentar retomar esse cuidado, devo me lembrar que ele não me pertence mais.

E assim, voltei a me sentir leve, leve...

“Conhecimento é aprender algo novo todos os dias. Sabedoria é soltar-se de algo todos os dias.” (CEFE)

Já entendi que não posso mudar a vida do meu esposo. Não posso interferir nas escolhas que ele faz. Mas, posso escolher como suas ações afetam a minha vida.

Tenho visto alguns familiares confundindo o desligamento com facilitação ou aceitação de coisas inaceitáveis (desrespeito, violência, uso ativo de drogas, etc), e na verdade, não é nada disso.

Encontrei um ótimo texto sobre desligamento, e embora seja direcionado a adictos, se aplica a todos nós, e gostaria de partilhar com vocês.


Desligamento Emocional 
Por Marilia Teiexira Martins


O Desligamento emocional não se resume apenas no sentido literal dessas palavras; é mais do que isso. São atitudes e posturas mais saudáveis, diante de si e do outro, tanto para o dependente como para o seu familiar.

Venho refletindo muito nos últimos tempos, sobre este termo, tão utilizado por nós profissionais e por grupos de mútua-ajuda, mas infelizmente, nem sempre bem compreendido e aceito. ...

... É comum ouvir de mães, pais, esposas, filhos e dos próprios clientes que é impossível desligarem-se emocionalmente de seu familiar. Falam assim por não compreenderem de fato o seu real significado de forma mais ampla e profunda. ...

... Algumas famílias que por aqui chegam em busca de ajuda, demonstram maior fragilidade emocional do que outras. E por serem mais frágeis, contribuem de forma efetiva para o desenvolvimento e instalação de uma dependência emocional entre seus membros. São famílias que buscam e esperam que um agente externo seja o responsável pela resolução de problemas e dificuldades internas. Acreditam que é outra pessoa e não elas, a responsável direta por sua felicidade, passando então a buscá-la fora e não dentro de si. Querem soluções rápidas e fáceis para qualquer dificuldade. E em se tratando da dependência química, nada melhor do que a droga para ocupar esse espaço e esse papel. 

... Querem assumir pelo outro, responsabilidades que a ele pertencem, resolvendo o problema do outro ou pelo outro e não com o outro. ... 

... Portanto, desligamento emocional é algo muito mais profundo do que simplesmente o ato de admiti-lo. É aceitar a escolha de cada um, sem querer interferir ou controlar os resultados. ...

... É dar oportunidade a si e ao outro de crescimento, de amadurecimento e evolução, de forma livre, responsável, respeitando principalmente o tempo e o ritmo de cada um, "caminhando ao som de seu próprio tambor", buscando e almejando acima de tudo, sua própria serenidade.

... É como dizem, de forma muito feliz e sábia, os grupos de mútua-ajuda: "É viver e deixar viver", "um dia de cada vez" e "só por hoje".


Viva e deixe viver...

2 comentários:

  1. pois é finalmente eu entendi o q é o desligamento...e tenho tentado aplicar a cada dia, não somente em relação ao adicto, mais em relação a tudo e a todos...nossa recuperação vai além da convivência com o dependente quimico, quando começamos de fato a vivencia-la trazemos ela pra nossa vida e aplicamos a tudo...isso é muito bom, traz uma liberdade espiritual magnifica...sempre temos a escolha de como nos sentir, de como encarar a vida...e hoje eu não aceito infelicidade...a dor ela vem é natural...agora sofrer...a isso não mas..pq aprendi a me amar...bjus

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