sábado, 9 de novembro de 2013

Encarando a realidade!



Bom dia!

Meu esposo saiu para o trabalho agora a pouco. Está limpo há dez dias.

Os filhotes ainda dormem.

Ontem, em uma reunião sobre o Projeto das famílias, alguém disse: “Isso tudo é muito triste!”, se referindo à vida das famílias que possuem dependentes químicos em casa.

Daí fiquei pensando...

Segundo uma pesquisa realizada em abril, pelo Datafolha, o maior medo do paulistano é o de ter algum familiar envolvido com drogas. Esse medo superou o índice do medo de ter a casa invadida por assaltantes, o medo de sofrer violência nas ruas, ou da inflação.

Caramba, e esse medo da maioria, é a nossa realidade!

E agora?

Agora é hora de cuidarmos de nós, famílias.

Passamos por muitas dores, ansiedades e estresse, afinal, quando nossos familiares estão na ativa, temos a sensação de que uma notícia pior pode chegar a qualquer momento. Por outro lado, quando eles estão limpos, vivemos no medo de que uma recaída aconteça...

Isso é vida?

Queridos leitores, existe uma vida diferente, melhor, mesmo para nós familiares de dependentes químicos, e é nessa tecla que vou bater sempre!

Os índices de recuperação da dependência química são baixíssimos? São!
É possível que ele recaia? Sim, é!

Agora cabe a nós escolhermos o que faremos com essas informações, diante da nossa realidade de vida.

Podemos viver como “coitadinhos”, nos entregando à codependência, afundados na culpa e na dor. Ou podemos buscar ajuda para nós (Nar-anon, Al-anon, Amor-Exigente, Pastoral da Sobriedade, Psicólogos, Psiquiatras, CAPs, Igrejas, livros, blogs...) e buscar força, primeiro para cuidarmos de nós mesmos, e depois, para da forma correta, ajudarmos ao nosso familiar.

Gosto mais da segunda opção!

Nem sempre nosso familiar estará em recuperação. Nem sempre ele estará bem. Nem sempre ele estará em casa. O dependente químico é um carrinho de montanha russa, e viver emocionalmente ligado a esse “carrinho” nos machuca demais. Em alguns momentos, precisamos nos soltar desse carrinho, e não estou falando em abandono, estou falando em desligar-nos emocionalmente.

Meu esposo recaiu após mais de sete meses limpo. Dói? Demais! Mas, não vou voltar para o “zero” com ele. Minha vida segue, e eu preciso disso para estar de pé e estender a mão se ele precisar.

Se nós, familiares, cairmos com eles, nos afundarmos com eles, quem vai puxá-los para cima, quando o desejo de recuperação surgir?

Dependência química é doença. Não é falta de vergonha, nem falta de amor. O cérebro do dependente é modificado pela droga, e isso está fora do controle do adicto. Embora, por outro lado, o desejo de recuperar-se seja responsabilidade 100% dele! Quando entendermos isso, sem culpa, sem achar que somos responsáveis pelo outro, sem aquela sensação de que podemos salvá-los, seremos mais assertivos em nossas ações, e seremos mais felizes.

Precisamos aprender a viver com a nossa realidade.

Imaginem alguém que sofreu um grave acidente, e perdeu as pernas, por exemplo. Ele tem duas opções: se revoltar contra Deus e contra a vida, afundar-se na autopiedade, e passar apenas a sobreviver, esquecendo-se de viver. E isso seria bem compreensível, afinal, imagino que seja uma situação muito difícil.

Mas, por outro lado, essa mesma pessoa tem a opção de lutar por tratamentos, estudar alternativas (próteses, cadeiras, etc), tentar uma nova profissão, participar das para-olimpíadas!

Essa é a realidade dele, e só depende dele a escolha do que fazer com essa realidade.

Você conhece a história de Nick Vujicic?






Demais, né? Me emociono com as palavras dele... E é exatamente nisso que acredito!

A dor de conviver com um familiar dependente químico é a nossa realidade. Por vezes, não temos como mudar a realidade, afinal a recuperação dele depende do querer dele, não do nosso. Mas, podemos mudar a nós mesmos diante dessa realidade.

E o primeiro passo é cuidando de nós.

Familiar, cuide de você. Amor próprio não é egoísmo. Você já tentou de tudo pelo seu filho, ou marido, ou irmão. Não é mesmo? Se não deu certo, tente fazer diferente agora. Comece cuidando de você...

Talvez você ainda pense: Puxa, mas eu não consigo!

Eu também, por vezes, pensava que não conseguiria me levantar da cama, naquele dia de dor. Que não conseguiria me alimentar. Que não conseguiria trabalhar. Que não conseguiria sorrir... Para percorrermos um longo caminho, é preciso dar um passo de cada vez. Dê apenas um passo hoje: que tal um passo até o grupo de apoio mais perto da sua casa? Que tal um passo para a leitura de um livro sobre o assunto? Dê um passo na direção correta, faça algo por si mesmo... Apenas não se permita ficar parado.

E lembre-se você não está sozinho! “Eu seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que sozinho eu não consigo!”

Acredite, você pode!

E o que você não pode, Deus pode... Deixe nas mãos Dele, e confie, e descanse!

E que fique bem claro que, embora eu enxergue a realidade como ela é, nunca vou deixar de acreditar na recuperação de quem amo!

Beijos, e bom sábado!



“Nenhuma situação é tão difícil e nenhuma infelicidade é tão grande que não possam ser superadas.” 
(Livreto Azul do Nar-Anon)

6 comentários:

  1. Suas palavras vem de encontro ao meu coração,estou sempre lendo suas postagens e me emociono muito ao vê que não sou só eu que sofro com isso,e creio que Deus pode fazer o que nós não podemos,olha gostaria muito de ler seus livros mais minhas condições financeiras não estão muito boas no momento,gostaria de saber se vc não poderia me doar,ficaria muito feliz se vc pudesse fazer isso pois seria muito importante pra mim como co-dependente a quase sete anos,obrigada por sua atenção e até logo!!!

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    1. Olá, querida Kelly! Você poderia me enviar um e-mail para polyp.escritos@gmail.com, por gentileza? Daí te envio o livro em e-book. Ok? Bjão!

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    2. Olá poly já enviei meu e-mail,e obrigada pela atenção,bjo!!!

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  2. Suas palavras me dão um enorme consolo por pensar que existem pessoas que superar a co-dependencia. Gostaria de conversar melhor contigo,contar o porque estou ligada a um adicto.Abraços.

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  3. Nossa Poly, fazia muito tempo que não acessava seu blog e hoje mesmo com muita tristeza e sem vontade de ao menos entrar na net me esforcei para acessar sua página e estas palavras caíram com tudo para mim!
    Meu esposo foi internado nesta quinta-feira... ele nunca tinha sido internado e estava muito na ativa, mto mesmo...foi horrível esta semana que passou e agora é uma dor tao grande tb por nao te-lo perto mas o que mais me consola é saber que ele quis sua recuperacao! Eu preciso agora procurar a minha ajuda! Continue sempre nos ajudando, por favor! bjs

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  4. Obrigada Polly, estava mesmo precisando!! Suas palavras me deram força! Essa nossa realidade é dura, mas nda que não possamos enfrentar e superar! Deus abençoe vc e sua família!

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