quinta-feira, 21 de novembro de 2013

3º Dia do Curso de Multiplicadores: A Fantasia da Droga!



Bom dia!!!

Tudo bem com vocês?

Por aqui tudo bem. Uma semana de maratona, entre trabalho, realização do curso do projeto, elaboração de palestra, adaptação dos pequenos na creche, organização da casa... Mas, ainda estou viva... Rs... E muito feliz com tudo isso!

Hoje escreverei rapidinho, porque acordei mais tarde (05:30hs)! Hahaha

Mas, vamos lá!

A primeira palestra de ontem, 3º dia do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias foi dada pelas servidoras do CAPS AD, Renata Cavalcante e Carla Sene.


Carla Sene e Renata Cavalcante

Foi um debate bem “acalorado”, e eu já esperava que fosse, afinal, o CAPS é uma das únicas portas abertas pelo Governo para o tratamento de dependência química, e ao mesmo tempo que é um lindo Projeto, na prática as coisas não saem redondinhas como deveriam, por uma série de fatores.

Deixarei, abaixo, algumas citações das profissionais.

“Muitas pessoas chegam ao CAPS querendo internar o filho ou familiar, mas hoje há uma luta para derrubar a lógica manicomial de alguns anos atrás, onde as pessoas portadoras de problemas psiquiátricos eram isoladas da sociedade. Então, ao chegar no CAPS o indivíduo será acolhido, e cada caso será analisado individualmente. Para uns, será feita a agenda com Psiquiatra, Psicólogos, Assistentes Sociais, etc, para outros a indicação de medicação, e para outros a internação. Precisamos entender que cada caso é um caso, e a internação é a ultima opção, não a primeira.”

“Muitos dependentes, após a internação não têm para onde ir, por estarem com quase todos os vínculos sociais rompidos. Na Asa Sul, em Brasília, seria implantada uma Unidade de Acolhimento para Reinserção Social de Dependentes Químicos. Ou seja, um lugar para ajuda-los a voltar ao meio social: à família, ao trabalho, às atividades físicas, ao lazer, dentre outros. Mas, os moradores reuniram milhares de assinaturas para que não fosse instalada a Unidade. É aquela questão: todos querem que o problema seja resolvido, desde que seja resolvido bem longe de nós...”

“Dentre os trabalhos do CAPS podemos destacar as oficinas terapêuticas, geradores de renda, orientação, atividades comunitárias, visitas domiciliares, grupo de família e desintoxicação ambulatorial.”

Tipos de CAPS:
CAPS I e II – atendem todos os tipos de transtornos mentais, de 2ª a 6ª, sendo que o II tem um terceiro turno, até às 21 horas.
CAPS III – Atendimento diário e noturno, ou seja, 24 horas por dia.
CAPS AD – Atendimento para usuários de álcool e outras drogas. O CAPS AD pode ser I, II ou III. Aqui em Brasília, o CAPS AD da Rodoviária é III, ou seja, 24 horas aberto para atendimento.
Além disso, no CAPS da Rodoviária existem os grupos de família, na 2ª feira às 19h, e na 6ª feira às 15h. Telefone (61)3226-4631. (capsadrodoviaria@gmail.com).
CAPSi - Para atendimento de crianças e adolescentes (até 18 anos). O CAPSi de Taguatinga, se necessário, faz inclusive a internação do menor, por até 14 dias, para desintoxicação.

Procurem se informar sobre os serviços prestados pelo CAPS da sua cidade. Meu esposo já se tratou pelo CAPS e conseguiu um bom tempo limpo, com o acompanhamento de Psiquiatra, Psicólogo e Assistente Social. Tenho uma amiga que também foi muito bem atendida no CAPSi quanto ao acompanhamento do seu filho menor. Enfim, é uma porta (gratuita) aberta para nós. Um direito nosso!

A segunda palestra foi dada por Viviane Resende e Joanira Panozzo, Psicólogas, Especialistas em Dependência Química. Elas substituíram o Dr. Leonardo Moreira, que precisou fazer uma viagem à Malásia, para um Encontro Mundial de Combate às Drogas. Espero que ele traga coisas novas e boas pra nós!


Viviane Resende

Joanira Panozzo


O tema foi a Fantasia da Droga.

Elas começaram falando da visão da sociedade sobre a Dependência Química.

“Aristóteles, no ano 4 a.C., definia a dependência como sendo um uso desregrado de substâncias, baseado na escolha pessoal do usuário, e que deveria ser penalizado por isso. A igreja, na sequencia, apedrejava os usuários de drogas em praça pública. Ou seja, nesse modelo moral, vemos que o uso excessivo de drogas é visto como uma violação consciente das normas sociais. E ainda hoje, ainda temos muito desse modelo moral.”

“O dependente químico precisa ser enxergado como alguém. Precisamos aprender a nos colocar no lugar do outro, a ter empatia, a ouvir...”

“A adicção é uma disfunção cerebral crônica, portanto, é uma doença do corpo.”

“As famílias precisam aprender a ouvir a história do ponto de vista do dependente, deixando de lado as mágoas, e se colocando no lugar dele. Isso não é fácil, eu sei, mas é necessário, e é benéfico para ambos.”

Fantasia: a Droga para Fuga da Realidade
Procura a droga por:
Dificuldade para manjar raiva e frustrações
Sentimento de tédio e angústia
Ansiedade social e de performance
Insegurança
Impotência
Incapaz de solucionar conflitos
Insatisfação
Falta de prazer nas atividades cotidianas

Fantasia: a Droga como Forma de Sobrevivência
Necessidade de relaxar, bem estar, tranquilidade
Atenção, concentração
Necessidade de parar o tempo
Para se sentir animado e disposto
Para camuflar emoções
Sentimento de adequação
Assertividade

Fantasia: a Droga como Reenergizador
Eu preciso desse momento para continuar seguindo em frente
É o meu “carregador de bateria”
Busca de sensação de prazer mais intensa

“Ainda existem os que buscam a droga para aliviar sintomas de outras comorbidades, como Borderline, Paranóide, Esquizóide, Antisocial, Transtornos de humor, Depressão, Transtorno Bipolar, Transtorno de Ansiedade, dentre outros.”

“Então o dependente tem essas fantasias, ou seja é uma forma encontrada para fugir da realidade. Muitas vezes, para o dependente um pneu do carro que fura, ou um ônibus que foi perdido se tornam problemas tão grandes em sua mente, causando sentimentos tão fortes, que ele “fantasia” que somente a droga poderá aliviá-lo naquele momento. É preciso entender como isso acontece dentro do dependente, para auxiliá-lo no aprendizado de encarar e resolver os problemas/desafios, sem precisar “fugir” deles.”

“O familiar de dependente químico precisa se tratar, a fim de ser um CUIDADOR e não A DOR QUE CUIDA...”

Queridas(os), é isso aí...

Espero que estejam gostando e tirando proveito das informações que estou postando aqui sobre o curso.


Beijão!

2 comentários:

  1. vdd esse negócio de abaixo assinado da população, na implantação de um caps, tivemos esse problema, os vizinhos não queriam pois ia desvalorizar os imóveis ter um monte de "mendingo" nas portas de suas casas, e outra coisa que acontece aqui em SP, quando as autoridades quiseram "acabar" com a cracolândia, o governador e prefeito quiseram inaugurar um numero enorme de Caps para "resolver" o problema, porém ao meu ver os projetos eram implantados as pressas e sem uma estruturação adequada, tendo mais como objetivo ganhar "votos" do que realmente atender com qualidade a quem precisa, o adicto de minah convivência ao ir a um caps, ouviu da psicologa: vc trabalha, não chegou em situação de rua, não precisa de tratamento, a não ser que vc ache melhor, em uma pericia do INSS um interno que estava junto dele, ouviu do médico: vc não precisa ser internado, precisa parar de frescura e se entender com sua familia, infelizmente a problemática DROGAS, ainda é vista de forma distorcida, inclusive por muitos profissionais, já vi um infectologista se não me engano, não lembro o nome dele, dar uma entrevista na rede Record e dizer: O dependente químico, precisa de carinho, vigilância e alguém que fique ao lado dele 24 horas por dia, acredito que essa questão está longe de ser resolvida, porém hoje enxergo portas se abrindo como esse trabalho, e aos poucos as coisas serão tratadas como realmente devem ser e com certeza teremos um número maior de pessoas que vão se recuperar e um numero menor de jovens que entrarão nesse mundo drigas ;)..bjus

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    1. É, Kel, ainda tem muita verdade distorcida, inclusive no meio de quem trabalha na área da saúde, infelizmente. Mas assim como você, acredito que estamos na direção certa, e também acredito que a próxima geração terá menos dependentes químicos, e muito mais informação de qualidade sobre o assunto. O importante para isso acontecer é cada um fazer o seu papel hoje... Beijão!

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