quarta-feira, 20 de novembro de 2013

2º Dia do Curso de Multiplicadores: Como cuidar dos nossos filhos?


Boa noite, queridas(os)!

Dia cansativo hoje! Além das atividades normais, minha babá furou comigo, e tive que correr para deixar as crianças na creche (fazer mochilas, dar banho, dar café, descer três andares com os fofuxos, etc), além de ter que colocar a casa em ordem no final do dia, mas graças a Deus deu tudo certo...

Estou aqui para falar sobre o segundo dia do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias.

Como a ideia do curso é formar Multiplicadores, ou seja, formar pessoas para levar as informações recebidas adiante, é exatamente isso que estou fazendo aqui, por meio do blog.

É muita informação, mas estou tentando extrair a essência para passar a vocês.


Álcool é droga!

A primeira palestra foi do Grupo de Apoio Al-Anon. Não citarei o nome da palestrante, por causa do anonimato. Mas, é uma senhora muito doce, que conviveu com um esposo alcóolico por décadas, até o seu falecimento há poucos anos atrás.

Citarei algumas de suas falas:




“A sociedade incentiva o uso do álcool, e quando acontece o adoecimento do indivíduo, ele é rejeitado. Há muito preconceito em volta dessa doença do alcoolismo.”

“A família adoece, se sente culpada e precisa de ajuda. O alcoolismo enlouquece a família...”

“Sentimentos dos familiares de alcóolicos adoecidos:

Obsessão: Foco no alcoólico. Esquece de si mesmo e dos demais membros da família. Quer fazer o familiar parar de beber a qualquer custo, mas não consegue. Torna-se obcecado nisso. Quanto mais próximo do alcoólico, mais suscetível ao adoecimento.

Ansiedade: ‘O que posso fazer para ele parar de beber?’ Vive martelando nisso, gerando uma enorme ansiedade. Entretanto, por vezes a família não quer ajuda, por achar que só o alcoólico necessita dessa ajuda. Mas, a família faz verdadeiras loucuras na tentativa insana de fazer o outro parar de beber.

Raiva: É um sentimento tão forte, advindo da frustração. Afinal, vimos nossos sonhos serem destruídos pelo álcool. Dói demais. Gera raiva. E, por vezes, inconscientemente, queremos nos vingar do alcoólico, e somos perversos com as palavras e atitudes.

Negação: O prédio inteiro já o viu bêbado, mas você ainda não aceita que ele está doente. Silencia. Se isola. E o peso é muito grande sobre você. E vem a vontade de falar com alguém que te entenda. Você começa a achar que é a única que passa por essa dor na face da terra. E então quando encontramos o Grupo, e partilhamos, nos sentimos leves... livres.

Aceitação: Além de obtermos força para nós mesmos, passamos a ser um suporte, estimulando o outro a procurar ajuda também.

Culpa: Talvez esse sentimento seja o que nos causa mais danos. ‘Onde eu errei?’ ‘Será que não o amei o suficiente?’ Então no Grupo descobrimos que não causamos, não somos culpadas e não podemos curar. E assim, livres do peso da culpa, começamos a mudar nossas atitudes.

Além dos sentimentos citados, ainda precisamos lidar com o medo, insegurança, frustração, e no Grupo vamos aprendendo a lidar com tudo isso.”

"No grupo nos tornamos responsáveis por nós mesmos. Tiramos o foco do outro e o colocamos em nossas próprias vidas, afinal, como ajudar o outro, se também estamos doentes? Em caso de despressurização, coloque primeiro a sua máscara, e só depois ajude ao outro...”

"Cuidado, o álcool é droga. E por vezes essa droga é oferecida aos nossos filhos muito cedo, e pior, dentro de casa.”

“Quer saber se ainda tenho os sentimentos negativos que citei? Sim, eu os tenho. Mas, hoje os sinto de forma mais moderada, e consigo compreender o por que de senti-los. Meu esposo faleceu, mas continuo precisando do grupo. Estou lá por gratidão, e porque ainda preciso aprender a lidar comigo mesma.”

“Hoje, o Al-Anon tem 14 grupos no Distrito Federal. E centenas em todo o Brasil. (www.al-anon.org.br)”


Antonia Nery, pequena grande mulher!


A segunda palestra foi dada por Antonia Nery, Pós-graduada em Psicologia Transpessoal.

Trabalho com a Antonia há cinco anos, e ela é muito especial pra mim. Já trocamos muuuitas conversas, e lhe sou muito grata! Aquela “mulherzinha” de 1,50m hoje deu um verdadeiro show ao falar sobre o Papel da Família como um Fator de Prevenção ao Uso de Drogas. Foi envolvente!

Ela começou nos alertando a darmos umas “olhadinhas” nos facebooks dos nossos filhos, acompanhando-os, principalmente na fase da adolescência.

“Ninguém é predestinado a usar drogas, mas também não usou só por influência de amigos ou traficantes. Se ocorreu, é porque houve uma brecha que possibilitou a entrada da droga.”

“O uso de drogas é fruto de uma multiplicidade de fatores: biológicos, genéticos e de relacionamentos.”

“Na própria pessoa, na família, na escola, nos amigos, etc, existem fatores de risco e de proteção. Os fatores de risco o tornam vulnerável ao uso de drogas. Os fatores de proteção contrabalanceiam as vulnerabilidades, ou seja, há menos chance de envolvimento com drogas.”

“Não temos o poder de tirar ninguém das drogas. Podemos estar do lado, dar a mão, mas tudo parte do querer dele.”

Fatores de Risco ao Uso de Drogas
Relacionamento conturbado entre pais e filhos
Relações afetivas precárias
Ausência de regras e normas claras (limites)
Uso de drogas pelos pais, irmãos ou parentes próximos
Situações de conflitos permanentes
Dificuldade de comunicação
Falta de acompanhamento e monitoramento constante dos filhos pelos pais
Falta de apoio e orientação
Atmosfera da casa e falta de qualidade das relações familiares.

“Lembre-se, a tarefa de educar os filhos é dos pais, e não da escola.”

“As relações familiares estão fragilizadas. Saiam da frente da TV ou do computador. Almocem ou jantem à mesa com seus filhos. Conversem com eles.”

Fatores de Proteção
Fortes vínculos familiares
Monitoramento e supervisão
Qualidade dos vínculos
Apoio
Relacionamento positivo
Negociação
Estabelecimento de regras e limites claros e coerentes
Comunicação
Convencionalismo e equilíbrio

“A população mais vulnerável ao uso de drogas são os adolescentes, por estarem em uma fase de transformações e conflitos.”

Por que o jovem inicia o uso de drogas?
Exemplo dos pais
Curiosidade
Quebrar barreiras sociais
Busca de prazer
Ser aceito no grupo
Conseguir status
Pressão da mídia
Diminuir a timidez

“Mesmo famílias que possuem dependentes químicos, se forem famílias com postura amorosa e acolhedora, evitarão a entrada das drogas na vida dos filhos.”

“Pais também erram. Não somos perfeitos. Se você errou, use a sinceridade, o amor e o carinho, e peça desculpas ao seu filho. Isso faz toda a diferença.”

“Esteja atento ao seu filho. Ele pode estar sofrendo de depressão, timidez, fobia social, TDAH, ou outros transtornos. Muitos dependentes químicos já possuíam transtornos desde a infância, e por vezes os pais os consideravam “burros”, estranhos, reduzindo ainda mais a sua autoestima. E eles acabaram encontrando alívio nas drogas. Nesses casos, além de tratar a questão das drogas, é preciso tratar também a origem do problema.”

“Ensine seu filho a lidar com limites e frustrações. Crianças que crescem com limites e regras claras são mais seguras. Sem regras claras, elas se sentem inseguras, e passam a testar os seus limites.”

“Não ensine o seu filho a valorizar o ‘ter’ e o ‘parecer’, ensine-o a valorizar o ‘ser’.”

“Amar não significa fazer tudo o que os filhos querem...”

“Nossos filhos precisam de uma espiritualidade. Sem espiritualidade estamos fadados ao sofrimento...”




Chega por hoje, né? Boa noite!!! ZZZZzzzzzzzz

2 comentários:

  1. Tenho acompanhado esse blog, desde a internação do meu irmão em junho desse ano. E esse post está maravilhoso pois vai me ajudar com as dificuldades que tenho enfrentado com minha filha pré-adolescente.Obrigada por nos trazer tantas informações importantes.

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