segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Impotente!



Bom dia, queridas(os)!

Como foi o fim de semana de vocês?

Comigo e minha família vai tudo bem, graças a Deus.

Meu esposo segue limpo há 26 dias. Espero que realmente tenha sido apenas um “lapso” e não uma “recaída”. Para os que não sabem, lapso é um ato isolado de uso, e recaída é voltar ao uso compulsivo.

O meu papel em relação ao meu esposo e sua adicção tem sido cada vez menor: o amo, mas deixo claros os meus limites, não aceito o seu uso de drogas, mas o aceito como ele é. Então não há muito o que dizer sobre isso.

Não fico martelando: “e se ele recair, o que vou fazer?” “será que ele está pensando em usar?” “será que ele está em recuperação?” ou coisas assim. Esses assuntos dizem respeito a ele, e não a mim.

Só por hoje, ele está limpo. Está seguindo na direção correta. Está cumprindo os seus papéis como esposo e pai. Ponto.

Meu foco está em mim. Em recuperar-me da minha codependência. Do meu desejo de controle sobre o outro. Dos meus pensamentos obsessivos em relação ao outro.

O Primeiro Passo é uma constância em minha vida. Vocês conhecem?

“Admitimos que éramos impotentes perante o adicto, e que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.”

Já percebi que TODAS as vezes que tentei controlar a vida do meu esposo, a minha ficou desgovernada. Por outro lado, quando estou focada na minha própria vida, não tenho tempo nem energia para tentar controlar a vida do meu esposo ou de quem quer que seja.

Dependentes químicos não precisam de alguém que os controle. Eles precisam de amor, compreensão e pulso forte (limites).

Sou uma pessoa cheia de problemas. Tenho os meus próprios desafios. E hoje não preciso mais empurrar meus próprios defeitos para debaixo do tapete, para evidenciar os defeitos do meu familiar adicto.

Repito para mim mesma:

Sou impotente perante o meu esposo e sua adicção...

Sou impotente perante a ausência do meu pai...

Sou impotente perante a saudade da minha mãe...

Sou impotente perante o medo que as vezes bate...

Sou impotente perante o vermelho da minha vida financeira...

Sou impotente perante a irresponsabilidade da babá dos meus filhos...

Sou impotente perante os sentimentos e pensamentos dos outros...

São tantas as coisas que me incomodam e machucam, mas hoje entendo e aceito a minha impotência perante elas. Então como não posso muda-las, simplesmente entrego para Deus, Aquele que é infinitamente maior do que eu, e me desligo.

Por outro lado, posso mudar a minha postura diante dessa lista acima. Posso ser assertiva com meu esposo. Posso perdoar meu pai. Posso aproveitar os minutos de ligação da minha mãe. Posso trocar o medo por fé. Posso continuar trabalhando, economizando, e reduzindo as contas. Posso encerrar o contrato com a babá. Posso aceitar os outros como eles são, procurando ver o melhor de cada um... 

Ou seja, só posso mudar a mim mesma. E isso é muito!

O caos em minha vida acontecia quando eu teimava em mudar o que era para simplesmente aceitar (os outros) e em aceitar o que era para mudar (eu mesma)...

Desejo a vocês uma ótima semana!

Beijos.

sábado, 23 de novembro de 2013

Ultimo dia do Curso de Multiplicadores: Vencendo!



Este post trará um resuminho do ultimo dia do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias.

Graças a Deus, o curso foi um sucesso! O público, em geral, se sentiu satisfeito com as informações recebidas.

Ontem foi o ultimo dia.

No primeiro momento, ouvimos a palestra do Sr. Nilson Almeida, sobre a Pastoral da Sobriedade e sobre a sua experiência de superação: um adicto que chegou ao fundo do poço, e que hoje está limpo há 12 anos.


Nilson Almeida


Ele narrou sua trajetória de uso de drogas e de degradação moral, e o seu despertar espiritual para a mudança, bem como o papel da fé em Deus, e da esposa em sua vida.

Como eu estava cuidando de algumas questões da organização do curso, não consegui anotar muitas informações sobre a Pastoral. Mas, trata-se de um grupo aberto a toda a sociedade. Quem quiser maiores informações, acesse http://www.sobriedade.org.br/ .

Na sequência, fiquei com a grande responsabilidade de falar sobre a possibilidade de vencermos a codependência.




Inicialmente, perguntei quantos dos presentes nunca ouviram falar sobre codependência, antes do curso. Umas 15 pessoas levantaram a mão. Ao perguntar quem sabia, exatamente, o que era a codependência, umas 10 pessoas se pronunciaram. E a grande maioria já havia escutado falar sobre o assunto, mas de forma superficial.

“História da codependência: Na década de 30, a codependência era atribuída às esposas de alcoolistas. Na década de 70, o conceito foi ampliado aos familiares de dependentes químicos. E hoje, inclui os familiares de pessoas que possuem problemas de personalidade, podendo atingir também profissionais e amigos próximos dessas pessoas.”

“Conceito de codependênciaDistúrbio mental juntamente com ansiedade, angústia e compulsividade obsessiva em relação a tudo o que envolve a vida do dependente químico.”

“O dependente químico passa 24 horas pensando na droga, e o codependente passa 24 horas pensando no dependente...”

“Segundo pesquisa do UNIAD em parceria com o UNIFESP e INPAD, o número de pessoas afetadas pelo uso de álcool e drogas de alguém, é de 9,94. Tem muitos codependentes por aí.”

“Sintomas físicos comuns nos codependentes: stress, hipertensão arterial, distúrbio do ritmo intestinal, distúrbios alimentares e do sono, perda da libido, impotência, dores de cabeça e nas costas, gastrite e diabetes. E, ainda assim, tendem a negligenciar o cuidado da própria saúde.”

“Sintomas emocionais comuns nos codependentes: auto anulação, sentimentos controlados pelo externo, “fome” anormal de amor, necessidade extrema de controlar e salvar, dependência patológica de cuidar, busca de aprovação e medo de ficar sozinho.”

“Sintomas psiquiátricos e psicológicos comuns nos codependentes: angustia, ansiedade, pena, culpa, baixa autoestima, insegurança, depressão, fobias, síndrome do pânico, compulsão (trabalho, jogo, compras, comida, e outros), podendo chegar ao suicídio.”

“Características de famílias codependentes: comunicação confusa e indireta, isolamento social, inversão de papéis dos membros, o dependente está no centro.”

Fases da Codependência: Leia o post Em qual fase você está?, e entenda.

“Atitudes prejudiciais da família, em relação ao dependente: minimizar, controlar, proteger (excesso), assumir responsabilidades e compactuar.”

Na sequência narrei experiências vividas por mim, ao lado dos meus familiares adictos, e o que me fez mudar, e como tenho lutado por essa mudança, a cada dia. Esses relatos vocês têm acompanhado pelo blog e pelos livros.

“As famílias precisam saber que:
3 Cs - Não causei, não controlo e não curo.
3ª tradição de NA: “Um adicto que não queira parar de usar não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar.” Ou seja, não depende de nós, depende do querer DO ADICTO.
Codependência não é amor.
Amor próprio não é egoísmo.
Desligamento com amor é benéfico para ambos.”

“E os frutos da mudança para aquelas famílias que optam por um novo estilo de vida, chegam. E os maiores frutos são: paz e harmonia, dentro e fora; capacidade de enxergar e educar os filhos de forma saudável, aprendizado de um amor saudável, força para assumir as próprias responsabilidades, e a sensação de voltar a ser inteiro novamente e não mais uma sombra do familiar adicto.”

Por fim, falei sobre as ações do Projeto Ame, mas não sofra!, o primeiro projeto governamental voltado para os familiares de dependentes químicos. Clique aqui, e entenda o projeto.




E para fechar com chave de ouro, tivemos o prazer de ouvir a belíssima voz de Rita Mell, com quem juntamente, em um só coro, cantamos, e cantamos alto:

Viver e não ter a vergonha de ser feliz. 
Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. 
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será.
Mas, isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita!!!

É isso, gente.

Foram formados uma média de 80 multiplicadores nesse curso. E o próximo já está confirmado para o final de janeiro (27 a 31). Se cada um levar essa informação adiante em suas casas, em seus trabalhos, e aos seus amigos, acredito que haverá um tempo em que o familiar que sofrerá nas garras da codependência, estará nessa situação por outros fatores, e não por falta de conhecimento ou por falta de oportunidade de mudança.


Alguns dos novos Multiplicadores!


Então a nossa missão como Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias é levar informação de qualidade e acolhimento. Vamos?

Grande beijo!
Bom sabadão!

4º Dia do Curso de Multiplicadores: Refletindo...



Olá! Tudo bem?

Graças a Deus, por aqui tudo bem!

Ontem cheguei tão cansada em casa, após o curso, que peguei no sono às 19 horas. Ainda bem que o maridão dá conta do recado, e quando despertei, as crianças já estavam de banho tomado, e dormindo... Agora, de bateria recarregada, acordei cedinho para vir aqui partilhar os últimos dois dias do curso com vocês.

Na quinta-feira, a aula do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias foi demais!

O grupo que fez a primeira palestra foi o Nar-Anon. Estava presente uma equipe de seis membros do grupo. Ao vê-los ali, após tanto tempo, foi emocionante. Alguns não sabiam que eu estava envolvida na criação desse projeto, e juntos comemoramos, conversamos, sorrimos, nos abraçamos!

 Grupos no DF. Você pode abrir um na sua cidade!

Para quem não sabe, foi por meio de uma sala de Nar-anon que dei início a uma nova forma de viver e de encarar a adicção do meu esposo e a mim mesma.

Em Brasília, existem três grupos Nar-Anon: Asa Sul, Asa Norte e Taguatinga. E o telefone de contato é (61) 8463-3332.

 www.naranon.org.br

Vamos às palestras do dia? Seguirei o mesmo modelo das postagens anteriores, fazendo algumas citações do que foi dito.

“Se acendo uma vela em uma sala fechada, o que mantem a chama acesa é o oxigênio. Se acendo essa mesma vela em uma sala sem oxigênio, ela se apagará. Por vezes, o comportamento codependente da família serve como oxigênio para a adicção do seu familiar.”

“Eu só posso mudar a mim mesmo, ao outro só posso amar, mas quando eu mudo, o outro muda sob o meu olhar...”

“O Nar-anon é uma irmandade mundial de familiares e amigos de adictos que oferece ajuda mútua, compartilhando experiências, força e esperança. É um programa espiritual compatível com todas as crenças e religiões. Estamos lá pelo que nos une, e não pelo que nos separa.”

“Precisamos admitir a nossa impotência perante o adicto. Isso não é desistir, isso é acreditar que um Poder Superior a nós tudo pode e tudo vê.”

“As ferramentas do Nar-anon são: reuniões de grupos, oração da serenidade, doze passos, doze tradições e doze lemas, partilhas e literatura. O programa é simples, mas nem tudo o que é simples, é fácil.”

“Benefício: transforma a codependência em desligamento com amor...”

Após a palestra, duas mães deram os seus relatos de superação por meio do grupo, e me levaram às lágrimas. Uma delas, inclusive, já cuidou muito do meu filho de 4 anos, quando ele ainda era um bebê, para que eu pudesse aproveitar melhor as reuniões. Muita gratidão!

E, por fim, foi feito um grande circulo, com todos os participantes, para a realização da Oração da Serenidade. Lindo!



No segundo momento, tivemos a palestra Refletindo sobre a Dependência Química, com o Dr. Evandro Faganello, Psiquiatra Especialista em Dependência Química.


Dr. Evandro Faganello

Ele começou fazendo uma reflexão sobre a questão da liberação da maconha. E citou a frase do Papa Francisco: “Não é a liberação das drogas que irá reduzir a dependência química.”

“Se ocorrer a liberação da maconha, estaremos muito próximos do armagedom... Liberar é a contramão da evolução humana.”

“Hoje a melhor forma de tratar a questão da dependência química é fazendo prevenção. Levando informação a crianças e jovens de 08 a 16 anos.”

Ele falou, ainda, sobre a falta de estrutura no país para um tratamento decente aos pacientes adictos. “Não queremos um tratamento naquele modelo antigo, onde os pacientes eram isolados, dopados, apenas para alívio da sociedade. Mas um tratamento que traga dignidade aos pacientes... Infelizmente isso ainda vai demorar a acontecer por aqui.”

“Dependência química é uma doença crônica, não tem cura, mas tem tratamento. E infelizmente o sistema de saúde não está preparado para atender doenças crônicas.”

“Quando, como e onde fazer prevenção? Dentro de casa! Os valores, as orientações e saber com quem os filhos andam, fazem toda a diferença!”

“A porta de entrada para as drogas mais pesadas, ao contrário do que se pensa, não é a maconha, mas sim o álcool e o tabaco, as drogas permitidas por vezes dentro de casa.”

“O desenvolvimento da dependência química é lento e gradual. Mas quanto mais potente for a droga, mais rápido se desenvolverá a dependência. Os profissionais dividem o uso de drogas em: uso social, uso nocivo e dependência. Mas na verdade, apena um gole de cerveja e apenas um cigarro já é nocivo para o organismo.”

“Papel da família de dependentes químicos: identificação, monitoramento, suporte, motivação, paciência, investimento, colaboração na decisão de parar o uso, e vínculo com a equipe que está tratando o dependente.”

“Dependência química é doença familiar, a família adoece junto.”

“Quais são os fracassos enfrentados hoje contra a dependência química?
Negligência
Incompetência de tratamento
Ausência de locais específicos de tratamento
Dificuldade de acesso
Dificuldades impostas pelo quadro da dependência química
Exaustão e conflitos familiares
Cronicidade.”

“O tratamento da dependência química não depende tanto da equipe, mas principalmente da própria pessoa, e de Deus...”

“Multiplicadores, se não for pra fazer a diferença, nem saiam de casa...”





E então, queridos leitores, vamos fazer a diferença hoje? 

Que comece por mim a mudança... Que comece por mim a divulgação das informações que tenho sobre codependência e dependência química... Que comece por mim a mão estendida...

No próximo post, falarei sobre o ultimo dia do curso, cujo tema foi: Vencendo a Codependência.

Beijos! 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

3º Dia do Curso de Multiplicadores: A Fantasia da Droga!



Bom dia!!!

Tudo bem com vocês?

Por aqui tudo bem. Uma semana de maratona, entre trabalho, realização do curso do projeto, elaboração de palestra, adaptação dos pequenos na creche, organização da casa... Mas, ainda estou viva... Rs... E muito feliz com tudo isso!

Hoje escreverei rapidinho, porque acordei mais tarde (05:30hs)! Hahaha

Mas, vamos lá!

A primeira palestra de ontem, 3º dia do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias foi dada pelas servidoras do CAPS AD, Renata Cavalcante e Carla Sene.


Carla Sene e Renata Cavalcante

Foi um debate bem “acalorado”, e eu já esperava que fosse, afinal, o CAPS é uma das únicas portas abertas pelo Governo para o tratamento de dependência química, e ao mesmo tempo que é um lindo Projeto, na prática as coisas não saem redondinhas como deveriam, por uma série de fatores.

Deixarei, abaixo, algumas citações das profissionais.

“Muitas pessoas chegam ao CAPS querendo internar o filho ou familiar, mas hoje há uma luta para derrubar a lógica manicomial de alguns anos atrás, onde as pessoas portadoras de problemas psiquiátricos eram isoladas da sociedade. Então, ao chegar no CAPS o indivíduo será acolhido, e cada caso será analisado individualmente. Para uns, será feita a agenda com Psiquiatra, Psicólogos, Assistentes Sociais, etc, para outros a indicação de medicação, e para outros a internação. Precisamos entender que cada caso é um caso, e a internação é a ultima opção, não a primeira.”

“Muitos dependentes, após a internação não têm para onde ir, por estarem com quase todos os vínculos sociais rompidos. Na Asa Sul, em Brasília, seria implantada uma Unidade de Acolhimento para Reinserção Social de Dependentes Químicos. Ou seja, um lugar para ajuda-los a voltar ao meio social: à família, ao trabalho, às atividades físicas, ao lazer, dentre outros. Mas, os moradores reuniram milhares de assinaturas para que não fosse instalada a Unidade. É aquela questão: todos querem que o problema seja resolvido, desde que seja resolvido bem longe de nós...”

“Dentre os trabalhos do CAPS podemos destacar as oficinas terapêuticas, geradores de renda, orientação, atividades comunitárias, visitas domiciliares, grupo de família e desintoxicação ambulatorial.”

Tipos de CAPS:
CAPS I e II – atendem todos os tipos de transtornos mentais, de 2ª a 6ª, sendo que o II tem um terceiro turno, até às 21 horas.
CAPS III – Atendimento diário e noturno, ou seja, 24 horas por dia.
CAPS AD – Atendimento para usuários de álcool e outras drogas. O CAPS AD pode ser I, II ou III. Aqui em Brasília, o CAPS AD da Rodoviária é III, ou seja, 24 horas aberto para atendimento.
Além disso, no CAPS da Rodoviária existem os grupos de família, na 2ª feira às 19h, e na 6ª feira às 15h. Telefone (61)3226-4631. (capsadrodoviaria@gmail.com).
CAPSi - Para atendimento de crianças e adolescentes (até 18 anos). O CAPSi de Taguatinga, se necessário, faz inclusive a internação do menor, por até 14 dias, para desintoxicação.

Procurem se informar sobre os serviços prestados pelo CAPS da sua cidade. Meu esposo já se tratou pelo CAPS e conseguiu um bom tempo limpo, com o acompanhamento de Psiquiatra, Psicólogo e Assistente Social. Tenho uma amiga que também foi muito bem atendida no CAPSi quanto ao acompanhamento do seu filho menor. Enfim, é uma porta (gratuita) aberta para nós. Um direito nosso!

A segunda palestra foi dada por Viviane Resende e Joanira Panozzo, Psicólogas, Especialistas em Dependência Química. Elas substituíram o Dr. Leonardo Moreira, que precisou fazer uma viagem à Malásia, para um Encontro Mundial de Combate às Drogas. Espero que ele traga coisas novas e boas pra nós!


Viviane Resende

Joanira Panozzo


O tema foi a Fantasia da Droga.

Elas começaram falando da visão da sociedade sobre a Dependência Química.

“Aristóteles, no ano 4 a.C., definia a dependência como sendo um uso desregrado de substâncias, baseado na escolha pessoal do usuário, e que deveria ser penalizado por isso. A igreja, na sequencia, apedrejava os usuários de drogas em praça pública. Ou seja, nesse modelo moral, vemos que o uso excessivo de drogas é visto como uma violação consciente das normas sociais. E ainda hoje, ainda temos muito desse modelo moral.”

“O dependente químico precisa ser enxergado como alguém. Precisamos aprender a nos colocar no lugar do outro, a ter empatia, a ouvir...”

“A adicção é uma disfunção cerebral crônica, portanto, é uma doença do corpo.”

“As famílias precisam aprender a ouvir a história do ponto de vista do dependente, deixando de lado as mágoas, e se colocando no lugar dele. Isso não é fácil, eu sei, mas é necessário, e é benéfico para ambos.”

Fantasia: a Droga para Fuga da Realidade
Procura a droga por:
Dificuldade para manjar raiva e frustrações
Sentimento de tédio e angústia
Ansiedade social e de performance
Insegurança
Impotência
Incapaz de solucionar conflitos
Insatisfação
Falta de prazer nas atividades cotidianas

Fantasia: a Droga como Forma de Sobrevivência
Necessidade de relaxar, bem estar, tranquilidade
Atenção, concentração
Necessidade de parar o tempo
Para se sentir animado e disposto
Para camuflar emoções
Sentimento de adequação
Assertividade

Fantasia: a Droga como Reenergizador
Eu preciso desse momento para continuar seguindo em frente
É o meu “carregador de bateria”
Busca de sensação de prazer mais intensa

“Ainda existem os que buscam a droga para aliviar sintomas de outras comorbidades, como Borderline, Paranóide, Esquizóide, Antisocial, Transtornos de humor, Depressão, Transtorno Bipolar, Transtorno de Ansiedade, dentre outros.”

“Então o dependente tem essas fantasias, ou seja é uma forma encontrada para fugir da realidade. Muitas vezes, para o dependente um pneu do carro que fura, ou um ônibus que foi perdido se tornam problemas tão grandes em sua mente, causando sentimentos tão fortes, que ele “fantasia” que somente a droga poderá aliviá-lo naquele momento. É preciso entender como isso acontece dentro do dependente, para auxiliá-lo no aprendizado de encarar e resolver os problemas/desafios, sem precisar “fugir” deles.”

“O familiar de dependente químico precisa se tratar, a fim de ser um CUIDADOR e não A DOR QUE CUIDA...”

Queridas(os), é isso aí...

Espero que estejam gostando e tirando proveito das informações que estou postando aqui sobre o curso.


Beijão!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

2º Dia do Curso de Multiplicadores: Como cuidar dos nossos filhos?


Boa noite, queridas(os)!

Dia cansativo hoje! Além das atividades normais, minha babá furou comigo, e tive que correr para deixar as crianças na creche (fazer mochilas, dar banho, dar café, descer três andares com os fofuxos, etc), além de ter que colocar a casa em ordem no final do dia, mas graças a Deus deu tudo certo...

Estou aqui para falar sobre o segundo dia do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias.

Como a ideia do curso é formar Multiplicadores, ou seja, formar pessoas para levar as informações recebidas adiante, é exatamente isso que estou fazendo aqui, por meio do blog.

É muita informação, mas estou tentando extrair a essência para passar a vocês.


Álcool é droga!

A primeira palestra foi do Grupo de Apoio Al-Anon. Não citarei o nome da palestrante, por causa do anonimato. Mas, é uma senhora muito doce, que conviveu com um esposo alcóolico por décadas, até o seu falecimento há poucos anos atrás.

Citarei algumas de suas falas:




“A sociedade incentiva o uso do álcool, e quando acontece o adoecimento do indivíduo, ele é rejeitado. Há muito preconceito em volta dessa doença do alcoolismo.”

“A família adoece, se sente culpada e precisa de ajuda. O alcoolismo enlouquece a família...”

“Sentimentos dos familiares de alcóolicos adoecidos:

Obsessão: Foco no alcoólico. Esquece de si mesmo e dos demais membros da família. Quer fazer o familiar parar de beber a qualquer custo, mas não consegue. Torna-se obcecado nisso. Quanto mais próximo do alcoólico, mais suscetível ao adoecimento.

Ansiedade: ‘O que posso fazer para ele parar de beber?’ Vive martelando nisso, gerando uma enorme ansiedade. Entretanto, por vezes a família não quer ajuda, por achar que só o alcoólico necessita dessa ajuda. Mas, a família faz verdadeiras loucuras na tentativa insana de fazer o outro parar de beber.

Raiva: É um sentimento tão forte, advindo da frustração. Afinal, vimos nossos sonhos serem destruídos pelo álcool. Dói demais. Gera raiva. E, por vezes, inconscientemente, queremos nos vingar do alcoólico, e somos perversos com as palavras e atitudes.

Negação: O prédio inteiro já o viu bêbado, mas você ainda não aceita que ele está doente. Silencia. Se isola. E o peso é muito grande sobre você. E vem a vontade de falar com alguém que te entenda. Você começa a achar que é a única que passa por essa dor na face da terra. E então quando encontramos o Grupo, e partilhamos, nos sentimos leves... livres.

Aceitação: Além de obtermos força para nós mesmos, passamos a ser um suporte, estimulando o outro a procurar ajuda também.

Culpa: Talvez esse sentimento seja o que nos causa mais danos. ‘Onde eu errei?’ ‘Será que não o amei o suficiente?’ Então no Grupo descobrimos que não causamos, não somos culpadas e não podemos curar. E assim, livres do peso da culpa, começamos a mudar nossas atitudes.

Além dos sentimentos citados, ainda precisamos lidar com o medo, insegurança, frustração, e no Grupo vamos aprendendo a lidar com tudo isso.”

"No grupo nos tornamos responsáveis por nós mesmos. Tiramos o foco do outro e o colocamos em nossas próprias vidas, afinal, como ajudar o outro, se também estamos doentes? Em caso de despressurização, coloque primeiro a sua máscara, e só depois ajude ao outro...”

"Cuidado, o álcool é droga. E por vezes essa droga é oferecida aos nossos filhos muito cedo, e pior, dentro de casa.”

“Quer saber se ainda tenho os sentimentos negativos que citei? Sim, eu os tenho. Mas, hoje os sinto de forma mais moderada, e consigo compreender o por que de senti-los. Meu esposo faleceu, mas continuo precisando do grupo. Estou lá por gratidão, e porque ainda preciso aprender a lidar comigo mesma.”

“Hoje, o Al-Anon tem 14 grupos no Distrito Federal. E centenas em todo o Brasil. (www.al-anon.org.br)”


Antonia Nery, pequena grande mulher!


A segunda palestra foi dada por Antonia Nery, Pós-graduada em Psicologia Transpessoal.

Trabalho com a Antonia há cinco anos, e ela é muito especial pra mim. Já trocamos muuuitas conversas, e lhe sou muito grata! Aquela “mulherzinha” de 1,50m hoje deu um verdadeiro show ao falar sobre o Papel da Família como um Fator de Prevenção ao Uso de Drogas. Foi envolvente!

Ela começou nos alertando a darmos umas “olhadinhas” nos facebooks dos nossos filhos, acompanhando-os, principalmente na fase da adolescência.

“Ninguém é predestinado a usar drogas, mas também não usou só por influência de amigos ou traficantes. Se ocorreu, é porque houve uma brecha que possibilitou a entrada da droga.”

“O uso de drogas é fruto de uma multiplicidade de fatores: biológicos, genéticos e de relacionamentos.”

“Na própria pessoa, na família, na escola, nos amigos, etc, existem fatores de risco e de proteção. Os fatores de risco o tornam vulnerável ao uso de drogas. Os fatores de proteção contrabalanceiam as vulnerabilidades, ou seja, há menos chance de envolvimento com drogas.”

“Não temos o poder de tirar ninguém das drogas. Podemos estar do lado, dar a mão, mas tudo parte do querer dele.”

Fatores de Risco ao Uso de Drogas
Relacionamento conturbado entre pais e filhos
Relações afetivas precárias
Ausência de regras e normas claras (limites)
Uso de drogas pelos pais, irmãos ou parentes próximos
Situações de conflitos permanentes
Dificuldade de comunicação
Falta de acompanhamento e monitoramento constante dos filhos pelos pais
Falta de apoio e orientação
Atmosfera da casa e falta de qualidade das relações familiares.

“Lembre-se, a tarefa de educar os filhos é dos pais, e não da escola.”

“As relações familiares estão fragilizadas. Saiam da frente da TV ou do computador. Almocem ou jantem à mesa com seus filhos. Conversem com eles.”

Fatores de Proteção
Fortes vínculos familiares
Monitoramento e supervisão
Qualidade dos vínculos
Apoio
Relacionamento positivo
Negociação
Estabelecimento de regras e limites claros e coerentes
Comunicação
Convencionalismo e equilíbrio

“A população mais vulnerável ao uso de drogas são os adolescentes, por estarem em uma fase de transformações e conflitos.”

Por que o jovem inicia o uso de drogas?
Exemplo dos pais
Curiosidade
Quebrar barreiras sociais
Busca de prazer
Ser aceito no grupo
Conseguir status
Pressão da mídia
Diminuir a timidez

“Mesmo famílias que possuem dependentes químicos, se forem famílias com postura amorosa e acolhedora, evitarão a entrada das drogas na vida dos filhos.”

“Pais também erram. Não somos perfeitos. Se você errou, use a sinceridade, o amor e o carinho, e peça desculpas ao seu filho. Isso faz toda a diferença.”

“Esteja atento ao seu filho. Ele pode estar sofrendo de depressão, timidez, fobia social, TDAH, ou outros transtornos. Muitos dependentes químicos já possuíam transtornos desde a infância, e por vezes os pais os consideravam “burros”, estranhos, reduzindo ainda mais a sua autoestima. E eles acabaram encontrando alívio nas drogas. Nesses casos, além de tratar a questão das drogas, é preciso tratar também a origem do problema.”

“Ensine seu filho a lidar com limites e frustrações. Crianças que crescem com limites e regras claras são mais seguras. Sem regras claras, elas se sentem inseguras, e passam a testar os seus limites.”

“Não ensine o seu filho a valorizar o ‘ter’ e o ‘parecer’, ensine-o a valorizar o ‘ser’.”

“Amar não significa fazer tudo o que os filhos querem...”

“Nossos filhos precisam de uma espiritualidade. Sem espiritualidade estamos fadados ao sofrimento...”




Chega por hoje, né? Boa noite!!! ZZZZzzzzzzzz

terça-feira, 19 de novembro de 2013

1º Dia do Curso de Multiplicadores: Codependência e Resiliência!


Bom dia, queridas(os)!

Acordei cedinho para vir aqui contar sobre o primeiro dia do I Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias.

Gente, um grupo de cem pessoas, alguns profissionais, e algumas autoridades falando sobre as famílias de dependentes químicos, sobre a codependência e sobre como levar informação de qualidade a essas famílias, foi demais! Emocionante!

Vira e mexe, eu olhava para aquele auditório lotado e pensava: "isso está realmente acontecendo?"

A abertura foi realizada pelo Sr. Secretário de Justiça, e Coordenador do Plano de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, Alírio Neto e também pelo Subsecretário de Políticas sobre Drogas e Psiquiatra Especialista em Dependência Química, Dr. Leonardo Moreira.




O Secretário falou sobre o seu trabalho na luta contra as drogas, e também sobre a sua experiência pessoal ao conviver com um familiar adicto, o seu pai.

O Subsecretário falou sobre o Projeto Ame, mas não sofra!, às famílias.

Após a abertura, foi dada a primeira palestra, pelo Sr. Roberto Vieira, representante do Amor Exigente. Ele falou um pouco da história desse grupo que tem ajudado a tantas famílias, falou sobre os 12 Princípios, e sobre a necessidade de mudança comportamental das famílias. Ao final de sua palestra, ele convidou a D. Ana Lucia para dar algumas palavras. Ela foi a responsável pela vinda do grupo Amor Exigente ao Distrito Federal. Um doce de pessoa!

D. Ana Lúcia!


Na sequência, houve um intervalo com coffe break, onde pudemos nos conhecer melhor, e trocar experiências.

Coffe-Break!


O segundo palestrante foi o Sr. Leonardo Martins, Terapeuta, com o tema Codependência e Resiliência. E anotei algumas frases-chaves para meditarmos:

“Codependência é o equívoco do controle do amor.”

“O codependente abre mão de suas necessidades, fazendo da necessidade do outro a sua prioridade.”

“O codependente se coloca em segundo plano. Esquece de si mesmo.”

“O codependente não se permite ter prazer. Seu prazer, por vezes, está delimitado ao fato do outro estar limpo há alguns dias.”

A palestra trouxe muitas informações, mas infelizmente não conseguirei relatar tudo a vocês.

Na sequência, ouvimos sobre resiliência, que é a capacidade de superação.

“O caminho resiliente é aquele em que a pessoa transforma experiências negativas em aprendizado e fortalecimento.”

“Temos em nós mesmos todos os recursos para sermos felizes, basta estarmos dispostos a viver dando prioridade às nossas necessidades...”

Por fim, quero deixar um texto para a reflexão de vocês:


Autobiografia em Cinco Capítulos
 (Sogyal Rinpoche)
 
1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.




É realmente a minha autobiografia! Acho que outras leitoras irão se identificar também... Não é? Rs. Algumas de nós ainda estamos caindo, outras estão dando a volta, e outras andando por outra rua... Mas, o importante mesmo é o aprendizado que estamos adquirindo com as experiências vividas.

Amigas(os), é isso. Estou muito feliz com essa realização, e acreditando que é o início de uma mudança, acreditando que enfim começaram a enxergar e a compreender a problemática das famílias de dependentes químicos. Mas, é só o começo...

Hoje teremos uma palestra com um representante do Al-Anon, e uma palestra sobre o Papel da Família como Fator de Prevenção ao Uso de Drogas. #ansiosa!


Grande beijo!

domingo, 17 de novembro de 2013

Em qual fase você está?


Bom dia, queridas(os)! Tudo bem?

Estava aqui elaborando os slides de apresentação para a palestra, e me deu vontade de partilhar com vocês sobre as fases da codependência.

Em que fase você está? Leia com atenção, e faça uma auto análise.

1. NEGAÇÃO


Nesta fase, primeiramente negamos o problema, ou seja, achamos que o uso de drogas do nosso filho é “coisa de criança” e logo vai passar. Pensamos que o problema está nos amigos do nosso marido, e não nele mesmo. Minimizamos os problemas, na tentativa de digeri-los melhor. Achamos que a recaída dele foi a ultima, mesmo sem ele dar sinais de recuperação. Nos enganamos. Fechamos os olhos para a realidade.

2. DEPRESSÃO: Quando começamos a nos dar conta de que o problema é realmente grave, nos entristecemos ao extremo. Perdemos a vontade de realizar nossos próprios afazeres. Não nos alimentamos direito. Choramos. E sentimos uma forte dor constante no peito.

3. NEGOCIAÇÃO: Tentamos negociar com o nosso familiar adicto. “Se você usar só uma vez nesta semana, vou te dar uma viagem”; “se você não usar, vou comprar aquele computador que você quer”. Essa fase demonstra que ainda não compreendemos que não podemos controlar com nossas ações, nem com chantagens o uso de drogas do outro.

4. RAIVA:



Como as negociações não funcionam, sentimos muita raiva, por vezes até mesmo ódio. Ora do adicto, ora de nós mesmos. Somos agressivos com as palavras, insultamos, humilhamos, e em alguns casos chegamos a agredir também fisicamente.

5. FACILITAÇÃO: Em um outro extremo, passamos a ser facilitadores do uso de drogas do nosso familiar. Damos dinheiro. Repomos os objetos trocados por drogas. Pagamos contas de traficantes. Já vi familiares que até compram a droga para o adicto, por considerarem a “boca” um lugar muito perigoso para o seu ente querido. Aceitamos o uso de drogas, por vezes até mesmo dentro de casa.

Todas essas fases acima são características da nossa doença: a codependência. Até parece que fazemos isso por amor, mas não é. A codependência é um amor doente, prejudicial tanto a quem ama, como a quem recebe esse amor. Se você se identificou com essas fases, procure ajuda urgente!

6. EXAUSTÃO: Quando nos mantemos nas fases acima, acabamos chegando à fase da exaustão. Onde o cansaço e a desesperança são tão grandes que desistimos de nós mesmos e do nosso familiar. Nos entregamos à dor. Não acreditamos mais em nada. Desistimos da vida.

7. ACEITAÇÃO:



Por fim, temos a fase da aceitação. No que consiste essa fase? Aceitamos que o nosso familiar tem uma doença, e que não somos culpados disso. Então oferecemos a ele ajuda, direcionando-o a um tratamento, afinal, quem está doente precisa se tratar, e não temos em nossas mãos a cura para o nosso amado adicto. Apesar da dor, entendemos o que é a doença da dependência química, ao mesmo tempo em que entendemos que a recuperação do outro depende exclusivamente do seu querer. Deixamos de ser facilitadores, escravos, vítimas ou heróis do nosso familiar. Voltamos a ter vida própria. A paz e a alegria voltam para o nosso coração. Somos assertivos. Deixamos claros os nossos limites e não os ultrapassamos. Vivemos focados em nossa própria vida. Carregamos o nosso familiar adicto no coração e não mais nos ombros.

Somos humanos, e temos sentimentos, limitações e reações. Por isso, não se culpe se não estiver ainda na fase que gostaria. Apenas busque ajuda, sozinho é muito difícil!

sábado, 16 de novembro de 2013

Vida normal!



Bom dia, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem e em paz, graças a Deus!

Tenho trabalhado em excesso, confesso, mas é apenas por um período e logo se normalizará.

Em casa, maridão limpo há 17 dias. Em alguns dias ele está bem, em outros apresenta os sintomas da abstinência, mas segue firme. Estamos quase chegando em nossas bodas de lã (7 anos)!

Ontem ele estava de plantão e aproveitei o feriado para ir ao parque com as crianças.

Na verdade, posso dizer que estou vivendo uma fase muito feliz da minha vida! O Projeto Ame, mas não sofra!, às famílias, foi implantado na Secretaria de Justiça do DF, e dentre as atividades, sou uma das profissionais que faz o atendimento às famílias de dependentes químicos. É a oportunidade que tenho de levar a ajuda que um dia recebi.

Nesta semana haverá a primeira turma do Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias. Serei a ultima palestrante. Estou muito ansiosa.

As 110 vagas oferecidas foram rapidamente preenchidas, e as inscrições para a segunda turma já possuem lista de espera. As pessoas querem informação!

A codependência, embora esteja presente na vida de muitas pessoas, ainda é um tema desconhecido da maioria. E eu sei, na pele, como a informação e o acolhimento são capazes de mudar a vida de alguém. Mudou a minha!

Aqui estão algumas notícias sobre os primeiros dias do Projeto:

Jornal de Brasília, clique aqui

Justiça.inf, clique aqui

Agência Brasília, clique aqui

Secretaria de Justiça, clique aqui


Fazendo acolhimento na Unidade de Apoio às Famílias.

Muitas pessoas têm me parabenizado pelo trabalho, correria, e vai e vem... E, nesta semana, ela veio me visitar: A codependência chegou, lançou um pouco de tristeza em mim, e sussurrou em minha mente: “aposto que você trocaria toda essa realização e alegria pela recuperação do seu esposo, por uma vida normal, com um pai normal, com um marido normal e sendo uma mulher normal”.

Sinceramente, até acho que trocaria sim, mas a temporada para trocas não está aberta, não é mesmo? Risos...

Queridas(os), voltei à oração da serenidade: “aceitar o que não posso mudar e mudar o que posso...”

Tantas coisas a aceitar, e estou aprendendo isso, um dia de cada vez...

Por outro lado, o que posso mudar, estou mudando. Estou mudando a mim mesma. Estou trabalhando para levar a oportunidade de mudança a outras pessoas. Estou cuidando de mim. Estou crescendo.

Há um tempo atrás, nada tinha graça se meu esposo não estivesse presente. Hoje consigo curtir a minha própria companhia. Passar batom para mim mesma. Pegar as crianças e curtir uma tarde no parque, tomando sorvete, fazendo bolinhas de sabão, correndo atrás dos patos e jogando futebol com elas.

Amo demais ao meu esposo, mas estou me apaixonando por mim também, a cada dia.

Sinceramente, para mim, isso é uma vida normal!

Então percebo que, muitas vezes, o que me aprisionava não era a doença do meu marido, mas a minha própria doença...

Bom sábado!