quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Relação saudável!



"Hoje de madrugada, quando acordei, por um instante pensei que tivesse sido só um pesadelo, que não havia sido real... Dói muito quando a recaída acontece. Perco o chão. Some tudo... Difícil.”

Foram algumas das poucas palavras do meu esposo, hoje pela manhã.

E assim se encerrou um período de sete meses e dois dias sem recaídas. E espero que tenha se iniciado um período maior...

Quanto a mim, senti raiva por ele não ter me buscado no trabalho, conforme combinado, me deixando na mão. Senti raiva por ele não atender minhas chamadas. E senti tristeza por ver quem amo recair, após todos esses dias.

Graças a Deus, hoje não sinto mais o desespero de antes. Talvez por estar livre da culpa, ou da busca dos “por quês” para as recaídas.

Ele tinha tudo para não usar ontem, mas usou, porque a vontade de usar foi mais forte que a vontade de ficar limpo. E isso não está em nada relacionado a mim. Não fui a culpada, não tive como controla-lo, e infelizmente não posso curá-lo.

Estou aqui no trabalho. Estou bem, apesar de um pouco de tristeza.

Tive pesadelos a noite.

E isso indica que ainda não me desliguei totalmente emocionalmente do meu esposo. Mas, peço licença para me dar os parabéns pelos meus progressos.

Estou de pé!

No fim de semana, darei uma palestra a familiares em uma comunidade terapêutica, e na semana que vem, no dia 05/11, será o lançamento do Projeto Ame, mas não sofra!, na Secretaria de Justiça do DF, um projeto ao qual tenho me dedicado demais, e que na verdade é o início da realização de um sonho pessoal. Sobretudo, tenho meus filhos que precisam da minha atenção e equilíbrio emocional. E é nisso que tenho pensado.

E agora, o que fazer?

Não preciso decidir nada agora. Já conversamos, falei o que penso, na verdade, falei até demais, ainda preciso aprender que minhas palavras, em algumas situações, são dispensáveis.

Ele usou pouco, não trocou nenhum bem, chegou cedo em casa, mas foi o suficiente para abalar as suas estruturas. E agora é começar de novo!

Sei que ainda posso dar amor, aceitação, compreensão, perdão, apoio, força, cumplicidade... E tenho tudo isso dentro de mim. Entretanto, não sei se ele está apto a receber tudo isso, e nem mesmo se ele está disposto a lutar por tudo isso...

De uma coisa estou certa, não quero e não aceito mais uma relação doente.

Estou em uma relação saudável comigo mesma, e mereço uma relação saudável com quem se dispôs a dividir a vida comigo. Portanto, não aceito nada menos dele do que a mesma proporção de amor, aceitação, compreensão, perdão, apoio, força e cumplicidade... E isso ele só poderá me dar, se estiver em recuperação.

Então vamos lá, um dia de cada vez!

“Mulheres inteligentes são capazes de olhar bem nos olhos de seus parceiros e proclamar em alto e bom som: Eu sou bonita, inteligente, encantadora e você faz um grande negócio de viver comigo... Jamais permitam diminuir-se, inferiorizar-se ou desprezar-se...” (Augusto Cury, em Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis).

Portanto, é melhor ele correr atrás do prejuízo!


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Pena? Só se for de galinha!



Queridas mães, queridas esposas, queridos familiares, por favor, não sintam pena dos seus entes dependentes químicos.

Senti pena do meu esposo por tantos anos, e eu pensava que isso era algo bom, que demonstrava a minha generosidade, mas descobri que a pena é um sentimento ruim, e que só faz mal, tanto a quem sente, como a quem é o alvo.

Quando sentia pena ao ver a situação dolorosa em que meu amado adicto estava, eram gerados em mim sentimentos de pesar, tristeza e sofrimento. E movida por esses sentimentos, eu tinha uma tendência a tomar decisões equivocadas para me aliviar, e atrapalhava o seu processo de recuperação.

Muitas vezes, por trás dessa pena, existe a culpa. Sim, mais uma vez a culpa. Eu me sentia culpada por estar bem, e meu esposo não. Culpada por ter um celular, um par de tênis, e ele não, por ter trocado por drogas. Então, por meio da pena, eu acabava sendo facilitadora da sua doença. Eu restituía os bens trocados, dava dinheiro, passava a mão na cabeça, mesmo quando as atitudes dele eram as piores.

Percebi que a pena esconde muita coisa ruim atrás de si. Por um lado, ela indicava que eu me considerava superior, melhor que o meu esposo, afinal, eu o considerava incapaz de resolver seus próprios problemas e de superar seus obstáculos, então, somente eu, a grande Polyanna era a responsável capaz de lhe levar a solução. E assim eu me sentia importante. E era disso que a minha codependência se alimentava, dessa relação de dependência, e por isso, por vezes, inconscientemente eu sabotava a recuperação do meu esposo.

Hoje percebo que meu esposo é capaz sim. E que ele pode se recuperar, e se virar sem mim, em todas as áreas da sua vida. Hoje não preciso que ele dependa de mim, para me sentir importante, porque me sinto importante.

Entendi que os dependentes químicos são sim capazes. Ainda que eles precisem passar por um tempo de sofrimento (causado por eles mesmos), encaro isso como parte do seu crescimento.

Queridas, vamos parar de atrasar o crescimento do outro?

Engraçado que eu achava que a pena era baseada na bondade e na generosidade, mas percebi que sua base era egoísmo. Eu facilitava as coisas para o meu marido, por acha-lo incapaz de conseguir por suas próprias pernas, e para que ele dependesse de mim, e assim, eu me sentisse amada e importante... É, eu o impedia de crescer.

Graças a Deus, meu esposo se mantém limpo há 6 meses e 28 dias. E quando olho para ele, vejo alguém totalmente capaz de viver sem mim. E isso é bom! E mesmo que ele um dia recaia (vivo na esperança de que isso não volte a acontecer), ainda assim, sei que ele é capaz de encontrar suas próprias saídas.

Hoje em dia, quando olho para dependentes químicos na ativa, não sinto pena, não mesmo. Sinto apenas compaixão.

Sentir compaixão é reconhecer o sofrimento alheio, mas sem culpa, e sem considera-los incapazes de sair da situação atual.

Não sinta pena, mas não deixe de sentir compaixão pelo próximo. 

Se ele, sinceramente, pedir ajuda, se ele quer se tratar, se ele quer mudar, faça o que você pode. Nessa hora, a ajuda baseada na compaixão será muito válida, sem aquela intenção inicial da pena de se sentir importante.

Se tenho como ajudar, ajudo, e fico em paz. Se não tenho como ajudar, ou se o outro não quer minha ajuda, não ajudo, e também fico em paz.

Quando agimos na compaixão, nossas ações são assertivas, e nossas decisões são melhores. Ainda que nossas atitudes impliquem em limites, e até mesmo em um “sofrimento” ao outro.

Se lembram do sofrimento da lagarta para se tornar uma borboleta? Pois é, se tentarmos ajudar no processo de metamorfose, a borboletinha poderá sair defeituosa. Ela não precisa de nós para isso.

Só pra constar, meu esposo acabou de ser aprovado com uma ótima nota em um concurso público daqui... E não é que ele não precisou de mim para isso?! (Risos).

É muito bom vê-lo crescer. É muito bom não ser necessária ou imprescindível na vida do outro.

Me sinto mais leve. E ele se sente mais livre.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Conheci 126 milagres!

Essa casa da foto do banner é de Bill W., fundador do A.A.


Bom diaaa! Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem!

E hoje estou aqui para dizer a vocês que recuperação realmente existe!

Neste fim de semana, participei de um ciclo de estudo dos doze passos, de Alcóolicos Anônimos, e fiquei encantada!

Conheci um senhorzinho que viveu 35 anos de ativa, e hoje está há 22 anos em recuperação!

Na verdade, são vários... Eram 126 participantes, e muitos deles limpos há décadas!

Tive o prazer de conhecer pessoalmente o companheiro de Blog, Junior, autor do Blog Limpo Só por Hoje, que é um exemplo! O Junior entrou no mundo das drogas ainda criança, e logo cedo chegou ao fundo do poço: crimes, prisões, violência, desesperança... Esse amigo está limpo há 18 anos do álcool, e há 10 anos de outras drogas. E hoje, quem vê aquele rapaz de voz tranquila, falando sobre recuperação, nem imagina de onde ele saiu... Parabéns, amigo!


Companheiro Junior, adicto em recuperação!


Separei, com carinho, alguns relatos que ouvi no ciclo:

“Com o décimo passo, aprendi a não cobrar nada de ninguém. A dar o meu melhor, sem esperar nada em troca. Recordo que meu casamento estava péssimo, porque eu queria que minha esposa acompanhasse o meu crescimento espiritual. Mas, qual era o meu nível de crescimento espiritual? Nenhum, pois eu ainda esperava algo dos outros. Então fiz o meu inventário. Entreguei para Deus o que eu não podia mudar. E fui trabalhando o autodomínio...”

“O primeiro privilégio que Deus me deu foi o da vida. Criei várias situações em que poderia ter morrido, mas a Deus coube me manter aqui. Foram 20 anos de muito sofrimento, e também de muito esforço pessoal. Por isso, hoje agradeço a Deus pela minha sobriedade, pois sozinho eu não conseguiria. Foi uma árdua caminhada, que começou lá no boteco, e que me levou à “lata do lixo”. Eu vivia o sinônimo da dor. Mas, foi pelo caminho da dor que cheguei a uma sala de A.A.”

“Foram centenas de recaídas, talvez até milhares, até o momento em que disse a mim mesmo: CHEGA! E enquanto eu não atingi o meu fundo de poço, não consegui mudar, porque eu sou preguiçoso, eu gosto de protelar, de adiar as coisas. Mas, quando eu disse CHEGA, foi pra valer. Por mim mesmo eu nunca consegui parar, então só posso pensar que Alguém maior do que eu é quem me mantém sóbrio nesses anos todos...”

“Eu fui um péssimo diretor do show da minha vida. Não gostei do show que apresentei. Aliás, nem a plateia gostou. Ninguém gostou. Eu era um péssimo condutor da minha vida. Caía em todos os buracos. Então como sou um péssimo diretor, e um péssimo condutor da minha própria vida, decidi aceitar a minha impotência, e entregar para Deus...”

“Juntei tanto lixo emocional em minha vida. Tanta mágoa, ressentimentos. Eu precisava do perdão. Precisava me perdoar, e pedir perdão aos que causei danos. E digo uma coisa, ainda que o outro não te perdoe, não existe perdão mal sucedido. Quando você é perdoado, os dois são beneficiados. E quando você não é perdoado, ainda assim, um dos lados (você) é beneficiado. Não funcionou para o outro, mas funcionou para você...”

"Hoje, rogo a Deus pelo conhecimento da Sua vontade em relação a mim. Foi preciso uma preparação para que eu deixasse de levar a Deus apenas os meus pedidos, e passasse a escuta-Lo, e a entender a Sua vontade em minha vida...”

“Na minha recuperação, a humildade é essencial. Quando sou humilde, não me sinto ofendido, pois reconheço que nada é feito contra mim. Então, mesmo quando sou magoado, posso me ajoelhar diante de Deus, e gozar da calmaria, ainda que tudo ao redor seja tumulto...”

“É preciso ter um despertar espiritual. Não apenas parar com a droga, mas despertar. Alguns param, mas continuam adormecidos. E enquanto estamos adormecidos, não conseguimos enxergar essa mensagem tão óbvia...”

“Descobri que não são os conflitos que me incomodam, mas sim a forma como eu enxergo esses conflitos...”

“Estamos aqui para nos capacitar a viver longe da nossa droga de preferência. Aqui ninguém é melhor que ninguém. Tanto faz se é a primeira ou a trigésima vez que você está aqui...”

“Eu achava que bebia socialMENTE. Grande mentira isso! Mas, aqui encontrei o que eu procurava em um copo de cerveja. Os doze passos me trazem ao equilíbrio. E aqui tenho acolhimento, os olhares, as palavras que necessito...”

“No início dos Alcoólicos Anônimos, Psiquiatras descreveram as características de um alcoólico: somos infantis, emocionalmente sensíveis, narcisistas e cheios de mania de grandeza. Para trabalhar tudo isso aí, eu preciso dos 12 passos e das 12 tradições...”

“O despertar tem que ser contínuo. A vida não vai mudar. Coisas ruins continuam acontecendo. Mas, nós podemos suportar sem fugir para a droga...”


Gente, é isso aí. Me emocionei muito na reunião. Ao final fizemos um círculo gigante, e todo mundo junto fazendo a oração da serenidade, foi lindo. Muitos abraços, seguidos de “obrigado”, e muitas vezes de lágrimas. Lindo, lindo!

Embora eu não seja alcóolica, ou dependente de outras drogas, aprendi muito ali. Todas as palavras que escrevi aqui, servem de modelo para mim também, afinal, tenho tantos desafios a superar em mim mesma. Não sou melhor do que nenhum deles, não mesmo. E também preciso de tudo isso para vencer a minha codependência, o meu vício pelos “outros”, dentre outros defeitos.

Ao final do evento, tocou a música do Ivan Lins, Novo Tempo, que diz: “... no novo tempo, apesar dos castigos, estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos pra nos socorrer... No novo tempo, apesar dos perigos da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta pra sobreviver... Pra que nossa esperança seja mais que a vingança, seja sempre um caminho que se deixa de herança... No novo tempo, apesar dos castigos de toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga pra nos socorrer... No novo tempo, apesar dos perigos de todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados pra sobreviver... No novo tempo, apesar dos castigos, estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas pra nos socorrer...”


Mude! Você também pode!


Desejo a todos os nossos familiares adictos um novo tempo. Um tempo em que eles sejam movidos pelo “CHEGA”, pelo “BASTA”. Um tempo de recuperação. Um tempo de verdadeiro querer. Um tempo de algemas quebradas...

E desejo a nós, familiares, também um novo tempo. Em que estejamos marcados não só para sobreviver, mas para viver! Um tempo de força, e de verdadeira recuperação. E ainda que talvez o nosso familiar não esteja bem, que comece por mim e por você a mudança.

Acredite, existe recuperação... Pra eles, e pra nós!

Leitores de Brasília, CLIQUE AQUI, e conheçam o Projeto Ame, mas não sofra!, da Secretaria de Justiça do Distrito Federal, às famílias!


Beijos.
Poly.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Acolhimento e informação!


Bom dia, queridas(os)!

Na ultima postagem falei um pouco sobre o projeto que está nascendo aqui em Brasília, o Ame, mas não sofra!, o primeiro voltado às famílias. Muito trabalho e um sentimento enorme de satisfação por aqui. É uma conquista de todos nós, familiares, que há tempos batemos na tecla de que ninguém nos vê. 

Vejam nossas conquistas: 

Em São Paulo, existe um grupo teatral, apresentando a peça "Estão nos enxergando?". Elas fazem um lindo trabalho! E achei fantástico quando a Terapeuta da peça me enviou uma mensagem dizendo que estavam se abraçando lá, comemorando o Projeto Ame, mas não sofra!.

Em Fortaleza, o tema codependência foi debatido na Câmara.

No facebook, existe um grupo de famíliares, com mais ou menos 300 participantes, e uma amiga recentemente deu início a um trabalho de leitura e debate de livros sobre o tema codependência nesse grupo. Muito bom! 

Além disso, existem vários parceiros, como a Romina Miranda, por exemplo, da Revista Anônimos, além de cada blog aqui da rede, enfim, cada um tem dado a sua colaboração, e a nossa voz está sendo sim ouvida.

E o resultado disso é  esse Projeto Governamental que está nascendo aqui no Distrito Federal!

Não importa se é do Amor Exigente, ou do Nar-Anon, ou da Pastoral; se gosta da Melody Beattie ou da Robin Norwood; se acha meu Blog fantástico ou meloso, enfim, não importa. O importante é que caminhos estão sendo mostrados. O que importa mesmo é que por meio dessas ações de todos nós, familiares adoecidos emocionalmente terão a oportunidade de conhecer a possibilidade da mudança, a possibilidade de viver, e de ser feliz, apesar da dor de ter um familiar adicto. E isso é maravilhoso!

E isso, pra mim, é a realidade prática do "tamo junto"!

Eu bato na tecla de que os familiares precisam de duas coisas: acolhimento e informação de qualidade, afinal, foi isso que deu certo pra mim, e acredito no poder dessas duas chaves.

Deixo, abaixo, as ações do Projeto, para que entendam melhor. E se alguém quiser colaborar com ideias, pode me enviar um e-mail ou comentário. Será muito bem-vindo!

Beijos.




O público-alvo do projeto Ame, mas não sofra!, da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal são as famílias. Afinal, a família é o primeiro espaço no qual cada indivíduo se insere, e onde se inicia o processo de socialização primária. E é no seio familiar que se faz a transmissão de valores, tradições e costumes.

No intuito de levar informação e acolhimento às famílias do Distrito Federal, foi criado esse Projeto, que engloba várias ações:

Ação Preventiva: Queremos ajudar aos pais e responsáveis, que muitas vezes não sabem como abordar esse assunto com os filhos, ou como agir para evitar que as drogas entrem em sua casa.

Ação Acolhedora: Algumas famílias convivem com a realidade da dependência química de um ente querido, e essa convivência por vezes adoece emocionalmente a família, tornando-a codependente, gerando uma disfunção no núcleo familiar e dificultando a recuperação do dependente químico. Nesses casos, queremos acolher essas famílias, e informá-las sobre a doença da dependência química e sobre a codependência, bem como sobre os tratamentos existentes.

Ação Multiplicadora: Realização de seminários de Multiplicadores de Ações de Apoio à Família, com palestrantes multidisciplinares, incluindo Profissionais especialistas em dependência química e codependência, e Representantes de Grupos de Apoio. Os cursos serão abertos ao público interessado, e principalmente àqueles que desejam levar essa informação adiante, inclusive no exercício da sua profissão. Ainda na ação multiplicadora serão ministradas palestras nas faculdades para estudantes de Psicologia, Serviço Social e áreas afins sobre Prevenção do Uso de Drogas, Dependência Química e Codependência. 

Ação de Apoio: Serão criadas Unidades de Apoio às famílias para levar acolhimento e informação às famílias que necessitam. A primeira Unidade será inaugurada na Sede da SEJUS, localizada no SAIN Estação Rodoferroviária, Térreo, no mesmo dia de lançamento do projeto, e funcionará em horário comercial.

Ação Interativa: 
Canal de comunicação com as famílias por meio do endereço eletrônico amemasnaosofra@sejus.df.gov.br e da página do Projeto no site da SEJUS.

O evento de lançamento do Projeto Ame, mas não sofra! será no dia 05 de novembro, às 10 horas, no hall de entrada da sede da SEJUS.

As inscrições para o primeiro curso de Multiplicadores de Ações à Família estarão abertas no período de 17/10 a 11/11 na página do Programa e por e-mail.

Fonte: site da SEJUS/DF. (Clique aqui, e veja na íntegra).

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Deixe alguns sonhos partirem...



Sonhos, sonhos... São eles que nos movem. Não é mesmo?

Eu sou uma sonhadora incorrigível. Sonho mesmo. Acredito mesmo. Luto mesmo.

Mas, mesmo assim, nem todos os meus sonhos podem ser realizados.

Eu tinha o sonho de ter um pai presente, que fosse às minhas reuniões de escola, que sentisse ciúmes quando os garotos me cortejavam, com quem eu pudesse conversar às vezes, e pedir colo quando sentisse essa necessidade. E por muito tempo me agarrei a esse sonho. Mas, quanto mais eu fantasiava, mais a realidade tentava me mostrar que aquele sonho estava falido. Eu visitava meu pai, às vezes, em sanatórios. E muitas vezes quando íamos passar as férias na casa dos meus avós, onde ele morava, ele não se importava com nossa presença, em razão da obsessão pelas drogas. A distância entre a realidade e o meu sonho era tão enorme, que eu tentava mascarar a realidade, até o dia em que meu pai foi embora de vez, em razão de uma overdose.

E agora? O que fazer quando temos um sonho esmagado? O que fazer com a dor que isso nos traz?

Bom, o tempo passou. Conheci ao meu esposo, me apaixonei, e novamente vieram os sonhos. Sonho de um casamento perfeito. Sonho da felicidade constante. Sonho de que não houvesse a droga entre nós. E, pouco a pouco, a cada recaída, esses sonhos também iam se desfazendo. E como era doloroso deixar esses sonhos partirem. Eu estava tão agarrada a eles.

Mas, um dia percebi que alguns dos sonhos que eu cultivava não eram reais, ou ao menos não faziam parte da MINHA realidade.

Negar a realidade me impedia de crescer, e me gerava muitas frustrações.

Entretanto, deixar de sonhar, em razão das perdas que tive na vida, em consequência do uso de drogas de quem amo, não seria justo comigo mesma. E eu não consigo viver sem sonhar!

Há quatro anos atrás, vocês sabem que eu era? Eu era uma esposa desesperada, mãe de um bebezinho e de uma pré-adolescente, tentando me adaptar novamente no Brasil, no novo trabalho, na nova cidade, e com meu esposo na ativa.

Eu não conseguia sonhar, pois os sonhos cultivados tinham sempre como referência “o outro”, e não eu mesma. Todos os sonhos haviam partido, e só tinha ficado a dor e a desilusão.

E agora? Como continuar vivendo?

Eu precisei abandonar aqueles sonhos irreais, os sonhos fictícios, e substituí-los por objetivos concretos, pelos quais eu pudesse lutar, e correr atrás.

Nesses quatro anos, o primeiro passo que dei, foi em direção a um grupo de apoio a familiares de dependentes químicos. E desde então, um passo de cada vez, fui traçando a minha jornada.

Posso dizer que comecei penteando os cabelos e escovando os dentes, pois eu não tinha mais ânimo nem mesmo para isso.

E, pouco a pouco, me tratando da codependência, fui descobrindo um novo jeito de viver: aceitando a minha realidade, e construindo sonhos sobre a minha própria vida.

E, hoje, queridas(os), confesso que me assusto com a quantidade de frutos que estou colhendo, simplesmente por ter me aberto a esse novo tipo de vida.

No primeiro ano, as mudanças ocorreram internamente. No segundo ano, consegui forças para dar início a um projeto que já vivia no meu coração: o Blog Amando um Dependente Químico (hoje com mais de 218.600 visualizações). Do blog, nasceram dois livros (que já atingiram, em média, 450 pessoas). Agora estou escrevendo o terceiro livro, que será lançado em março, e com uma linha bem diferente dos outros dois. Também foi criada a página no Facebook (hoje com mais de 1.600 curtidas). Daí, portas se abriram para entrevistas, e para que eu palestrasse em comunidades, faculdades, órgãos públicos, etc. E, sobretudo, o que me deixa mais realizada: os relatos diários que recebo por mensagens e e-mails.

Sabe, quando olho para aquela Polyanna de quatro anos atrás, entrando naquela reunião, vestindo uma calça jeans e uma camiseta branca, com um bebezinho no colo, e muita vontade de chorar, chorar e chorar, e quando olho para a Polyanna de hoje, eu só tenho vontade de gritar aos quatro cantos: Obrigada, meu Deus, pela oportunidade da mudança!

Não bastasse tudo isso, Deus me surpreendeu mais uma vez. O Secretário de Justiça do DF leu o meu livro, e se comoveu bastante com a história. Na ocasião, ele me chamou para uma reunião, e me solicitou um projeto sobre o assunto codependência. Tentei fazer algo, o mais rápido possível, e o entreguei. O tempo passou, e por motivos externos, o projeto estava parado. Mas, há menos de um mês atrás, o novo Subsecretário de Políticas sobre Drogas me chamou para implantarmos o projeto. A SUBAD alterou o projeto, o fez maior, juntos elaboramos as ações, e o resultado é que o projeto será implantado na próxima semana, dia 17/10/2013.

Será um projeto voltado para as famílias. Acessem e sigam o site http://amemasnaosofra.blogspot.com.br/ e conheçam as ações. Estou ansiosa, e muito muito feliz.

Dentre as ações, há a realização de um seminário (curso) multidisciplinar, com a presença de Autoridades, Psiquiatras, Representantes dos grupos de apoio, Profissionais especializados, e eu, uma codependente em recuperação.

Sabe, queridas(os), todos nós temos habilidades. Todos, inclusive você! E o seu papel no mundo cabe somente a você realizar. Hoje tenho sonhos novos! Sonhos reais! Sonhos nos quais eu sou a protagonista!

Talvez você ache que minha história é muito diferente da sua, mas não é não. Se você falasse para a Polyanna, naquela reunião de grupo, há quatro anos, que tudo isso aconteceria na vida dela, ela jamais acreditaria...

Pra finalizar, queridas(os) leitoras(es) de Brasília e região, vocês estão convidados para a solenidade de lançamento do Projeto Ame, mas não sofra!, em 17/10/2013, às 10 horas, que se realizará na sede da SEJUS-DF, em seu hall de entrada, localizada no SAIN Estação Rodoferroviária, Ala Central.

Conto com a presença de vocês! É uma grande conquista de todos nós, familiares. Afinal, é o primeiro projeto governamental voltado para nós. E agora sonho que esse projeto se expanda por todo o país. Talvez isso possa acontecer, na sua cidade, por meio de você, leitora (né?!)...

Gostaria de agradecer ao Secretário de Justiça Alírio Neto, e ao Subsecretário de Políticas sobre Drogas Leonardo Moreira, pela sensibilidade, por terem acreditado nesse projeto, e investido nesse sonho, afinal, boas ideias surgem todos os dias, mas pessoas dispostas a acreditar nessas ideias são bem mais difíceis de achar...

E que venham os novos sonhos!


Aproveitem bem o dia das crianças!

Beijos no ♥!


Queridos, por questões institucionais, as atualizações do Projeto serão feitas na própria página da SEJUS, link (http://www.sejus.df.gov.br/projetos/ame-mas-nao-sofra.html), portanto, o site Ame, mas não sofra! do blogger será desativado, mas quem desejar continuar seguindo o Projeto basta enviar um e-mail para amemasnaosofra@sejus.df.gov.br . Abraços!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

E se ele recair?



Bom dia, queridas(os)!

Muitos de nós ainda tememos a tal da recaída, não é mesmo?

Acompanho relatos dos familiares, e muitos pensam que, em caso de recaída, a única solução é a internação.

Bom, vamos lá, em primeiro lugar, precisamos saber se foi apenas uma recaída, ou se essa recaída desencadeou um período de ativa, onde a obsessão e a compulsão pela droga voltaram a dominar o nosso familiar.

Em segundo lugar, precisamos identificar para qual estágio motivacional o nosso familiar foi. Leia o post Sobre a Dependência Química e entenda melhor sobre os estágios e ações em cada estágio.

Ao contrário do que muitos pensam, a recaída de um dependente químico não significa que ele é incapaz de recuperar-se. Alguns encontram na recaída a motivação para seguir em abstinência, enquanto outros precisam sim reiniciar um tratamento. Portanto, é sempre bom lembrar que cada um é cada um.

Como convivemos com dependentes químicos, precisamos ter a consciência de que a recaída pode sim acontecer, e nos auto-enganar não resolverá nada, pelo contrário, nos trará despreparo para ajudar quando necessário.

Se, por um lado, a recaída faz parte da doença, por outro lado, ela não faz parte da recuperação. Ou seja, quem está de fato determinado a se manter limpo, não recai. Por isso, nada de pensar que é natural o dependente químico recair toda semana. Isso não é recaída, é ativa.

Entretanto, se o seu familiar tem o desejo de se manter limpo, mas não consegue, talvez seja hora de procurar uma ajuda médica também. O governo oferece atendimento nos CAPS, por exemplo.

Digo isso porque, muitas vezes, o uso de drogas é só a “ponta do iceberg”, ou seja, o dependente pode ter problemas como depressão, bipolaridade, hiperatividade, déficit de atenção, dentre outros, bem como problemas emocionais, que se não forem tratados, acabam por leva-lo a buscar a solução no lugar errado: na droga.

Se ele não gosta de psiquiatras ou psicólogos, talvez ele goste dos grupos de Narcóticos Anônimos, que ajudam o dependente não só a se livrar das drogas, mas também das consequências e causas do uso.

Mas, se ele não quer tratamento, não quer ir ao grupo, e não consegue se manter abstinente, talvez seja uma boa hora de conversar sobre a possibilidade de uma internação.

Não tem dinheiro? Se informe nos órgãos do governo. Leia sobre o cartão recomeço. Procure instituições ligadas às igrejas, algumas são gratuitas.

E, claro, muito cuidado ao escolher uma internação, pois sabemos que muitos se aproveitam do nosso desespero.

Na verdade, tanto para o adicto, como para a família, o caminho mais fácil é o de prevenção de recaídas. De um lado, temos o adicto, que precisa de mente aberta e boa vontade para mudar seus comportamentos aditivos. E, do outro lado, existe a família, que também precisa se tratar, para mudar seus comportamentos codependentes.

Amigas(os), também sou familiar de dependente químico, e sei exatamente o que vocês sentem: “puxa, eu queria que ele nunca mais recaísse!” Temos o direito de sonhar com isso, e de ter esperança, sempre. Mas, por outro lado, precisamos ter os pés no chão, e cuidar de nós, para, em caso de recaída, sabermos como agir, ajudando não somente ao adicto, mas também a família como um todo.

E se ele não quer ajuda?

Bom, nesse caso, cabe a você fazer suas próprias escolhas, e identificar o que você quer para a sua vida.

Eles podem fazer as escolhas deles. E nós podemos fazer as nossas. Sem culpa. Sem peso. Entretanto, se cada um de nós estiver atolado em sua doença, certamente faremos escolhas ruins, e arcaremos com as consequências dessas escolhas.

Então, famílias, vamos cuidar de nós? Que comece por nós!

Sei que muitos dependentes também acompanham esse Blog: “Ei, que tal cuidar de si mesmo? Ninguém pode fazer isso em seu lugar!”

Cada um cuidando de si mesmo, no fim dará tudo certo. 

Eu acredito na recuperação da dependência química! Eu acredito na recuperação da codependência! E eu acredito em uma família saudável e feliz!

E digo mais, eu só vou desistir do meu familiar, se um dia ele desistir de si mesmo...

Ah, e pra terminar, nada de viver pensando em recaídas. Ok? Nos preparamos para elas, mas vivemos cada dia como se elas não existissem. Portanto, seja feliz! Se permita isso.

E se você tem medo, use a melhor arma: a fé!

Beijos!



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Uma questão de foco!




Boa tarde, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo em paz, graças a Deus!

No sábado, dia 05, tive a oportunidade de desenvolver um trabalho com as famílias de dependentes químicos que estão em tratamento em uma casa de recuperação. Nem consigo expressar exatamente o que sinto ao levar uma mensagem de esperança, de mudança, de fé e de superação, ou seja, de recuperação aos “meus iguais”.

Os relatos que recebo em razão do Blog me emocionam muito, mas a diferença é que nas palestras tenho um contato direto com as pessoas, sem essa “frieza” da tela do computador.

Os olhares, por vezes marejados; os sorrisos, as palavras, as entrelinhas das palavras, os abraços, e também as lágrimas, me são tão familiares que sou capaz de decifrá-los sem muito esforço, afinal, passamos por situações e sentimentos tão parecidos.

Enfim, sensação maravilhosa de dever cumprido, de estar fazendo a minha parte, contando a minha história, e mostrando como podemos ter uma vida melhor, mesmo com um familiar dependente químico, e com a dor que isso nos gera.

Brincamos de roda, fizemos dinâmicas, choramos, sorrimos, partilhamos, nos abraçamos, nos ouvimos, falamos: e falamos de nós, olhamos para nós, pensamos em nós, durante aquelas duas horas.

Foi muito gostoso!

Ainda haverá o segundo e o terceiro encontro (novembro e dezembro), e a primeira a ser ajudada nessas palestras sou eu mesma, pois é uma forma de estar sempre avaliando o fundo de poço no qual cheguei, e a mudança que tenho conquistado a cada dia. Afinal, nunca posso me esquecer que a minha recuperação de hoje, não me garante a recuperação de amanhã. É um esforço diário, pois sou uma codependente quase nata, e permanecer igual é sempre mais cômodo do que mudar. Mas, só por hoje, eu escolho a mudança para a minha vida!

Ontem pela manhã fiz a prova de um concurso público, infelizmente não me dediquei tanto aos estudos quanto gostaria, e agora é aguardar o gabarito. E, à tarde, foi a vez do maridão fazer sua prova de concurso. É muito bom tê-lo ao meu lado, lutando pelo melhor da nossa família.

Só por hoje ele está limpo há 6 meses e 11 dias. Eu não conto mais (só quando vou postar, que coloco a data na calculadora), mas opto por viver e aproveitar cada dia de paz ao seu lado.

Quem acompanha o Blog desde o início sabe que não estou aqui para falar dele. Claro que vez ou outra narro coisas a seu respeito (é amor pra mais de metro! rs), mas o foco, o ponto central somos nós, as famílias, as pessoas que sabem o que é amar dependentes químicos.

Por tanto tempo vivi escondida atrás da doença, ou das qualidades, ou dos defeitos do meu esposo, que hoje prefiro focar na vida que me diz respeito: a minha. Somente essa vida que posso mudar. E é somente a essa vida que cabe o papel da minha felicidade.

A vida fora de mim é instável. Meu relacionamento familiar, meu trabalho, as pessoas ao redor, o clima, os acontecimentos externos... Tudo é instável. Mas, olhando para mim mesma, me conhecendo, cuidando de mim, me amando, e sobretudo agarrada à Mão do Todo-Poderoso, encontro o suporte necessário para encarar qualquer obstáculo que apareça no caminho. Porque isso é certo, obstáculos e desafios existem na vida de todos, amantes de adictos ou não. Entretanto, nós, familiares, somos “agraciados” com uma instabilidade um pouco maior, e que tal tirarmos disso um aprendizado maior também?

Não falo para ninguém se separar, nem para se manter junto de um adicto, porque esse não é o meu foco. Não estou aqui para mostrar os dependentes como coitadinhos ou como monstros, esse também não é o meu foco. Tampouco estou aqui para dizer que sou certa ou perfeita. Nada disso.

Estou aqui apenas para mostrar que a mudança começa de dentro. 

Mude sua forma de pensar. Mude sua forma de olhar o mundo ao redor. A partir daí, você verá mudanças em suas atitudes. 

Mudando por dentro, você começará a fazer escolhas para a sua vida, e sobretudo, você será feliz com suas escolhas.

Há quatro anos tenho trabalhado em mim mesma, foi quando dei início a uma mudança de mente e de olhar (graças ao Nar-anon!). E, lentamente, reconheço os meus progressos a cada dia. E posso dizer que hoje sou feliz com minhas escolhas, e com a vida que tenho levado em razão delas.

Enfim, sou responsável pela Polyanna que conquisto a cada dia!

Beijo no coração!
Boa semana!