quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O primeiro passo para ser/fazer diferente!



Todos nós temos sonhos, sempre.

Algumas temos o sonho da maternidade, o sonho de ver o filho crescer e se desenvolver saudável, concluir sua faculdade... ser feliz.

Outras temos o sonho do matrimônio. De encontrar aquele que nos faça companhia, nos entenda e ame, enfim, aquele para compartilhar dos nossos momentos, até o fim.

Claro que nos nossos sonhos não estão incluídas as possibilidades do nosso familiar se envolver com drogas, e se tornar um dependente químico.

Então, quando tomamos conhecimento dessa realidade, leva tempo para a “ficha cair”.

Vemos nosso familiar se afundando na insanidade, totalmente controlado pelo desejo de usar drogas, mas ainda assim, “mascaramos” essa realidade, e continuamos agarradas aos nossos sonhos iniciais.

Enxergar a realidade como ela é, dói, mas traz benefícios. Por outro lado, viver de sonhos irreais, e de consequentes frustrações acaba nos adoecendo.

A realidade é que a dependência química é uma doença crônica, e temos alguém amado portador dessa doença. E agora?

Vamos ficar na negação? Vamos viver de ilusões? Vamos nos entregar ao desespero? Vamos desistir da vida?

Não. Temos caminhos a trilhar. Embora não seja fácil, podemos sim ter uma vida normal, e feliz, apesar dessa dor.

E, na minha experiência, isso tem se dado por meio do “desligamento com amor”.

Amo ao meu esposo, quero o seu bem, me preocupo e me importo com ele. Vivemos muitas coisas juntos, e ele é o pai dos meus filhos, o homem que escolhi para amar e para compartilhar minha vida.

Entretanto, diante da sua doença, acabei adoecendo também. Eu estava doente de um amor desmedido para ele, e de falta de amor para mim mesma. Eu estava enlouquecendo na tentativa de salvá-lo da dependência química. Eu estava me perdendo, morrendo pouco a pouco.

Um dia, em uma sala de grupo de apoio, ouvi falar pela primeira vez sobre o Desligamento. Posteriormente, li sobre esse assunto em alguns livros e artigos. E, pouco a pouco, dia a dia, tenho me desligado.

Desligar-se não é deixar de se importar com o outro. Mas, é aprender a amar na medida certa. É aprender a se envolver, com limites, nos assuntos alheios.

Quando consigo me desligar dos assuntos que dizem respeito ao meu esposo, permito que ele se motive a resolver seus próprios problemas, e o deixo livre para fazer suas escolhas, ou seja, para viver.

Enquanto nós, familiares, estivermos nos ocupando com a vida do outro, e fazendo planos de cuidado para a vida dele, ele mesmo não precisará ter responsabilidades.

Cada um é responsável por si mesmo. Cada um tem sua própria vida. Podemos ajudar ao outro, claro, se ele pedir, mas deixar de viver nossas vidas, para viver a vida do adicto, é “matar” duas vidas ao mesmo tempo.

O desligamento é o início da mudança, o primeiro passo. Quando conseguimos nos desligar, passamos a olhar mais para nós mesmos, e para as nossas próprias questões. E é assim que estou conseguindo, um dia de cada vez, dar passos na minha própria recuperação, e cultivar progressos positivos em minha vida.

Desligar-se não é fácil, pois, após anos ao lado de um adicto, adquirimos o hábito de viver tentando controlá-lo. Então, para conseguirmos uma nova maneira de vida, precisamos cultivar novos hábitos.

Está pensando demais no outro?

Ocupe sua mente com algo novo. Se não consegue pensar em você, pense em outras coisas, até conseguir se concentrar em você mesmo. Programe-se com atividades suas, e que te façam bem.

E antes de decidir fazer alguma coisa (como um telefonema, por exemplo), sonde seu coração e mente: “estou fazendo isso por amor, ou para ter o controle?” “Isso é responsabilidade minha ou do outro?” “Quero fazer isso, ou não?”

É hora de nos lembrarmos do que foi dito pela Melody Beattie: “perceba a sua mais importante e, possivelmente, mais negligenciada responsabilidade: cuidar de si.”

Quanto ao outro, podemos amar, aceitar, e orar por ele. Só.

Quanto a nós, é hora de nos cuidarmos, e percebermos que não somos eternos, nem super-heróis.

Meu esposo está limpo há 5 meses e 17 dias, e a regra do desligamento continua valendo... Aliás, sempre vai valer!

Quando nos desligamos, duas vidas (ou mais) voltam a exercer os seus papéis...

Desligar-se é a maior prova de amor que você pode dar ao outro e a si mesma!









25 comentários:

  1. Respostas
    1. Exatamente isso, Cicie...
      Estava com saudades!
      Bjos!

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  2. Hoje o texto foi perfeito para mim, afinal meu namorado teve uma recaída ontem e até agora não voltou para a casa, ele estava limpo e frequentando as reuniões do N.A, mas infelizmente desde sexta ele teve uma crise de abstinência e ontem resolveu usar, agora a pouco eu e a mãe dele procuramos em todos os lugares possíveis e não encontramos, agora é tentar se desligar e orar para que ele volte mas é muito difícil.

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    1. Força, querida! E desligamento com amor...
      Seguro a minha mão na sua, e uno o meu coração ao seu!
      Bjos.

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  3. Esse texto está em alguns dos seus livros?

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    1. Olá! Nos dois livros, do início ao fim, você verá muitas vezes o termo "desligamento", mas esse texto foi escrito hoje, para o blog, ou seja, não está nos livros. No primeiro livro, na página 190, falo mais sobre esse assunto. Abraços!

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    2. Os folhetos do nar-anon tb falam de desligamento

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  4. Com todo respeito a todo seu conhecimento adquirido naquilo que você chama de doenca incurável que e a dependencia quimica, nao consigo pensar desta forma, sou um ex usuário que usava diariamente meu companheiro de anos que usava frequentemente leu seu blog inteiro e quando ele descobriu que tinha uma doencia incurável caiu em depressão e está em estado pior , tenho vencido porque nao acredito e nao quero acreditar que pelo fato de eu ter sido usuário morrerei com desejo de usar..eu acredito que nao sou mais usuario e estou livre do vicio para sempre e so voltarei a usar se eu quiser sentir o efeito da adrenalina novamente..mas nao se trata de o vicio esta vivo em mim eternamente..nao se trata de doença crônica como dizem ou doença incurável se assim eu pensar acabou a razao de viver, nao tenho que fica contando qtos dias sem usar ou lembrando sempre que sou doente como dizem eu simplesmente parei e ponto final. .se eu usar denovo nao e que a doenca dentro de mim está gritando ou falando, mas se trata que voltei a usar pelos mesmos motivos que me fizeram experimentar pela primeira vez, a vontade de ficar doidao,embalo, festas amizades etc..desculpe meu questionamento posso esta errado mas e meu ponto de vista e assim acho melhor do que o de vcs dizendi que somos doentes e etc...enfim peco novamente desculpas e espero que nao me veja como um mal criado ou coisas do tipo, sou uma pessoa do bem...felicidades para vc e sua família.

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    1. Ola, amigo! Parabens por sua conquista! Doença cronica eh uma doença que nao se cura rapidamente. Mas, se por um lado ha uma doença, por outro, ha recuperaçao para os que querem! Abraços. E obrigada pela colaboraçao!

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    2. Quando dizemos "doença incurável" estamos nos referindo que para se recuperar terão que abrir mão do uso de drogas para sempre... como a diabetes... dependendo do grau, não se pode nunca ingerir açucar.

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    3. Ué mas todos devem abrir mão do uso de drogas para sempre ou tem algumas classe de pessoas que não? ela é prejudicial a todos...
      Não é questão de recuperação é questão de que quem usar ficara viciado, e quem parar deixara de ser viciado...a diabete é uma doença e quem usar açucar ira piora sua doença, ai sim fara a sua doença acorda por que a pessoa é doente e ponto final..o usuário não consigo ver como doente, pois se ele parar parou não tem doença mais e ponto final, se ele voltar a usar ele simplesmente voltara a ser viciado, mas se ele consegui forças para vencer o vicio como meu caso, ele simplesmente venceu e pronto, não é mais viciado e não tem mais que pensar nela, isto eu falo para quem realmente quer parar.
      por que se voce fica colocando na cabeça deles que ele é doente, ele buscara a recuperação, mas no fundo do seu consciente ele terá um sentimento de revolta ou interrogação dizendo por que eu sou doente químico e outros não, ha sou doente e tenho que pensar nisto 24 horas por dia, sou doente e tenho que me tratar e bla..bla..bla.....isto em meu ver so fara ele sempre lembrar que ele ja foi viciado e colocara no subconsciente dele que ele sera pra sempre um viciado, caso não seja tratado...discordo deste pensamento, este pensamento para mim é suicida,fara a pessoas pensar, lembra, e viver 24 horas recordando da maldita cocaina como foi meu caso..eu simplesmente lutei para vencer o vicio e venci e ponto final não sou mais doente e nao tenho mais vicio

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    4. Amigo, entendo sinceramente a sua opinião. Convivo com meu esposo, e já convivi com o meu pai, e quando falo que eles têm uma doença, é a compulsão diante da droga. Alguns usuários não tem essa compulsão (ao menos no início), mas os adictos têm. Entretanto, quando eles estão em recuperação levam uma vida normal. Meu esposo está limpo, e quase nunca falamos sobre esse assunto. O adicto em recuperação tem o direito de levar uma vida normal, onde a única ressalva é: não se aproximar de drogas. Já vi adictos se recuperarem no NA, outros na igreja, outros com o nascimento de um filho, outros em tratamentos, cada um é cada um. E a chave para viver livre das drogas está no QUERER. Ninguém recai, querendo ficar limpo. E ninguém fica limpo, querendo usar. Quero que você saiba que quando falo da dependência química, como doença, não é para entristecer ninguém, mas para mostrar que existe sim recuperação, e uma vida normal e feliz, mesmo para quem conviveu de perto com as drogas, seja como usuário, ou como familiar. Grande abraço!

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    5. anônimo...se pra c não é doença e vc ta di boa é o q importa...o meu marido pensa igual a vc, porém por ele achar que não é doente...se esquece e acaba tendo certos hábitos que o levam a recair...acho q pra alguns é necessário entender q é uma doença para buscar ajuda e saberem q apoio conseguem, pra outros não como no seu caso....a questão é ouça seu coração se vc está bem não precisa nem ficar procurando blogs q falam sobre o assunto certo...?? boa sorte pra ti...bjus

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  5. engraçado o Du..fala exatamente a mesma coisa do que o anonimo ai em cima comentou...pra ele dizer que é um doente o faz mau..eu ja acho q é problema com aceitação...mais tb enfim...desisti de entender ou de convencer...a doença é dele ele cuida da dele q eu cuido da minha..bjus

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    1. Ok. O nome do anonimo é Wellington. ...e nao discutirei mais este assunto, .e nao procurei blog que fala do assunto ...apenas entrei porque me falaram da história que a dona deste blog enfrentou e fiquei emocionado por tudo que ela passou e como conseguiu superar tudo e viver a vida dela obtendo sucesso profssional, familiar e principalmente pessoal. Diferente da minha esposa de quando eu era viciado "nao doente" rsrs...nao conseguia dar um passo adiante presa a meu vicio...mas sao aguas passadas e hj estamos todos bem...mas como eu disse apenas apresentei minha forma de ver este problema diferente da sua...mas fim de papo e nao comentarei mais nd..felicidades a todos.....Wellingtondasilva@ig.com.br

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    2. Prezado Wellington, vc sera sempre bem-vindo aqui! Fico feliz por saber que deu tudo certo pra voces! E o objetivo deste blog eh exatamente mostrar que podemos caminhar com nossas vidas, mesmo quando quem amamos esta parado... Nao eh facil, mas eh possivel. Abraços. E obrigada pelo seu ponto de vista.

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  6. Poly, poderia passar seu email para nos que estamos passando por isso, entrarmos em contato?

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    1. Olá! Meu email é polyp.escritos@gmail.com , se quiser me add no facebook (polyanna amando um dq), também participo de um grupo online, com vários familiares de adictos, e posso te adicionar...
      Abraços!

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    2. Obrigada Poly, te enviei um email.

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  7. A sim Welington agora entendi..pra mim tava parecendo que vc estava se sentindo prejudicado pela forma com que a polly fala sobre a doença ou o vicio...rs...Bom saber que agora vcs estão bem...felicidades a vcs

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    1. Prejudicado eu??? de forma alguma, apenas queria apresentar minha forma diferente de enxerga este problema.
      Eu prometi que não comentaria mais sobre este assunto, mas sua chatice me obriga a me defender...puts tu é chatinha heim........e não me xinga....

      Com carinho Wellington ( Obs. com dois LL, e não um, sou único e original).

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    2. sei q não da pra generalizar..mais adictos são sempre adictos..kkkk CONFUSOS, ENTENDEM TUDO ERRADO...AONDE TE ACUSEI PRA QUE PRECISE SE DEFENDER? ixiii...igualzinho tem que desenhar pra ver se entende , sem tirar e nem por weLLington ;)

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  8. Oi poly, incrível como em que em momentos triste vç tenha uma história tão linda assim. Super mulher vç. Encontrei seu blog a pouco tempo. Foi quando meu noivo recaiu no segundo dia de ressocialização, desconfio que tenha sido no primeiro dia depois de 6 meses de internação. Foi um choque. Vç sabe muito bem como foi. Eu nunca tinha visto ele assim antes. até pq quando ele foi internado nem sabia que ele era dependente químico choque triplo. Encarei a internação dele como um bicho de 7 cabeças desespero total até a ficha cair. Uma hora tem que cair. Não é mesmo? Decidi passar por isso junto com ele. E tudo isso sem minha família saber, o pior de tudo pra mim foi inventar uma história pra eles sobre o sumiço do tão apaixonado namorado, mas enfim fui em todas as visitas estive com ele firme e forte. Pq acreditei que ele era capaz, e contínuo acreditando que ele é! Mas na verdade eu não sabia nada sobre adicto, e muito menos sobre a doença da adiquiçao. E ainda continuo sem saber. O interesse veio depois da terrível recaída do meu amor. O amo muito. e não quero deixar ele, mas tenho medo de nao aguentar as recaídas o que faço??? Como ser e fazer diferente???????To Perdidinha. Só sei que não quero ver a cenas que vi nunca mais, mas tenho muito medo que se repita outras várias vezes. Me identifico com muitos desabafos aqui contados. Um beijo

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  9. preciso muito de conversar com alguem, sinto que estou me auto-destruindo por conta da adicção do meu marido, ja o conheci usuario,casamos e depois de 5 anos ele parou de usar, permaneceu limpo por 10 anos , e agora recaiu ja tem um ano, estou sem chão, foram 3 recaidas podemos dizer em maior quantidade, e agora usa todos os dias em quantidade homeopatica, ele acha que não atrapalha em nada porque trabalha, nao passa a noite fora, nao aparece na noia, mas eu não aceito e nunca aceitarei, e ai brigamos muito eu fico muito deprimida e mal, em uma dos ultimos dias disse-me que estava com saco cheio disso , mas não aceita que precisa de ajuda,estou muito perdida nao sei o que fazer como agir, o que sei eh que me sinto trocada depois de 20 anos dedicando a minha vida a ele , amo muito ele ,ja ate pensei em separaçao mas não consigo, so consigo estar em paz quando vou a igreja, oro muito por ele mas o modo como ele vem agindo me irrita e eu não consigo ficar quieta ai vem as brigas! por favo eu peço alguem me ensine como me desligar dele com amor tenho um casal de filhos adolescentes que sofrem ao me ver triste. e eles não merecem isso,me ajudem se puder!

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  10. preciso muito de conversar com alguem, sinto que estou me auto-destruindo por conta da adicção do meu marido, ja o conheci usuario,casamos e depois de 5 anos ele parou de usar, permaneceu limpo por 10 anos , e agora recaiu ja tem um ano, estou sem chão, foram 3 recaidas podemos dizer em maior quantidade, e agora usa todos os dias em quantidade homeopatica, ele acha que não atrapalha em nada porque trabalha, nao passa a noite fora, nao aparece na noia, mas eu não aceito e nunca aceitarei, e ai brigamos muito eu fico muito deprimida e mal, em uma dos ultimos dias disse-me que estava com saco cheio disso , mas não aceita que precisa de ajuda,estou muito perdida nao sei o que fazer como agir, o que sei eh que me sinto trocada depois de 20 anos dedicando a minha vida a ele , amo muito ele ,ja ate pensei em separaçao mas não consigo, so consigo estar em paz quando vou a igreja, oro muito por ele mas o modo como ele vem agindo me irrita e eu não consigo ficar quieta ai vem as brigas! por favo eu peço alguem me ensine como me desligar dele com amor tenho um casal de filhos adolescentes que sofrem ao me ver triste. e eles não merecem isso,me ajudem se puder!

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