sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O peso da culpa!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, as coisas estão entrando nos eixos. Tive uma semana difícil em razão de uma virose que o meu bebê pegou, mas já está passando, graças a Deus.

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre uma vilã perigosa: a culpa.

Ontem fiz um comentário em outro blog, em tom de brincadeira, dizendo que sou filha de adicto, mas que mesmo assim agradeço muito o fato de ter nascido. Então, duas leitoras responderam ao comentário, fazendo perguntas sobre o meu pai, ou afirmativas.

Diante disso, fiquei pensativa, me lembrando dele e de sua história.

Meu pai conheceu as drogas aos 17 anos, por curiosidade, “coisa de adolescente”. Começou com a maconha (como a grande maioria), mas ele nunca mais conseguiu parar. Seu grau de dependência era enorme, e à época, as internações eram feitas em sanatórios psiquiátricos. Muito triste.

Por fim, ele já havia usado de tudo, misturado à bebida, e acabou ficando de vez fora da realidade, falava coisas sem sentido, e até mesmo meus remédios de asma ou cólica, ou frascos de perfume precisavam ser escondidos para que ele não os usasse.  

Ele era um homem doce. Manso. Carinhoso... Mas, infelizmente não me lembro dele sem o efeito do uso de drogas.

Minha família nunca o abandonou. Entretanto, todos estavam adoecidos demais. Principalmente os meus avós, que conviviam com ele diariamente. Meus avós eram codependentes, mas nem sabíamos o que isso significava. Eles se sentiam extremamente culpados pela doença do meu pai.

Quando o meu pai faleceu, de overdose, aos 51 anos, meus avós já eram velhinhos, e foi tudo muito doloroso. Minha avó não conseguia enxergar a realidade, e se perguntava por que tinha ido o seu filho, e não ela.

Após a partida do meu pai, eles se tornaram cabisbaixos, introspectivos, e adoeceram, vindo a falecer poucos anos depois.

Quando estava doente, minha avó, em seus delírios, perguntava por que meu pai não estava indo visitá-la, pois ela sentia saudades.

Eles se sentiam culpados.

Doze anos depois, me casei com um adicto. E só então passei a ter consciência do que é a dependência química realmente. E pude sentir na pele essa culpa que meus avós sentiam.

Essa culpa é uma característica da doença da família: a codependência.

Quantos de nós somos levados pela culpa?

“O que eu fiz de errado para que ele recaísse?” “O que eu deixei de fazer para que ele ficasse bem?” “Por que não consigo fazê-lo parar com as drogas?”

Quantos de nós já tivemos esses tipos de pensamentos?

Queridos, a dependência química é uma doença. Se é uma doença, não existem culpados. Ponto!

Por outro lado, cabe ao dependente químico adotar medidas e atitudes para sair disso, e ter uma vida normal. Mas, a responsabilidade é dele!

Qual é o nosso papel? Apoiá-los na decisão de deixar as drogas. Compreendê-los. Impor limites. E, sobretudo, viver nossa própria vida, nos amar, e mostrar na prática como é possível viver feliz sem drogas.

Quando eu me sentia culpada pelas recaídas do meu esposo, era aberta uma brecha para que a doença dele me manipulasse. Eu fazia verdadeiras insanidades, e hoje sei que não era para ajudar ao meu esposo, mas sim para me livrar dessa culpa que eu sentia. Era difícil dizer-lhe não. Não conseguia focar em mim. Não conseguia seguir adiante com a minha vida. Não conseguia ser assertiva.

É, eu também não me permitia ser feliz, por me sentir culpada pelo uso de drogas do meu esposo.

Nos grupos de apoio e nas terapias, fui me livrando desse peso.

Eu repetia para mim mesma, diariamente: "não sou culpada, não tenho o controle, e não posso curar". São os três Cs que aprendi no Nar-anon, e que demoraram um pouco até fazerem parte da minha realidade.

A responsabilidade sobre a vida do outro, a culpa pelas decisões do outro são fardos pesados demais para levarmos nas costas. Livre-se desse peso.

O seu familiar dependente químico não deve ser levado em suas costas, mas apenas no seu coração.

E foi esse lugar que reservei ao meu esposo: o meu coração. Mas, a responsabilidade pela vida dele, e por suas escolhas cabe a ele. Isso eu não levo mais.

“A culpa embaça a nossa visão e nos impede de ter uma real percepção da realidade, e assim, é impossível ajudar quem quer que seja.” (livro Amando um Dependente Químico)

Grande beijo!

4 comentários:

  1. esses 3 C, fazem milagres...NÃO CAUSEI, NÃO SOU CULPADO E NÃO POSSO CURAR...bjus

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  2. Oi, meninas, senti falta de vocês,

    Então, mesmo tendo certeza dos 3C, ainda assim, é muıto difícil não fazer essas perguntas, porém, hoje já tenho as respostas,que é só uma: dependência química é uma doença sem culpados, ponto!
    Hoje sou mais feliz reconhecendo esta doença na pessoa que amo!

    Agora posso colaborar com seu tratamento, mas não posso inventar a cura.

    Preciso cuidar de mim, essa tarefa ainda não estou fazendo bem, não consegui ir ao grupo, preciso quebrar essa grande muralha que me impus, quero cuidar de mim!
    Obrigada meninas!

    Fiz o meu primeiro comentário no post da sexta-feira 13 como anônima, não para me esconde, porque não sabia mesmo rsrsrs Beijos! Bom final de semana!

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  3. EU ME SENTI ASSIMM ESSA SEMANA MAS VOU TOMAR POSSE DOS TRES CCC.......OTIMA POSTAGEM HJ

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  4. Chorando...lindo texto! Me identifiquei de mais, muito obrigada por nos ajudar em muitos momentos com seu lindo blog. Deus te abençoe!!!

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