quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Escolhas e renúncias!



O despertador toca.

Podemos escolher dormir mais cinco minutinhos, e chegar atrasados, ou levantar na hora, apesar do sono.

Vamos tomar o café da manhã.

Podemos escolher o mamão com granola, ou dois pães com ovos e bacon, com as consequências para a nossa saúde e peso.

Quando pequenos, a mamãe nos coloca para escolher o brinquedo que queremos ganhar no Natal: a boneca X ou a boneca Y.

E vamos crescendo, e as escolhas vão aumentando.

Escolhemos a roupa a vestir, o estilo, o curso da faculdade, a cor do cabelo, a profissão, os amigos, o namorado...

Vamos a um restaurante e lá está o cardápio, cheio de opções.

Escolhas. Escolhas.

Sempre tive uma grande dificuldade em escolher. Indecisa. Confusa. Medrosa.

Se olharmos bem, escolher tem o seu lado bom, afinal, é o indício de liberdade. Somos livres para optar por um ou por outro. Ou seja, não há imposição.

Mas, pelo lado ruim, a escolha acaba gerando ansiedade, porque existe uma renúncia por trás de cada escolha. Não dá pra se ter tudo na vida. Então vem o medo de escolher errado.

O dependente químico pode escolher o prazer momentâneo proporcionado pela droga, e arcar com as drásticas consequências.

Ou ele pode escolher o caminho da recuperação, renunciando o prazer da droga, mas vivendo a vida normalmente com seus sabores e dissabores.

E nós, familiares?

Vejo muitos relatos de familiares que se sentem como vítimas da vida, como se não lhes fosse permitido fazer escolhas. Mas, ainda que você não faça escolhas para a sua vida, isso já é uma escolha: a escolha de não escolher.

Podemos escolher deixar de viver, abandonar nossas vidas, e passarmos a ser apenas “sombras” do adicto. Podemos escolher nos entregar à codependência, não buscar ajuda, viver na tentativa de controlar o uso de drogas do nosso familiar. Podemos escolher abrir mão do amor próprio, e viver como mártires. Sim, podemos escolher viver assim, é um estilo de vida.

Mas, eu, particularmente, não era feliz vivendo assim.

Então fiz novas escolhas para mim. Veja bem, só podemos fazer escolhas para nós mesmos, e não para o outro. Ok?

Escolhi a felicidade e a paz de espírito. Escolhi frequentar grupos de apoio, e ler muitos livros que falavam sobre a minha doença: a codependência. Escolhi voltar a viver. Mas, engana-se quem pensa que essa escolha foi fácil, afinal, tive que fazer renúncias.

Renunciei a autopiedade. Renunciei a vontade de viver a vida do outro, de sarar o outro, enquanto escondia meus próprios defeitos embaixo do tapete. Renunciei o desejo de não fazer nada, de me entregar à dor, de desistir de mim mesma. Renunciei o título de coitadinha, que por vezes era tão confortável. Enfim, foram muitas as renúncias. Mas, não me arrependo das escolhas que fiz.

Escolho viver um dia de cada vez, escolho o só por hoje, escolho olhar para mim mesma...

Lembre-se: não existem escolhas sem renúncias. Mas, sempre existem escolhas, e claro, também existem as consequências que acompanham cada escolha.

E você, que escolhas fará para a sua vida hoje?





Alguns leitores me enviaram mensagens, preocupados por minha ausência... Está tudo bem, queridos! Meu esposo segue limpo há 5 meses e 9 dias, graças a Deus, e essa tem sido a escolha dele. E a minha escolha tem sido a de viver uma vida normal, independente dele...

Aconteceram tantas coisas nesses dias... Ontem, por exemplo, minha filha mais velha fez 14 anos. Fizemos uma festinha surpresa na aula de Ginástica Rítmica, e ela ficou radiante de felicidade... Tenho estudado muito, trabalhado muito, cuidado dos meus filhos... Além de estar cuidando mais da minha saúde. Iniciei uma reeducação alimentar no dia 11 de agosto, e o resultado tem sido muito positivo, não só no meu corpo, mas também na minha disposição.

É isso... Vida normal, só por hoje.

Grande beijo!
Poly.

P.S.: Vocês gostaram da "nova cara" do Blog???


9 comentários:

  1. Gostei muito, mas não nos abandone!

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    1. Abandonar??? Nunca, nunca... Preciso de vocês. Grande beijo! ♥

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  2. Só por hoje eu escolho viver a minha vida e não mais ser apenas a sombra de quem eu amo!
    Amei o post e a cara nova do blog também! :)

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  3. Oi poly achei seu blog e amei saber que nao sou a unica a sofrer as consequências de ser uma codependente . seus posts tem me ajudado muito ... bjss e obrigado !!!

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  4. oi amei ta lindo gostaria de comprar os livros poly bjs

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  5. Estava sentindo falta do blog.
    Post perfeito para o momento!
    Eu também tenho muita dificuldade em escolher. E muitas vezes deixo a decisão na mão de terceiros o que me torna sempre insatisfeita.
    Realmente traz muita ansiedade. O medo.
    Mas omitir-se também é uma escolha.
    Mas desde que conheci o blog e através dos ensinamentos pude detectar a codependência tenho aprendido que esta é uma característica do problema já que se vive pro outro. Com esta consciência já tenho tido melhoras.

    Grande Abraço!

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  6. Muito bom....pena que ainda nao fiz uma escolha de viver a minha vida e sim a escolha de ficar parada sem coragem sendo a sombra mesmo do outro!!!

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  7. Como sempre,parece que você sempre tem as respostas certas...
    Ando muito perdida na minha vida.. Tenho um namorado que me deixa na duvida quanto a se ele realmente esta ou não se ajudando, e acabo por deixar minhas coisas de la, estou perdida, querendo retomar minha vida, mas não sei por onde nem como começar....
    Mas tuas palavras me ajudam a pensar na minha vida, obrigado mais uma vez.... Bj Bruh

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  8. Olá, meu nome é Rose tenho um filho dependente químico por 16 anos ele iniciou o uso quado tinha 13 anos, hoje com 29 me encontro cansada, queria me da um tempo tipo falar com ele que quero me afastar,não saber o que faz da sua vida,tranquilizar meus momentos de lazer,pois quando ele esta por perto meu coração fica aflito, por sempre acabar em agressividade ele traz uma energia pesada, é agressivo o tempo todo,sujo, invasivo,pesado mesmo. Essa é a minha triste realidade. Meu coração fica apertado, queria fazer mais tenho duvidas e desculpas para não tomar essa atitude, digo a mim mesma consegui segurar ate hoje ele não rouba ninguém,nunca foi preso,ele faz isso ou aquilo, ele é bom, essas desculpas que nos codependentes utilizamos,mas estou casada,o que faço? alguém me da uma luz?

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