quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dependente químico é gente como a gente!



               "É natural esse comportamento que os familiares têm. Sou um dependente químico, e sempre escutei que o dependente não tem família, mas sim reféns. PQP, que forte! Mas é a mais pura verdade. Eu, no uso, estou anestesiado dos meus sentimentos, e minha família é quem assiste tudo de perto. Que covardia a minha querer pular da ponte, e amarrar as pessoas que mais gosto junto comigo. O controle que a família procura ter sobre a vida do dependente é um sintoma da codependência. Se eu estivesse dirigindo um carro, e algum leitor desse blog estivesse ao lado, e eu desmaiasse, qual seria a sua reação? Pegariam no volante, e tentariam assumir a direção. A vida do dependente químico é um carro desgovernado, um motorista que não sabe dirigir e que necessita urgente de uma autoescola da vida, para aprender a viver em recuperação, aprender a aceitar as situações, e não usá-las como desculpas para o uso de drogas.
                Vou relatar uma história: trabalho há alguns anos como coordenador terapêutico de uma clinica. Estava de folga em casa, acordei cedo como de costume, e chamei minha esposa. Falei: "amor, levanta que iremos até Curitiba, pois quero que conheça ao meu pai, que há dez anos não vejo". E ela me disse: “amor, sua mãe pediu para eu não te contar..." Quando ela disse isso, minha respiração mudou, e a temperatura do meu corpo subiu, me deu arrepios, e eu já sabia: “não dá mais tempo, infelizmente, não posso fazer mais nada!” E ela continuou: “...seu pai se matou em razão do vício. Ele se sentia muito abandonado, os filhos sumiram, não o procuraram mais... Ele se matou há 4 anos, e sua mãe não queria que você soubesse, por medo de que você recaísse.”
                Agora eu pergunto, o que doeu mais escutar? Que me esconderam a morte dele, ou que ele morreu? Nem ao enterro fui, para vê-lo pela ultima vez. Mas, como diz na oração da serenidade: “aceitar as coisas que não posso modificar...”


Recebi esse relato hoje, via comentário no blog. Ao ler essas palavras, senti a dor desse homem. A dor de ser considerado inferior. De ser considerado inapto a saber da morte do próprio pai... Tenho certeza que as intenções da mãe e da esposa dele eram as melhores, mas elas, inconscientemente, tiraram dele o direito de saber sobre a partida do próprio pai.

Na verdade, na tentativa de salvar aos nossos familiares, tomamos decisões que não nos dizem respeito. Assumimos papéis que não são nossos.

Frequentemente, vejo relatos de esposas que viraram mães, filhos que viraram pais, e por aí vai...

Queridas(os), nossos dependentes químicos não são incapazes. Eles têm uma doença sim, mas o recair ou não, é uma decisão deles, sempre deles. Muitas vezes, na tentativa de ajudar, fazemos barbaridades.

Eles precisam assumir os papéis que lhes cabem como maridos, como filhos, como pais, como gente. Mas, se nós assumirmos essas responsabilidades, como eles perceberão essa necessidade?

Marido, por exemplo, tem que ser responsável, tem que ser presente, tem que ajudar com os filhos. Os filhos precisam respeitar aos pais. Namorados precisam ser fiéis. E o uso de drogas deles não deve servir como aval para que eles deixem de cumprir com suas obrigações.

E, por outro lado, não podemos tirar deles os seus direitos como seres humanos, sob nenhuma justificativa que seja.

Esse é apenas o meu ponto de vista sobre o assunto.

Beijos.

10 comentários:

  1. É exatamente isso, perfeito...tem que deixar eles aprenderem a ser gente..pq afinal eles são gente..e só irão aprender se errar...assim como nós..e para isso temos q parar de fazer o papel q cabe a eles fazer e é por isso que embora separada do meu marido...em casas diferentes...ainda convivemos como casal..porém só volto a morar com ele quando no minimo ele tiver condições de se sustentar sozinho...pra fazer o papel de marido e companheiro e não de filho..bjus

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  2. Concordo inteiramente, mas é mais fácil acabar com o relacionamento do que confiar e conseguir fazer com que eles assumam as próprias responsabilidades.

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  3. Estou na mesma situaçao que vc meu marido esta enternado e ja esta chegando sua alta qnd ele sair iremos ficar separados ate ele se estabilisar so de pensar minha barriga ja doi to muito insegura...

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  4. A partilha deste companheiro fez com que eu lembrasse de minha situação, pois também não tive a oportunidade de estar presente no enterro de meu Pai....nem no enterro de minha Avó, que eu considerava como minha Mãe... Minha situação não permitia que eu fizesse-me presente, pois meu passado me deixou assustado quanto de minha ida ao enterro. Tudo culpa de uma adicção ativa altamente insana.
    Até hoje carrego um sentimento de "culpa".

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  5. Oi Poly! Quanto tempo não passo aqui... sei lá... estava meio descrente de tudo... meu marido teve sua última recaída em Junho e agora novamente diz que consegue sozinho... enfim, estou eu aqui mais uma vez lendo todos os relatos para ter a certeza que este sofrimento não é só meu!
    Poly, quero adquirir os dois livros, ainda não tenho e não estou conseguindo pelo site. Por favor, como faço?
    Muito obrigada,
    LikaFF.

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  6. Que o SENHOR JESUS nos dê forças para suportar as lutas que as vezes parecem infinitas. bjs boa noite

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  7. Belas palavras Polly... e realmente p tentar tirar nossos Dqs da ativa fazemos coisas insanas, antes imaginaveis.
    Amo meu Dq, ele esta na ativa, recentemente casamos e tudo oque conseguia me desligar enquanto noiva e namorada hoje nao consigo... brigo, discuto, magoo... me machuco, me sinto so e sem rumo entre coisas piores q a raiva nos faz fazer...
    Ontem tive mais uma promessa de parar... sinceramente duvido, esta parando por mim nao por ele, enquanto nao for de verdade por vontade dele e muito dificil... mas, oracao da serenidade... oque nao posso mudar coloco nas maos de Deus.
    bjss

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  8. Bom diaaaa.... Poxa, hoje é a primeira vez que leio o seu blog Poly.. Encontrei por acaso... e me senti emocionada com tudo que li até agora, meus olhos lacrimejaram, mas estou aqui no meu trabalho, e ninguém sabe o que passo por aqui, por isso, segurei o choro. Sou casada com um dependente químico há 8 anos, e estamos juntos há 14 anos. Recentemente ele passou pela 1ª vez por uma internação, e voltou pra casa há +- 2 meses. Está limpo nesse período, mas essa semana tive uns pesadelos, e hj to me sentindo meio estranha.. acho que na verdade estou com um pouco de medo de voltar a viver todo o pesadelo de novo. Parece uma sombra que não se dissipa sabe... Conversei com o Pai - Deus, e estou me sentindo melhor. Falei pra ele dos meus sonhos... Quero ser leve nesses dias de recuperação, só isso.....

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  9. Descobri, na pele, que não é verdade isso não. DQ não é gente como a gente, nem gente é.
    Cuidei, dei amor, dei carinho, conselho, apoio ao um DQ que tinha acesso a todo e qualquer tipo de tratamento, mas preferia viver a vida em torno da droga.
    Roubou o meu carro, levou uma periguete quenga baixa a num hotel caríssimo (que eu nunca fui levada), trouxe o meu carro cheio de cocaína dentro. Passou a semana conversando pelo face e tel com a PUTA, me insultando, ofendendo e acertando com a PUTA de me pôr pra fora e ela ocupar o lugar NO MEU LAR. E fez isso num domingo a noite as 22h. Maria da Penha nele.... processo nele... o advogado calcula uma indenizatória de no mínimo 1 milhão com pensão igual ao valor que ele usava mensalmente para droga: 10mil. Só então a família hight society o interna a força, só depois!!!! Depois é tarde demais...
    Eu tinha outra opinião, mas agora a minha é a seguinte: descobriu marido ou namorado usando drogas: PÉ NA BUNDA + DELEGACIA + PROCESSO. Esses viciados que se escondem atrás de doença para acobertar sua sem vergonhice tem mais é que se fuder pagando indenização. Quantos viciados são sem vergonhas?? TODOS ELES!!!!
    M.

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  10. Isso, vamos deixar os dependentes químicos fazerem do jeito deles...é uma excelente ideia! Mas, quando as coisas desandarem, por favor, não venham fazer com que os familiares deixem suas vidas de lado e saiam a correr atrás de soluções para as confusões em que sempre terminam se metendo. É realmente uma contradição, porque os bonitinhos sempre querem liberdade para fazer suas "cagadas", mas na hora de limpar a merd...., acaba sempre sobrando para o pai, a mãe, um irmão ou cônjuge. Tentem ajudar uma ou duas vezes no máximo, se não funcionar, mandem embora e vão viver suas vidas!!

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