terça-feira, 16 de julho de 2013

Os Doze Passos na Minha Vida!



Bom dia, queridos!

Estou de férias nesses dez dias! Férias do trabalho fora de casa, né? Porque em casa, a correria é ainda maior, principalmente com meu filhinho caçula dodói.

Meu esposo segue limpo, graças a Deus! Alguns dias, ele é um doce, outros dias, azedinho... Uns dias está super comunicativo, e em outros se isola... Enfim, se todos nós temos os nossos altos e baixos, imagina um adicto. O importante é que tenho tentado levar a minha vida e minhas emoções de forma mais desligada da vida e emoções dele... E isso tem feito muito bem a mim, e ao nosso casamento também! 

Hoje faz exatamente sete anos desde o dia em que entramos na vida um do outro! Posso dizer que ele me fez uma pessoa melhor... Te amo, amorzão!

Mas, na verdade, o que quero falar hoje é sobre os Doze Passos. Você já ouviu falar sobre eles?

O programa de Doze Passos foi criado por William Griffith (Bill W.) e por Dr. Bob Smith, em Akron, Ohio, nos Estados Unidos, em 1935.




Eu, particularmente, não tenho dúvidas de que foi uma inspiração divina, pois esses Passos têm salvado e mudado muitas vidas, inclusive a minha.

Hoje, os Doze Passos são conhecidos mundialmente em grupos de apoio, e servem como ferramentas para pessoas que desejam vencer suas compulsões, sejam elas as drogas, o álcool, a codependência, o sexo, a comida, os jogos, ou outros.

A minha intenção, neste Post, é mostrar a vocês os Doze Passos que conheci no Nar-Anon, e minha impressão sobre eles. Quero deixar claro que essa é a MINHA vivência dos Passos, entretanto eles são altamente pessoais. Não há forma correta ou incorreta de enxergar os Passos, há apenas a forma de cada um.

Ressalto, ainda, que eles não são vinculados a nenhuma religião, e podem (deveriam) ser praticados por todos os seres humanos.

Antes de começar a falar sobre os Doze Passos, primeiramente acho interessante falar sobre o que é a minha compulsão: a codependência, ou seja, a dependência de pessoas, mais especificamente do meu esposo adicto.

“Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, e atualmente estendido também aos casos de alcoolismo, de jogo patológico e outros problemas sérios da personalidade.

Codependentes são esses familiares, normalmente cônjuge ou companheira(o), que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão diante do dependente e de seus problemas. São pessoas que têm baixa auto-estima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.

O que parece ficar claro é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de alcoolistas, dependentes químicos, jogadores compulsivos, alguns sociopatas, sexuais compulsivos, etc.” (fonte: www.psicweb.med.br)




Se você se identifica com termos como: viver em função do outro, intenso sentimento de culpa, viver tentando ajudar outra pessoa, esquecer de si mesmo, se auto-anular, fazer desse cuidado obsessivo do outro a razão da sua vida, tentar controlar o outro, perder o controle de si mesmo; indica que você, provavelmente, também está adoecido, ou seja, é um codependente.

Na minha experiência, a melhor forma de olhar para mim mesma, buscando a chave que me livra dessa prisão (codependência), é trabalhando os Doze Passos.

Vamos lá?


“Admitimos que éramos impotentes perante o adicto – que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.”
(Primeiro Passo)


Nesse Primeiro Passo percebi que eu era impotente perante a doença do meu esposo. Por um lado, doeu muito ver essa minha impotência, ou seja, saber que eu nada poderia fazer para livrá-lo das drogas. Mas, por outro lado, me senti leve, ao constatar que eu não era a culpada pela doença dele, e nem mesmo responsável por sua recuperação. Entender que eu não tinha nada a ver com as recaídas dele, e me livrar do peso de tentar ser alguém que eu não era, em prol de outra pessoa, foi maravilhoso! E, assim, pouco a pouco, dia a dia, a minha vida, que estava totalmente desgovernada e descontrolada, foi voltando para os trilhos. É incrível, ainda hoje, todas as vezes que tento controlar os outros, perco o controle sobre mim. Ainda bem que agora já aprendi esse segredo!


“Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver a sanidade.”
(Segundo Passo)


Fui criada em um lar cristão, e sempre tive muita fé. Então, desde o primeiro contato com os Doze Passos, eu sabia que Deus poderia me devolver a sanidade. Sim, digo a sanidade, porque, por vezes, eu agia mais loucamente do que o meu esposo. Eu não precisava de drogas para gritar, me descabelar, jogar objetos, passar noites em claro, esquecer de mim, não cumprir com minhas responsabilidades, insultar, me jogar na frente de um carro, ir a delegacias e IMLs, dormir de roupas e sapatos, ligar 100 vezes para ouvir uma mensagem de celular desligado... Ou seja, eu não precisava de drogas para agir insanamente, porque meu esposo era a minha droga, e isso tudo era doloroso demais. Mas, eu sabia (e sei) que Deus pode mudar a minha forma de vida, e conceder a mim uma vida de equilíbrio e sanidade. E ele tem me concedido!


“Tomamos a decisão de entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, como nós O concebíamos”.
(Terceiro Passo)


Para mim, o Terceiro Passo foi uma conseqüência do primeiro e do segundo. No primeiro, percebi que eu não posso. No segundo, percebi que Deus pode. E no terceiro, tomei a decisão de entregar a minha vontade e minha vida, bem como o meu esposo e sua doença, aos cuidados de Deus, o Único que pode!


“Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.
(Quarto Passo)


Esse foi o Passo mais difícil para mim. Na verdade, meus livros e o blog, possuem algumas postagens/capítulos que são a realização desse passo. Você já parou para descrever sua vida, os fatos mais marcantes, seus sentimentos diante desses fatos? Já parou para refletir em suas ações? Quando fiz isso, doeu muito. Algumas coisas que fiz, estão feitas, e não posso voltar atrás (quem leu o meu primeiro livro, sabe do que estou falando). Mas, foi nesse Passo que identifiquei os meus ressentimentos e os meus sentimentos diante de cada acontecimento. Pude encarar, muitas vezes, a culpa, a vergonha e o medo em minhas ações, bem como meus traumas. Mas, também vi muitas qualidades em mim, muitos acertos e crescimento!

“Admitimos para Deus, para nós mesmos e para um outro ser humano, a natureza exata de nossos defeitos”.
(Quinto Passo)


Nesse Passo, descobri: “sim, eu tenho defeitos!”. Sou um ser humano, e como tal, tenho falhas. E não há nada de anormal nisso. E mais, tentei ver em minhas falhas, a sua natureza exata. Agora o que eu havia relatado no Quarto Passo, deveria ser confessado a Deus, a mim mesma, e para outra pessoa. Isso me trouxe alívio... Muito alívio!


“Ficamos inteiramente prontos para que Deus removesse todos esses defeitos de caráter”.
(Sexto Passo)


Quando nos consideramos perfeitos, fica difícil Deus agir. Mas, após fazer o Quarto e o Quinto Passo, meus defeitos ficaram expostos, e agora eu estava pronta para pedir que Deus me fizesse uma pessoa melhor, e removesse esses meus defeitos. E o interessante foi que, nesse Passo, passei a me aceitar e a gostar de mim, como sou.


“Humildemente, pedimos a Ele para remover nossas imperfeições”.
(Sétimo Passo)


Para mim, a grande diferença entre o Sexto e o Sétimo Passo está na HUMILDADE. Era preciso cada um dos Passos anteriores para trabalhar em mim a humildade, e somente com ela, posso realmente sentir o quanto Deus transformou (e transforma) a minha vida, quando permito e peço. Isso não acontece de uma hora para a outra. Leva tempo. Tenho muitas imperfeições, e as aceito, mas hoje aprendi a pedir que Deus as remova de mim.


“Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a fazer reparações a todas elas”.
(Oitavo Passo)


Difícil, né? Parar e refletir em quais pessoas prejudicamos... E sem desculpas do tipo: “fiz isso, porque ela me fez aquilo”. Não. Nesse Passo, interessa apenas o que EU fiz. Relacionei todos a quem prejudiquei durante a minha vida, mesmo que involuntariamente.


“Fizemos reparações diretas a essas pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo viesse prejudicá-las ou a outras pessoas”.
(Nono Passo)


Esse Passo é a continuidade do anterior. Ainda não o concluí. Fiz a listinha de nomes, mas algumas pessoas ainda não tive como contatar. E outras não convinha contatar, para não prejudicar a outros. Entretanto, aquelas com quem já fiz as reparações, a experiência foi maravilhosa! Me senti tão bem! Tão leve! Sensação muito boa! Ainda estou guardando a reparação mais difícil de ser feita: com a minha mãe. Mas, tudo tem sua hora...


“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.
(Décimo Passo)


No início, o Blog representava bem o meu Décimo Passo. Ao final de cada dia, eu relatava os acontecimentos, e identificava meus erros, e os admitia. Como o blog cresceu muito, hoje prefiro fazer isso de forma mais individual. É muito interessante como, por vezes, passamos a viver no “piloto automático”. Parar e refletir sobre nossas ações é fundamental para o nosso crescimento. Esse Passo serve também como um medidor para identificar se estamos andando no caminho que nos propusemos a andar, sem desvios.


“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e a força para realizar essa vontade”.
(Décimo Primeiro Passo)


Faço minhas orações diariamente. Na verdade, as faço muitas vezes durante o dia. Não tenho um método formal de oração, mas converso com Deus, sentindo-O como um Pai, Alguém Próximo, que me ama, e em quem posso confiar sempre. É essa a origem da minha força, e dos meus bons sentimentos. Não apenas falo, mas também tento escutá-Lo para conhecer a Sua vontade para a minha vida.


“Tendo tido um despertar espiritual, por meio destes Passos, procuramos levar esta mensagem a outras pessoas e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.
(Décimo Segundo Passo)


Nesse Passo está a motivação que me levou a criar e a manter o blog, o livro e a página no Facebook: levar essa mensagem a outras pessoas. Se pararem para observar, tudo o que falo em meu blog, está de certa forma relacionado a esses Passos. O que um dia aprendi, tento passar adiante. Afinal, se mudou a minha vida, pode mudar a de outros também. Mais do que passar adiante, tento praticar o que aprendi, afinal, mais vale um exemplo do que mil palavras...



 Todos nós podemos escolher uma nova maneira de viver!





Um comentário:

  1. isso mesmo serve demais pra todo mundo...deveria ser materia de escola..kkkk ao invés de aula biblica ou de religião deveria ser aula de passos..kkk..o mais incrivel é como nossa vida anda de um passo a outro, há quem pense pronto fiz os passos..."to curado", mais não quando eu paro pra pensar em um unico dia de minha vida, reparo que a cada instante vivo um desses passos...uma coisa que tem me ajudado, é trabalhar o passo "formalmente" falando, ou seja em cima do guia de passos, estou trabalhando ele assim...bem detalhado e ai sim vale seguir a ordem passo a passo...ainda estou no primeiro...(né madrinha)..rs...bjaum e boas férias

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