sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eu sou alguém!



Boa tarde!

Eu estava elaborando o meu Currículo Lattes, e me deu um grande orgulho de mim mesma...

Isso mesmo, orgulho de mim!

Por muito tempo, pensei que era “errado” a gente se orgulhar dos nossos feitos.

Na verdade, eu me sentia sempre por baixo. Inferior. Feia. Desinteressante. Estabanada.

Eu não me amava. Era introspectiva. Tímida.

Eu pensava que precisava sufocar meus limites, meus defeitos, minha forma de pensar, minhas opiniões, para ser aceita e amada por minha família, ou pelos outros em geral.

Mas, estou tão feliz por olhar para mim, hoje, e me ver livre de tantas prisões!

Hoje sou quem sou. Se me ama, que bom. Se não me ama, paciência.

Mas, o mais importante é que eu estou me amando!

Hoje senti uma admiração tão grande por mim ao ver minhas conquistas...

Gente, quando minha mãe descobriu que estava grávida de mim, ela e meu pai estavam separados, em razão da dependência química dele (sempre na ativa). Uma enfermeira chegou a oferecer para a minha mãe a realização do aborto.

Ou seja, as pessoas não acreditavam que aquele bebê poderia “ser alguém”.

Minha mãe voltou a viver com o meu pai na casa dos meus avós, até o meu nascimento. E, quando eu estava com dois meses, ela veio para Brasília, comigo e com a minha irmã, três anos mais velha que eu.

Minha mãe conseguiu um emprego, ganhando salário mínimo, e não tínhamos quase nada, pois até nossas roupas meu pai havia trocado por drogas.

Mas, minha mãe nos deu o melhor: a fé em Deus, o amor pelos estudos, e a honestidade.

Sempre fui uma boa aluna, dedicada, por vezes era aluna destaque. Mas, infelizmente, mesmo assim eu não sentia orgulho de mim mesma.

Nunca reprovei na escola. Nunca fiquei para recuperação. Muitos diziam que eu era inteligente... Mas, eu não dava valor às minhas conquistas.

Aos 14, eu fazia faxinas na casa de uma tia, para ganhar um dinheirinho. Outras vezes levava pamonha para o trabalho da minha mãe para vender.

Aos 16, perdi meu pai em uma overdose, iniciei um estágio na Caixa Econômica Federal, e nesse mesmo ano concluí meu Ensino Médio. Fui oradora na formatura, e chorei ao falar sobre os pais ausentes.

Aos 18, consegui emprego em um Banco, como Escriturária, e dei início à faculdade.

Aos 19, minha mãe foi embora do país.

Aos 20, precisei trancar a faculdade por dificuldades financeiras.

Trabalhei, trabalhei e trabalhei muito.

Aos 22, passei em meu primeiro concurso público, e tomei posse.

Aos 24, decidi que iria concluir os meus estudos a qualquer custo. Eu estava separada do meu primeiro marido, tinha uma filha pequena... Mas, a minha vontade de conseguir era maior do que tudo.

Voltei para a faculdade. Por vezes, eu tinha apenas tomates e arroz para comer em casa, mas não desisti.

A cada semestre, eu negociava as mensalidades do semestre anterior para renovar a matrícula. Não era fácil. Mas, eu tinha um objetivo!

Aos 26, consegui o meu diploma de Bacharel em Ciências Contábeis!!! Fui oradora novamente! Mas, ainda assim, eu não sentia orgulho de mim mesma...

Exatamente nesse período conheci ao meu esposo.

Eu havia passado em 08 (oito) concursos públicos, em um ano!

Ainda aos 26, fui para os Estados Unidos, onde passei um pouco mais de dois anos. Limpei casas, cuidei de crianças, fiz panfletagem, fui garçonete, ou seja, muito trabalho!

Voltamos ao Brasil.

E, então, deu-se início a um dos períodos mais difícil da minha vida, que foi o fundo de poço do meu esposo em sua doença.

Nesse tempo, conheci um grupo de apoio para codependentes, e só então comecei a aprender a me amar, a me querer bem, e a enxergar e valorizar as minhas conquistas.

Estava aqui olhando os meus certificados, até chorei. Gente, de 2010 pra cá, além de ter concluído a minha Pós-Graduação em Comportamento Organizacional e Gestão de Pessoas, fiz cursos de Arquivologia, Gestão e Marketing Profissional, Empreendedorismo, Legislação de Gestão de Pessoas, Novo Acordo Ortográfico, Comunicação e Redação no Trabalho, Administração Pública, Excelência no Atendimento, Dependência Química, Gestão de Pessoas Avançada, Multiplicadores Sociais em Prevenção ao Uso de Drogas, além de ter participado de dois congressos CONSAD de Gestão Pública!

Marido na ativa, marido internado, gestação, filho pequeno, falta de dinheiro... Nada me desviou dos meus objetivos.

Em agosto, iniciarei o curso de Prevenção de Uso de Drogas, da UFSC, e também o curso de Orçamento Público.

Hoje, tenho um dos Blogs mais acessados sobre codependência no Brasil, e publiquei dois livros sobre o assunto.

Dou palestras em faculdades, em clínicas de recuperação, e até em órgãos públicos!

Tenho três artigos publicados na revista Anônimos.

Dei entrevistas a jornais na TV, em sites e em jornais impressos, sobre essa dolorosa doença dos familiares de dependentes químicos.

Sou mãe de três filhos lindos, de 13, 04 e 01 ano.

Quando olho para a minha história, hoje, consigo sentir admiração por mim mesma. E agradeço muito a Deus pela força que Ele sempre me deu.

Hoje, ainda não cheguei onde almejo, mas já andei bastante!

Tenho uma dívida que equivale a 14 vezes o meu salário mensal. E sei que é consequência da junção perigosa de adicção com codependência. Mas, ao invés de me desesperar, eu prefiro lutar, continuar trabalhando e me aperfeiçoando!

Por outro lado, hoje sou servidora pública concursada, onde, além do cargo efetivo, ocupo um cargo de Gerente. Além de ter o reconhecimento dos meus trabalhos, dentro e fora da Secretaria da qual faço parte.

Eu não desisto!

Enviei, no mês passado, os livros Amando um Dependente Químico, para proposta de uma Editora Comercial. Agora é aguardar...

Ao ver tudo isso, me dei um abraço, e disse: parabéns, Poly!

Gostaria de mostrar esse Post para a enfermeira que não acreditava que eu pudesse “ser alguém”.

Não gosto de dar conselhos a ninguém. Mas, esse conselho eu deixo: esposas de dependentes químicos, sejam independentes financeira e emocionalmente dos seus maridos. A caminhada é longa, mas, um passo de cada vez, um dia de cada vez, a gente vai longe...

Ahh, e pra quem acha que esse Post é "orgulho", eu afirmo: é sim! Hoje sinto orgulho de mim mesma, e isso é lindo! Não sinto mais vergonha ou rejeição de ser quem sou, e de ter a história que tenho...



10 comentários:

  1. Muito mais que merecido, és uma guerreira, uma vencedora para honra e glória de Deus! Um grande abraço!!

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  2. Parabéns Poly. Você não deve ter mesmo vergonha de ti.
    Eis uma guerreira em todos os sentidos.
    Não desistisse em nenhum momento dos teus filhos , do teus esposo e das tuas conquistas .
    Estou ansiosa para ler teu livro que tenho certeza que deve ser tão bom quanto teu blog.
    Parabéns eis merecedora de todas as tuas vitórias.
    Que Deus continue iluminando tua vida, tua carreira e todas as pessoas que você ama.

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  3. Parabéns! Muitos parabéns, mas o principal: vc nunca desistiu de vc, não desistiu do amor e tenho certeza que é resultado de muita fé e de um PS bondoso, amoroso e cuidadoso! Também me orgulho de vc! Beijos

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  4. “Cada sonho que você deixa pra trás, é um pedaço do seu futuro que deixa de existir.” (Steve Jobs)
    Você não deixou os seus sonhos para trás por causa da dependência do sem marido, você não usou isso como desculpas para não conquistar seus objetivos, por isso que te admiro muito.
    Parabéns Polly por todas as suas conquistas, você é um lutadora, um grande exemplo para todas nós.
    Que Deus continue abençoando você e sua família.
    Um grande abraço

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  5. Ter orgulho de si mesmo é uma qualidade muito importante no mercado de trabalho. Ninguem promove o "espírito de pé de chinelo". Parabéns!! Você é um exemplo para todos, não só para as companheiras de dependentes.
    Um beijo!
    M.
    www.amandoumdependente.wordpress.com

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  6. Motivador amiga... tenha certeza que está ajudando muitas pessoas com suas experiências!!!

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  7. Realmente,Poly, vc é uma mulher admirável! Felicidades!!!!

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  8. Parabéns Poly.
    Lendo este post, lembrei de mim mesma.
    Já conquistei muitas coisas na vida. Venho de família pobre, mas sou graduada, servidora pública também. Mas, infelizmente, a dependência do meu marido e a minha codependência tb me fizeram entrar em problemas financeiros e uma grande dívida, que estou pagando aos poucos.
    Porém não nego que, diante deste problema, não estou sendo tão dedicada aos meus estudos e a mim mesma. Me sinto parada no tempo.
    Seu exemplo me faz pensar que posso mais, muito mais.
    Obrigada pelas palavras.
    Celeste.

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  9. Caramba hein. Estímulo pra mim.

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  10. Boa Noite Polly,

    Hoje te deixarei um comentário rs.

    O que eu tenho para te dizer é PARABÉNS, sei exatamente o que sente, e depois de tantas desventuras, é bom quando olhamos e vemos o que conquiastamos. E oque consigo enxergar em você é o beneficio da viagem interior, é o reconhecimento da essência verdadeira ( a imagem e semelhança de DEUS) que existe mesmo até no mais perverso ser humano. Aprendi muito com você.Você para mim, é uma MULHER, Uma PESSOA, que mesmo diante de tanta dificuldade não desistiu, não se entregou e seguiu aidiante. Você é uma Mulher que soube mergulhar no seu mundo interno e intenso, abrir sua caixinha de pandora, vencer o lado ruim e exaltar o que de melhor encontrou por lá, pois na caixa de pandora encontramos tudo, virtudes e o contrário delas.Eu contei um pouco de minhas desventuras a você.Mesmo que nossas vidas estejam bem diferentes, só posso dar meus parabéns a você.PARABÉNS! Você é corajosa, pois apesar de...você está sendo feliz.
    Aproveito e deixo o convite aos seus leitores, amigos, amigas, simpatizantes, Dependentes quimicos, boderlines,sejam todos bem-vindos ao meu bloguer http://desventurasdeumabipolar.blogspot.com.br/
    Peço apenas desculpas, pois quandoo comecei postava na correria e nem verificava as falhas de digitação, aos poucos tenho voltado aos textos e consertado.

    Obrigada Querida Polly por sua coragem e que a enfermeira possa também se orgulhar de qem ela é...

    Abraços minha mais nova amiga!

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