terça-feira, 23 de julho de 2013

Dá pra ser feliz!



Boa tarde, queridos!

Tudo bem com vocês?

Graças a Deus, estou bem!

Realmente aquela notícia triste me abalou, mas o importante é que aceitei meus sentimentos e limitações, joguei pra fora, e sobretudo entreguei para Deus o que não cabe a mim cuidar e controlar: o dia de amanhã e a recuperação do meu esposo.

Só por hoje, ele está limpo há 3 meses e 27 dias.

O meu “surto” de sentimentos da ultima postagem refletem bem o que acontece comigo quando resolvo sair do “só por hoje”, do “um dia de cada vez”, da “gratidão”, da “aceitação” e da “entrega a Deus”.

Esses aprendizados levarei por toda a minha vida, e isso diz respeito a mim em todas as áreas, e não somente em relação ao meu esposo.

Só por hoje, ele escolheu se manter limpo. E só por hoje, escolhi estar ao lado do homem que amo.

Há um tempo atrás eu pensava que era a única a fazer essa escolha. Me sentia uma E.T. no mundo. Mas, hoje sei que somos muito numerosas. E que não somos nem melhores, nem piores, nem heroínas, nem vilãs... Apenas mulheres como as demais!

Sempre reflito muito diante das palavras que recebo, seja em um comentário no blog, em um e-mail ou em uma mensagem por rede social.

Recebi um comentário na ultima postagem que mexeu comigo porque me fez ver que o mais importante que aprendi não foi a teoria sobre dependência química ou sobre codependência, mas sim o que aprendi com o coração e com a alma.

Meu maior aprendizado diante da adicção do meu esposo não foi sobre recaídas, manipulação, doença incurável, abstinência ou coisas assim. Meu maior aprendizado tem sido sobre compreensão, amor e respeito. Mas, não somente compreensão, amor e respeito ao meu esposo, mas primeiramente, e sobretudo, a mim mesma.

Meu maior aprendizado fala da minha responsabilidade sobre minhas escolhas. 

Dia desses assisti ao filme “As vezes o amor não é o bastante”, e em uma das cenas mais tristes,  Lois diz para o Bill, aos prantos, após mais uma recaída: “Você sequer tem a dignidade de morrer!”  Isso é muito doloroso! Desejar a morte de alguém a quem você ama, é o cúmulo da doença. Eu já estive nesse “fundo de poço”, e já ouvi algumas partilhas falando sobre esse desejo cruel.

Mas, por que quando a recaída do outro acontece, sentimos coisas assim: vontade que ele suma, vontade que ele morra, vontade de sumir ou vontade de morrer? Sentimos isso porque em todos esses acontecimentos, seremos vítimas, passivas, e não precisaremos agir, escolher ou decidir. Lembro-me que, nos momentos críticos, eu tinha uma enorme vontade de dormir por dias e dias até que tudo se resolvesse por si só.

Nós, codependentes, estamos tão acostumados a viver a vida do outro, que por vezes nos esquecemos que podemos (devemos) fazer escolhas para nós mesmos.

Hoje estou livre desse sentimento porque consegui entender que minha vida acontece em decorrência das MINHAS escolhas.

Queridas, não é fácil, mas é simples sim. Comece se perguntando o que você quer para você. Escolheu? Então agora “trabalhe” para ser feliz com sua escolha.

A pior coisa do mundo é quando começo a me sentir vítima de tudo. Pronto. Perco o controle sobre mim. Sinto-me deprimida. Vontade de sumir. E por aí vai.

Ei, acorda! Ninguém é vítima. Nem dependentes químicos, nem familiares.

Eles não escolheram ser doentes, mas são responsáveis por sua recuperação. E nós familiares, não escolhemos amar dependentes químicos, mas temos o direito de conviver com isso ou não.

Depois que passei a conviver com meu esposo por escolha e não por “necessidade”, o comportamento dele em relação a mim, e em relação a ele mesmo melhorou bastante.

Infelizmente, muitas de nós, ainda somos dependentes emocionalmente dos nossos esposos, e vivemos em função deles, e isso é muito prejudicial para ambos, e principalmente para os filhos.

Recebi um e-mail que me ajudou muito, da C.P.S, onde ela me relatou como seu esposo tem se mantido limpo há dois anos. E vi que realmente o caminho da recuperação é diferente para cada um (adicto), e a única chave que não muda de um para outro é o QUERER.

Da mesma forma, nós codependentes, temos muitos caminhos para trilhar rumo a nossa felicidade e recuperação, mas não dá pra abrir mão do AMOR PRÓPRIO.

Adicto que QUER DE VERDADE ficar limpo + codependente que aprendeu a SE AMAR podem sim ser felizes juntos!

Só que, cada um, só pode fazer seu próprio papel, caso contrário, é confusão e sofrimento na certa. 

Abraços!

2 comentários:

  1. Sim lógico que da pra ser feliz, desde que essa seja nossa escolha, desde que entendamos que essa felicidade ta dentro de nós e nunca virá..Polly...se seu esposo vai se manter limpo ou não...isso não deve ser o seu motivo pra ser feliz...cada um com suas escolhas como vc disse...lhe desejo a ti e a seu esposo boas escolhas, que vcs possam continuar escolhendo não importa o que ou como, mais em rumo a mesma direção....em rumo ao aperfeiçoamento..da alma ;) tmj

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  2. Muito boa essa postagem, minha amiga! Aliás, todo seu blog é maravilhoso.
    Confesso que me emocionei com as colocações, principalmente quando refere-se ao filme de Bill W.
    Já assisti e não me canso de assisti-lo. Fico sempre emocionado.
    Lembro-me das vezes em que também escutei algo parecido com aquela frase que vc cita na postagem. Muitas vezes me disseram: "Já devias ter morrido!"...."tomara que tu morra logo!".... "um diabo desse num morre!!".... "antes de tu me matar, eu te mato!"...
    Foram tantas as vezes em que escutei algo desse tipo que já me acostumava com isso. Os familiares de adictos são realmente uns heróis em conseguir conviver com eles até conseguir a recuperação. Passam por um inferno em vida! Digo isso referindo a minha familia.
    Enfim...
    O bom é que isso, pelo menos na minha vida, é passado. Hoje minha mãe ainda sofre com meus três outros irmãos. Tem também uma outra irmã que tá dando o maior trabalho. Mas quanto a mim, já não dou mais essa preocupação nem a ela e nem a minha companheira.
    E, como vc mesma disse, "Adicto que QUER DE VERDADE ficar limpo... pode sim ser feliz".
    Sei que nem todos conseguem se recuperar, mas sei também que TODOS os que realmente querem, conseguem.
    Abração, minha querida!
    Bons momentos e TAMUJUNTU.
    Ah! Vê se aparece, visse?
    rsrsrsrs

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