terça-feira, 30 de julho de 2013

Preguiça!!!



Boa tarde!

Tudo bem com vocês?

Hoje estou me sentindo meio pra baixo. Sei lá por quê. Detesto ficar assim...

Ontem, meu esposo estava de folga. Pela manhã, sacou R$ 50,00 e foi lavar o carro, enquanto eu estava no trabalho. Por volta das 10 horas, liguei pra tratar de uns assuntos nossos, e ele não atendeu. Liguei mais uma vez, e nada.

Eu tinha uma reunião nesse horário. Então, coloquei o celular no silencioso, peguei minha agenda e caneta, e fui.

É incrível como nessas horas ainda vem aqueles pensamentos: "será que ele recaiu?", “larga tudo e vai atrás dele”. Mas, aos poucos estou aprendendo a me controlar. Apesar do frio na espinha ser inevitável.

Na reunião, a cada dez palavras que eu ouvia do meu chefe, dava uma espiadinha no visor do celular. Antes das 10:30 horas, vi o nome “amor” chamando. Vontade de levantar correndo para atender, mas eu não podia...

Serenamente (ao menos por fora), esperei o fim da reunião, para retornar a chamada.

Estava tudo bem. Ele estava com o celular no bolso, no silencioso, e não viu. Antes de meio-dia ele estava aqui, com o carro limpíssimo, para almoçarmos juntos.

Foi muito agradável.

Mas, não sei por que essa noite dormi tão mal. Tive pesadelos horríveis do meu esposo recaindo. Uma agonia só! Não descansei nada!

Eu preferia sonhar com o Jack estripador do que com meu esposo recaindo... É muito ruim!

Ele me ligou no meio da manhã, está em seu trabalho. Está tudo bem.

Só por hoje, 4 meses e 4 dias.

Na verdade, acho que o que estou sentindo é cansaço mesmo.

Trabalho, blog, projetos, página no face, e-mails, marido, filhos pequenos, casa, trânsito, noite mal dormida... 

E ainda essa vontade louca de comer doces... Aff!

Bom, queridos, não tenho muito a falar hoje. Apenas que estou trabalhando em um projeto novo, lindíssimooo, e que, com certeza, vocês vão amar!!!

Além disso, não deixem de assinar e divulgar o nosso abaixo-assinado, que já está com 254 assinaturas!

Link: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/11501 .


Pra terminar, gostaria de deixar essa mensagem, para reflexão. A escrevi em meu facebook, no domingo, quando estava com meus pequenos...




"Estava aqui, fazendo bolas de sabão para os meus dois filhos caçulas, e observando. O caçula, de um ano, dando gargalhadas. E o mais velho, de quatro anos, pulando para estourar as bolinhas, aos risos. Daí, me pergunto: em que momento da vida "desaprendemos" essa felicidade em razão de coisas tão simples?"


Boa terça, queridos!

Deixa eu voltar para o trabalho... Espero que essas três horas passem rápido, estou morrendo de sono!!!

Beijos no ♥! 


domingo, 28 de julho de 2013

Vale à pena ler essa partilha!


Boa noite, queridos!

Tudo bem com vocês?

Graças a Deus, por aqui, tudo bem... Tudo em “paz e amor”! Rs.

Meu esposo segue limpo há 4 meses e 2 dias. Mas, dessa vez, nem me importo tanto em contar os dias. Apenas posto para vocês acompanharem a história...

Queridos, recebi um comentário ontem à noite, em um Post antigo "Onde você está quando mais preciso", que merece ser repassado, pois certamente ajudará a muitos... Fiquei encantada com a força e serenidade dessa companheira. E gostaria de dizer a ela, que nesse momento estou enviando aquele abraço bem apertado e demorado, e pedindo a Deus que a abençoe, bem como à sua família!

Vejam:

“Depois de 234 dias limpo, meu marido recaiu.
Hoje unimos nossas forças para mais uma internação. Fizemos o que tinha que ser feito para que ele pudesse encontrar a sua realidade.
 A recaída aconteceu a 3 dias atrás e infelizmente depois do primeiro gole, ele entrou no circulo vicioso e confusão mental. Era necessário afastá-lo para que ele pudesse retomar a consciência. Sozinho não estava conseguindo.
Agora falando sobre a minha recuperação... Só por hoje estou bem! Quando o desequilíbrio quis entrar em meu lar, solicitei ajuda. Sem tentar achar que poderia controlar a situação sozinha. Sem procurar desculpas para a recaída dele. Sem apontar culpados. E melhor, sem me sentir um caco por isso.
A recaída aconteceu porque mais uma vez ele não quis contrariar a vontade dele, porque mais uma vez ele não teve humildade para pedir ajuda quando a luz vermelha acendeu, aconteceu porque mais uma vez ele achou que tinha o controle e poderia tomar somente uma dose e voltar para casa.
Dizer que foram fáceis esses três dias do convívio com um adicto na ativa, posso garantir que não foi. Todas nós sabemos a transformação que acontece. Meu marido imediatamente saiu de cena e entrou a doença. Arrasando todos os nossos planos, roubando nossos sonhos.
Foi preciso muita serenidade para aceitar que era hora da esposa edificadora do lar sair de cena também e colocar no lugar a mulher de pulso firme e seguir a risca tudo que nos é proposto no grupo. Hora de praticar a teoria! Dicífil heim! Hora de levantar todos os fatores de proteção. Corta dinheiro, corta carro, e se sair não entra.
E eles testam nosso limite! Se descuidarmos um único minuto eles nos manipulam e invertem a situação a seu favor.
Bom, delírios a parte, sobrevivemos ! Ufa!
A paz de novo está em meu lar e com certeza dentro de alguns dias meu marido também vai conseguir calar a doença e colocá-la para dormir, e então ele também poderá voltar a ter paz!
Graças a Deus aproveitei cada minuto dos dias que meu marido esteve limpo.
Nos divertimos, nos acolhemos, nos permitimos ser felizes! Saboreamos cada dia como casal e como família! Buscamos a espiritualidade juntos e encontramos satisfação em todas as coisas simples da vida. Estivemos cúmplices e parceiros em todas as horas! E foi maravilhoso esse tempo que tive meu marido e meu filho teve seu pai.
Infelizmente , de novo, a doença nos deu uma rasteira. Paciência! Vamos em frente... Amanhã é um novo dia e de novo serei feliz por mim!

A meu ver, nosso papel é exatamente esse... Obrigada por sua partilha, querida! Me ajudou muito!



Queridos, estamos com 190 assinaturas até agora, no abaixo-assinado que começamos na ultima sexta. Vale à pena entrar para ver os relatos das pessoas... Vamos continuar assinando, e divulgando! A hora é de união! Peço aos leitores desse Blog e seus familiares que assinem. É simples e rápido, basta CLICAR AQUI e preencher nome, e-mail e data de nascimento. Essa causa não é apenas nossa, é de todos aqueles que nem sabem o que é codependência ou adicção, e estão esperando perdidos. Acredito sim que informação pode mudar uma vida, afinal mudou a minha... Assinem, é muito importante!

O texto é o seguinte: 

"Estamos cansados de ver matérias na televisão, revistas e jornais sobre dependência química, mostrando apenas as "cracolândias", os crimes em razão do tráfico, ou até mesmo o desespero dos familiares.
Queremos INFORMAÇÃO de qualidade sobre o assunto. 
Estamos aqui, juntos, solicitando matérias que mostrem a dependência química como uma doença, e as alternativas de tratamento (clínicas, comunidades, grupos de apoio, planos do governo, etc), e queremos, sobretudo, informação sobre a codependência!
Existem milhares, ou melhor, milhões de familiares sofrendo em silêncio, envergonhados, sozinhos, sem saber onde buscar ajuda. Por favor, mídia, mostre que existe ajuda aos familiares!!! Falem sobre as opções de tratamento existentes! 
Quando a sociedade e o governo vão entender que se não cuidarem das famílias, é muito difícil recuperar os dependentes químicos?!!"

Após colhermos as assinaturas, eu e outros companheiros levaremos o documento a emissoras de TV, e outras empresas de comunicação, bem como a órgãos do governo, e eles terão que nos ouvir... Só depende de nós! União, queridos, união... Vamos sair da inércia, do comodismo, da espera de que "alguém" faça algo por nós... Vamos fazer acontecer! Esse é só o primeiro passo...

sábado, 27 de julho de 2013

Estou com você! ♥



Ei, estou aqui para dizer que você não está sozinha(o)...

Quando o vazio chegar, e aquela dor sufocar, lembre-se que estou com você.

Talvez você nunca tenha me relatado a sua vida, e as coisas que lhe machucam o coração, mas acredite, eu entendo você.

Então, quando aquele sentimento de solidão chegar, e o medo, e a amargura, sinta a minha mão segurando na sua, e o meu coração unido ao seu.

Para mim, você nunca precisará justificar-se por estar junto de um dependente químico, ou relatar os por quês de ter decidido ir embora e deixá-lo, pois, acredite, conheço exatamente a sua aflição.

E quando chegar aquela hora, em que você não tem vontade de ver ninguém, ou de falar a ninguém sobre o que está vivendo e sentindo, ainda assim, acredite, você não é a única.

Eu sei o quanto dói vê-lo sair. O quanto dói a cada chamada frustrada ao celular. O quanto dói o medo e a insegurança.

Sei o quanto dói o ódio misturado com alívio, que sentimos em seu regresso. Sei o quanto dói a incerteza.

Acredite, eu sei.

Eu vivo o que você vive...

E estou aqui para lhe dizer que, de um tempo pra cá, optei por trocar a agonia pela paz, e o desespero por serenidade.

Eu estava cansada. E um dia me dei conta de que estava carregando o meu amado dependente químico no lugar errado, pois eu o levava sobre meus ombros, e isso era pesado demais, sofrido demais... Hoje eu o levo apenas no coração.

Querida, você não pode controlar a vida dele. Acho que você já se deu conta disso. Não é mesmo? Tantas tentativas frustradas...

Você não tem culpa da adicção dele. Ele também não tem culpa. Mas, ele é o único responsável por sair dessa. Somente a vontade dele poderá dar a ele uma vida diferente.

E você? Somente a sua vontade poderá te trazer de volta à vida.

Cuide de você primeiro! Uma pessoa adoecida e fraca não conseguirá ajudar a ninguém.

Há quanto tempo você não canta uma canção? Quando foi a ultima vez que dançou? Quando foi a ultima vez que sorriu? Ou que contemplou a lua, ou brincou com os filhos, ou viu um pôr-do-sol?

Ainda que você não veja, a vida continua acontecendo, e fazendo lindos espetáculos, todos os dias, especialmente para você.

Sei que dias de tempestade são dolorosos. Mas, eles passam... Nesses dias, faça como Jesus nos ensinou: “durma no barquinho”. Confie em Deus!

E lembre-se você não está sozinha.

Estou aqui para dizer a você que não é fácil, eu sei, mas é possível, e é simples encontrar a felicidade e a paz dentro de nós, ainda que nem tudo em nossa vida seja como gostaríamos.

Estou aqui para dizer a você que a responsabilidade por sua felicidade é somente sua, e que você é capaz de fazer suas escolhas, e de conviver com elas, de cabeça erguida, conduzindo sua própria vida.

Estou aqui para dizer que se a cruz está pesada demais, você tem a oração, para que Deus a ajude na caminhada, ou lhe mostre a hora certa de mudar de caminho.

Querida, não vale a pena parar a sua vida. Não vale a pena o choro incessante, as noites em claro, a falta de apetite... Não faça isso a você mesma. Não faça isso ao seu adicto.

Você o ama de verdade? Não quer deixá-lo? Então eu lhe digo, é hora de cuidar de você mesma. Coloque primeiro a sua própria máscara de oxigênio, para depois ajudar ao outro, se ele precisar.

Se você está sem respirar, sem ar, sufocada, quase desmaiando, acha mesmo que vai conseguir ajudar a alguém?

Cuide de você primeiro. Ame a você primeiro. Se fortaleça primeiro. Sare as suas próprias dores primeiro. Ame-se primeiro. Só assim, você conseguirá estender a mão ao seu amado adicto, quando ele pedir.

♥ 

Queridos leitores, estamos realizando um abaixo-assinado, e eu gostaria de pedir a participação de todos! A intenção é reunirmos o maior número de assinaturas possível, e enviar a emissoras como a Globo, Record, SBT, bem como a jornais impressos, revistas e outros, solicitando que mudem o teor das reportagens sobre dependência química e codependência, saindo do sensacionalismo e indo para uma informação de qualidade que realmente leve ajuda a quem precisa.

Veja o texto:

PARTICIPE DESSE ABAIXO-ASSINADO!
Estamos cansados de ver matérias na televisão, revistas e jornais sobre dependência química, mostrando apenas as "cracolândias", os crimes em razão do tráfico, ou até mesmo o desespero dos familiares.
Queremos INFORMAÇÃO de qualidade sobre o assunto.
Estamos aqui, juntos, solicitando matérias que mostrem a dependência química como uma doença, e as alternativas de tratamento (clínicas, comunidades, grupos de apoio, planos do governo, etc), e queremos, sobretudo, informação sobre a codependência!
Existem milhares, ou melhor, milhões de familiares sofrendo em silêncio, envergonhados, sozinhos, sem saber onde buscar ajuda. Por favor, mídia, mostre que existe ajuda aos familiares!!! Falem sobre as opções de tratamento existentes!
Quando a sociedade e o governo vão entender que se não cuidarem das famílias, é muito difícil recuperar os dependentes químicos?!!

CLIQUE AQUI, e assine.


Grande beijo.
Poly

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Chega de sensacionalismo!



PARTICIPE DESSE ABAIXO-ASSINADO!


Estamos cansados de ver matérias na televisão, revistas e jornais sobre dependência química, mostrando apenas as "cracolândias", os crimes em razão do tráfico, ou até mesmo o desespero dos familiares.

Queremos INFORMAÇÃO de qualidade sobre o assunto. 

Estamos aqui, juntos, solicitando matérias que mostrem a dependência química como uma doença, e as alternativas de tratamento (clínicas, comunidades, grupos de apoio, planos do governo, etc), e queremos, sobretudo, informação sobre a codependência! 

Existem milhares, ou melhor, milhões de familiares sofrendo em silêncio, envergonhados, sozinhos, sem saber onde buscar ajuda. Por favor, mídia, mostre que existe ajuda aos familiares!!! Falem sobre as opções de tratamento existentes! 

Quando a sociedade e o governo vão entender que se não cuidarem das famílias, é muito difícil recuperar os dependentes químicos?!!

BASTA ASSINAR SEU NOME COMPLETO, E-MAIL e DATA DE NASCIMENTO!

Quando coletarmos um bom número de assinaturas, enviaremos às empresas de comunicação.

CLIQUE AQUI,  e assine!

Chega de sensacionalismos sobre o assunto!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Dá pra ser feliz!



Boa tarde, queridos!

Tudo bem com vocês?

Graças a Deus, estou bem!

Realmente aquela notícia triste me abalou, mas o importante é que aceitei meus sentimentos e limitações, joguei pra fora, e sobretudo entreguei para Deus o que não cabe a mim cuidar e controlar: o dia de amanhã e a recuperação do meu esposo.

Só por hoje, ele está limpo há 3 meses e 27 dias.

O meu “surto” de sentimentos da ultima postagem refletem bem o que acontece comigo quando resolvo sair do “só por hoje”, do “um dia de cada vez”, da “gratidão”, da “aceitação” e da “entrega a Deus”.

Esses aprendizados levarei por toda a minha vida, e isso diz respeito a mim em todas as áreas, e não somente em relação ao meu esposo.

Só por hoje, ele escolheu se manter limpo. E só por hoje, escolhi estar ao lado do homem que amo.

Há um tempo atrás eu pensava que era a única a fazer essa escolha. Me sentia uma E.T. no mundo. Mas, hoje sei que somos muito numerosas. E que não somos nem melhores, nem piores, nem heroínas, nem vilãs... Apenas mulheres como as demais!

Sempre reflito muito diante das palavras que recebo, seja em um comentário no blog, em um e-mail ou em uma mensagem por rede social.

Recebi um comentário na ultima postagem que mexeu comigo porque me fez ver que o mais importante que aprendi não foi a teoria sobre dependência química ou sobre codependência, mas sim o que aprendi com o coração e com a alma.

Meu maior aprendizado diante da adicção do meu esposo não foi sobre recaídas, manipulação, doença incurável, abstinência ou coisas assim. Meu maior aprendizado tem sido sobre compreensão, amor e respeito. Mas, não somente compreensão, amor e respeito ao meu esposo, mas primeiramente, e sobretudo, a mim mesma.

Meu maior aprendizado fala da minha responsabilidade sobre minhas escolhas. 

Dia desses assisti ao filme “As vezes o amor não é o bastante”, e em uma das cenas mais tristes,  Lois diz para o Bill, aos prantos, após mais uma recaída: “Você sequer tem a dignidade de morrer!”  Isso é muito doloroso! Desejar a morte de alguém a quem você ama, é o cúmulo da doença. Eu já estive nesse “fundo de poço”, e já ouvi algumas partilhas falando sobre esse desejo cruel.

Mas, por que quando a recaída do outro acontece, sentimos coisas assim: vontade que ele suma, vontade que ele morra, vontade de sumir ou vontade de morrer? Sentimos isso porque em todos esses acontecimentos, seremos vítimas, passivas, e não precisaremos agir, escolher ou decidir. Lembro-me que, nos momentos críticos, eu tinha uma enorme vontade de dormir por dias e dias até que tudo se resolvesse por si só.

Nós, codependentes, estamos tão acostumados a viver a vida do outro, que por vezes nos esquecemos que podemos (devemos) fazer escolhas para nós mesmos.

Hoje estou livre desse sentimento porque consegui entender que minha vida acontece em decorrência das MINHAS escolhas.

Queridas, não é fácil, mas é simples sim. Comece se perguntando o que você quer para você. Escolheu? Então agora “trabalhe” para ser feliz com sua escolha.

A pior coisa do mundo é quando começo a me sentir vítima de tudo. Pronto. Perco o controle sobre mim. Sinto-me deprimida. Vontade de sumir. E por aí vai.

Ei, acorda! Ninguém é vítima. Nem dependentes químicos, nem familiares.

Eles não escolheram ser doentes, mas são responsáveis por sua recuperação. E nós familiares, não escolhemos amar dependentes químicos, mas temos o direito de conviver com isso ou não.

Depois que passei a conviver com meu esposo por escolha e não por “necessidade”, o comportamento dele em relação a mim, e em relação a ele mesmo melhorou bastante.

Infelizmente, muitas de nós, ainda somos dependentes emocionalmente dos nossos esposos, e vivemos em função deles, e isso é muito prejudicial para ambos, e principalmente para os filhos.

Recebi um e-mail que me ajudou muito, da C.P.S, onde ela me relatou como seu esposo tem se mantido limpo há dois anos. E vi que realmente o caminho da recuperação é diferente para cada um (adicto), e a única chave que não muda de um para outro é o QUERER.

Da mesma forma, nós codependentes, temos muitos caminhos para trilhar rumo a nossa felicidade e recuperação, mas não dá pra abrir mão do AMOR PRÓPRIO.

Adicto que QUER DE VERDADE ficar limpo + codependente que aprendeu a SE AMAR podem sim ser felizes juntos!

Só que, cada um, só pode fazer seu próprio papel, caso contrário, é confusão e sofrimento na certa. 

Abraços!

domingo, 21 de julho de 2013

O amor, o medo e a dor!



O que eu faço agora com tantas informações?

Sim, eu já aprendi que a doença dele é incurável e progressiva. E que só depende dele a recuperação.

Já aprendi que também adoeci, e que preciso cuidar de mim mesma.

Aprendi tantas coisas sobre dependência química e codependência que hoje dou palestras sobre o assunto.

E aí? No que isso muda a minha dor e o meu medo?

Sinto saudades de quando eu pensava que apenas o meu amor seria suficiente para livrá-lo das drogas. Daquele tempo em que, após uma recaída, eu tinha a certeza de que seria a última, e juntos rapidamente nos reerguíamos.

Autoengano? Sim, já aprendi que era isso. Mas, ainda assim, tudo parecia mais simples, ao menos para mim.

Meu esposo continua limpo. Mas, não estou bem hoje.

Existe um jovem de 19 anos, que esteve internado com meu esposo, e que o considerava o seu “padrinho de NA”. Conheci sua família nos grupos do Amor Exigente, e a adotei como minha família aqui em Brasília. Sua irmã é minha amiga. Sua mãe é um doce, que meu filho do meio carinhosamente chama de vovó. Amamos essa família! Meu esposo tem um carinho super especial por esse rapaz.

Após muitos meses limpo, esse jovem recaiu. E ontem recebi a notícia de que ele foi baleado, ao que parece, foram quatro tiros. Ele está no hospital.

Fiquei tão chocada com a notícia! Caramba, uma família tão querida não merece passar por isso!

Quando meu esposo chegou do trabalho o abracei e chorei... Sinto a dor daquela família... E sinto medo... Medo de onde a adicção pode levar o meu esposo e a nossa família...

Hoje pela manhã, me levantei, arrumei a cozinha, tomei o meu banho e me arrumei, antes das crianças e do meu esposo acordarem. Eles acordaram por volta de nove horas, e teria reunião do grupo às dez. Carinhosamente convidei meu esposo para irmos, pois hoje seria reunião aberta.

“Não quero. Você sabe que não gosto desse grupo. Se você quiser ir, pode ir.”

Fiquei tão triste, não vou negar.

Também tentei combinar um almoço aqui em casa com alguns companheiros em recuperação, mas não deu certo.

Segui meu dia. Arrumei a casa. Cuidei das crianças. Daí, ele se sentou no sofá e me chamou:

“Está tudo bem?” Perguntou.

Eu estava tão engasgada com uma dor e um medo, que logo as lágrimas brotaram. Falei serenamente, olhando em seus olhos, e segurando em sua mão:

“Me explica, por favor, por que quando acontecem as recaídas você tem tanta força para ir a grupos, para orar, para ir à igreja, para procurar o CAPS, ou seja lá o que for? Por que não vejo essa força em você, agora? Por que esperar a recaída acontecer? Eu estou com medo. Não quero passar por tudo aquilo novamente.”

Ele me disse que está bem. Que está em uma fase ruim no trabalho. E me falou dos seus pensamentos e sentimentos. Disse que seus sonhos a serem conquistados o impedem de usar, porque aqueles dez minutos de prazer (drogas) têm um preço muito alto a ser pago, e não vale à pena.

Foi uma boa conversa.

Eu o ouvi. Acho arriscado demais a tentativa dele de buscar sua recuperação sozinho, mas respeito.

“Eu apenas quero que dê certo, o caminho é você quem escolhe.” Eu lhe disse.

Passeamos à tarde com as crianças, e pouco a pouco o peso que sentia dentro de mim foi saindo. Voltei ao meu normal. Me diverti com os pequenos. E agora estou novamente em paz.

Hoje cheguei a sentir raiva de tudo o que aprendi. No fundo, eu queria estar bem longe disso tudo. Queria que minha chateação com meu marido fossem coisas banais como a pasta de dente derramada na pia, a toalha molhada sobre a cama, ou o xixi fora do vaso... Sei lá, coisas assim.

Nunca tive esses problemas com meu esposo (ele tem mania de limpeza!), mas ele é um adicto. Ainda que ele se negue isso, não muda a realidade, ele continua sendo um adicto.

Ao ler esse post posso identificar todos os erros que uma codependente pode cometer: tentativa de controle, autopiedade, foco no outro, sair do um dia de cada vez, sair do só por hoje, negação...

Mas, é isso. Hoje estou me sentindo assim.

Não posso fazer absolutamente nada pelo meu esposo. Tudo o que posso é criar limites para mim mesma, determinando até onde eu quero e posso chegar nessa história.

Hoje o CEFE fala sobre isso: limites.

Estava olhando umas fotos antigas nossas... Ah, como eu queria voltar a acreditar como antes. Ter aquela certeza de que tudo terminará bem. Aquela força...

Entretanto, só o que permaneceu intacto foi o amor, e com ele hoje encontro também o medo e um pouco de dor...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Só por hoje, ele conseguiu... e eu também!



Bom dia, queridos!

Tudo bem?

Por aqui tudo em paz, graças a Deus.

Meu esposo está limpo há 3 meses e meio, e assim, as coisas ficam bem mais fáceis de se assentarem em seus lugares.

Nesses últimos dias, embora eu estivesse em paz, confesso que estava temendo uma recaída dele. Ele estava muito deprimido, oscilando de humor, sem disposição, isolado, e irritado. A gente sabe que esses sintomas não são bons sinais. Vez ou outra, tudo bem, mas quando são constantes, indicam sim que a doença da adicção está gritando.

Vejo ele se esforçando para ficar calmo, para se envolver nas coisas da família, mas de forma muito forçada, e não natural, como acontece quando ele está bem.

Tenho sido tolerante, afinal o vejo fazendo a sua parte, mantendo-se limpo, entretanto, ele e eu sabemos que manter-se limpo sozinho é muito mais difícil.

Antes de saber da minha própria doença e recuperação, eu ficava desesperada quando percebia esses sinais nele, e passava a fazer de tudo para que ele ficasse bem, como se esse papel fosse meu.

Hoje tenho consciência que não é meu. Fico triste sim, pois o amo, e quero que ele esteja bem, mas sei que isso depende apenas dele mesmo.

Então, na terça, ele me ligou do trabalho, e disse: "Amor, estou precisando de ajuda. A luz vermelha acendeu. Na verdade, já acenderam todas as luzes."

Eu respondi: "Estou preocupada com você. No que posso te ajudar? Que tal uma ida ao grupo hoje?"

Ele falou o que estava sentindo, eu o ouvi, mas não foi ao grupo.

Na quarta, em sua folga, ele passou boa parte do dia deitado. Logo ele que é uma pessoa tão disposta.

Pra complicar tudo, meu bebê estava doentinho, com falta de ar, o que me fez passar umas noites sem dormir.

Naquela manhã, fui ao mercado comprar ingredientes para uma sobremesa, e de repente, me vi chorando. Sensação de impotência. Medo. Cansaço.

Minha ultima postagem havia falado sobre os Doze Passos, e me lembrei que era uma boa hora de praticá-los.

Aceito minhas emoções e meus sentimentos, mas optar por confiar a Deus tudo o que não posso controlar me deixa mais livre, do que mergulhar no medo e na tristeza.

Foi quando me lembrei que não estou sozinha nessa. Então, recorri ao grupo virtual, em busca de alguma ajuda.

E realmente fui ajudada.

Cada um me falou de sua experiência e seus pensamentos do que poderia servir de ajuda ao meu esposo, e a mim também. E, refletindo nas palavras ditas, vi que Deus estava me dando a direção.

À tardezinha do mesmo dia, fomos a um parque com as crianças, mas o clima não estava bom. Uma distância sem razão entre nós.

Depois que voltamos para casa, após o banho e jantar das crianças, fui até a cozinha, onde ele estava:

“Amor, desde que você voltou da Instituição, tenho esperado uma atitude sua, para se ajudar, mas até agora você não tem feito nada. Você quer ficar bem, disse que a “luz” acendeu, mas não tem feito nada para se ajudar. Qual é o seu plano?”

Então ele começou a falar dos seus problemas: trabalho, família, cansaço e outros. E, enquanto o ouvia, me lembrei do que já li sobre o sentimento de vazio e insatisfação que a ausência da droga deixa.

“Amor, olhe ao seu redor, veja tudo o que Deus tem te dado, e você não tem conseguido enxergar. Não porque você não quer, mas porque você tem uma doença que começa nos seus pensamentos e sentimentos. Sozinho é quase impossível se recuperar. Eu te amo, mas se você insistir em não buscar ajuda, não quero estar aqui para ver tudo aquilo novamente acontecer...”

Após relutar um pouco, ele disse que iria ao grupo, e foi!

Peguei meu livro CEFE para ler, enquanto ele não estava, afinal, claro que tive medo dele "se desviar" pelo caminho. Após a leitura, fiz uma oração, pedindo que Deus o ajudasse a encontrar a paz que ele tanto busca.

Por volta de 21h30min, ele voltou. Estava sereno. Disse poucas palavras: “A reunião foi muito boa, ainda bem que fui!”

Ontem ele parecia outra pessoa. Animado novamente. Fazendo planos para irmos juntos a uma convenção que acontecerá em Goiás para adictos e familiares. Querendo convidar companheiros adictos em recuperação, para virem aqui em casa no fim de semana. Enfim, fazendo algo por sua própria recuperação.

Estou de férias nesses dias, e fico feliz em me ver viva, apesar dos conflitos internos do meu esposo. Fiz uma tarde de cachorro-quente para as amiguinhas da minha filha aqui em casa, tenho curtido os filhotes, e ontem tirei um dia só pra mim, com direito a repaginada no visual.

Ontem fomos todos buscar ao meu esposo no final do expediente, e foi muito agradável.

Como além de adicto e codependente, somos sobretudo um casal, ontem fiz luzes nos cabelos, vesti um vestidinho novo, me maquiei, e fui buscá-lo no trabalho. A intenção era a de fazê-lo olhar e perceber o que pode perder... Deu certo! Ele amou!

Ele veio conversando, interagindo com as crianças, tranqüilo no trânsito, ou seja, bons sinais!

Jantamos juntos, namoramos, conversamos, e agora é só continuar caminhando na direção certa.

Agradeço a Deus por ele ter escolhido pedir ajuda a mim, e não às drogas.

Agradeço a Deus pelas palavras da Rachel, Janete, Raiara, Diovana, Alice, Jenner, Patrícia, Márcia, Cinthia, Claudia, Gladys, Joyce, Tatiana, Kamila e Francyelly, que me ajudaram a agir de forma sábia com o maridão.

Agradeço a Deus porque, nesse momento, ele está em paz, com mente aberta, e dormindo na nossa cama quentinha.

E somente peço que Deus lhe dê forças para dar um passo de cada vez nessa jornada. E que Ele me dê serenidade, coragem e sabedoria para ajudar ao meu esposo, e para não me esquecer da minha própria caminhada nessa vida.

Beijão!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Momento Pipoca!

Bom dia!

Estamos no mês de julho, mês de férias para alguns, e eu gostaria de deixar aqui cinco filmes que estão disponíveis no youtube, e que estão relacionados ao assunto desse Blog.


1. As vezes o amor não é o bastante.

CLIQUE AQUI, para assistir.

Sinopse: Produção indicada ao EMMY sobre o conturbado relacionamento entre Lois Wilson (Winona Ryder), co-fundadora da Al-Anon, e seu marido, Bill Wilson (Barry Pepper). Juntos, os dois promoveram grandes avanços na luta contra o alcoolismo por todo o mundo. A história revela ainda os bastidores da criação dos "Alcoólicos Anônimos", organização idealizada por Bill e o médico Bob Smith (Frank Moore), ambos ex-alcoólatras, e também como a dedicação quase que exclusiva de Bill ao projeto afetou a vida conjugal ao lado de Lois. Duração: 95 min.


2. O Valor da Vida.


Sinopse: Durante a Grande Depressão, homem entra em bancarrota e torna-se presa da bebida. Até que encontra médico que o ajuda a largar o vício. Ele decide fundar os Alcoólicos Anônimos a fim de auxiliar outros dependentes. Baseado em fatos reais. Duração: 100 min.


3. À Prova de Fogo.


Sinopse: Kirk Cameron (Deixados Para Trás) interpreta Caleb Holt, um heróico capitão bombeiro que preza a dedicação e o serviço ao próximo acima de tudo. Mas a parceria mais importante de sua vida, seu casamento, está prestes a se desfazer em fumaça. Esta história cativante acompanha o desejo de um homem em transformar sua vida e seu casamento através do poder curativo da fé e de seguir adiante pelo lema dos bombeiros: Nunca deixe seu parceiro para trás. Duração: 122 min.


4. Uma Mente Brilhante.

CLIQUE AQUI, para assistir.

Sinopse: John Nash (Russell Crowe) é um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava. Mas aos poucos o belo e arrogante Nash se transforma em um sofrido e atormentado homem, que chega até mesmo a ser diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos que o tratam. Porém, após anos de luta para se recuperar, ele consegue retornar à sociedade e acaba sendo premiado com o Nobel. Duração: 135 min.


5. Quando um Homem ama uma Mulher.


Sinopse: Dois grandes astros de Hollywood, Meg Ryan e Andy Garcia aclamados pela crítica representam Alice e Michael Green, um casal apaixonado que lutou para construir uma vida agradável para eles e suas duas filhas. Mas um segredo do passado de Alice está vindo à tona - um segredo que ameaça destruí-los como amantes, como indivíduos e como família. Quando um Homem Ama uma Mulher é um filme imperdível - a história de uma paixão ardente e do insuperável poder do amor. Duração: 125 min.

Esse ultimo vocês terão que locar, pois não encontrei no youtube... Rs.


Bom, queridos, fica a dica. Cada um desses filmes me trouxe uma mensagem de aprendizado e lição de vida. 

Os dois primeiros (As vezes o amor não é o bastante, e O Valor da Vida) contam a história de Bill e Lois, na luta contra o alcoolismo. No primeiro, a história é contada pela Lois, e no segundo por Bill. Você vai se ver nessa história!

O terceiro (À Prova de Fogo) já assisti quatro vezes. É uma história linda, sobre a recuperação de um casamento que está em pedaços.

O quarto (Uma Mente Brilhante), embora não fale sobre dependência química, narra a história de um portador de outra doença psiquiátrica: a esquizofrenia, e a luta de sua esposa ao seu lado. Esse filme é simplesmente fantástico!

E o quinto (Quando um Homem ama uma Mulher), que infelizmente não encontrei na net, narra a luta de um casal contra o alcoolismo da esposa. Lindo demais!

Nem precisa dizer que esses cinco filmes me fizeram chorar, né?!!

Bom, gente, agora é só preparar a pipoca, e bom filme!

Beijão. Boa quarta! 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Os Doze Passos na Minha Vida!



Bom dia, queridos!

Estou de férias nesses dez dias! Férias do trabalho fora de casa, né? Porque em casa, a correria é ainda maior, principalmente com meu filhinho caçula dodói.

Meu esposo segue limpo, graças a Deus! Alguns dias, ele é um doce, outros dias, azedinho... Uns dias está super comunicativo, e em outros se isola... Enfim, se todos nós temos os nossos altos e baixos, imagina um adicto. O importante é que tenho tentado levar a minha vida e minhas emoções de forma mais desligada da vida e emoções dele... E isso tem feito muito bem a mim, e ao nosso casamento também! 

Hoje faz exatamente sete anos desde o dia em que entramos na vida um do outro! Posso dizer que ele me fez uma pessoa melhor... Te amo, amorzão!

Mas, na verdade, o que quero falar hoje é sobre os Doze Passos. Você já ouviu falar sobre eles?

O programa de Doze Passos foi criado por William Griffith (Bill W.) e por Dr. Bob Smith, em Akron, Ohio, nos Estados Unidos, em 1935.




Eu, particularmente, não tenho dúvidas de que foi uma inspiração divina, pois esses Passos têm salvado e mudado muitas vidas, inclusive a minha.

Hoje, os Doze Passos são conhecidos mundialmente em grupos de apoio, e servem como ferramentas para pessoas que desejam vencer suas compulsões, sejam elas as drogas, o álcool, a codependência, o sexo, a comida, os jogos, ou outros.

A minha intenção, neste Post, é mostrar a vocês os Doze Passos que conheci no Nar-Anon, e minha impressão sobre eles. Quero deixar claro que essa é a MINHA vivência dos Passos, entretanto eles são altamente pessoais. Não há forma correta ou incorreta de enxergar os Passos, há apenas a forma de cada um.

Ressalto, ainda, que eles não são vinculados a nenhuma religião, e podem (deveriam) ser praticados por todos os seres humanos.

Antes de começar a falar sobre os Doze Passos, primeiramente acho interessante falar sobre o que é a minha compulsão: a codependência, ou seja, a dependência de pessoas, mais especificamente do meu esposo adicto.

“Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, e atualmente estendido também aos casos de alcoolismo, de jogo patológico e outros problemas sérios da personalidade.

Codependentes são esses familiares, normalmente cônjuge ou companheira(o), que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão diante do dependente e de seus problemas. São pessoas que têm baixa auto-estima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.

O que parece ficar claro é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de alcoolistas, dependentes químicos, jogadores compulsivos, alguns sociopatas, sexuais compulsivos, etc.” (fonte: www.psicweb.med.br)




Se você se identifica com termos como: viver em função do outro, intenso sentimento de culpa, viver tentando ajudar outra pessoa, esquecer de si mesmo, se auto-anular, fazer desse cuidado obsessivo do outro a razão da sua vida, tentar controlar o outro, perder o controle de si mesmo; indica que você, provavelmente, também está adoecido, ou seja, é um codependente.

Na minha experiência, a melhor forma de olhar para mim mesma, buscando a chave que me livra dessa prisão (codependência), é trabalhando os Doze Passos.

Vamos lá?


“Admitimos que éramos impotentes perante o adicto – que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.”
(Primeiro Passo)


Nesse Primeiro Passo percebi que eu era impotente perante a doença do meu esposo. Por um lado, doeu muito ver essa minha impotência, ou seja, saber que eu nada poderia fazer para livrá-lo das drogas. Mas, por outro lado, me senti leve, ao constatar que eu não era a culpada pela doença dele, e nem mesmo responsável por sua recuperação. Entender que eu não tinha nada a ver com as recaídas dele, e me livrar do peso de tentar ser alguém que eu não era, em prol de outra pessoa, foi maravilhoso! E, assim, pouco a pouco, dia a dia, a minha vida, que estava totalmente desgovernada e descontrolada, foi voltando para os trilhos. É incrível, ainda hoje, todas as vezes que tento controlar os outros, perco o controle sobre mim. Ainda bem que agora já aprendi esse segredo!


“Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver a sanidade.”
(Segundo Passo)


Fui criada em um lar cristão, e sempre tive muita fé. Então, desde o primeiro contato com os Doze Passos, eu sabia que Deus poderia me devolver a sanidade. Sim, digo a sanidade, porque, por vezes, eu agia mais loucamente do que o meu esposo. Eu não precisava de drogas para gritar, me descabelar, jogar objetos, passar noites em claro, esquecer de mim, não cumprir com minhas responsabilidades, insultar, me jogar na frente de um carro, ir a delegacias e IMLs, dormir de roupas e sapatos, ligar 100 vezes para ouvir uma mensagem de celular desligado... Ou seja, eu não precisava de drogas para agir insanamente, porque meu esposo era a minha droga, e isso tudo era doloroso demais. Mas, eu sabia (e sei) que Deus pode mudar a minha forma de vida, e conceder a mim uma vida de equilíbrio e sanidade. E ele tem me concedido!


“Tomamos a decisão de entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, como nós O concebíamos”.
(Terceiro Passo)


Para mim, o Terceiro Passo foi uma conseqüência do primeiro e do segundo. No primeiro, percebi que eu não posso. No segundo, percebi que Deus pode. E no terceiro, tomei a decisão de entregar a minha vontade e minha vida, bem como o meu esposo e sua doença, aos cuidados de Deus, o Único que pode!


“Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.
(Quarto Passo)


Esse foi o Passo mais difícil para mim. Na verdade, meus livros e o blog, possuem algumas postagens/capítulos que são a realização desse passo. Você já parou para descrever sua vida, os fatos mais marcantes, seus sentimentos diante desses fatos? Já parou para refletir em suas ações? Quando fiz isso, doeu muito. Algumas coisas que fiz, estão feitas, e não posso voltar atrás (quem leu o meu primeiro livro, sabe do que estou falando). Mas, foi nesse Passo que identifiquei os meus ressentimentos e os meus sentimentos diante de cada acontecimento. Pude encarar, muitas vezes, a culpa, a vergonha e o medo em minhas ações, bem como meus traumas. Mas, também vi muitas qualidades em mim, muitos acertos e crescimento!

“Admitimos para Deus, para nós mesmos e para um outro ser humano, a natureza exata de nossos defeitos”.
(Quinto Passo)


Nesse Passo, descobri: “sim, eu tenho defeitos!”. Sou um ser humano, e como tal, tenho falhas. E não há nada de anormal nisso. E mais, tentei ver em minhas falhas, a sua natureza exata. Agora o que eu havia relatado no Quarto Passo, deveria ser confessado a Deus, a mim mesma, e para outra pessoa. Isso me trouxe alívio... Muito alívio!


“Ficamos inteiramente prontos para que Deus removesse todos esses defeitos de caráter”.
(Sexto Passo)


Quando nos consideramos perfeitos, fica difícil Deus agir. Mas, após fazer o Quarto e o Quinto Passo, meus defeitos ficaram expostos, e agora eu estava pronta para pedir que Deus me fizesse uma pessoa melhor, e removesse esses meus defeitos. E o interessante foi que, nesse Passo, passei a me aceitar e a gostar de mim, como sou.


“Humildemente, pedimos a Ele para remover nossas imperfeições”.
(Sétimo Passo)


Para mim, a grande diferença entre o Sexto e o Sétimo Passo está na HUMILDADE. Era preciso cada um dos Passos anteriores para trabalhar em mim a humildade, e somente com ela, posso realmente sentir o quanto Deus transformou (e transforma) a minha vida, quando permito e peço. Isso não acontece de uma hora para a outra. Leva tempo. Tenho muitas imperfeições, e as aceito, mas hoje aprendi a pedir que Deus as remova de mim.


“Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a fazer reparações a todas elas”.
(Oitavo Passo)


Difícil, né? Parar e refletir em quais pessoas prejudicamos... E sem desculpas do tipo: “fiz isso, porque ela me fez aquilo”. Não. Nesse Passo, interessa apenas o que EU fiz. Relacionei todos a quem prejudiquei durante a minha vida, mesmo que involuntariamente.


“Fizemos reparações diretas a essas pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo viesse prejudicá-las ou a outras pessoas”.
(Nono Passo)


Esse Passo é a continuidade do anterior. Ainda não o concluí. Fiz a listinha de nomes, mas algumas pessoas ainda não tive como contatar. E outras não convinha contatar, para não prejudicar a outros. Entretanto, aquelas com quem já fiz as reparações, a experiência foi maravilhosa! Me senti tão bem! Tão leve! Sensação muito boa! Ainda estou guardando a reparação mais difícil de ser feita: com a minha mãe. Mas, tudo tem sua hora...


“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.
(Décimo Passo)


No início, o Blog representava bem o meu Décimo Passo. Ao final de cada dia, eu relatava os acontecimentos, e identificava meus erros, e os admitia. Como o blog cresceu muito, hoje prefiro fazer isso de forma mais individual. É muito interessante como, por vezes, passamos a viver no “piloto automático”. Parar e refletir sobre nossas ações é fundamental para o nosso crescimento. Esse Passo serve também como um medidor para identificar se estamos andando no caminho que nos propusemos a andar, sem desvios.


“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e a força para realizar essa vontade”.
(Décimo Primeiro Passo)


Faço minhas orações diariamente. Na verdade, as faço muitas vezes durante o dia. Não tenho um método formal de oração, mas converso com Deus, sentindo-O como um Pai, Alguém Próximo, que me ama, e em quem posso confiar sempre. É essa a origem da minha força, e dos meus bons sentimentos. Não apenas falo, mas também tento escutá-Lo para conhecer a Sua vontade para a minha vida.


“Tendo tido um despertar espiritual, por meio destes Passos, procuramos levar esta mensagem a outras pessoas e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.
(Décimo Segundo Passo)


Nesse Passo está a motivação que me levou a criar e a manter o blog, o livro e a página no Facebook: levar essa mensagem a outras pessoas. Se pararem para observar, tudo o que falo em meu blog, está de certa forma relacionado a esses Passos. O que um dia aprendi, tento passar adiante. Afinal, se mudou a minha vida, pode mudar a de outros também. Mais do que passar adiante, tento praticar o que aprendi, afinal, mais vale um exemplo do que mil palavras...



 Todos nós podemos escolher uma nova maneira de viver!