domingo, 16 de junho de 2013

Seres invisíveis!



Bom dia!

Tudo bem?

Meu esposo segue limpo há 82 dias. E nossa convivência diária tem sido muito agradável.

Estamos passando por uma maré de problemas, nada relacionado a drogas ou entre nós dois, coisas externas, mas sei que se Deus nos deu força pra chegar até aqui, nos levará adiante!

Queridos, eu gostaria de falar hoje sobre a triste invisibilidade social dos dependentes químicos, que acabam se tornando moradores de rua.

No início deste mês, eu estava ao lado do prédio da Codhab, no Setor Comercial Sul, aqui em Brasília, e me senti muito mal com o que vi.

Entrei em uma fila de mais ou menos cinqüenta pessoas. E enquanto cada um se preocupava em organizar os documentos a serem apresentados no órgão, logo ao lado, no chão, havia uma moça.

Ela aparentava menos de 30 anos. Traços bonitos. Com aquela magreza do crack. Seus pés e pernas estavam cheios de feridas. Pés descalços. E, como estava frio, ela colocava os braços dentro das mangas da camiseta.

Ali, sentada, ela olhava para as pessoas, com um olhar distante, em silêncio, apenas observando quem estava ao redor.

Mas, o mais incrível é que ninguém a via. Era como se fosse realmente invisível. Como isso doeu em meu coração!

Talvez por saber que meu pai por vezes dormiu exatamente como ela. Talvez por ter um dependente químico em casa e saber que essa doença, se não tratada, pode levá-los a um estágio que nunca imaginamos.

O fato é que a indiferença das pessoas doeu em mim. Na minha concepção, indiferença também é preconceito.

Aquela moça é um ser-humano, mas parece ter se tornado invisível...


Quem se lembra do “mendigo gato” de Curitiba?

Rafael Nunes, 30 anos, dependente de crack, afastou-se da família, e havia se tornado um morador de rua. Uma moça, a seu pedido, tirou uma foto sua e postou no facebook, e em razão do sucesso de sua história, ele teve a oportunidade de se tratar, e de recomeçar.

Clique aqui, e veja como está o Rafael. Fico na torcida por ele!

Mas, fico pensando, será que é preciso ser lindo e ter olhos verdes para ter uma oportunidade?

Ontem me deparei com uma mensagem em rede social, do adolescente Richard Coatio, em busca de sua mãe, desaparecida há mais de três meses, aqui no Distrito Federal. Sua mensagem diz:

“Essa é minha mãe, ela era linda né? E  ainda é. Mas sabe, aconteceu algumas coisas que fez mudar nossa vida completamente, ela se perdeu no mundo das drogas. Eu queria pedir pra vcs compartilharem por favor pra descobrir se alguém sabe onde está o seu paradeiro. Ela tá desaparecida faz 3 meses e exatamente 11 dias, vista pela ultima vez em gama DF.”



Ele deixou os seguintes contatos: 61 3393-6435, 61 93320539, 61 95417685.

Richard desabafa: "eu vim fazer um apelo. Sabe eu cansei de pedir pra pessoas ''famosinhas'' do facebook compartilharem pra ver se as pessoas compartilham, mas elas dão de ombros. Eu vou tentar."

E assim seguimos. Invisíveis à sociedade.

Enquanto são gastos bilhões em estádios, enquanto se grita gol, enquanto só enxergamos as tendências impostas pela mídia, milhares de pessoas vão se tornando cada vez mais invisíveis.

Triste demais isso!

#sóumdesabafo!

Sei que não posso mudar isso. Sei que não posso fazer muito. Então estou fazendo o meu pouco...

Parabéns a todas as ONGs e pessoas que conseguem enxergar esses seres humanos, oferecendo-lhes a oportunidade de voltar a viver, de se recuperar, de recomeçar!


7 comentários:

  1. Concordo que não há tratamento gratuito pra todos e é realmente uma pena existir todas essas pessoas sem teto e passando necessidade. Mas no caso de dependentes químicos a solução do problema reside mais neles do que na solidariedade dos outros ou por acaso não é fundamental que eles queiram se tratar? Não basta oferecer um lugar numa clínica se a pessoa não quer se tratar, talvez eles tiveram oportunidades de mudar de situação e recomeçar e não aceitaram, da forma como vc tá falando parece que a recuperação depende mais dos outros do que deles.

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  2. olá dona Polly...rs.o mundo em que vivemos..o que mais existe são "seres invisiveis"...rs..os dependentes quimicos, os familiares de dependentes quimicos, as crianças abandonadas no farol exploradas por adultos, os que morrem de fome e sede no nordeste, no continente africano, as mulheres mulçumanas que são mutiladas, as pessoas que são traficadas, os idosos, quem tem uma doença grave e por falta de recursos não consegue se tratar, o que mais existe no mundo são seres invisiveis aos olhos de quem só consegue enxergar seu proprio umbigo, aos olhos das pessoas que se preocupam semprem em TER do que em SER...assim é o mundo em que vivemos..bora fazer nossa parte né...divulgar os invisiveis que conhecemos..kkk..podemos não mudar o mundo...mais jogamos sementes que espero um dia no futuro dar belos frutos :) bom dia pra vc

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  3. é verdade anonimo...o fato deles se recuperarem depende mais deles do que da solidariedade das outras pessoas, porém sempre é bom alguém estender a mão pra que eles se lembrem que não estão abandonados...e estender a mão não significa colocar dentro de casa dar comida e roupa lavada, estender a mão significa lhe mostrar apenas olha você pode mudar de vida, basta querer...e apontar alguns caminhos...é assim que acontece a recuperação...já que ninguém consegue sozinho, porém a obrigação é de caminahr com as proprias pernas..como uma pessoa em uma situação que está perdida irá encontrar um direcionamento se ninguém o olhar com dignidade?

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    1. Kel, não sou contra nenhum ato de solidariedade nem acho que as pessoas devam ser ignoradas. Todos sabemos que as pessoas que vivem em situação de rua fazem parte de sociedade, tem direitos e merecem ser respeitadas e tratadas com dignidade. Só disse que com relação aos dependentes químicos não basta oferecer a eles tudo o que uma pessoa normal precisa pra ter estabilidade, como casa, comida, educação, atendimento médico, segurança etc, embora tudo isso seja fundamental para qualque pessoa não é o suficiente para que o dependente químico se recupere se ele não quiser se recuperar. Acho que no caso deles depende de ter apoio, seja lá de quem for, e da sua própria VONTADE DE MUDAR.

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    2. Acho que a questão também é que as pessoas não sabem como agir com uma pessoa que vive nessa situação, provavelmente até sintam medo. Eu mesma já dei dinheiro para alguns garotos que se aglomeraram em volta de mim e estavam visivelmente drogados porque tive medo deles, não porque realmente queria dar, até porque sou contra dar esmolas, acho que isso incentiva a preguiça, a exploração infantil e o uso e tráfico de drogas. Enfim, também acho importantíssimo o trabalho das ongs, das igrejas e dos grupos de voluntários porque eles realmente colaboram para uma mudança e sabem como fazer a abordagem de forma assertiva e segura.

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    3. Bom dia! Querido anônimo, realmente o dependente químico precisa QUERER a recuperação, mas a muitos não é dada nem mesmo a oportunidade de escolher... No post anterior falei sobre a importância do adicto querer, é que o foco deste post foi a invisibilidade social, algo muito triste.
      Beijos e obrigada pela colaboração!

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  4. Exatamente Anonino...tem que SABER AJUDAR...e eles PRECISAM QUERER AJUDA...entendi seu ponto de vista, não julguei sua opinião errada, apenas esclareci algumas coisas pra quem não conhece bem sobre o assunto...e acaba levando tudo a ferro e fogo...ajudar é apoiar sem facilitar o uso deles...muito complexo se tratando de uma doença do comportamento por isso toda informação ainda é pouco...:)

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