quinta-feira, 23 de maio de 2013

Viciados nos "outros"!



Bom dia!

Tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem! Tive um dia de aniversário feliz, apesar dos 35 anos, que inevitavelmente chegaram! Risos.

No dia 22/05, sempre paro pra pensar um pouco no que tenho feito da minha vida. E, neste ano, fiquei feliz ao analisar como tenho vivido, vejo alguns progressos em minha recuperação, e alguns crescimentos como ser humano.

No Salmo 90:12 diz: "Senhor, nos ensina a contar os nossos dias". Ou seja, entendo com isso que, nem todos os dias vividos são válidos diante de Deus. Mas apenas aqueles em que fazemos algo de acordo com o coração Dele.

Então, ontem, o meu pedido foi esse: “Senhor, 35 anos se foram, provavelmente eu já tenha vivido quase a metade da minha vida, então, me ajude a viver de forma que os meus dias sejam realmente válidos diante de Ti.”

Acho que fazer o bem ao próximo é uma boa forma de fazer um dia ser contado. E valorizando os momentos felizes de cada dia, com coração grato, também!

Posso resumir pra vocês esses meus momentos felizes ontem:

Salão de beleza pra mim – Café da manhã com meus filhos - Fugidinha com meu esposo, e almoço a dois - Telefonemas de pessoas muito importantes em minha vida, como minha mãe e minha irmã - Abraços! Abraços! Abraços! - Tantas demonstrações de carinho, via internet - Sorvete com meus filhos, à noite - Bachata (dança da República Dominicana) com meu esposo na sala de casa!

Agradeci a Deus pela vida, pela saúde, por tantas coisas boas que Ele me concede, e também pelos 58 dias que meu esposo se mantém limpo.

E é isso... Coisas simples, né? Mas, minha felicidade é assim, composta de coisas simples mesmo.

Alguns talvez se perguntem: Será que não acontece nada de ruim na vida dela, quando o marido está limpo?

Claro que acontece! Todos os dias acontecem alguns fatos desagradáveis, seja no trabalho, em casa, na família, ou comigo mesma. Mas, meu foco não está nesses fatos ruins, por isso sou feliz!

Recentemente escrevi um artigo para a Revista Anônimos, publicada neste mês, e uma das frases que disse foi “não dá pra deixar minha felicidade congelada, esperando o momento certo de ser feliz, quando tudo for perfeito. Enquanto isso, tem muita vida acontecendo.” E é realmente nisso que acredito.

O que posso mudar, mudo. O que não posso mudar, aceito. E o que é difícil de aceitar, entrego nas mãos de Deus.


Queridos, mudando de assunto, preciso falar um pouquinho com vocês sobre a gravidade da codependência.

Tem uma senhora que é minha depiladora há muitos anos. E, ontem, tive a oportunidade de bater um papo mais aprofundado com ela. Ela está tomando remédios fortes para depressão e síndrome do pânico. Seus dois filhos são adultos, casados, e levam uma vida normal. Entretanto, ela vive ansiosa, preocupada. Sempre acha que algo de ruim vai acontecer aos filhos ou a outros membros da família. Se preocupa em excesso com todo mundo. Não sabe dizer não. Está exausta. Não dorme direito. E nem mesmo sobra tempo para pensar em seu casamento, que será em breve, com um grande amor do passado, que ela reencontrou. Ou seja, os assuntos dela não têm importância para ela. E o seu grau de ansiedade está tão avançado que ela não consegue tirar a sua carteira de habilitação, pois tem surtos de pânico.

Fiquei a observá-la narrando sua forma de pensar e agir, e pensei: “caramba, parece muito com codependência agravada.” E, no final da conversa, ela me contou que seu ex-marido era alcoólatra e a agredia, não tanto fisicamente, mas muito emocionalmente. Ela viveu com ele alguns anos, e há muitos anos são separados, hoje são até amigos, mas ela não tratou a sua codependência.

Sua filha disse que se sente sufocada, e que todos sofrem com o jeito da mãe, por vê-la sempre naquele estado, tentando resolver os problemas de todos, ansiosa, nervosa, apreensiva, com medo, achando que tudo é sua responsabilidade.

A codependência é mais grave do que pensamos. Bom seria se apenas o fato de nos separarmos resolvesse tudo. Mas, esse problema não está fora, está dentro.

Em alguns casos a separação ajuda sim, principalmente se o companheiro se mantém na ativa, ou quando ele é agressivo ou indiferente. Mas, o que quero dizer, é que somente a separação não cura. Precisamos buscar “tratamento” para a codependência.

Essa senhora vai começar uma terapia nesta semana, além de estar se tratando com um Psiquiatra. Tudo isso em preços acessíveis. No meu caso, o que me ajuda muito são os grupos de apoio e as leituras, e já fiz terapia também.

Queridos, é sério, precisamos cuidar de nós!

“Poly, é muito doloroso. Sofro todos os dias. E não tem nada de ruim acontecendo, é tudo coisa da minha cabeça.” Ela desabafou.

Quando vivemos com dependentes químicos, nos “acostumamos” com os sobressaltos, com a ansiedade e o medo, com a adrenalina, com o desejo de “tomar conta” do outro, e tudo isso deixa muitas sequelas em nós.

Assim como a dependência química, a codependência também é uma doença progressiva. O codependente necessita se relacionar de forma nociva, é o nosso “vício”. Então, quando terminamos um relacionamento destrutivo, procuramos a “substituição”.

Antes eu pensava que ser codependente era não conseguir me afastar do meu esposo. Sim, ficar com alguém por necessidade é codependência, mas vai muito além disso.  Ser codependente é perder o contato com os próprios sentimentos, é esquecer de nossas próprias vontades, é anular-nos. Conseqüentemente, qualquer relacionamento que assumamos será pesado e doentio.

Ser codependente é pensar que só “funcionamos” quando agimos em prol dos outros, e isso nos faz ser obcecados por controlar os comportamentos alheios, enquanto nos perdemos em nós mesmos.



Vamos nos cuidar? Vamos olhar um pouquinho pra nós mesmos? Do que você gosta? Há quanto tempo não faz um programa pra você e por você?

Acho que já está mais do que na hora de voltarmos a viver nossas próprias vidas... Vamos?!

Deixarei, abaixo, algumas sugestões de onde poderá encontrar ajuda. Não trabalho e não represento nenhuma dessas organizações, apenas sou muito ajudada por elas.

Feliz vida nova!






Lembrando que amanhã, a partir das 14 horas, estarei na Secretaria de Justiça do DF (prédio da antiga rodoferroviária), para uma tarde de bate-papo e autógrafos, ao som da Banda Sinfônica de Brasília. Você está convidado!

Quem tiver interesse em adquirir os meus livros, clique aqui.

Beijão!

4 comentários:

  1. Olá Poly, como sempre, belas palavras... tenho frequentado a Terapia do Amor Patologico, da forma que fala parece tão simples pssar por cima dos problemas causados pela codependencia. Tenho sofrido muitos com as idas e vindas do meu relacionamento, estavamos bem a 20 dias e agora ele sumiu novamente, mesmo eu não interferindo no uso da maconha e da bebida dele (ele não se ve dependente pq não tem usado cocaína) ele mentiu que estava em casa e passou a noite na rua... penso milhoes de coisas, mulheres, drogas... não sei ao certo o que faz, mas ele nega... acha que estou sendo facilitadora dele, guardando este segredo? Não contei a ninguem da familia dele sobre as drogas que continua usando, todos pensam que ele está limpo, não sei ao certo o que fazer, preciso de ajuda!

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  2. Esse post não podia vim em hora melhor. Depois de meu namorado ter recaido na bebida e ainda ter achado certo, eu vejo que não posso mais continuar. Eu vi que eu estava no meu limite. Já procurei ajuda. Vou conecar a ir num psiquiatra e psico. Está n hora de cuidar de mim. E quanto a ele.. O que posso fazer é deixar ele livre com a tal 'liberdade' que ele tanto presa. Beijos

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  3. Olá Poly
    Tenho lido seu blog e este post em especial me fez ver que aquele extremo controle e cuidado que tenho com as pessoas não passa de uma codependência não curada.
    Meu pai era alcoólico e não bebe há pouco mais de dois anos, pois teve câncer e tem enfisema pulmonar. Tenho 25 anos e minha vida inteira foi de terror psicológico e nunca fizemos tratamento.
    Atualmente gosto de um rapaz que é meu ex namorado e teve problemas com drogas. Já esteve internado duas vezes e hoje está limpo. Temos um bom relacionamento de amizade, mas as vezes tenho vontade de colocá-lo em uma redoma.
    Seus relatos tem me ajudado a me enxergar.
    Obrigada e muita força.
    Humanidade e Amor faz diferença.

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  4. Passo por essa dificuldade, moramos em outra cidade. Só pra ficarmos longe de SP. Meu namorado frequentou por 20 anos a Cracolândia, e sai de onde moramos p poder ir p lá. Ele é usuário de crack, e estou devastada. Cansada.... Com medo, e já não sei o que fazer. Todas as vezes fui buscá-lo, mas vai chegando uma hora que nossas forças se acabam. A família dele não vai mais atrás dele. Ele é uma pessoa querida demais por todos. Tem uma inteligência absurda. Mas estou vendo tudo isso se acabar. Tá difícil, nesse momento ele tá na Cracolândia. E não sei se vou atrás ou sigo minha vida. Me ajude

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