segunda-feira, 20 de maio de 2013

Por que sofremos tanto?



De repente, num dia qualquer, nos deparamos com a realidade que aquele a quem tanto amamos está usando drogas. E agora, o que fazer? O mundo parece desabar sobre nossas cabeças.

Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada neste mês, o maior medo do paulistano, na atualidade, é que os seus familiares se envolvam com drogas. Esse medo foi apontado como maior do que o medo de ter a casa assaltada. 45% dos paulistanos, atualmente, apontam o envolvimento de jovens da família com tóxicos como seu maior medo. Em seguida aparece o medo de ter a casa invadida por assaltantes, citado por 26%.”, diz a reportagem do Uol. (Clique aqui, e veja na íntegra).

E, de repente, nos deparamos com essa realidade. Temos um familiar dependente químico. 

O sofrimento da família é tão grande, que ela passa pelos mesmos estágios psicológicos de um paciente terminal: primeiro negamos, não aceitamos a realidade; em seguida, tentamos barganhar; depois, passamos a sentir raiva, revolta; por fim, nos desesperamos e deprimimos.

Entretanto, só conseguiremos uma vida saudável para nós, e ajudar efetivamente ao nosso familiar, quando chegarmos à fase da ACEITAÇÃO.

Não, não é fácil essa realidade. Dói muito. Sofremos. Mas, se realmente amamos ao nosso familiar, somente amar não basta, precisamos agir.

Agir como? Cuidando de nós. Nos levantando. Enxugando as lágrimas. Respirando fundo. E buscando informação e apoio.

Mas, afinal, o que precisamos aceitar?

Aceitar que dependência química é uma doença psiquiátrica grave, e requer tratamento. E que a família tem um papel fundamental para que o dependente reconheça que precisa desse tratamento.

Aceitar que não somos culpados pela doença do ser amado. Que não podemos controlá-lo e que não podemos curá-lo, infelizmente.

Por um lado, dói muito saber disso, mas por outro, nos sentimos leves, livres de um peso que não precisamos carregar, e assim, podemos encarar essa doença, e ter estratégias para ajudar a quem amamos.

Se não podemos controlar, indica que devemos nos “desligar”. Não adianta ficar acordado no meio da noite, ficar sem se alimentar, deixar de aproveitar o fim de semana com a família, etc. Tudo isso só vai te adoecer e deixar infeliz e frágil. E se você adoecer, e estiver abalado emocional e psicologicamente, quem vai ajudar ao seu familiar adicto quando ele pedir socorro?

Estou aqui para falar o que tem dado certo pra mim. Quando ia me deitar, sabendo que meu esposo estava “por aí”, e eu me via zanzando pela casa de um lado para o outro, olhando para o telefone, ou com pensamentos de ir procurá-lo pelas ruas, dizia para mim mesma: “Poly, você não pode controlá-lo. O fato de ficar aqui sofrendo, acordada, não vai trazê-lo de volta. As suas lágrimas não vão fazê-lo parar." Então, eu entregava o meu esposo a Deus, com fé, e pedia a Ele que me desse um sono tranquilo. Me deitava ao lado dos meus filhos, e dormia.

Estamos tão acostumados a ver reportagens mostrando familiares de dependentes químicos descabelados, abatidos, cheios de orelhas, chorando, que acabamos pensando que isso é um comportamento normal, mas não é. Isso é um comportamento doentio, codependente.

Temos nossas próprias vidas. Precisamos nos cuidar. Correr atrás dos nossos próprios sonhos. Viver!!!

Somente quando passei a fazer isso, me senti mais forte para estar ao lado do meu esposo.

Se eu continuasse afundada na codependência, provavelmente estaria hoje em uma profunda depressão, síndrome do pânico, parada profissionalmente, e com uma família desequilibrada e infeliz.

Só por hoje, meu esposo está limpo há 55 dias. E isso é mérito somente dele.

Mas, a minha recuperação só depende de mim! Sim, consegui estudar, fazer minha Pós, alcançar o meu cargo de gerente, escrever dois livros, curtir minha família, cuidar dos meus filhos, cuidar de mim, mesmo quando meu esposo estava na ativa, e isso é mérito meu!

Queridos, afundar junto com o dependente químico não vai ajudar em nada! Ao contrário.

Vamos cuidar de nós mesmos? Vamos parar de sentir pena de nós mesmos, e agir a nosso favor!

Quer dizer que se eu fizer tudo isso ele vai deixar de usar drogas? Não. Não existem garantias. Mas, quer dizer que se você agir de forma assertiva e sem facilitação ou culpa, ele terá mais chances de reconhecer que está doente e buscar ajuda. E, principalmente, quer dizer que você estará inteiro para ajudar a quem você ama... E para viver a sua própria vida!

Boa semana, queridos!

8 comentários:

  1. Linda palavras Poly namoro um dependente químico a 8 meses e nao é facil lidar com a facilidade de troca de humor, bipolaridade e com as dificuldades do dia-a-dia mais só por hoje tento fazer ele ser uma pessoa melhor dando a ele responsabilidade e sempre ajudando no que esta ao meu alcance nunca dando pronto mais facilitando para que ele possa sempre crescer e construir e nunca desisitir daquilo que quer, pois sabemos que eles semprem começam uma coisa e nao terminam mais só por hoje ele ja mudou muito irá fazer 2 anos limpo e que o P.S o conserve assim sempre se recuperando e participando das reuniões de Narcóticos Anonimos o que o ajuda a se manter limpo todo dia....

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  2. Olá Poly! Meu marido está há 54 dias limpo, eles estão empatados praticamente. Digo isso pois sempre visito seu blog, deve lembrar da minha história, no inicio admirava mto seu marido por estar tanto tempo limpo, na época eram 3 meses, depois 1 ano e nisso o meu vivia recaindo, qdo o seu fez 1 ano o meu estava há uns 4 meses em pé, eu mostrei seu blog a ele e disse: "Viu se ele consegue pq vc não vai conseguir!" Alias ele tbm sabe da sua história e sempre acompanhamos, choramos juntos qdo vcs se separaram na ultima recaida dele. Mas agora, olha só estamos no mesmo tempo.
    O que vc diz é verdade, não podemos deixar de viver a nossa vida por causa deles, não se deixar abalar, mas isso é uma tarefa mto dificil, pois se eles recaem, querendo ou não NÓS tbm sofremos as consequencias! Enquanto estivermos juntos de um dependente químico é um risco, e se eles estão na ativa nda vai bem. Talvez, algumas pessoas tenham mais facilidade de ignorar o fato e ficar tranquilo com eles tirando tdo da sua casa em busca de drogas. E qdo estão em pé... sempre existe aquele medo, de qdo demoram para voltar, qdo saem com dinheiro, enfim. Quero superar esse trauma mas não é fácil. Não digo q deixo de viver nem de sorrir, nem de curtir minha familia, mas aquele friozinho na barriga insiste em aparecer, hora ou outra.
    Admiro vc Polly, pela sua superação, determinação, independencia, mas nem todos são como vc, acredito que a grande maioria não seja, talvez o tempo seja fator importante para se alcançar tamanhas qualidades no caso de CODEPENDENCIA, e mtos não aguentem chegar até lá para alcança-las. Assim como cda dependente tem um problema que precisa ser tratado para não leva-lo mais a usar a droga, cda COdependente precisa procurar se encontrar e saber lidar com a situação, pq caso contrário, ambos sofrerão, recairão até que decidam de uma vez por todas, um ou outro, sair dessa vida dolorosa. Acredito que esse seja o mal do século.
    Que Deus abençoe vc e sua familia.
    bjos

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    1. Querida Francielle, se desligar não é ignorar os fatos. É saber até onde vão os nossos limites e não permitir que o ultrapassem. Ainda sinto esse frio na barriga sim, mas ele não me imobiliza mais. E, digo pra você que eu, Polyanna, não conseguiria viver com meu esposo na ativa. Então, a manutenção do nosso casamento é fruto da recuperação de nós dois.
      Beijão, querida! Felicidades pra você e pro maridão!

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  3. Oi Poly, Parabéns pelo seu segundo livro!!! Então, sabemos que o desligamento é fundamental para o tratamento do codependente, mas como se desligar 100%? Falo isso, pois meu ex companheiro na ativa chegava ficar 1 dia inteiro longe de casa, e eu sempre me perguntava: Onde e com quem ele estará? Que comportamento o "estado de loucura" provoca? Enfim, sabemos que o índice de doença sexualmente transmissível é altíssimo entre os usuários, e isto sempre me preocupou muito. O que tem a dizer sobre? Te pergunto, pois esse foi o principal motivo da minha separação, sempre tive muito medo de ficar mais doente do que já estava (estou falando da codependencia). Tenho seu primeiro livro e leio muito seu blog, e não me lembro de ter lido nada a respeito. Gostaria muito de ouvir sua opinião. Um beijo grande! Ass. Kelly

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    1. Querida, cada uma de nós sabemos o marido que temos em casa. Se você corre o risco de contrair uma doença mais grave, se cuide, previna! Cada dependente tem uma forma de uso, uns usam em grupo, outros isolados, outros vão a baladas, enfim, você deve saber o nível de risco do comportamento do seu esposo, e sobretudo, se cuidar! Bjão!

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  4. Faz alguns dias que esi pela primeira vez no Blog, na ocasião, estava desesperada porque meu namorado, um dependente químico, havia terminado comigo... dias depois, ele pediu para voltar, mas hj estou insegura, e o pior de tudo, ele tem bebido e fumado... não está usando outras drogas e se sente seguro por isso, ele acha que bebendo socialmente e fumando seu "baseado" vez ou outra, ele tem o controle de sua vida... eu tenho medo, sei que cedo ou tarde, ele pode voltar a sair para ir atrás de drogas mais pesadas, mas não quero mais dizer nada à ele, somente ele pode fazer por ele mesmo, tenho meus momentos de codependencia e sao muitos, mas venho me policiando... as vezes me sinto facilitadora pois, apenas eu sei que ele continua se drogando, seus familiares nem sonham e eu não me sinto no direito de contar, acredito que esta "confissão" tenha que partir dele! Ele ficou internado por 9 meses, e acha que reformulou sua vida a partir do momento que conseguiu controlar seu dinheiro e não consumi-lo com drogas e bebidas!
    Obrigada Poly pelo espaço, é uma forma de "ouvir" meu desabafo!

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  5. Boa noite Poly! Essa semaa pra mim foi bem dificil, meu marido passou uma semana com os pais dele, pensei que longe ele fosse voltar melhor...mas me enganei, ontem ele chegou bem alterado em casa, tentei conversar com ele, mas ele comçou a falar alguns absurdos ai deixei ele dormi na sala e fi para o quarto dormi. Hoje acordei ele cedo e ele recebeu uma ligação marcando uma entrevista para amanhã e eu aproveitei a empolgação dele e cnvidei ele para voltar ao CAPS e graças a Deus ele aceitou e hoje ele está limpo almoçamos juntos e jantmos também e apesar de er somente 1 dias já agradeço muito a Deus e sei que dias melhores viram !!! Obrigada Poly seu blog vem m ajudando muito! bjs

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  6. Cara Polyanna, fiquei sabendo de seu blog no site da SEJUS...
    como tenho aprendido a refletir sobre o tema, perdemos um irmão caçula...para as drogas! Como nutríamos o sentimento de culpa...por não ter feito algo mais...mas com seus relatos, que são pra mim como verdadeiros ensinamentos com bastante lucidez...tenho visto que esse sentimento de culpa não nos faz bem...e, também não trará meu irmão de volta...temos agora é que nos cuidar e cuidar uns dos outros que estão vivos!!!Desd então estou bastante envolvido no trabalho de prevenção às drogas junto às escolas!!!Parabéns pelo trabalho e perseverança...Fé em Deus!!!

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