quinta-feira, 9 de maio de 2013

O nosso bem estar!




Boa noite!

Muitas pessoas me pedem sugestão quanto a que decisões tomar. Por exemplo, “devo mudar de cidade para tentar livrar meu familiar das drogas?”, “ele recaiu, e agora, o que fazer com nossa viagem de férias?, “o que fazer no fim de semana, com um familiar que está na ativa, sair ou ficar em casa de vigia?”

Hoje eu gostaria de falar sobre um dos maiores aprendizados que tive no Nar-Anon, que é a Tradição Um. Essa tradição se tornou um indicador para mim, naqueles dias em que me sinto confusa quanto a que decisão tomar.

Essa tradição diz que “o nosso bem estar comum deve vir em primeiro lugar; o crescimento pessoal do maior número de membros depende da unidade.” Essa tradição diz respeito aos membros do grupo, mas pode sim ser aplicada em nossos lares, e foi isso que passei a fazer.

Vejamos na prática como isso funciona:

Quando meu filho do meio era apenas um bebê recém-nascido, ao acontecer uma recaída do meu esposo às drogas, eu o peguei em meio às suas cobertinhas, e  por volta de meia-noite, saí pela cidade em busca do meu esposo. Nessa ocasião, eu não sabia nada sobre codependência ou recuperação. Então, o que fiz? Movida pela necessidade de tentar proporcionar o bem estar ao meu esposo (buscá-lo, tirá-lo das drogas, cessar o uso, etc), eu abri mão do meu próprio bem estar, do bem estar da minha filha (que ficou na avó), e do bem estar do meu bebê que não deveria estar na rua naquele horário, e ainda nos expus a riscos.

Em outros dias, eu cancelava toda a programação familiar de feriado ou final de semana porque meu esposo estava usando drogas.

Percebi que esse tipo de atitude não só prejudica ao adicto como também adoece e arruína toda a família. Graças a Deus, consegui mudar, em muito, essa forma de agir.

Hoje, em minha casa, somos cinco integrantes. Meu esposo, eu, e nossos três filhos. A cada decisão, tento analisar o que é melhor para todos os membros, ou ao menos para a maioria.

Voltando à pergunta que uma leitora me fez: “devo mudar de cidade para tentar livrar meu familiar das drogas?”  Bom, minha opinião é: analise se essa mudança será algo bom para você e para os demais membros da família. Será bom profissionalmente, estará perto de familiares, é uma cidade agradável, etc? Então, siga adiante. Mas, se essa mudança prejudicará a todos os membros, e terá a única intenção de salvar ao adicto, não faça. Porque não existem garantias de que dará certo na recuperação dele, e você estará colocando as necessidades dele acima das necessidades de todos os outros membros, o que não é justo.

Ontem mesmo eu apliquei essa tradição aqui em casa.

Meu esposo está limpo há 43 dias. E ontem esqueci o cartão do banco em sua carteira. Ele estava em seu trabalho, e eu estava no meu. Foi ele mesmo quem me avisou, via telefone, que o cartão estava com ele. Fiquei receosa. E comecei a ponderar quanto ao que fazer: meus filhos estavam me esperando em casa, eu estava muito cansada após um dia de trabalho, e depois de pegar um trânsito pesado, ter que fazer todo o trajeto de volta com as crianças, seria um desrespeito para comigo e para com elas também, afinal, é o tempo que tenho para brincar com elas, amamentar o caçula, e eu estava realmente exausta. Pensei, pensei. E decidi não buscá-lo, apesar do risco. O bem estar comum falou mais alto, e me ajudou nessa decisão.

Graças a Deus, deu tudo certo, ele chegou bem, e até me trouxe flores!

Queridas(os), o que quero dizer aqui é que a família não se resume ao adicto. E muito menos a sua vida se resume à vida dele. Se vocês são apenas um casal, pense no seu bem estar, em primeiro lugar.

Anular-se em favor do outro não é prova de amor, e nos adoece, além disso, fazendo isso nos enchemos de ressentimentos e cobranças, o que só atrapalha nos processos de recuperação de ambos. Pense nisso!

Queridas(os), agora quero falar de um assunto muito sério. Temos um problema: a codependência. Mas, existe recuperação! Entretanto, se nos entregarmos a esse mal, podemos fazer coisas que jamais imaginamos. Estou preocupada com muitas esposas/namoradas que só pensam no amado 24 horas por dia. Vamos para uma sala de ajuda? Que tal Nar-Anon, Amor-Exigente, Al-Anon? Lá vocês farão novas amizades, com pessoas que te entendem. Lá vocês se sentirão verdadeiramente amadas. E, sobretudo, encontrarão uma nova maneira de viver.

Digo isso porque, nesses dois anos, já ouvi relatos de 04 (quatro!!!) companheiras que decidiram passar também a usar drogas na tentativa de chamar a atenção do companheiro adicto. Por que isso? Falta de amor próprio. Excesso de atenção no outro. Codependência. E pior, se tornando em dependência química.

“Quando eu ainda não usava drogas já acompanhava seu blog. Sempre li, apesar de nunca ter falado contigo. Mas naquela época eu era codependente e depois me tornei dependente química. Meu dependente químico sumia por uma, duas semanas. Então decidi usar drogas pra ver se ele não sumia mais. Absurdo, eu sei. Consegui a atenção dele, e fomos morar juntos.” (JM)

Graças a Deus, essa companheira, após chegar a viver na rua, hoje está limpa há 8 meses, retomou até mesmo sua faculdade, e está com sua mãe.

Confesso que me desespero ao ver minhas “iguais” abrindo mão de si mesmas, de suas vidas, de seus sonhos, por uma obsessão à vida do outro. Me desespero porque já fiz o mesmo. Nunca usei drogas para chamar a atenção do meu esposo, mas passava dias e dias sem me alimentar com esse propósito. Fazia tantas insanidades para que ele me olhasse. Quando, na verdade, era eu mesma quem precisava me olhar, me abraçar, me querer bem...

Queridas(os), cuidem-se! Valorizem-se!
 
“Quero dar um basta a essa eterna expectativa de viver esperando que o que não dou a mim mesma, venha dos outros.” (Amando um Dependente Químico – Dias de Recuperação)

Lembrando que o lançamento do livro será no próximo dia 18/05! Tá chegando!!!

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Beijão!

ZZZZzzzzzzz :)

4 comentários:

  1. Sabe Polly, se fala muito de a mulher codependente. Tive um namorado co dependente e vou escrever sobre ele no meu blog, começou usar drogas depois que me conheceu ... acho interessante porque é dificil um homem fazer de tudo pra conseguir ficar com uma dq

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  2. ótemo post...e pras companheiras deixo a mensagem do dia que li hoje...rs..vai aiCura da Depressão

    Contente-se com a felicidade possível, assim, a depressão sairá em retirada tão logo você se convença disso. A beleza da vida consiste em admirar o diminuto raio de luz que ultrapassa a fresta de uma caverna escura.
    Pense que a depressão é portadora de uma mensagem de alerta em sua vida. Decifre-a, entenda o motivo pelo qual ela surgiu, compreenda as causas que o levaram a semelhante estado d'alma e, assim, aprendendo a lição contida em cada experiência de vida, aceitando a vida tal qual ela se apresenta, você estará dando um passo mais que seguro na direção da cura real.

    Da obra: Força Espiritual
    Autor: José Carlos De Lucca

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  3. Oi Polly! Ótimo post! Essa semana estou em uma viagem e meu esposo ficou lá sozinho. Prova de fogo pra ele. Ontem os familiares causaram a maior confusão na tentativa de monitorar e controlar meu esposo. Me ligaram em meu trabalho e fiquei preocupada, mãos geladas, coração acelerado... Liguei pra ele, parecia normal, tranquilo. Respirei fundo e pensei "Não posso controlar nem de perto, longe então... Entreguei nas mãos de Deus. Hoje eu sei que só posso mudar a mim mesma".
    Estou ansiosa pelo novo livro!
    Beijos
    RAT

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  4. Sábias palavras Polly. Já coloquei meu filho em muitas situações que não deveria só para monitorar meu namorado e me arrependo mto, chega até a machucar pensar em tudo.
    Aos poucos estou melhorando, mas ainda dou meus deslizes.
    Semana passa por exemplo deixei de ir pra faculdade para esperá-lo voltar de mais uma noite se drogando. Na hora da discussão fiquei tão transtornada que dei um murro na janela e cortei meu pulso, cheguei a ver meu osso. Nesse momento consegui a atenção dele na hora, a "brisa" da droga foi embora no mesmo momento e ele chorava dizendo que ia ficar bem depois de tudo aquilo.
    Ele recaiu depois disso, aliás hoje está a 2 dias sumido. Eu ganhei pontos no meu braço costurado que vai deixar uma cicatriz horrível, mas ganhei muito mais. Aprendi que não posso estragar a minha vida e principalmente a vida do meu filho por ele. Quando a médica disse que eu poderia ter cortado a veia do pulso e perder mto sangue, meu único pensamento era que se acontecesse algo comigo eu não ia me perdoar, porque meu filho precisa muito de mim.
    Como sempre digo, tem gente que só aprende na dor, e eu aprendi.
    Nesses dois sias que ele está sumido eu simplesmente deitei pra dormir com meu filho, assisti desenho, fiz tudo normal como se nada tivesse acontecido. Acho que pela primeira vez conseguir dormir como um anjo mesmo sabendo que ele estava na rua, mesmo porque acordo 05:30 da manhã para ir pra faculdade, levar meu filho na escola e trabalhar, não vou mais passar noites acordadas e não ir pra faculdade, faltar no meu trabalho. Cansei de me prejudicar, não posso.
    Vivo muito melhor hoje em dia, me amando mais e amando meu pequeno.

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