quarta-feira, 29 de maio de 2013

Amar pelo prazer de amar!



“Eu prometo te amar e te respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe...”

Na minha concepção, amar é aceitar o outro. É dizer “eu te amo, apesar do que você é”.

Assim, sem garantias, sem condições, sem exigências, se ama porque se ama e ponto.

Por favor, não associem essa minha afirmação à aceitação de violência física ou emocional, ou mesmo à aceitação de outros desatinos ocasionados em razão da adicção ativa. Não é isso.

Estou aqui dizendo que meu esposo, apesar de estar limpo há 64 dias, continua sendo um adicto. E ele tem dificuldades. Ele passou muitos anos usando drogas, fugindo para as drogas, e isso lhe trouxe muitas consequências. Ele tem problemas de aceitação de si mesmo, e também problemas para se relacionar com as pessoas ao seu redor, inclusive comigo.

Além disso, ele trava uma luta diária para se manter limpo, é uma batalha contra seu próprio corpo, sua própria mente, então nem sempre ele está disponível para quem está perto.

Mas, eu o amo.

Daí me pergunto: “por que você o ama?”

Eu o amo porque ele desperta em mim o que tenho de melhor.

O amo porque me sinto feliz ao seu lado.

O amo porque sinto o seu amor por mim.

Sim, ele sempre me amou:

Nos EUA, quando eu era uma babysitter ou uma house-cleaning, e também quando estava desempregada.

Me amou quando eu estava magérrima, e também quando fiquei gordinha.

Me amou, mesmo com as consequências que a gravidez traz para o corpo.

Ele me amou nos meus dias de TPM, quando fui incompreensiva, e quando quase surtei em razão da codependência.

Ele simplesmente me amou, sempre. Do jeito que sou. Mesmo com meus defeitos e traumas, ele me amou. E isso, pra mim, é muito!

Ele tem um lugarzinho em seu ombro, que chamo de “o meu lugarzinho”. Quando ele se deita, e me deito ao seu lado, coloco minha cabeça sobre “o meu lugarzinho”, e ali conversamos sobre tantas coisas. Somente ele tem esse “meu lugarzinho” e eu o amo por isso.

Eu o amo, porque em alguns dias, com o corre corre de mãe, profissional e dona de casa, não lhe dou a devida atenção, e ele tem sido compreensivo.

Eu o amo porque somos cúmplices. Acreditamos nos sonhos um do outro, e apostamos neles.

Eu o amo porque ele é um guerreiro.

Eu o amo porque, todas as manhãs, ele me deixa um leite com café na caneca, prontinho, para quando me levanto apenas esquentar no micro-ondas.

Eu o amo porque ele cuida dos nossos filhos com tanto amor e dedicação.

Eu o amo porque o amo.

Sim, eu poderia citar aqui alguns dos defeitos dele que não gosto. E, certamente, ele também tem um rol dos meus defeitos que o incomodam. Mas, isso que é lindo. Ainda assim, nos amamos.

Querer que o outro mude não é amor. Desprezar o outro porque ele não é como você idealiza, não é amor. Aceitá-lo como ele é, isso sim é amor.

Mais uma vez ressalto, não estou falando de uso de drogas. Usar drogas não é defeito de personalidade, é doença. E doença tem que ser tratada.

Mas, estou falando de aceitar o dependente químico como ele é, e de amá-lo.

Hoje em dia, queremos tirar proveito de tudo, até mesmo dos relacionamentos. Sempre pensamos: “o que vou ganhar com isso?” Não condeno quem vive assim, mas isso não funciona comigo. Felicidade, pra mim, está em fazer coisas por amor, sem exigências, sem contratos.

Dia desses vi a história de Chris Medina e Juliana Ramos. Vocês já viram?

Dois jovens apaixonados que, após dois anos de noivado, tiveram suas vidas mudadas. Juliana sofreu um acidente e ficou com muitas sequelas, e Crhis decidiu se manter ao lado dela. Na nova rotina, ele dá muito mais do que recebe, mas mesmo assim está com ela até hoje.


Certamente queremos um amor como o do Crhis, mas poucas vezes estamos dispostos a dar esse amor.

Não falo apenas em amor de casal, mas amor de amigo, de irmãos, de familiares, de colegas de trabalho... de seres humanos. Por que não amar sem esperar nada em troca? Isso é tão gostoso!

Sei que existem muitos casais como esse que citei acima.

E eu quero amar ao meu esposo assim, de forma incondicional. E sei que amor não é um sentimento, mas sim uma decisão.

Acredito na nossa história e no nosso amor. E aceito o meu esposo como ele é.

E só por hoje, decido amá-lo, e o amo!

Sei que amar um dependente químico não é fácil. Além de viver na insegurança, requer de nós um amor inteligente, que tenha estratégias, que imponha limites. Mas, não me importo. Quero amá-lo e continuo o amando!

Amanhã ele fará 38 anos. E eu desejo a ele tudo de melhor, de coração. Que Deus o abençoe, um dia de cada vez, e sempre. E que ele seja realmente feliz!

E que esse amor em nossos corações se multiplique todos os dias...

4 comentários:

  1. Aqui pensando no bem que você me fez, que faz ...
    Que você continue amando seu esposo, que você continue dando suas lições de amor, que você seja sempre amor .
    Boa noite!

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  2. Há algum tempo venho acompanhando seu blog e até agora não havia comentado. Mas essa postagem veio como uma luz em uma hora tão difícil. Agora neste momento, meu namorado está há 48 horas usando crack e vai ser internado a força assim que voltar pra casa. Em sete meses que estou com ele, nunca esteve assim tão mal. Ele é o amor da minha vida, e sim continuará sendo mesmo que ele traia a imagem daquilo que eu gostaria que ele fosse. Obrigada por tudo! Amanda

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  3. Nossa Poly como me identifico e amei esta postagem é realmente o que sinto e penso...muitas pessoas não entende...eu simplesmente o amo...e acredito muito no amor...e sei que vale a pena. Aceito ele do jeitinho que ele é, com a doença dele, com os defeitos dele e o que eu não aceito é as drogas...e enquanto houver amor...vou lutar!!! bjus e te amo incodicionalmente!!! Obrigada por tudo que tem feito por nós, sem dúvidas é a nossa voz que vc está falando, gritando e acreditando...super bju.
    Tatiana M. Lopes

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  4. parabpens pro maridão...e vamo reza..ora pro cabeça dura abrir a mente aff parece o Du...rs.)..teima em usar o Sò Por hoje pra fugir de si mesmo...ok ok..só por hoje ele ta simplesmente feliz da vida...porém sabemos que a vida não é feita só de dias coloridos...existem os dias cinzas...nós codependentes que estamos em recuperação sabemos disso..e até caindo e levantando conseguimos lidar bem..mais eles...me preocupa quando eles teimam em pensar que assim (fugindo de si mesmo) nosd ias coloridos..o problema ta resolvido...infelizmente sabemos o final dessa fuga...não tem jeito como disse minha amiga madrinha...recuperação não é pra quem precisa é pra quem quer...como diz um amigo adicto...navalha na carne...vamos rezar..pra que Deus..abra a cabeça do ser...enquanto isso mulher...ta certissima, aproveite os bons momentos... :)..paz pra ti...tmj

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